JESUS CRISTO

a Igreja e cada um de nós (profissionais e empresários) no 3º milénio

 

SER ESPERANÇA contra a esperança

pela fé em Jesus Cristo nossa “esperança da glória”

 

Fome Pobreza Miséria Desigualdades Injustiça Social Desperdício Consumismo Ter Competição Concorrência Escravatura

Armas Comércio de armas Minas anti-pessoais Guerra Terrorismo Atentados suicidas 11 de setembro Violência Criminalidade Pena de morte - Perseguições

Acidentes viários Individualismo

Choque de civilizações Fundamentalismos Fanatismos Intolerância Crise Pluralismo Corrupção Mafias

Dependências Álcool Tabaco Droga

Stress Depressão Pessimismo Solidão Abandono Divórcio Suicídio

Suicídio assistido Eutanásia Clonagem Aborto Pornografia Homossexualidade Pedofilia Abuso sexual Sexo - Prostituição

Ecologia Poluição Catástrofes Cheias e Inundações Terramotos Buraco do Ozono Espécies em extinção Esgotamento de recursos Explosão populacional

Sida Cancro - Lepra

Crise Globalização

Hiroshima Nagasaqui Holocausto Camboja Vietname Comunismo Fascismo Capitalismo Estados Unidos - Israel - Europa - Portugal O Mundo

Religiões Superstição Fátima Islamismo Secularização e laicismo -

- Ciência Conhecimento Informação

 

Fome

“Não sou optimista, logo não escrevo romances optimistas. Aliás, nos tempos que correm, o optimismo é uma obscenidade. Em cada quatro segundos, morre uma pessoa de fome...” (José Saramago, Visão, n.º 498, 19 a 25 setembro 2002, p.115).

 

FOME REGRESSOU À ETIÓPIA (Diário de Notícias, 12 de Novembro de 2002) – “A Etiópia está a viver uma nova crise alimentar, bem mais grave do que a de 1984, e que ameaça matar de fome 15 milhões de pessoas se os doadores internacionais não intervierem rapidamente para evitar uma catástrofe.”

 

ANGOLA (Diário de Notícias, 12 de Novembro de 2002) – “São pelo menos 1,5 milhões as pessoas que sofrem de desnutrição aguda. Diariamente, cinco pessoas morrem de desnutrição nos campos montados para acolher os antigos guerrilheiros da UNITA e seus familiares. O Programa Alimentar Mundial diz que até ao final de 2002, estará a alimentar 1,9 milhões de pessoas.”

 

MOÇAMBIQUE (Diário de Notícias, 12 de Novembro de 2002) – “Após dois anos de cheias devastadoras, a seca afecta 90 mil hectares de terras e cem mil agregados familiares. As agências das Nações Unidas dizem que mais de 500 mil pessoas necessitam de ajuda alimentar.”

 

ZÂMBIA (Diário de Notícias, 12 de Novembro de 2002) – “As autoridade dizem que 2,4 milhões de pessoas correm riscos de morrer de fome e que as reservas alimentares do país estão quase esgotadas. A escassez de mlho foi calculada em 630 mil toneladas, mas o Presidente Levy Mwanawasa tem reiterado que a Zâmbia não aceitará ajuda alimentar que inclua cereais geneticamente modificados.”

 

ZIMBABWE (Diário de Notícias, 12 de Novembro de 2002) – “As ocupações de fazendas têm levado a um decréscimo da população agrícola, agravado pelas chuvas escassas. Calcula-se que seis milhões de pessoas necessitam de assistência alimentar, que o Governo parece estar a utilizar como arma política.”

 

MALAWI (Diário de Notícias, 12 de Novembro de 2002) – “Registaram-se já centenas de casos de morte por fome, que ameaça 3,2 milhões de habitantes. As colheitas fracas fazem com que o Malawi necessite de 560 mil toneladas de produtos alimentares. Sida e um surto grave de cólera aumentam a mortalidade.”

 

MENINOS COM FOME (Visão, 21 Novembro 2002) – “As recentes mortes de cinco crianças argentinas por desnutrição vieram demostrar que os números da crise social não são uma mera ‘criação estatística’. Na Argentina, uma em cada cinco crianças sofre de subnutrição, sete em cada dez vivem em famílias pobres e quatro crescem em ambientes de indigência. O país tem 2,1 milhões de crianças incapazes de satisfazer as necessidades básicas de alimentação. Reagindo às mortes verificadas na região de Tucumán, Hilda González de Duhalde, primeira dama e responsável pelas políticas sociais, propôs-se organizar uma rede de solidariedade.”

 

O mundo habituou-se à ideia de que a única expressão da fome são as faces encovadas e o estômago salientes associados à fome em África. Mas, hoje, na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, a fome insidiosa é um problema que afecta gravemente o povo palestiniano. Oculta no sangue anémico das crianças, ou perdida nas estatísticas sobre o atraso no crescimento, uma malnutrição terrível e silenciosa atormenta os palestinianos. (A “fome oculta” na Palestina, Jornal Público, 12.12.2002)

 

A pior peste que já ameaçou a humanidade, como é já vista a sida, agrava cruelmente a fome que debilita 14 milhões de pessoas na África Austral e ameaça submeter também a Ásia aos seus desígnios, nos próximos cinco anos. Em 2002, a sida causou mais de três milhões de mortes, ao mesmo tempo que cinco milhões de pessoas contraíram o vírus HIV – o que significa que 42 milhões de pessoas em todo o mundo vivem com o vírus da sida. Menos de quatro por cento dos casos são tratados.

(...) A África subsariana continua a pagar o mais duro contributo, abrigando dois terços das infecções e mortes causadas pela sida em todo o planeta. (...)

Na terceira década da peste, a infecção propaga-se a um ritmo de 14 mil novos casos por dia, essencialmente (em mais de 95 por cento dos casos) nos países em vias de desenvolvimento. Na África negra vivem 29,4 dos 42 milhões de pessoas com o vírus. Dez milhões de jovens e perto de três milhões de crianças com menos de 15 anos estão infectadas com o HIV.

Para combater o flagelo nos países de maior necessidade “seriam necessários dez mil milhões de dólares por ano, só para a sida, durante dez anos”, afirma Peter Piot, director executivo da associação. “A partir de 2007, serão necessários 15 mil milhões por ano”, adverte ainda a Onusida. O problema está “longe de terminar”.

A epidemia agrava a fome que debilita a África negra: “Mais de 14 milhões de pessoas arriscam-se a morrer de fome no Lesoto, Malawi, Moçambique, Zâmbia e Zimbabwe.” Sete milhões de trabalhadores agrícolas em 25 países africanos morreram de sida desde 1985. “A fome é um exemplo trágico da forma como esta epidemia se combina com outras crises, para criar catástrofes ainda maiores”, sublinha Piot.

A Ásia é considerada a “bomba prestes a explodir”: mais de sete milhões de pessoas vivem já com o HIV. Este número poderá ultrapassar os 18 milhões até 2007, a menos que se inicie uma acção “concertada e eficiente” de prevenção.

(Sida e fome “estrangulam” África subsariana, Jornal Público, 27.11.2002)

 

Teme-se que a catástrofe natural eleve o número de pessoas a precisar de alimentos para perto dos 15 milhões, no início do próximo ano. Seis milhões já estão a sofrer de fome. O primeiro-ministro etíope, Meles Zenawi, receia uma repetição da catástrofe de 1984, que matou cerca de um milhão de pessoas. (Seca sem tréguas ameaça 15 milhões na Etiópia, Jornal Público, 16.11.2002)

 

Este ano, a Argentina, quarto maior exportador mundial de alimentos, tenciona aumentar as suas vendas de carne, trigo, milho e soja. Apesar destas perspectivas, todos os dias, no país conhecido como “o celeiro” do mundo”, há crianças a morrer de fome. E a situação mais dramática vive-se em Tucumán, onde o número de desnutridos subiu de 11 mil para 18 mil. (Milhares de crianças morrem de fome no “celeiro do mundo”, Jornal Público, 27.11.2002)

 

Também o Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS, da sigla inglesa) alerta para a possibilidade de a Etiópia poder estar à beira de um “desastre pior” do que aquele vivido na década de 80, quando cerca de um milhão de pessoas morreu vítima da fome. Se a Comissão Europeia fala de 250 mil pessoas, o JRS diz que onze milhões de pessoas enfrentam o risco de morrer por falta de alimentos, (...).

A crise vivida actualmente na Etiópia deve-se a uma grave seca que atinge o Nordeste do país, de acordo com o comunicado da Comissão Europeia. (...)

(Onze milhões de pessoas enfrentam escassez de alimentos na Etiópia, António Marujo, Jornal Público, 6.2.2003)

 

O programa alimentar Mundial (PAM), das Nações Unidas, considera que o Governo de Zimbabwe é responsável pela crise humanitária no país, onde sete dos 14 milhões de habitantes só conseguirão sobreviver à fome, se receberem auxílio do estrangeiro.

(ONU culpa Mugabe pela crise humanitária no Zimbabwe; Jornal Público; 27 fevereiro 2003)

 

O mundo “está prestes a perder o combate” contra a fome, defendeu na terça-feira o responsável do Programa Alimentar Mundial (PAM) da ONU. A falta de fundos é de tal forma grave que a organização não pode continuar a manter todos os programas, tendo de escolher que as populações continuarão a ser ajudadas.

O alerta foi deixado por James Morris, junto de uma comissão parlamentar norte-americana. “Não só estamos prestes a perder a batalha em casos urgentes, como o do Afeganistão, da Coreia do Norte e de África, onde muitas vezes nos faltam fundos, mas também estamos em vias de perder o combate contra a fome crónica”, sublinhou o responsável.

Apesar dos esforços das agências não governamentais, mais de 800 milhões de pessoas não têm o que comer em todo o mundo. Em cada dia, 24 mil pessoas sucumbem à fome ou morrem de problemas de saúde relacionados com a alimentação, divulgação.

(ONU obrigada a desistir de programas contra fome; 27 fevereiro 2003)

 

*Pobreza

“Dois milhões e meio de pobres em Portugal, incluindo perto de 400 mil imigrantes, foram os números apresentados pela União das Instituições Particulares de Solidariedade Social (UIPSS), durante uma conferência de imprensa, ontem, no Porto, no dia da Luta Contra a Pobreza. (...) Uma análise comparativa com os estudos mais recentes nesta área permite concluir que hoje há cerca de mais 500 mil pobres no país.”

2 milhões e 500 mil pobres

380 mil a 400 mil imigrantes no limiar da pobreza

4098 IPSS registadas

600 mil pessoas atendidas pelas IPSS

(Público, 18 outubro 2002)

 

“No mesmo momento em que este encontro decorre, 600 milhões de crianças vivem na pobreza. Três milhões de crianças entre os 0 e os 14 anos vivem, infectadas com sida, na África ao sul do Sara. Estima-se que, de cem crianças que nascem, 55 das quais na Ásia e 16 em África, 33 nunca serão registadas, sofrerão de desnutrição, não vão ser vacinadas nem saber o que é água potável. Mas conhecerão, sim, os efeitos da guerra.” (Jornal Público, 2.10.2002, PEDIATRAS UNIDOS PELA CRIANÇA)

 

Nas regiões desenvolvidas, a fecundidade sofreu uma redução para metade (de seis filhos para 2,9 por cada mulher) desde 1960 e a esperança de vida aumentou de 48 para 64 anos. Nos países menos avançados, a fecundidade diminuiu apenas de 6,6 para 5,2 e a esperança de vida subiu de 39 para pouco mais de 50. A população mundial deverá chegar aos 9300 milhões até 2050. (Menos população permite maior desenvolvimento; Jornal Público, 3.12.2002)

 

A União Europeia (UE) encerra em si muitas desigualdades: 21% das crianças que habitam este espaço comum – uma em cada cinco – vive em agregados familiares muito pobres. São 17 milhões que podem comprometer o futuro da UE. (...) O Reino Unido surge como o País onde a pobreza infantil atinge o seu maior expoente – 25% -, mas Portugal também chega a essa taxa no feminino, apesar de aquela que se refere aos rapazes ficar pelos 21%.

(17 milhões de crianças pobres; Jornal Diário de Notícias; 23.1.2002)

 

Quase 14 milhões de argentinos, ou seja, cerca de seis em cada dez, vivem actualmente no limiar da pobreza e 17,5 por cento (6,5 milhões) enfrentam mesmo uma situação de indigência. Os números são do Governo e mostram um grande aumento d pobreza entre Maio e Outubro do ano passado. (...) Em cinco meses o número de pobres aumentou 9 por cento. (...)”

 

Milhões de crianças órfãs da sida “são arrastadas para as cidades em busca de um ganha-pão. Crianças que ficam expostas a todo o tipo de exploração, como, por exemplo, o trabalho infantil e o tráfico”. Foi com estas palavras portuguesa Marta Santos Pais comentou o relatório da UNICEF intitulado “Pobreza e exclusão das crianças das cidades”, ontem divulgado em Florença.

“Falta-lhes um lar onde se sintam protegidas. Não têm possibilidade de acesso à saúde ou à educação, nem um lugar seguro onde possam brincar”, acrescentou Marta Pais.

No relatório, apresentado pelo director adjunto da UNICEF, Kul Gautam, afirma-se que dezenas de milhões de crianças das cidades em todo o mundo vivem n pobreza e num ambiente que põe em perigo as suas vidas. Estão privadas de serviços sociais básicos, como a educação e os serviços de saúde. Vivem num estado de pobreza crónico e são marginalizadas, passando muitas delas os dias a rebuscar o lixo em busca de algo para vender. À noite, nas ruas, ficam particularmente expostas à violência e à exploração.

Segundo a UNICEF, durante o século XX a população urbana mundial cresceu mais de dez vezes e a superfície média das cem maiores cidades aumentou apenas oito vezes. O aumento da percentagem de pessoas que vivem em zonas urbanas passou de menos de 15% em 1990 para 48% em 2002, segundo as estimativas disponíveis.

Calcula-se que o número de crianças que no ano transacto viviam em cidade ronde os mil milhões, o que representa perto de metade da população infantil a nível mundial. Mais de 80% destas crianças vivem em África, na Ásia e na América Latina.

Embora se considere que, de um modo geral, as crianças que vivem em centros urbanos são mais beneficiadas do que as que vivem nas zonas rurais, na verdade muitas centenas de milhões de entre elas enfrentam uma enorme pobreza. Em muitos países com baixo rendimento, a taxa de mortalidade das crianças urbanas atinge ainda valores da ordem dos cem a 200 por mil nados vivos. Mais: uma grande parte das crianças pobres das cidades estão apenas parcialmente vacinadas ou sem qualquer vacina. As taxas de anemia são elevadas e uma grande percentagem está subalimentada.

(Pobreza urbana atinge milhões de crianças, Jornal Diário de Notícias, 7.2.2003)

 

O novo relatório sobre o desenvolvimento indica que o número de pessoas que vivem com menos de um dólar por dia aumentou de 1300 milhões em 1990 para 1600 milhões em 1999, mas também que poderá reduzir-se para 809 milhões em 2015 caso as ajudas dos países mais ricos cumpram o disposto pelo Banco Mundial. Mesmo com auxílio, a grade excepção pode ser a África subsariana, onde o número de pobres pode aumentar de 315 milhões em 1999 para 404 milhões em 2015, afectando perto de metade da população da região. No Médio Oriente e no Norte de África, as projecções também não são animadoras, com os valores a subirem de seis para oito milhões nesse período de tempo.

(Banco Mundial chama a atenção para a guerra da pobreza, Público, 14.4.2003)

 

Há perto de 800 milhões de pessoas com fome.

Mais de mil milhões não têm água potável.

2,4 milhões não têm saneamento básico.

115 milhões de crianças não vão à escola.

A degradação dos solos afecta dois mil milhões de hectares.

(Jornal Público, 9.7.2003)

 

*Miséria

Temos recursos naturais, científicos e técnicos para fazer deste “vale de lágrimas” a reconquista do paraíso, uma terra de vida pacífica. Acontece que o relatório das Nações Unidas sobre a situação da população mundial em 2002 diz, pelo contrário, que as disparidades entre ricos e pobres, a nível mundial e no interior de cada país, tem vindo a acentuar-se. Como tem mostrado J. Stiglitz, prémio Nobel da Economia em 2001, a “mão invisível e benfazeja do mercado, tão gabada pelos liberais, é uma ilusão”. (Jornal Público, 22.12.2002)

 

As previsões da ONU dizem que, dentro de 25 anos, 400 milhões de africanos poderão viver em “barracópolis”, porque a África está num processo de urbanização incrível. São realidades dramáticas, que devemos ter em conta.

(Missionário “mais incómodo” de Itália quer Igreja empenhada contra armamento – entrevista com P. Alessandro Zanottelli; Jornal Público; 3.1.2003)

 

As cidades cresceram e com elas cresceu a pobreza. Os países ficaram mais ricos e com eles ficou a miséria. Daqui a vinte anos, haverá mil milhões de pobres nas zonas urbanas. Hoje, mais de 1,3 mil milhões de pessoas sobrevivem com pouco mais de 200 escudos por dia. A este número somam-se, todos os anos, mais de 25 milhões.

(Mil milhões de pobres em 2020; Jornal Público; 4.4.2000)

 

Cerca de 16 milhões de pessoas correm risco de vida e precisam de auxílio alimentar urgente na África Oriental, (...).

A situação mais grave ocorre na Etiópia, onde, diz a FAO, mais de oito milhões de pessoas estão em risco de fome, enquanto no Quénia cerca de 2,7 milhões de pessoas podem ficar sem cobertura alimentar.

(África Oriental 16 milhões morrem à fome; Jornal Público; 4.4.2000)

 

·         Um terço da população mundial sustenta-se com menos de dois dólares (416$00) por dia.

  • Mais de cem milhões de pessoas vivem, nos países industrializados, abaixo do nível da pobreza, mais de cinco milhões não têm abrigo e 37 milhões estão desempregados.
  • Mais de mil milhões de pessoas nos países de pessoas nos países em vias de desenvolvimento carecem de habitação adequada e cem milhões estão sem abrigo.
  • Mais de 840 milhões de adultos são analfabetos.
  • 538 milhões de mulheres são dois terços dos analfabetos adultos nos países em vias de desenvolvimento.
  • Os três “bilionários” mais ricos do mundo têm rendimentos mais elevados dos que o PIB (Produto Interno Bruto) cumulativo dos 48 países menos desenvolvidos e os seus 600 milhões de habitantes.
  • Os países menos desenvolvidos, com dez por cento da população mundial, têm 0,3 por cento do comércio mundial – metade da quota que tinham há duas décadas atrás.
  • A esperança de vida de um quinto da população dos países em vias de desenvolvimento é de 40 anos.
  • 160 milhões de crianças estão moderada ou gravemente subnutridas; 110 milhões não recebem educação primária.
  • 1,2 mil milhões de pessoas não têm acesso à água potável.
  • Meio milhão de mulheres morre cada ano durante o parto nos países em vias de desenvolvimento, dez a cem vezes mais que nos países industrializados.
  • Cada ano, sete milhões de pessoas morrem de doenças contagiosas curáveis e doenças parasitárias tais como a malária, a diarreia e a tuberculose.
  • Cerca de dois milhões de crianças morreram na última década em resultado directo de conflitos armados.
  • Há 110 milhões de minas por detonar em 68 países.
  • As mulheres e seus dependentes são 80 por cento dos 18 milhões de refugiados no mundo.
  • O alívio real da dívida aos vinte países mais endividados custaria 5,5 biliões de dólares, o equivalente ao custo de construção do parque Euro-Disney.
  • O custo da erradicação da pobreza é um por cento do rendimento mundial.
  • A pobreza extrema pode ser eliminada no mundo nas duas próximas décadas.
  • Por ano gastam-se onze biliões de dólares em sorvetes na Europa. A expansão da educação básica a todos custaria seis biliões de dólares.
  • 95 por cento de todas as novas infecções HIV ocorrem nos países em vias de desenvolvimento; 16 mil pessoas são afectadas diariamente com o vírus.
  • A América do Norte, a Europa e o Japão, juntamente com oito províncias costeiras da China e Beijing, recebem 90 por cento do Investimento Directo do Estrangeiro. O resto do mundo, com mais de 70 por cento da população, recebe menos de 10 por cento.
  • A Europa do Leste e a Comunidade dos Estados Independentes (CEI) têm tido o maior índice de empobrecimento na última década, com 120 milhões de pessoas a viver abaixo do limite da pobreza de quatro dólares por dia.

(Os números da miséria; Jornal Público; 4.4.2000)

 

São 800 milhões de pessoas, à volta de 13 por cento da humanidade, que reclamam uma ajuda urgente e sustentada que lhes permita escapar ao flagelo da fome que mata. Se não as ajudarmos, lê-se no relatório, “a única justificação que poderemos apresentar às gerações vindouras é a da falta de clarividência e de egoísmo”, pois “a produção mundial é hoje mais que suficiente para alimentar convenientemente seis mil milhões de pessoas”. Segundo a FAO, com um suplemento de 13 dólares anuais por pessoa é possível assegurar a nutrição mínima para todos. Infelizmente, sublinha, um quarto da população mundial vive apenas com um dólar por dia.

(Fome continua a afligir o mundo; Jornal Público; 16.9.2000)

 

“Não é normal, não está na Bíblia, não está em lugar nenhum que as pessoas possam ficar três a quatro dias sem comer”, disse o novo chefe do Governo de Brasília. (Lula)

(Presidente Lula visita miséria do Nordeste brasileiro; Jornal Público; 11.1.2003)

 

De acordo com a autarca, só em Lisboa existem cerca de 1500 sem-abrigo. Setenta por cento são de países de Leste, alguns brasileiros, e os restantes toxicodependentes ou alcoólicos.

(Câmara de Lisboa pede solidariedade para ajudar os sem-abrigo; Jornal Público; 12.1.2003)

 

Os cuidados da primeira infância são o tema do relatório mundial da Unicef deste ano. Nos primeiros anos de vida é que se dá o maior desenvolvimento da criança, diz a Unicef. O organimso das Nações Unidas estima que seriam precisos 80 mil milhões de dólares (18 mil milhões de contos) por ano para que cada recém-nascido pudesse ter um bom início de vida.

(Mais apoio à infância, 13.12.2000)

 

  • Todos os anos, morrem 11 milhões de crianças com menos de cinco anos devido a doenças evitáveis.
  • Nas últimas três décadas, a população mundial de crianças com menos de 15 anos aumentou de 1,4 biliões para 1,8 biliões.
  • O sarampo é a causa de morte de mais de sete por cento das crianças com menos de cinco anos em todo o mundo.
  • Sofrem de malnutrição 177 milhões de crianças.
  • Mais de dez milhões de crianças com menos de 15 anos ficaram órfãs de mãe ou ambos os pais devido à sida.
  • Um terço dos bebés que nascem não são registados. A estas crianças o acesso aos serviços básicos de saúde e educação será difícil.
  • Nos países desenvolvidos, mais de 20 por cento das crianças em idade escolar não estão a estudar.
  • Cem milhões de crianças nunca entraram numa escola.
  • Cerca de metade dos 40 milhões de desalojados no mundo são crianças.

(A miséria em números, Jornal Público, 13.12.2000)

 

*Desigualdades

(...) estima-se que nos EUA existam 70 milhões de cães de estimação. Cães esses com os quais os norte-americanos gastam anualmente 4400 milhões de contos só em alimentos e brinquedos. Porque há que ter em conta ainda o que gastam em tosquias, fotógrafos, veterinários, canis, massagens terapêuticas, psiquiatras, cirurgias plásticas e festa de aniversário, casamento e baptizado para os ditos cães.

Nada de espantar se se tiver em conta que muitos dos ditos americanos (84 por cento segundo alguns estudos) se referem a si próprios como pai ou mãe do seu cão. O mesmo estudo dá percentagens elevadas acerca dos que disseram já ter faltado ao trabalho para tratar do cão (53 por cento) e quase outros tantos disseram já ter levado o cão para o emprego. (Século XXI, a era das fábulas, Jornal Público, 28.12.2002)

 

Na economia mundial, os ricos tornam-se cada vez mais ricos. Vinte por cento do mundo consomem 80 por cento dos recursos – são dados do Banco Mundial. [O mundo] está cada vez mais nas mãos de 300 ou 400 famílias. Três famílias americanas – entre as quais a de Bill Gates – têm o equivalente ao produto nacional bruto, de cada ano, de 48 estados africanos que representam 600 milhões de pessoas.

O coração de tudo isto é a finança, mais que a economia, porque é dinheiro que faz dinheiro. Hoje movemos 1800 mil milhões de dólares cada dia, em tempo real. O incrível é que, sobre esta dívida colossal, de 2500 mil milhões, os países empobrecidos pagam de juros 50 mil milhões de dólares cada ano.

(Missionário “mais incómodo” de Itália quer Igreja empenhada contra armamento – entrevista com P. Alessandro Zanottelli; Jornal Público; 3.1.2003)

 

Releio o último relatório da ONU sobre o desenvolvimento humano e recordo que o rendimento dos 25 milhões de americanos mais ricos é igual ao dos dois milhões de pessoas mais pobres do mundo, vivendo os 5 por cento mais ricos do globo com 114 vezes mais do que os cinco por cento mais pobres.

(...)

Há meios mais do que suficientes para produzir o suficiente apra todos... não é um problema “de mercado”, será ainda um problema de intervenção do Estado, mas resta sobretudo o problema cultural, aquele que se prende com a consciência dos homens e a sua relação com “o outro”.

E faço as pazes com os métodos de Follereau, jornalista, rico, cheio de energia e que se tornou um combatente antilepra quando em 1935, durante uma reportagem em África com a mulher, teve o seu primeiro contacto com a doença. Anos mais tarde dirigiu-se a Eisenhower e a Krutchov: “Com o preço de dois bombardeiros poder-se-iam curar todos os leprosos do mundo. Dêem-nos!” Não obteve resposta.

Se estivesse vivo, escreveria certamente, agora a Bush... recordando por exemplo que a “fortuna acumulada dos 225 homens mais ricos do mundo (boa parte dos quais americanos) equivale ao rendimento total de mais de metade da humanidade” ou pedindo-lhe a verba de meia dúzia de “mísseis e porta-aviões”... para resolver o problema global do acesso à água potável.

(Comparações “demagógicas”, Graça Franco, Jornal Público, 10.9.2002)

 

É isso, no fundo, o que explica o facto de a Europa rica contar entre os seus cidadãos cerca de três milhões de sem-abrigo, mais de vinte milhões de desempregados e trinta milhões de pessoas a viver abaixo do limiar da pobreza.

É sabido como o projecto moderno, saído da Revolução Francesa, da Revolução Industrial e das revoluções democráticas (com relevo para a Revolução Americana), prometia libertar o indivíduo da identidade herdada, mas acabou por se limitar a transformá-la. O que impera hoje é o “princípio da incerteza”, com a devida vénia a um título de Augustina Bessa-Luís. A própria memória é, hoje, um activo desvalorizado, encarada como “uma fita de vídeo, sempre pronta a ser apagada, para receber novas imagens”: não importa o que se fez, nem como. Meios de vida, posições sociais, reconhecimento de utilidade – tudo isso pode desvanecer-se de um dia para o outro, sem sequer se dar por isso.

Haverá, hoje, no mundo, uma vintena de países ricos, mas aflitos e sem a certeza de si próprios, face ao resto do globo, que já não se mostra disposto a venerar as suas ideias de progresso e de felicidade, embora continue dependente deles para sobreviver. Portugal não pertence, seguramente, a esse “clube” de privilegiados, não obstante os progressos conseguidos nos últimos anos.

(Portugal pós-moderno, José Silva Pinto; Jornal Público; 24.3.2003)

 

*Injustiça social

70 por cento dos pobres do mundo são mulheres

500 mil mulheres por ano morrem em consequência de gravidez ou parto

60 por cento das crianças que não frequentam a escola são raparigas

20 a 50 por cento das mulheres são vítimas de violência conjugal

4 milhões de mulheres são compradas e vendidas por ano, pais ou proxenetas.

(Igualdade entre os sexos só existe na lei, Jornal Público, 6.4.2003)

 

*Desperdício

 

 

*Consumismo

OBESIDADE 135 MILHÕES DE EUROPEUS TÊM PESO A MAIS (Jornal Público, 13 de Outubro de 2002) – “É a epidemia da sociedade da abundância (...). É a epidemia do século XXI. Quem o garante é a Organização Mundial de Saúde (OMS). E os números saltaram das entrelinhas para a ordem do dia: o planeta tem 300 milhões de obesos – 45 por cento dos quais são cidadãos da União Europeia (UE) – e tornou-se sedentário por militância. (...) Portugal não escapa à epidemia: ao todo, cerca de metade da população portuguesa encaixa no diagnóstico de excesso de peso. 35 por cento estão mais gordos do que seria desejável, os restantes 15,6 por cento são francamente obesos.”

 

O Brasil figura em segundo lugar no mundo no que toca a operações de cirurgia estética, logo a seguir aos Estados Unidos – o mercado que passou por uma verdadeira explosão de 1998 a 2000, quando aumentou anualmente 30 por cento. Apesar da crise económica interna, no ano passado registou-se um crescimento de 20 por cento.

(Carnaval dispara mercado dos implantes no Brasil; Jornal Público; 24 fevereiro 2003)

 

*Ter

 

 

*Competição

 

 

*Concorrência

 

 

* Escravatura

Campanha da Benetton recupera tema da escravidão. Há 27 milhões de escravos e estão mais baratos do que nunca.

A mensagem é simples e volta a acertar em cheio na consciência confortada. “Há escravos na maior parte do mundo, definitivamente no teu. E tu não podes pensar que isso não é uma preocupação tua: provavelmente comes, vestes ou brincas com produtos que podem estar ligados ao trabalho escravo. Está implicado na economia da escravidão, gostes ou não”, atira a “Colors”, no seu último número.

Uma equipa da revista editada pela Benetton, andou a percorrer o mundo em busca dos escravos modernos e chegou à conclusão que nunca como hoje, foi tão barato comprar seres humanos. “Em 1850, nos EUA, um escravo poderia custar o equivalente a 50 mil euros; agora, é possível ter um por menos de 100 euros, em países como o Gana ou o Brasil”, alerta a revista, uma publicação à venda em 60 países, editada há dez anos, em cinco línguas diferentes, que acredita que “a diversidade é positiva, mas todas as culturas têm um valor idêntico”.

(...)

O drama da escravidão, segundo a “Colors”, é apenas uma consequência da pobreza, da desigualdade do mapa do mundo. “Com metade da população vivendo com menos de dois dólares por dia, existe uma enorme excedente de potenciais de escravos”. Embora a escravidão se tenha tornado ilegal na maior parte dos países, sendo a Mauritânia foi a última nação a aderir, em 1981, o fenómeno está longe de desaparecer, estimando-se existirem 27 milhões de pessoas compradas. (...)

(O Mundo Continua a Comprar Pessoas; Jornal Público; 12.1.2003)

 

O Ministério do Trabalho indiano estima que, no país, existam 20 milhões de crianças que trabalham – mais ou menos a população da Austrália; a Índia tem mil milhões de indivíduos. Os grupos de voluntários dizem que o número deve ser duplicado. “O trabalho infantil está a aumentar vertiginosamente na Índia e há pelo menos 44 milhões de crianças a trabalhar”,  (...).

(Há 44 milhões de crianças escravizadas na Índia, Jornal Público, 3.2.2003)

 

*Armas

LEGADO MORTAL DO SÉCULO XX (National Geographic, novembro 2002) – Chamam-lhe o século do átomo, só que o átomo veio acompanhado. Substâncias químicas tóxicas e doenças foram convertidas em novas armas poderosas, que o mundo se esforça por controlar.

1899 – 24 países assinaram a Convenção de Haia, prometendo não usar gases tóxicos nem outros venenos como armas.

1914 a 1918 – Armas químicas foram usadas na Primeira Grande Guerra. Os gases causaram 1,3 milhões de feridos e 100 mil mortos.

1925 – O Protocolo de Genebra proibiu o uso de armas químicas e biológicas.

1936 – Cientistas alemães descobriram o agente neurotóxico tabun, mais mortífero do que os gases usados de 1914 a 1918.

1932 a 1945 – O Japão matou 260 mil pessoas na China com armas biológicas, sobretudo a peste.

1942 – Início do Projecto Manhattan, destinado a construir a primeira arma nuclear.

1945 – Os EUA lançaram bombas atómicas sobre Hiroxima e Nagasáqui, matando mais de 120 mil pessoas.

1949 – A URSS ensaiou a sua primeira arma nuclear.

1950 a 1969 – Os EUA identificaram agentes virais e bacterianos como armas potenciais. Testes realizados em animais e seres humanos.

1952 – O R. Unido ensaiou a sua primeira arma nuclear.

1960 – A França ensaiou a sua primeira arma nuclear.

1962 – A crise dos mísseis cubanos colocou o mundo à beira da guerra nuclear.

1963 – Os EUA, o Reino Unido e a URSS assinaram o tratado que pôs fim aos testes nucleares de superfície.

1964 – A China ensaiou a sua primeira arma nuclear.

1968 – Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) assinado por 62 países. Total de países hoje em dia: 187.

1972 – Mais de cem países assinaram a convenção sobre armas biológicas. Os EUA mantém a investigação defensiva; os soviéticos violaram o pacto.

Os EUA e a URSS assinaram o Tratado de Mísseis Antibalísticos (MAB).

1974 – A Índia (que não assinou o TNP) ensaiou a sua primeira arma nuclear.

1979 – Na URSS, esporos de carbúnculo soltos por acidente mataram 68 pessoas.

1980 – A varíola foi erradicada.

1983 a 1988 – As armas químicas na guerra Irão-Iraque mataram milhares de pessoas.

1988 – O Iraque chacinou cinco mil curdos com gás mostarda e outras substâncias largadas sobre Halabjah.

1991 – A ONU ordenou que o Iraque destruísse todas as armas e tecnologia de destruição maciça.

Dissolução da URSS.

EUA iniciaram programa de ajuda à não proliferação na antiga URSS.

1992 – EUA anunciaram moratória sobre testes nucleares.

1993 – Abertura da subscrição da Convenção sobre Armas Químicas.

1995 – Seita religiosa lançou gás sarin no metro de Tóquio, matando 12 pessoas.

1996 – Todas as armas nucleares nas antigas repúblicas soviéticas foram transferidas para a Rússia.

1998 – O Paquistão ensaiou a sua primeira arma nuclear.

Invocando falta de cooperação, a ONU retirou os seus inspectores de armas do Iraque.

2001 – Ataque da al-Qaida a Nova Iorque e Washington.

Esporos de carbúnculo infectaram 23 americanos e mataram cinco.

2002 – EUA recusaram o tratado MAB para desenvolver sua defesa com mísseis.

 

ESTADOS UNIDOS – Não fabricam armas biológicas ou químicas, mas prosseguem a investigação para fins defensivos. Estão a reduzir as ogivas nucleares para duas mil. Têm mais de mil armas nucleares tácticas.

RÚSSIA – Está a reduzir as ogivas nucleares para duas mil. Possui oito mil armas nucleares tácticas. Está a destruir as reservas químicas. Pode ter eliminado as armas biológicas, mas carece de confirmação.

ISRAEL – Possui o único arsenal nuclear no Médio Oriente, formado por 100 a 200 armas instaladas em mísseis ou aviões. Julga-se que possui programas químicos e biológicos.

PAQUISTÃO – Dispositivo nuclear ensaiado com êxito em 1998; julga-se que já possui ogivas. Pode ser capaz de produzir armas químicas. Capacidades limitadas de investigação biológica.

ÍNDIA – Possui uma reserva pequena de armas nucleares e talvez tenha plutónio para 100 a 150 ogivas. Prometeu eliminar as armas químicas. Investiga armas biológicas para fins defensivos.

CHINA – Possui 400 armas nucleares e material suficiente para muitas mais. Afirma que nunca possuiu armas biológicas e destruiu as reservas químicas. O governo americano duvida desta conclusão.

COREIA DO NORTE – Pode ter plutónio suficiente para uma ou duas armas nucleares. Possui uma grande reserva de armas químicas e julga-se que desenvolveu um programa de armas biológicas.

GRUPOS TERRORISTAS – A Rússia afirma ter frustrado dezenas de actos de contrabando de armas nucleares desde o fim da URSS, mas os serviços secretos estão convencidos de que o material nuclear saído da Rússia é suficiente para construir uma bomba. Sabe-se que grupos como a al-Qaida tem procurado obter o material nuclear perdido e estão interessados na compra de armas químicas e biológicas. Mas ninguém sabe ao certo o que anda por aí.

LÍBIA – Desde os anos 70 que a Líbia tenta obter armas nucleares. Tem um arsenal químico (usou gás mostarda no Chade). Tem um programa de investigação sobre armas biológicas.

SUDÃO – Há muito que o Sudão se mostra interessado em adquirir armas químicas, pediu assistência a vários países com capacidades químicas.

EGIPTO – Forneceu armas químicas à Síria e ao Iraque. Usou gás mostarda no Iémen. Possui tecnologia nuclear, mas não tem armas. Pode dispor de um programa de armas biológicas.

SÍRIA – Possui um programa avançado de armas químicas, incluindo reservas de agentes neurotóxicos. Programa biológico rudimentar. Não procura obter armas nucleares.

IRAQUE – Usou gás venenoso contra o Irão e os curdos. Esteve quase a obter uma bomba nuclear nos anos noventa. Possui conhecimentos químicos e biológicos, não verificados desde 1998.

IRÃO – Desenvolve armas químicas e biológicas depois de ter sido atacado pelo Iraque. Está a construir uma central nuclear com a ajuda da Rússia. Pretende obter armas nucleares.

 

A Coreia do Norte admitiu ontem pela primeira vez possuir armas nucleares. (...)

Programa Alimentar Mundial alerta contra penúria alimentar entre os norte-coreanos.

(Coreia do Norte admite ter armas nucleares, Jornal Público, 18.11.2002)

 

“Há algum país confiável para ter armas de destruição maciça?”. A interrogação é de Adriano Moreira.

(Adriano Moreira defende legitimidade das Nações Unidas; Jornal Público; 27 fevereiro 2003)

 

A Índia está a desenvolver uma versão de longo alcance do seu míssil balístico Agni, capaz de atingir Xangai ou Moscovo com uma bomba nuclear. A nova arma será testada até ao final deste ano. Vários países, incluindo os Estados Unidos, pediram a Nova Deli que cancele o desenvolvimento do Agni III:

(Público, 7.4.2003)

 

COREIA DO NORTE TEM VÁRIAS OGIVAS NUCLEARES CAPAZES DE ATINGIR O JAPÃO

A Coreia do Norte tem várias ogivas nucleares capazes de transportar mísseis balísticos para o território japonês, noticiou ontem o jornal nipónico “Sankei Shimbun”. O Governo de Tóquio não confirmou a notícia.

(Jornal Público, 21.6.2003)

 

*Comércio de armas

O complexo industrial militar americano utilizou o 11 de Setembro para relançar a economia mundial através de enormes investimentos em armas. Os EUA devem passar de um investimento de 329 mil milhões a 500 mil milhões de dólares. Na Europa, deve de 150 mil milhões a 250 mil milhões de dólares. São cifas astronómicas. O Banco Mundial diz que, com 13 mil milhões de dólares, podemos resolver os problemas da fome e da saúde. Isto é absurdo.

Também o escudo estelar [americano] já gastou pelo menos 70 mil milhões de dólares. São enormes investimentos em armas. Os países de Leste entrarão na NATO para quê? Para os forçar a renovar todo o armamento atómico. É um enorme “business”. E tudo isto para quê? Para defender 20 por cento do mundo, que não põe em discussão o seu próprio estilo de vida.

(Missionário “mais incómodo” de Itália quer Igreja empenhada contra armamento – entrevista com P. Alessandro Zanottelli; Jornal Público; 3.1.2003)

 

*Minas anti-pessoais

 

 

*Guerra

APOCALIPSE PARA BREVE? Índia e Paquistão elevam risco de guerra nuclear (National Geographic, Novembro 2002, Tom O’Neill) É a região mais perigosa do mundo, segundo os especialistas militares e os diplomatas que analisam a política do subcontinente indiano. Sobretudo agora, quando a animosidade entre o Paquistão e a Índia nunca foi tão intensa.

Os dois vizinhos são adversários desde a sua independência, em 1947. Hoje em dia, as duas potências juntam milhares de tropas na região de Caxemira, cujos majestosos vales foram muitas vezes utilizados como rota de invasão num sentido ou no outro. O desejo de proteger o flanco norte e de manter a identidade pluralística leva a Índia a recusar a abdicação do seu único estado de maioria muçulmana. O Paquistão, predominantemente muçulmano, insiste que os habitantes de Caxemira deveriam dispor do direito de decidir a que país querem pertencer. As duas nações já estiveram em guerra por três vezes (1947 a 1948, 1965 e 1971, para além do conflito de Kargil, em 1999), e a região em disputa é agora dividida por uma linha permanente de controlo. As frequentes trocas de tiros de artilharia sobre esta linha, os ataques terroristas no interior da Índia e os discursos inflamados dos políticos mantiveram as duas nações em estado de alerta para a eventualidade de uma guerra. No Verão, a tensão acalmou depois das intervenções diplomáticas dos Estados Unidos, da Rússia e de outros países, mas a disputa continua intensa.

Na eventualidade de uma guerra, o terreno e o clima poderiam desempenhar papéis importantes no desencadear e na duração das hostilidades, bem como no número de baixas. Segundo muitos analistas, a guerra poderia ser desencadeada por um incidente como uma perseguição indiana através da fronteira a terroristas em fuga. Por outro lado, o momento ideal de uma grande ofensiva terrestre está limitado por variações climáticas. As chuvas da monção (de Julho a Setembro) tornam o terreno praticamente impraticável para o avanço de tropas. As temperaturas abrasadoras que antecedem a monção e as neves de Inverno que bloqueiam os caminhos nas montanhas complicariam também uma operação militar.

A Índia é muito maior do que o Paquistão em superfície, em poder militar e em recursos para um conflito prolongado, mas a ameaça de um ataque nuclear desequilibra a balança. O Paquistão jurou utilizar todos os meios ao seu dispor, se a tensão despoletasse um conflito armado. A ameaça incluía bombas nucleares, caso a sobrevivência do país fosse ameaçada. A Índia garantiu que não seria a primeira a atacar. Perante este impasse, as simulações para o pior cenário possível estimam nove a trinta milhões de mortos.

É difícil prever o desenrolar de uma guerra entre a Índia e o Paquistão devido à incerteza sobre o volume e a precisão dos seus arsenais. Segundo o Carnegie Endowment for International Peace, cada país pode ter entre 35 e 50 armas nucleares. E nenhum dos beligerantes possui meios para desactivar um míssil com ogiva nuclear uma vez lançado. O tempo de aviso para a maioria das pessoas será inferior a cinco minutos, e os cenários mais pessimistas sugerem que ambos os países escolheriam as cidades principais como alvo. A explosão, a onda de fogo e a chuva de poeiras radioactivas poderiam matar perto de um milhão de pessoas no centro de Mumbai (Bombaim), alerta um estudo. A elevada humidade sazonal em muitas cidades prenderia as poeiras radioactivas e intensificaria os seus efeitos. Os campos de cereais, sustento das economias locais da Índia e do Paquistão, poderiam ficar envenenados pelo menos durante uma geração.

Qualquer solução para a disputa de Caxemira passa provavelmente por mais autonomia para os habitantes sitiados, mas por enquanto a região assiste ao atear de um rastilho que pode desencadear a primeira guerra do planeta entre adversários armados com armas nucleares.

 

NA REALIDADE, TODA A HUMANIDADE SERÁ AFECTADA SE FOREM USADAS ARMAS DE DESTRUIÇÃO MACIÇA. (National Geographie, novembro 2002)

 

E é sangue que continua a correr na terra bíblica do leite e do mel. “Depois de séculos de perseguição por todo o mundo, hoje o lugar mais perigoso para os judeus viverem é a sua própria terra. Nestes dias, Berlim é para nós mais segura do que Jerusalém”, diz Tsruyá Shalev, uma das mais conhecidas escritoras de Israel. O país está ferido, de norte a sul, porque houve uma promessa de paz nunca concretizada e o conflito palestiniano se arrasta em fim à vista. As pessoas continuam a levantar-se todos os dias, a ir para o seu trabalho, a sair à noite, mas neste momento é difícil ser-se feliz. “Israel tem sido um país em guerra desde a sua fundação”, explica um outro escritor, A.B. Yehoshua, “mas não me lembro de uma época em que estivéssemos tão deprimidos como hoje”.

“Terror” – mais do que uma das poucas palavras compreensíveis da língua hebraica, é a grande justificação para a própria existência de Israel. Na sua forma de Holocausto, o terror, traduzido pela morte de seis a sete milhões de judeus durante a II Guerra Mundial, é a base empírica para a construção do país. Quando se visita o Yad Vashem, o Museu do Holocausto, com os seus memoriais, com as paredes negras e as velas a brilhar, percebemos que esta é a pedra angular de Israel, a estrutura que suporta todo o estado. Na livraria Yehuda, “Holocausto” é uma das secções, como “Política” ou “Turismo”, e essa memória é tanto uma justificação como uma maldição, porque os israelitas arrastam diariamente a grilheta da história, e é legítimo perguntarmo-nos se um povo que não quer deixar esquecer algum dia será capaz de perdoar.

É um mundo estranho, este. Shalom Rosemberg, professor na Universidade Hebraica, diz que “Israel não deve ser medida em quilómetros quadrados mas em quilómetros cúbicos, porque há uma terceira dimensão, uma Jerusalém celestial que nunca foi destruída”. E muita gente – a mesma gente que é capaz de traçar a sua linha genealógica por cinco séculos – permanece agarrada a essa cidade nas nuvens, continuando a chorar a destruição do segundo Templo, ocorrida no ano 70, como se tivesse sido ontem à tarde. (Em hebraico diz-se “terror”, Jornal Diário de Notícias, 27.12.2002)

 

(...) a guerra do Congo já fez mais de dois milhões de mortos, pelos quais ninguém chora, como não se chora pelos 30 milhões que morrem de fome por ano.

(Missionário “mais incómodo” de Itália quer Igreja empenhada contra armamento – entrevista com P. Alessandro Zanottelli; Jornal Público; 3.1.2003)

 

A Coreia do Norte decalrou ontem que as suas centrais nucleares já estão a funcionar a “um ritmo normal”. E avisa, na edição de hoje do jornal britânico “The Guardian”, que tem o direito a lançar um ataque preventivo contra os Estados Unidos, em vez de esperar que as forças americanas acabem a guerra no Iraque.

(Coreia do Norte reactiva centrais nucleares e ameaça EUA com ataque preventivo, Francisca Gorjão Henriques, Jornal Público, 6.2.2003)

 

(...) um protegido da CIA, Saddam Hussein, foi também encorajado a derrubar, em 1963, um regime que nacionalizara interesses petrolíferos no Iraque.

Em 1968, um segundo golpe, igualmente inspirado pela CIA, colocou Saddam como adjunto de um líder militar. Em 1979, Saddam tornou-se ditador de Bagdad.

(Operação Ajax – Como a América mudou o mapa do Médio Oriente em 1953, Margarida Santos Lopes, Jornal Público, 6.2.2003)

 

Na República Democrática do Congo mantém-se, há mais de quatro anos, uma guerra terrível. Por causa dela já morreram mais de três milhões de pessoas. Embora seja considerado o conflito mais grave depois da Segunda Guerra Mundial, com uma crise humanitária horrível, os meios de comunicação não parecem interessados em ir ver e contar o que se passa. Quarenta milhões de famintos africanos têm apenas um interesse estatístico. Não são considerados uma ameaça ao sossego dos poderosos.

(Semana Santa?, Frei Bento Domingues, O.P., Público, 13.4.2003)

 

AS MORTES DA GUERRA

Iraque: Pelo menos 1224 mortes civis (informação do antigo regime do Iraque), mais de 2320 mortes entre militares (estimativa do Exército dos EUA)

Estados Unidos: 112 mortos (incluindo 27 em acidentes, 6 por “fogo amigo”, dois ainda a ser investigados), dois desaparecidos

Grã-Bretanha: 30 mortos (incluindo 16 em acidentes, cinco por “fogo amigo”)

Jornalistas: 12 mortos, dois desaparecidos.

(As vítimas civis da guerra das “armas inteligentes”, Público, 17.4.2003)

 

Calcula-se que, desde 1990, já morreram em guerras e conflitos locais quatro milhões de pessoas, 90 por cento das quais eram civis. Por ano, morrem de fome 45 milhões de seres humanos. Cerca de três mil milhões sobrevivem com dois euros por dia. A guerra, a fome e a doença continuam a dizimar a rica África subsariana.

O Papa nunca diabolizou a globalização. Mas só vota na globalização da solidariedade.

(Jornal Público, 29.6.2003, Não embarcar na mentira, Frei Bento Domingues, O.P.)

 

*Terrorismo

1988

21 de Dezembro. Um Boeing 747 da Pan American cai na cidade escocesa de Lockerbie depois da explosão de uma bomba a bordo. Morrem as 259 pessoas que iam no avião e outras 11 no solo.

1994

18 de Julho. Pelo menos 96 pessoas morreram numa explosão de bomba num centro da comunidade judaica em Buenos Aires, Argentina.

1995

19 de Abril. Uma bomba num automóvel destrói o edifício federal norte-americano em Oklahoma City, matando 168 pessoas.

25 Julho. Uma bomba explode à hora de ponta na estação de metro de Saint-Michel, em Paris. Oito pessoas morreram, 86 ficaram feridas.

1996

31 de Janeiro. Cerca de 90 pessoas morrem na capital do Sri Lanka, Colombo, quando um bombista suicida atira um camião cheio de explosivos contra o Banco Central.

9 de Fevereiro. Bomba mata duas pessoas e faz uma centena de feridos em Londres. O IRA reivindica o ataque.

25 de Fevereiro. Um bombista suicida do Hamas faz explodir um autocarro perto da estação de autocarros central de Jerusalém. 26 pessoas morreram neste ataque e num outro, também do Hamas, em Ashkelon.

24 de Julho. Duas bombas explodem num comboio em Colombo, Sri Lanka, matando 78 pessoas.

28 de Julho. Uma bomba explode durante um concerto nos Jogos Olímpicos de Atlanta: dois mortos, 110 feridos.

23 de Setembro. Quatro homens armados atacam uma mesquita muçulmana na cidade paquistanesa de Multan, matando pelo menos 21 pessoas.

23 de Novembro. Boeing 767 da Ethiopian Airlines cai ao mar perto das Ilhas Comoros, matando 125 pessoas.

30 de Dezembro. Bomba mata 300 pessoas no estado indiano de Assam. A polícia culpa militantes separatistas de Bodo.

1998

7 de Agosto. Bombas explodem nas embaixadas norte-americanas em Nairóbi (Quénia) e em Dar-es-Salam (Tanzânia), matando 224 pessoas.

15 de Agosto. Bomba num automóvel explode em Omagh, Irlanda do Norte, matando 29 no pior ataque em quase trinta anos de violência. O grupo Real IRA reivindica o ataque.

1999

19 de Março. Mais de 50 mortos numa explosão de bomba num mercado perto de Vladikavkaz, no sul da Rússia.

4 de Setembro. Bomba num automóvel explode perto de um quartel militar em Buynaksk, Dagustão, que faz fronteira com a Tchetchénia, matando 64 pessoas.

9 de Setembro. Bomba destrói bloco de apartamentos em Moscovo matando 94 pessoas e fazendo mais de 200 feridos.

13 de Setembro.  Bomba destrói edifício residencial de oito andares matando 118 pessoas. Tanto este como o ataque de 9 de Setembro são imputados pelas autoridades à guerrilha tchechena.

21 de Outubro. Ataque com rocket a mercado na capital tchetchena, Grozny, mata mais de 110 pessoas e deixa cerca de 400 feridas. A Rússia nega envolvimento no ataque.

2000

25 de Fevereiro. Quarenta e cinco pessoas morrem quando bombas explodem num autocarro num ferry inter-ilhas com destino ao porto de Ozamis nas Filipinas.

12 de Outubro. Bombistas suicidas levam barco de borracha com explosivos até ao USS Cole no porto de Aden, Iémen, matando 17 marinheiros.

2001

1 de Junho. Bombista suicida palestiniano mata-se a si e a mais 21 pessoas numa discoteca em Telavive.

9 de Agosto. Bombista suicida mata 15 pessoas e deixa mais de 90 feridas numa pizzaria em Jerusalém, num dos ataques mais sangrentos desde o início da intifada em Setembro de 2000.

10 de Agosto. Rebeldes da UNITA matam 252 pessoas num combóio de passageiros, a sul de Luanda, um dos incidentes mais sangrentos na longa guerra civil angolana.

11 de Setembro. Três aviões desviados embatem contra as torres gémeas do World Trade Center e contra o Pentágono no pior ataque do género da história dos Estados Unidos. Um quarto avião cai na Pensilvânia. Morreram cerca de 3000 pessoas.

2002

25 de Setembro. Comandos indianos entram no templo de Gujarat, pondo fim a um cerco e matando os dois homens armados que tinham assassinado 28 pessoas e feito mais de 70 feridos na noite anterior.

12 de Outubro. Duas bombas explodem em Bali matando 187 pessoas e fazendo 309 feridos. Uma terceira bomba explode perto do consulado norte-americano na ilha, sem fazer feridos. (Público, 14 outubro 2002)

 

“Novo atentado contra o mundo – Explosão em Bali, na Indonésia, faz centenas de vítimas.” (Público, 14 outubro 2002)

 

“Drama em Moscovo – Cerca de 30 dos 50 elementos do grupo terrorista checheno liderado por Mosvar Barayev que na quarta-feira da semana passada, dia 23, pela 21 e 30 (hora local, mais três que em Portugal), ocupou o teatro Dubrovska, em Moscovo, fazendo reféns os 800 espectadores do musical Nord Ost um quarto de hora após o início do segundo acto, entraram no edifício desarmados, misturando-se com os espectadores sem qualquer problema, apenas com o bilhete na mão.” (Visão, 31 outubro a 6 novembro 2002)

 

*Atentados suicidas

 

 

*11 de Setembro

“Derrubadas como castelos de cartas em cerca de hora e meia numa catástrofe que arrastou para a morte três milhares de pessoas, as Torres Gémeas do World Trade Center foram, no dia 11 de Setembro de 2001 (...), alvo da maior e mais mediática operação terrorista de todos os tempos, que envolveu também a destruição de uma parte do edifício do Pentágono, nas imediações de Washington, sede do Departamento de Defesa e centro vital do complexo militar-industrial americano. ‘O dia em que o mundo mudou’ tornou-se uma expressão consensual frequentemente utilizada para definir o ocorrido nessa data.” (Visão, n. 496, 5 a 11 setembro 2002, p. 55).

 

*Violência

“Dos 6912 casos de maus tratos a cônjuges ou equiparados, crianças e pessoas indefesas registados pelas polícias, o ano passado, apenas 382 chegaram à barra dos tribunais – o que significa um ‘ratio’ de cerca de cinco casos julgados para cada cem queixas apresentadas. Os números, facultados ao PÚBLICO pelo Ministério da Justiça, revelam que a alteração legislativa, em vigor desde Junho de 2000, que levou a que o julgamento deste tipo de crimes – relativos à violência doméstica – deixasse de depender da apresentação de queixa por parte das vítimas, não significou, no curto prazo, um aumento do número de processos a chegar à barra dos tribunais.” (Público, 19 outubro 2002, p. 4, “Só 5 por cento vão a tribunal, Ricardo Dias Felner”.)

 

MAIS DE 1,6 MILHÕES DE MORTES POR ANO

Organização Mundial de Saúde concluiu que o suicídio representa metade das mortes tidas como violentas, o homicídio perto de um terço, os conflitos militares quase um quinto. Mas há mais. Há o silêncio de muitas vítimas e as chagas que perduram nos que sobrevivem.

(Jornal Público, 26.4.2003)

 

DRAMAS ESCONDIDOS NO LAR

Só em 2000 foram vítimas de violência doméstica 11765 pessoas, 84% das quais mulheres.

(...)

Pobreza, desemprego, precaridade, alimentação insuficiente, falta de cuidados de saúde, insucesso escolar, impossibilidade de acesso ao consumo são, apenas, algumas das doenças sociais, que amarguram o quotidiano de muitos lisboetas anónimos.

(...)

Na sua esmagadora maioria, a violência contra as mulheres arrasta-as anos a fio, por detrás de uma cortina de silêncio que elas contristadamente ajudam a tecer, pelas mais diferentes razões, que balançam entre o medo de represálias e a vergonha. É assim em todas as situações profissionais, e em todos os níveis de formação escolar, por esse Portugal fora. Dos quadros superiores aos desempregados, dos licenciados aos que não sabem ler nem escrever, em todos os estratos sociais há violência de género.

A região da Estremadura leva, contudo, a palma ao resto do país, com 36,5% dos casos registados pelo Serviço de Informação às Vítimas de Violência Doméstica, durante o ano passado. Segue-se-lhe o Douro Litoral, com 20,6% dos casos e a Beira Litoral, com 8,7%. Açores (1,2%) e Madeira (1,9%) são as regiões portuguesas com menos queixas, pelo menos das registadas pelo SIVVD.

Em média, por semana, em todo o país, seis mulheres são vítimas de crimes contra a sua vida, a sua integridade física, a sua liberdade pessoal, a sua liberdade sexual. Crimes que atentam contra os mais elementares direitos humanos, tornam dolorosa a condição feminina e aviltam a condição masculina. Crimes cuja autoria material fica a dever-se a homens, cuja indignidade nos envergonha a todos.

E a estes, há ainda a juntar os crimes cometidos em nome da tradição, da cultura, do costume. Destes, o mais chocante é a prática da excisão, que consiste no corte do clitóris a que são sujeitas as meninas púberes; trata-se de um rito de passagem, que o fenómeno migratório tem trazido para o contexto europeu, e que, sabe-se bem, é praticada em Portugal, muitas vezes com consequências fatais para a vítima. É um crime imperdoável, para o qual não há neutralidade cultural possível.

(Jornal de Notícias, 18.6.2003)

 

*Criminalidade

“Num cenário de manifesta estabilização das cifras da criminalidade registada na União Europeia (UE), Portugal destaca-se, pela negativa, por um aumento gradual dos crimes participados às autoridades – com especial incidência os roubos de viaturas – e ainda por continuar a ser o detentor do recorde de reclusos por 100 mil habitantes. Estas são algumas das conclusões a retirar de uma análise comparativa efectuada pelo Instituto de Estudos de Segurança e Polícia (IESP) espanhol a partir dos dados oficiais dos Quinze, entre 1995 e 2000. Um trabalho que acaba de ser divulgado e que permite analisar a evolução da criminalidade portuguesa no contexto comunitário.” (Público, 20 outubro 2002, “Criminalidade cresce em Portugal, contrariando a média europeia”, Alexandra Campos)

“embora não sejam preocupantes, os últimos dados sobre criminalidade em Portugal demonstram que a tendência para o agravamento da situação se mantém, ainda que a um ritmo lento. Prova disso é o facto de, em 2001, a criminalidade ter crescido 2,2 por cento (mais 7500 casos, segundo o último Relatório de Segurança Interna). De igual modo, nos primeiros nove meses deste ano, as estatísticas parcelares da Área Metropolitana de Lisboa, dão conta, de um ligeiro aumento.”

 

* Pena de morte

 

Nos Estados Unidos, há 3693 pessoas nos corredores da morte dos 40 estados em que vigora a pena capital. Pela primeira vez, o número de condenados está a baixar e, em 2001, registou-se o número mais baixo de novas sentenças desde 1973. A maior parte dos condenados à morte são homens brancos (45 por cento), segundo os dados recolhidos pelo Death Penalty Information Center, uma organização não governamental de Washington que combate a pema capital. Em segundo lugar na lista surgem os negros (43,3 por cento, uma percentagem muito elevada quando se tem em conta que a população negra é bastante menor que a branca), depois os latinos (nove por cento) e, finalmente, os índios americanos e os asiáticos, com um por cento dos condenados cada. Entre os condenados há 54 mulheres e 83 indivíduos considerados “criminosos juvenis”. Para este ano, estão marcadas 21 execuções, a maior parte delas no Texas, o estado campeão da pena de morte. No ano passado, foram executados 71 indivíduos, metade deles no Texas.

(Há 3693 condenados à morte nos EUA; Jornal Público; Jornal Público; 12.1.2003)

 

Há 84 países que ainda aplicam a pena de morte. Segundo as contas da Amnistia Internacional, 111 dos 195 países do Mundo aboliram a pena capital. O maior número de execuções ocorre na China – a Amnistia Internacional contabilizou, para o ano de 2001, 4015 condenações à morte e 2468 execuções, mas estima-se que os “números verdadeiros” sejam superiores. Seguem-se os Estados Unidos, a República  Democrática do Congo e o Irão.

(Pena de morte ainda vigora em 84 países, Jornal Público, 20.1.2003)

 

* Perseguições

CEM MIL PRESOS NO MUNDO POR PERSEGUIÇÃO RELIGIOSA

A Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) publicou o seu quinto relatório da liberdade religiosa no mundo e o panorama, apesar de alguns progressos, ainda não é muito animador. Falando só de cristãos, e durante o ano de 2002, escreve o coordenador redactorial do relatório, Andrea Morigi, houve 938 pessoas mortas, 629 feridas e 100.435 detidas em todo o mundo, apenas pelo facto de professarem aquela fé religiosa. “Os limites impostos à prática do culto, à conversão e à difusão da religião nascem do critério inaceitável que estabelece uma proeminência de instância étnica, política, económica ou cultural sobre a liberdade interior do homem”, afirma Morigi.

(...) a Coreia do Norte passou a ser, na classificação da organização “Open Doors” (Portas Abertas) , o país que mais persegue os cristãos – há 100 mil cristãos detidos em campos de concentração – substituindo a Arábia Saudita nesse lugar.

(Jornal Público, 13.7.2003)

 

*Acidentes viários

“(...) até Maio deste ano, tinham morrido nas estradas portuguesas 603 pessoas, quando, no mesmo período de 2001, o número de vítimas mortais ascendera a 552.” (Público, 5 julho 2002, p. 26).

 

O ano de 2002 não deixa saudades nas estradas portuguesas. Pela primeira vez nos últimos anos, o número de vítimas mortais aumentou em relação ao ano anterior (mais 36). De acordo com os registos da PSP e da GNR. Mais de 200 mil famílias viram-se envolvidas em acidentes de viação mais ou menos graves, que causaram 1547 mortos e 60 mil feridos, cinco mil dos quais saíram em estado grave do local do desastre.

(...)

A redução dos feridos graves (menos um milhar) em relação a 2001 é a única evolução positiva dos parâmetros da sinistralidade rodoviária de 2002, verificando-se um acréscimo de mais cinco mil acidentes de viação, mais 36 mortos e três mil feridos ligeiros.

(...)

Se tivermos como indicador o valor de 900 mil euros (200 mil contos) por cada pessoa morta (referência da Prevenção Rodoviária Portuguesa), o prejuízo para o Estado ultrapassa, só em vítimas mortais, os mil milhões de euros/ano (mais de 240 milhões de contos). A gravidade dos acidentes aumentou tanto nas estradas como nas áreas urbanas.

(2002: ‘horribilis’; Jornal Público; Jornal Diário de Notícias; 13.1.2003)

 

(...) já morreram 25 milhões de pessoas em acidentes de viação, “entre outras causas, pela condução por excesso de álcool” (número utilizado numa campanha da Associação dos Cidadãos Automobilizados)

(Estão 170 automobilistas na cadeia por conduzir alcoolizados; Jornal Público; 10 fevereiro 2003)

 

*Individualismo

Até porque hoje ninguém acredita em ninguém. (António Barreto, Mistérios, Jornal Público, 29.12.2002)

 

*Choque de civilizações

 

 

*Fundamentalismos

Onze mil pessoas foram forçadas a fugir de casa e 1125 ficaram feridas devido aos confrontos em Kaduna

Pelo menos 215 pessoas morreram, 1125 ficaram feridas e onze mil foram forçadas a fugir de suas casas na Nigéria, na sequência dos distúrbios entre muçulmanos e cristãos causados pelo concurso para a eleição da Miss Mundo, que foi entretanto transferido da capital nigeriana para Londres.

(...) Já no ano 2000, nesta mesma cidade, tinham morrido entre 2000 e 3000 pessoas devido a confrontos entre as duas comunidades. Ontem em Kaduna, depois do evento ter sido cancelado, ainda eram visíveis corpos carbonizados nas ruas.

(...)

No mesmo dia o escritório do jornal “This Day” foi incendiado por centenas de fiéis, irados com a publicação de um artigo considerado “blasfematório”. “Porque é que os muçulmanos nigerianos pensam que é imoral trazer ao país 92 mulheres que vão exibir a sua beleza? O que pensaria Maomé sobre o assunto? Provavelmente, teria escolhido uma esposa de entre estas mulheres”, escreveu o jornal no sábado passado.

Apesar de os responsáveis do “This Day” terem emitido repetidos pedidos de desculpa, os líderes muçulmanos pediram às autoridades que encerrassem o jornal e que os seus directores fossem presos e julgados por “blasfémia e difamação” contra o profeta Maomé. (...)

(Polémica da Miss Mundo deixou duas centenas de mortos na Nigéria, Jornal Público, 23.11.2002)

 

Três médicos norte-americanos que trabalhavam num hospital de missionários no Iémen foram ontem mortos a tiro por um extremista islâmico, que afirmou querer “limpar a sua religião” e ficar “mais perto de Deus”. (...) hospital de missionários baptistas de Jibla (...)

(Médicos americanos mortos no Iémen, Jornal Correio da Manhã, 31.12.2002)

 

*Fanatismos

Adriano Moreira alertou para os perigos da distorção do conceito de transcendência religiosa, quando um povo pensa que é o “eleito” e “quando as ideologias políticas inscrevem valores religiosos”. Sem nunca explicitar se se referia aos Estados Unidos, o professor sublinhou “que quando se pede a protecção divina é para que os valores se salvem e não para que as destruições aumentem”.

(Adriano Moreira defende legitimidade das Nações Unidas; Jornal Público; 27 fevereiro 2003)

 

*Intolerância

Historiador e presidente da Comunidade de Santo Egídio, Andrea Riccardi fez um levantamento do que foram as perseguições e martírios dos cristãos durante o século XX.  O resultado é um fresco impressionante. Riccardi diz que pode calcular-se em três milhões o número de pessoas mortas só por terem fé.

(Os mártires cristãos não aspiram ao suicídio; Jornal Público; 27 fevereiro 2003)

 

*Crise

 

 

*Pluralismo

O relativismo total dos valores é o caminho do niilismo.

(A barbárie, caminho da paz?, Frei Bento Domingues, O.P., Jornal Público, 30.6.2002)

 

Houve um ilustre órgão da imprensa escrita cuja jornalista deu como notícia de reportagem, de toda uma jornada, uma ideia escolhida de um dos seus intervenientes, por sinal numa passagem em que se admitia menor responsabilidade dos “media” – quando durante todo o dia se tinha acentuado o contrário! Pode isto ser privilégio de liberdade de informação, sem respeito pelo direito dos leitores à informação? Não pode.

(“Quem guarda o guarda?”, Mário Pinto, Jornal Público, 3.2.2003)

 

Quando eu era menina fui à igreja com a minha avó materna e à mesquita com o meu avô paterno. Vi que o mistério era o mesmo. Vi que era o mesmo o assombro diante da imensidão. O que difere é a liturgia. Esqueci a liturgia e fiquei com o mistério. Quando me dói a alma ergo os olhos para o céu, não à procura de Deus, somente em busca de um pouco de luz e de um azul mais cristalino (por vezes, aqui em Barcelona, vejo pássaros verdes). O que me sustem é a beleza. Rezo ao deserto para que continue a receber-me; rezo ao mar, e em especial ao grande e sereno Índico, para que não deixe nunca de me consolar com a sua voz de espuma; rezo às papaias pela sua carne e ás goiabas pelo seu perfume. Rezo ao deus indiferente dos gatos porque os fez magníficos e ao das baleias e das vacas pela sua mansidão. Sou mulher: rezo a tudo o que floresce e frutifica. Nada que cante ou que dance me é indiferente. Nada que fira ou destrua me é semelhante.

(Litania da esperança, Faíza Hayat; Xis, 1.3.2003)

 

*Corrupção

 

 

*Dependências

CONSUMO DE HAXIXE DISPARA ENTRE ALUNOS PORTUGUESES

Inquérito feito a mais de seis mil estudantes do básico e secundário revela que jovens têm mais comportamentos pouco saudáveis.

Os jovens portugueses em idade escolar estão a consumir mais haxixe. Entre 1998 e 2002, a percentagem de estudantes dos 6º, 8º e 10º anos de escolaridade que diz já ter experimentado aquela droga passou de 3,8 para 9,2 por cento. Duas vezes e meia mais.

São também mais dos que fumam tabaco, bebem bebidas alcoólicas destiladas e preferem as coca-colas, os doces e os chocolates à fruta e aos vegetais. (...)

(...) há cada vez mais jovens a fazerem escolhas de vida que são prejudiciais à saúde.

“Há de facto um aumento significativo no consumo [de substâncias ilícitas], mas é preciso sublinhar que todos estes indicadores de risco se referem a uma minoria de jovens. Essa minoria está a aumentar e não está a ser sensível a todos os programas que estão em curso. Contudo, é muito mau se os nossos adolescentes começarem a achar que os consumos são norma. É preciso que se diga que a maior parte dos jovens passam a sua adolescência sem terem grandes problemas”, sublinha Margarida Matos.

(...) o consumo de haxixe mais do que duplicou em quatro anos. (...).

A experimentação de heroína pelos alunos também cresceu (...)

Por outro lado há menos alunos a beber ocasionalmente bebidas alcoólicas, mas o estado de embriaguez é mais frequente. (...)

Se é verdade que os rapazes consomem mais álcool e drogas que as raparigas, já no que diz respeito ao consumo de cigarros os comportamentos delas estão a aproximar-se rapidamente dos deles. (...)

Há grupos sócio-económicos de risco? “Neste caso a análise não foi feita ainda, mas sabemos já que os miúdos que têm mais insucesso escolar ou que não são portugueses (e seis por cento não são) têm um estatuto agravado em termos de vários indicadores de risco”, afirma a investigadora, (...).

(Jornal Público, 24.6.2003)

 

USO COMPULSIVO DA INTERNET É UAM DOENÇA DAS SOCIEDADES MODERNAS

Apesar de os resultados não poderem ser extrapolados, um em cada dez internautas que contactaram o “site” dos investigadores sofre de dependência. (Estudo espanhol)

(Jornal Público, 3.7.2003)

 

*Álcool

O número de consumidores de bebidas alcoólicas dos 15 aos 17 anos está a aumentar em Portugal, referem os dados mais recentes dos inquéritos nacionais de saúde de 1996 e 1999. As estatísticas indicam que a prevalência de consumidores foi mais elevada na região Norte. No entanto, no período estudado, verificou-se um aumento dos consumos médios individuais de etanol de 50 por cento em jovens entre os 15 e os 24 anos, no Alentejo. O estudo indica ter sido observado “um aumento importante do número de consumidores femininos”.

(Jovens portugueses consomem mais bebidas alcoólicas, Jornal Público, 1.2.2003)

 

*Tabaco

“DEIXAR DE FUMAR IMPLICA SOFRIMENTO FÍSICO E PSÍQUICO”

(...) A privação da nicotina é dolorosa e, por isso, são poucos os fumadores que conseguem abandonar o vício. Em cem pessoas que tenta, dez conseguem, mas quase nunca à primeira tentativa, dizem dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), que em 1987 criou o Dia Mundial sem Tabaco, que se assinala hoje.

(...)

Devido a doenças que o tabaco ajuda a desenvolver, morrem por ano no mundo cinco milhões de pessoas. Estima a OMS que esse valor deverá duplicar nesta década e na próxima, ou seja, passarão a morrer dez milhões devido a doenças causadas pelos cigarros (por dia fumam-se 15 mil milhões deles), charutos ou cachimbos.

(...)

A nicotina é a substância que provoca a adição (compulsão para repetir os mesmos comportamentos gratificantes, consumindo quantidades crescentes de drogas como tabaco, álcool, etc.). Porém, é o monóxido de carbono libertado pela combustão que mais estragos faz no corpo humano do fumador – precipita a angina de peito, o edema pulmonar, o cancro nos pulmões, na boca, na faringe, na laringe, no esófago, na língua, e outras doenças coronárias, porque a elastina, que dá elasticidade ao pulmão, vai sendo destruída.

(...)

(Jornal Público, 31.5.2003)

 

*Droga

“A facilidade de acesso a drogas em Portugal é superior à da média europeia, sobretudo nas proximidades das escolas, festas, bares e discotecas.” (Público, 23 outubro 2002)

 

ÁFRICA

A plantação de “cannabis” continua dispersa pelo continente, com particular concentração em Marrocos. Em países da África ocidental, como a Nigéria e a África do Sul, o consumo de cocaína tem vindo a crescer, nota o relatório da ONU. O consumo de heroína, porém, está ainda limitado a algumas zonas urbanas. O Egipto é o país com indicadores mais problemáticos de consumo deste opiáceo. À semelhança do que acontece, por exemplo, na União Europeia, o número de laboratórios de fabrico de drogas sintéticas detectado pelas polícias tem vindo a aumentar.

AMÉRICAS

Crescem as apreensões de heroína e de “ecstasy” nos países da América Central e das Caraíbas. O abuso de “cannabis”, heroína e cocaína subiu bastante no México nos últimos anos. Todavia, as proporções de opiáceos diminuíram nos países da América do Norte, pelo que os preços aumentaram, aparentemente devido aos controlos aeroportuários em consequência dos ataques terroristas do 11 de Setembro de 2001.

OCEÂNIA

A Austrália ostenta progressos na redução do número de óbitos por “overdose” e na quantidade de heroína em circulação. O relatório critica as salas de injecção de drogas em cidades australianas e as relações entre o mercado de droga e a instabilidade política na Papua-Nova Guiné, mas reconhece evoluções legislativas contra o branqueamento de dinheiro em ilhas como as Fiji, Cook e Marshall, nomeadamente.

ÁSIA

A China transformou-se no maior destino e área de trânsito de heroína no continente asiático, pelo que as apreensões daquele opiáceo cresceu consideravelmente nos últimos cinco anos. A ONU prevê que o abuso de drogas no Afeganistão sofra um recrudescimento em virtude do regresso dos refugiados a zonas de cultivo do ópio e de produção de heroína.

EUROPA

A ONU defende, no caso europeu, mais cooperação internacional no caso do “ecstasy”, revela a sua apreensão para com o tráfico de drogas na Rússia com destino à Ásia e à Europa. A hipótese de o Reino Unido permitir o uso medicinal de “cannabis” é fortemente criticada no presente relatório.

(Comércio de drogas por continente, Jornal Público, 26 fevereiro 2003)

 

A certeza: são os países mais ricos que lucram com o comércio mundial de droga e não os países produtores.

(...)

Em Portugal, o haxixe continua a ser a substância mais confiscada, de acordo com dados da PJ, registaram um acréscimo de 75 por cento durante o ano de 2002.

(Países ricos lucram com a produção de droga nos países pobres; Jornal Público, 26 fevereiro 2003)

 

Cerca de 50 por cento da população prisional da União europeia, cifrada em 356 mil pessoas, tem um currículo que engloba consumo de estupefacientes.

(Metade dos reclusos da União Europeia carregam historial de toxicodependência; Jornal Público; 23 fevereiro 2003)

 

Ninguém tem dúvidas em considerar que a droga é o principal motivo de detenção em Portugal. De acordo com um relatório da Direcção-Geral dos Serviços Prisionais, datado de Abril do ano passado, 73 por cento da população prisional afirma estar presa por crimes relacionados com os estupefacientes, ligados quer ao tráfico, quer a consumo. Sabe-se que, em algumas cadeias, o negócio da droga é feito é feito dentro dos muros do sistema prisional e que os toxicodependentes conseguem furar a segurança, continuando a consumir mesmo depois de detidos. Não é por acaso que um em cada dez reclusos está infectado com o vírus HIV (Portugal é, aliás, detentor do maior número de casos de sida entre os consumidores de drogas injectáveis na União europeia), que três em cada dez sofrem de hepatite C, que a tuberculose pulmonar afecta cinco por cento da população prisional e a hepatite B nove por cento.

(Cenário negro em Portugal; Jornal Público; 23 fevereiro 2003)

 

*Mafias

 

 

*Stress

Nós, hoje, somos workahollics, nós exigimos gratificações imediatas, vivemos de e para o consumo, cada vez temos menos tempo para as artes, para a música ou para falar e ouvir os outros. Nós vivemos numa sociedade profundamente robotizada e isso é deprimente. Se formos na rua, se passarmos nas paragens de metro ou de autocarro, vemos que as pessoas têm um ar triste, vivem sistematicamente a correr. Exceptuando uma certa elite, chamada “the beautiful people”, que, muitas vezes, também se chateia alegremente nas festas, a pessoa média está sistematicamente atrasada, cansada, com a sensação de que nada de muito bom vai acontecer. Esta é uma sociedade deprimida. Acho é que não teria sido inevitável as coisas terem tomado este curso. Veja-se, por exemplo, este bichinho inestimável que é o computador. Quando surgiram os primeiros, a mensagem que nos passaram foi que eles iriam aumentar o nosso tempo livre. Não foi isso que aconteceu. Bem pelo contrário. Os computadores tornaram-se  numa outra dependência. Tenho amigos que trabalham o dia inteiro no computador e, à hora do almoço, descansam usando o computador.

(Prof. Júlio Machado Vaz fala de amores difíceis; Jornal Notícias Médicas; 5 fevereiro 2003)

 

*Depressão

 

 

*Pessimismo

Sobre o recente lançamento do livro de entrevistas de Mário Soares com Dominique Pouchin, o antigo Presidente da República segundo a opinião do jornalista Mário Mesquita no Jornal Público (20.10.2002), não consegue reeditar a sua visão optimista sobre o mundo: “A imagem de marca de Mário Soares caracteriza-se pelo optimismo. Quando muitos oposicionistasa já não acreditam na queda do salazarismo, Mário Soares, prevê a sua aproximação. Quando Kissinger lhe profetiza o destino de Kerensky, o então secretário-geral do PS acredita na democracia portuguesa. Quando o país mergulha na crise económica e no pântano institucional dos anos 70-80, Soares permanece fiel à sua visão optimista. Neste ano da graça de 2002, a atitude do antigo Presidente permanece positiva e voltada para o futuro, mas dir-se-ia que a situação internacional é de tal modo catastrófica que se torna impeditiva de uma reedição do habitual optimismo de Mário Soares.” A dado passo o líder político faz a seguinte análise: “O nosso mundo desregulado será cada vez perigoso e incerto. Apesar das capacidades de destruição dos Estados Unidos, haverá novos conflitos. A violência atrai a violência, até à altura em que esta dificilmente será contida.”

 

É difícil imaginar um fim de ano mais desolado. O mundo parece tão cinzento e sem perspectivas, tão lamentável e sem imaginação, interna e externamente. (...)

O presente é triste e não há o mínimo sinal de que o ano que amanhã começa possa ser melhor. (...)
Percebe-se bem, assim, a oportunidade da campanha de propaganda desencadeada pela seita dos Raelitas, que anunciou o nascimento do primeiro clone humano (uma Eva, nada menos), logo a seguir ao Natal, a 26 de Dezembro, como para oferecer uma nova oportunidade à humanidade.

Imagine-se os pobres de espírito que vão aderir em barda à seita e pagar a sua dízima ao líder Rael – que diz conhecer pessoalmente Jesus, Buda e Confúcio e goza do nível de conforto material que se espera de um tal personagem.

Os Raelitas, que adoram discos voadores, defendem uma vida sexual liberta de toda a culpa (como qualquer seita que se preze) e exploram um parque de diversões temático dedicado aos extraterrestres nos arredores de Montreal, no Canadá, afirmam que descendemos de pequenos alienígenas verdes com olhos amendoados chamados Elohim e conseguiriam vender aos seus acólitos a ideia de que a clonagem é a mesma coisa que a vida eterna. Têm mesmo uma empresa de clonagem (que alega ter agora dado a nova Eva à luz).

Pelo menos até agora, Rael (um ex-jornalista desportivo francês que já se chamou Claude Vorilhon) não incitou os seus seguidores a suicidar-se em massa (o que reduziria drasticamente os pagamentos de dízimas e a disponibilidade de parceiros sexuais no seio da seita) e isso deve ser considerado coo um ponto a seu favor.

O que é espantoso constatar quando se lêem histórias sobre estas e outras seitas é ver como é fácil motivar tantos milhares de pessoas (nem todas iletradas) e fazê-las mudar drasticamente de vida. (José Vítor Malheiros, Nem pão nem circo, Jornal Público, 31.12.2002)

 

Ou nos salvamos todos juntos, ou todos juntos iremos a pique. Não temos muito tempo. É mesmo uma questão de vida ou de morte.

(Missionário “mais incómodo” de Itália quer Igreja empenhada contra armamento – entrevista com P. Alessandro Zanottelli; Jornal Público; 3.1.2003)

 

Sou uma pessoa feliz e ao mesmo tempo infeliz. Porque vivo num mundo, vivemos todos, que não devia ser o que é. Não só injusto como cruel. Não percebo como é que após séculos, milénios até, de estudo, cultura, ciência, arte, filosofia, todas as maravilhas que ficaram por aí, somos esta espécie desprezível. A!, tem gente maravilhosa, heróis, santos... Tem, mas como não é ela que governa o mundo... A bondade hoje é alguma coisa que dá vontade de rir! E isso (basta-me pegar num jornal, saber o que se passa pelo mundo) dá-me um mal-estar de todos os dias. Por isso podemos dizer que esta casa é uma pequena ilha de harmonia, onde vivem pessoas que estão bem e de bem uma com a outra. Quanto ao mundo lá fora... Há quem se conforme, ou diga que não pode fazer nada. Outros, como eu, desgraçadamente, não se conformam.

Quer dizer que hoje não és um homem de esperança, pelo menos com esperança?

Não. Não tenho nenhum motivo para ter esperança. No plano estritamente pessoal, podemos ter razões para isso. Mas se falarmos numa esperança que nos envolva a todos, ela não é possível num mundo como este. Como será daqui a 50 ou cem anos? Estamos no fim de uma civilização e não temos ideia nenhuma do que vem aí. Nem sabemos se no futuro o ser humano terá alguma coisa a ver com o actual, ou se não será outra coisa que deva passar a chamar-se de forma diferente.

(...)

Antigamente, a mentalidade humana formava-se na grande superfície de uma catedral; hoje, forma-se na grande superfície de um centro comercial. O que diz tudo.

(O Mundo de Saramago; Revista Visão; n.º 515; 16 a 22 de Janeiro 2003)

 

O País está num momento de espera de qualquer coisa. Não só o País, mas a Europa e o mundo. (Eduardo Lourenço)

(Revista Visão, n.º 516,  23 a 29 Janeiro 2003)

 

“O ser humano é um ser que sofre imenso. E tem que sofrer: o humano é a construção mais cruel da natureza. Primeiro, sabe que morre; segundo, não sabe quando; e terceiro, não sabe o que lhe sucede depois de morrer.”

(Porque falamos tanto de sexo?, Entrevista ao psiquiatra Francisco Allen Gomes, Jornal DNA, 22.6.2002)

 

*Solidão

 

 

*Abandono

 

 

*Divórcio

“Em cada cinco casamentos portugueses, quase dois acabam em separação. Aliás, estes são os números que fazem de Portugal, o país com maior taxa de divórcios na Europa do Sul.” (A Capital, 17 setembro 2002, p. 3)

 

“Quase quarenta por cento dos portugueses casam fora da igreja” (Público, 1 setembro 2002, capa)

 

Os divórcios aumentaram duas vezes e meia e os nascimentos fora do casamento cresceram de cinco para 33 por cento, entre 1960 e 1990. (EUA) (“Só a família tradicional dá à criança o que ela precisa”, Jornal Público, 9.12.2002)

 

Os portugueses divorciam-se cada vez mais. No ano passado, por cada dois casais que se uniram, houve um que desistiu. E nem os mais idosos escapam ao fenómeno, preferindo cortar amarras antes que a morte os separe. “O mundo está impaciente de felicidade”, explica um demógrafo. É o esultado da sociedade “fast food”, arrisca uma psicoterapeuta. As alterações legislativas, que transformaram a anulação do contrato matrimonial num acto fácil e rápido, têm também certamente alguma coisa a ver com isto.

(“Boom” de divórcios, Alexandra Campos, Público, 13.4.2003)

 

*Suicídio

UM SUICÍDIO A CADA 40 SEGUNDOS, REVELA A ONU

Uma pessoa suicida-se a cada 40 segundos e esta é a quarta causa de morte no planeta, indicam estatísticas da ONU. Luciana Mancini, representante do Alto-Comissariado das Nações Unidas para os direitos Humanos, afirma que 191 milhões de pessoas morreram em resultado de conflitos; metade eram civis, o que torna o século XX um dos mais violentos e mortais da história. Adianta também que os valores confirmam que na prática os direitos do homem não progrediram tanto quanto no papel. É “preciso olhar a realidade”, que nos dá “uma perspectiva diferente”, afirmou durante o seminário “Os Direitos Humanos, a Criança e a Violência”, a decorrer até hoje em Lisboa. Um relatório da ONU revela que no mundo morrem 800 pessoas por dia devido a um confronto violento.

(Jornal Público, 24.6.2003)

 

*Suicídio assistido

“Entretanto o presidente da Sociedade Holandesa de Eutanásia Voluntária (NVVE), Rob Jonquière, considera que a NVVE continua a justificar a sua existência porque há uma próxima batalha a travar: a do direito ao suicídio. ‘Qualquer pessoa pode chegar a uma situação em que mesmo não estando doente, nem precise de um médico, queira pôr fim à sua própria vida’. Para já, explica que, ‘por razões estratégicas’, é necessário consolidar a vitória obtida em relação à legalização da eutanásia, onde a Holanda é pioneira mundial. ‘O suicídio é uma decisão autónoma de um indivíduo adulto. Quem somos nós ou a sociedade para perguntar a alguém porque é que se está a matar ou se tem a certeza do que está a fazer?’, pergunta Rob Junquière.” (Expresso, 11 agosto 2001).

 

*Eutanásia

O controverso médico australiano Philip Nitschke, conhecido defensor da eutanásia, deverá apresentar hoje, nos Estados Unidos, uma máquina de suicídio que produz até um litro de monóxido de carbono por minuto que pode ser inspirado através de um tubo respiratório nasal, avançou esta semana o jornal britânico “The Guardian”.

(...)

Em Agosto do ano passado, Nitschke já tinha apresentado um outro sistema de provocar a morte, a que deu nome de “exit bag”. Trata-se de uma espécie de saco de plástico que se coloca sobre a cabeça e se fecha através de um fio, sufocando rapidamente a pessoa.

(...)

A verdade é que, cinco meses após a introdução no mercado dos “exit bags”, o governo federal australiano não encontrou ainda uma base legal para os proibir e condenar o seu autor.

A primeira “máquina de suicídio” criada por Nitshke era constituída por um programa de computador intitulado “Deliverance”, que administrava automaticamente uma dose letal de barbitúricos aos seus utilizadores. O programa foi usado em quatro suicídios na Austrália, no âmbito da primeira lei a nível mundial que previa o direito a morrer e que acabou por ser banida pelo senado de Camberra em 1997, oito meses depois da sua aprovação.

(Médico Australiano apresenta nova “máquina de suicídio”; Jornal Público; 12.1.2003)

 

*Clonagem

“(...) uma iniciativa que o próprio Papa João Paulo II já classificou cem diversas ocasiões como ‘moralmente inaceitável’.

O vice-presidente da Academia Pontifícia para a Vida, monsenhor Elio Sgreccia, foi contundente, ao classificar a clonagem humana como ‘uma bomba atómica biológica’, de cujos riscos a humanidade deve defender-se. ‘Há que deter estas experiências, uma ameaça similar à do armamento nuclear da Coreia do Norte, assegura o perito do Vaticano, numa entrevista publicada ontem no diário de Turim ‘La Stampa’, ‘A clonagem é condenável, do ponto de vista religioso, da razão e da ética natural’, acrescenta. Sgreccia, que também é director do Instituto de Bioética da Universidade Católica de Roma, não esconde a sua preocupação pela natureza da seita ‘Os raelianos’, protagonista do anúncio de clonagem realizado em Miami (EUA). A Igreja Católica mostrou-se sempre contrária à clonagem, tanto do tipo reprodutivo como terapêutica, destinada a obter órgãos para transplante e quando esta última implique a manipulação e destruição de embriões humanos. Outro expoente eclesiástico, Mauro Cozolli, professor de Teologia na Universidade de Letras de Roma, condenou ontem ‘o delírio de omnipotência’ e o ‘narcisismo delirante’ de que, em seu entender, padecem as pessoas que desejam clonar-se.

O anúncio do nascimento de Eva, o primeiro bebé clonado, efectuado na Florida por Brigitte Boisselier, directora da empresa Clonaid e membro de Os Raelianos’, ´foi acolhido igualmente com críticas e cepticismo pela comunidade científica italiana. O Nobel da Medecina Renato Dulbecco assinalou ontem que se trata de uma ‘técnica inútil’ e que existem numerosos riscos para a menina, como se demonstrou na clonagem de animais, em que nenhum cresceu de forma perfeitamente nornal e nos quais se apresentaram problemas graves, como disfunções renais. O Nobel manifestou cepticismo perante o ‘curriculum’ da directora Boisselier, da qual, assegurou nunca ter lido qualquer tipo de publicação científica.

Críticas chegaram também do responsável do Instituto de Bioética italiano, Francisco D’Agostino, que condenou a prática de trazer ao mundo um ser com património genético programado e, portanto, ‘privado da sua identidade’.

Na Escócia, o Instituto Roslin de Edimbusgo, onde nasceu a ovelha Doly, alertou ontem para os perigos da clonagem de um ser humano, na sequência do anúncio pela seita religiosa do nascimento de um bebé clonado, ‘Considerado claramente repreensível’, comentou à rádio BBC Harry Griffin, porta-voz do Instituto Roslin, mundialmente conhecido depois do nascimento, em 1996, da primeira ovelha clonada, baptizada de Dolly. O cientista referiu que todos os grupos que trabalharam em clonagem de animais registaram falhas graves, ao nível de mortalidade pós-natal e problemas com os clones ao longo da sua vida.” (Vaticano e cientistas unidos contra clonagem, Jornal Público, 29.12.2002)

 

O professor Sobrinho Simões acredita ser uma “monstruosidade” a clonagem reprodutiva – prática essa que estará a ser levada a cabo pelos raelitas, como se intitulam os membros de uma seita religiosa norte-americana.

(...) eu acho uma monstruosidade. Não há o direito de um casal que não tem filhos [apelar à clonagem reprodutiva]. Se quer ter filhos, adopta. Há milhões de crianças abandonadas que ficariam felicíssimas se tivessem pais. Um casal sem filhos que clona uma célula do pai para obter um filho, na verdade, não faz um filho e sim um irmão gémeo do pai. O que é assustador nesta notícia é que esses tipos que agora dizem que fizeram esta clonagem, acham que o chefe deles lá viu uns homenzinhos verdes e só falou com mulheres e fez uma Eva. Temos uma coisa aterrorizadora que é uma seita querer reproduzir elementos do seu próprio grupo.

(...)

Quando falamos em clonagem reprodutiva, pegamos uma célula, que dá um embrião, que por sua vez é metido numa barriga de aluguer, há uma gravidez e, por fim, sai uma pessoa. Infelizmente, nós da área da ciência estamos convencidos de que essa criatura vai sair com problemas muito graves se chegar a viver.

(Tal como o envelhecimento precoce.)

Sim e outras alterações nos órgãos. Há pouca experiência ainda. (...) Já a clonagem terapêutica não se destina a fazer seres humanos, mas sim a utilizar as células embrionárias para tratar doenças como, por exemplo, a de Parkinson.E já há resultados positivos nessa matéria. Nós fazemos um clone, que não deixa de ser vida humana, mas que não é um ser humano. É uma bolinha microscópica que tem 16 células ou coisa que o valha. Não tem sistema nervoso. As células estaminais são extraordinárias porque têm potencialidades terapêuticas únicas. As pessoas deveriam perceber a diferença entre criar uma criança e desenvolver em laboratório um conjunto de células estaminais embrionárias que podem ser utilíssimas para o tratamento de doenças horríveis. Mas isso é um problema ético. Há pessoas que dizem que mesmo assim deveria ser proibido. Eu respeito. Para mim, os benefícios que podem vir desta prática para a humanidade justificam os inconvenientes éticos que eu reconheço que existem.

(Corresponde a um sonho do homem poder reproduzir-se a si próprio. Se o homem pode agora fazê-lo, porque não o faz?)

Porque o mais interessante é sermos produto de um homem e de uma mulher. Não faz sentido para mim que uma espécie sexuada, que tem a possibilidade de ter filhos que resultam da individualidade  única da união de um óvulo e um espermatozóide, seja substituída por uma cópia de um ser humano. É uma cópia geneticamente fiel de outro ser humano. Eu tenho imenso gosto de ter herdado características diferentes do meu pai e da minha mãe. Não queria fazer uma cópia de mim próprio.

(Acha então que essa espécie de “totoloto” da genética é uma história bela da qual não devemos abrir mão?)

Eu não tenho dúvidas disso. É das narrativas mais bonitas que há. É a história de dois seres que se encontram e que conseguem, porque gostam um do outro, ter um filho. Substituir isso por cópias de nós próprios é assustador.

(Seria um desejo de permanecer na Terra elevao ao extremo, para muito além das características que possamos transmitir a herdeiros?)

Exactamente. Eu tenho Eu tenho muito respeito pela nossa mortalidade. Eu não resolvo o meu problema se através de cópias sucessivas de mim mesmo eu me perpetuar. Eu acho que nós temos um programa e devemos viver o tempo que corresponde ao nosso programa e vivê-lo com muita qualidade. Devemos fazer o máximo para termos qualidades humanas.

(“É aterrorizador uma seita querer clonar elementos do seu próprio grupo – entrevista ao professor Sobrinho Simões; Jornal Público; 5.1.2003)

 

*Aborto

“’Consideramos que o direito de optar não deveria ser referendável”, disse Jamila Madeira em declaração à Lusa.” (Público, 21 julho 2002).

 

Socialistas assumem despenalização do aborto como questão política, Jornal Público, 6.11.2002

 

Em 1969, Norma McCorvey, uma texana de 25 anos, ficou grávida. McCorvey (que já tinha dois filhos) dizia ter sido violada e queria abortar. Mas a lei do Texas só permitia então o aborto em caso de risco de vida para a mãe; McCorvey teve a criança, mas avançou com um apelo nos tribunais.

Para proteger o seu anonimato, McCorvey era referida no caso apenas pelo seu pseudónimo “Jane Roe”. Em 1973, o seu apelo chegou ao Supremo tribunal. Em defesa da lei texana estava o procurador-geral daquele estado, Henry Wade; daí que o caso seja conhecido como “Roe vs. Wade”.

A 22 de Janeiro de 1973, o Supremo Tribunal decidiu, por uma maioria de sete votos contra dois, que as proibições do aborto feriam o direito constitucional à privacidade. A decisão, redigida pelo juiz Henry Blackmun, estabeleceu o chamado “critério trimestral”.

A jurisprudência criada por “Roe vs. Wade” diz que, no primeiro trimestre de uma gravidez, a mulher tem um direito absoluto a abortar; nos segundos três meses, pode haver alguma regulamentação estadual ao aborto; e, no terceiro trimestre, cada estado pode restringir ou banir o aborto excepto em casos de risco para a saúde da mãe.

Nos últimos 30 anos, “Roe vs. Wade” continua a ser a base da legislação americana sobre o aborto. Curiosamente, a mulher que esteve na base desta decisão mudou de ideias. Nos anos 80, Norma McCorvey anunciou a sua conversão ao cristianismo e disse que o seu testemunho em 1969 de que tinha sido violada era falso.

Desde então, “Jane Roe” juntou-se à campanha antiaborto. Há cinco anos, McCorvey testemunhou perante um comité do Senado, dizendo que “a experiência nos EUA com o aborto legal é um completo fracasso”, que “matou 37 milhões de bebés”.

(A história de “Jane Roe”; Jornal Público, 26.1.2003)

 

Abortos nos Estados Unidos em 2000: 1,3 milhões

Abortos em 1990: 1,6 milhões

Abortos por cada 1000 americanos em 1974: 30

Abortos por cada 1000 americanos em 2000: 21,3

(nota: os números não incluem abortos “ilegais”)

Clínicas de aborto nos EUA em 1996: 2042

Clínicas de aborto nos EUA em 2000: 1819

(Os números da polémica; Jornal Público; 26.1.2003)

 

A Rússia herdou da URSS a triste liderança mundial quanto ao número de abortos provocados. Mas o número de interrupções da gravidez no país continua a aumentar e atingiu valores tão ameaçadores que obrigou deputados da Duma Estatal, a câmara baixa do parlamento russo, a exigir a aprovação de leis que “defendam a vida dos bebés ainda não nascidos”.

Segundo um estudo apresentado à Duma pelo Comité Parlamentar encarregado das organizações sociais, “a cada cem nascimentos na Rússia correspondem entre 215 e 230 abortos”, o que faz com que no país o número de abortos por ano ronde os 4 milhões.

(...)
(Cerca de 4 milhões de abortos por ano na Rússia; Jornal Público, 26.1.2003)

 

*Pornografia

“A autoridade francesa reguladora do audiovisual, o Conseil Supérieur de l’Audiovisuel (CSA), decidiu recomendar o fim da emissão de filmes pornográficos nos canais franceses como forma de proteger o público mais jovem.” (Público, 7 julho 2002)

 

Foi desmantelada recentemente a maior rede criminosa de exploração de pornografia infantil nos EUA, a Landslide Productions, Inc. Com sede no Texas, a rede abastecia-se de pornografia produzida tanto no mercado americano, como na Rússia e na Indonésia, por exemplo. O negócio consistia na posse e divulgação junto dos subscritores de materiais e ‘sites’ onde apareciam crianças em actos sexuais. Número de subscritores: 250 mil. Lucros atingidos: 1,4 milhões de dólares por mês. Custo de assinatura/mês – 70 euros. Também se dedicava à transmissão de violação de crianças em directo, através da Internet, num ‘site’ designado ‘child rape’. (Combate à pornografia infantil na Internet; Jornal Público, 12.12.2002)

 

*Homossexualidade

“Não importa aqui discutir as razões que levam algumas pessoas a fazer uma opção sexual diferente e, muito menos, julgar o seu comportamento. Interessa acima de tudo reflectir sobre as atitudes mais ou menos discriminatórias de que são vítimas e sobre os sentimentos que estão em questão. Muitos homossexuais sentem que a sociedade os condena permanentemente e os faz sentir vergonha de serem como são. Acontece que por mais chocante que pareça aos heterossexuais, um homossexual é, antes de mais, uma pessoa com sentimentos e emoções. Com direitos e deveres. Com necessidades afectivas e psicológicas. Tal como os heterossexuais, os homossexuais têm necessidade de amar e ser amados, respeitar e ser respeitados, aceitar e ser aceites pelos outros. Ninguém cresce de forma saudável e equilibrada se não sentir que existe afecto e respeito à sua volta.” (Laurinda Alves, Xis, 14 setembro 2002, p. 8).

 

“Ser homossexual é uma escolha?

Não, não é uma escolha. Acontece que responder desta maneira não esclarece completamente a dúvida. Tal como os heterossexuais, os homossexuais não escolhem as pessoas por quem se sentem atraídos. A única escolha que podem fazer é reprimir os sentimentos em relação a pessoas do mesmo sexo e fingir que são heterossexuais.

As pessoas nascem homossexuais?

Esta questão remete-nos para 1800, quando Magnus Hirschfeld, fundador do primeiro movimento a favor dos direitos dos homossexuais na Alemanha, declarou que acreditava na origem biológica da homossexualidade. Neste momento os cientistas tentam perceber a importância da genética mas ainda não chegaram a conclusões definitivas e, por isso, é possível acreditar que se pode nascer gay. Ou não.” (Laurinda Alves, Xis, 14 setembro 2002, p. 12).

 

“(...) circula em Portugal um abaixo-assinado destinado a permitir que os casais homossexuais vejam reconhecido o direito de adoptarem crianças, direito que só lhes é reconhecido hoje na Dinamarca e na Suécia. Argumentam os defensores da atribuição desse direito que ninguém deve ser discriminado devido à sua orientação sexual (é verdade) e que, portanto, os casais ‘gays’ ou de lésbicas também deveriam poder adoptar crianças.” (Público, 1 julho 2002, p. 11)

 

FILHA LÉSBICA DO CONGRESSISTA DICK GEPHARDT ENTRA NA CAMPANHA PRESIDENCIAL AMERICANA PARA DEFENDER DIREITOS DOS HOMOSSEXUAIS

O pai está preparado para as consequências: “A minha família estará sempre primeiro e se isso significar que eu não posso ser eleito, então significa que eu não posso ser eleito”

(Jornal Público, 15.6.2003)

 

CAMPANHA DIGITAL CONTRA O PRECONCEITO SEXUAL

A Rede Ex Aequo, associação portuguesa de jovens lésbicas, gays, bissexuais, transgéneros e simpatizantes, está a organizar uma campanha digital contra o preconceito. A campanha, adaptada de uma iniciativa homónima lançada no Brasil em 2002 e da qual a associação criou uma versão portuguesa, arrancou este domingo. O mês de Junho tem um “enorme simbolismo para a população lésbica, gay, bissexual e transgénera (LGBT) de todo o Mundo, dado tratar-se do mês do orgulho LGBT, que marca a comemoração dos acontecimentos em Stonewall, em 1969”. A campanha tem como objectivo “levar o utilizador da Internet não só a reflectir sobre o preconceito para com as pessoas LGBT, mas também a informá-lo sobre questões relacionadas com a população LGBT, combater a ignorância sobre a sua realidade, esclarecer dúvidas existentes, destruir estereótipos errados e preconceituosos que denigrem e deturpam a realidade da vivência destas pessoas, tantas vezes vítimas de uma homofobia social e institucional”.

(Jornal Público, 4.6.2003)

 

*Pedofilia

“Uma rede internacional de pais pedófilos, que abusavam sexualmente dos próprios filhos e depois distribuíam as suas imagens na Internet, foi ontem desmantelada, tendo sido detidos vinte membros nos Estados Unidos e na Europa.” (Diário de Notícias, 10 agosto, 2002, p. 21)

 

“(...) detectou a existência de cerca de dois mil “sites” com imagens de abusos de menores filmados na Europa de Leste e na Ásia. Tais “sites” tinham mais de 350 mil subscritores em 60 países, entre os quais Portugal, e distinguiam-se dos habituais “clubes de internautas” pedófilos por não exigirem como condição de acesso a troca de fotografias do mesmo tipo, mas simplesmente disponibilizava a compra desse material com cartão de crédito.”

(Lista do FBI de pedófilos portugueses chega dentro de dois meses, Jornal Público, 3.2.2003)

 

O I Congresso Mundial contra a exploração sexual de crianças, realizado em 1996 em Estocolmo, avaliou em dois milhões o número de menores explorados sexualmente em todo o mundo. O continente mais atingido é a Ásia, onde haverá um milhão e meio de crianças prostituídas. No Leste da Europa, o comércio de carne infantil alastra. Cidadãos que aparentemente não transgridem nos seus países de origem alimentam uma florescente indústria de turismo sexual, envolvendo menores, em países como a Tailândia, o Camboja ou o Brasil.

Mesmo nas sociedades ocidentais, a pedofilia tornada pública é apenas a ponta do icebergue: todos os dados indicam que a grande maioria das ofensas sexuais a crianças ocorrem na família e são silenciadas, embora deixem traumas duradouros. Nas palavras do psiquiatra José Gameiro, o incesto com menores “é a pedofilia dos pobres, embora isto não signifique que ocorra apenas nas famílias com menos recursos”.

(Relações perigosas, Única – Expresso, 8.2.2003)

 

O número de crimes ligados à pedofilia tem assumido proporções significativas nos últimos anos em Portugal. Os tribunais julgaram, nos últimos três anos, 443 processos por abuso ou actos sexuais envolvendo menores e adolescentes. Foram feitas 277 condenações de um total de 450 acusações, segundo dados do Ministério da Justiça. Entre Janeiro de 2000 e Outubro de 2002 foram abertos 407 processos por abuso sexual de crianças e de menores dependentes e 36 processos por actos sexuais e homossexuais com adolescentes, de acordo com dados a que a agência Lusa teve acesso. O ano passado terminou com um grande julgamento em perspectiva, o processo sobre a existência de uma eventual rede de pedofilia na cAsa Pia. Este caso ocorre dez anos depois do primeiro relatado pela comunicação social, o do padre Frederico Cunha, condenado a 11 anos pelo homicídio de um rapaz de 15 anos. A pena não foi cumprida porque o padre fugiu para o Brasil.

(Tribunais julgaram 443 processos em três anos; Jornal Público; 11 fevereiro 2003)

 

A pedofilia é uma psicopatologia e há uma discussão entre os especialistas para saber se é uma doença ou não. Mas implica que, num determinado indivíduo, há um desvio da libido dos objectos sexuais que na nossa sociedade consideramos normais e uma fixação em crianças.

(“A nossa sociedade está a construir a nova figura do monstro”; Entrevista com Pedro Vasconcelos, sociólogo da família, do género e da sexualidade e docente no Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), em Lisboa; Jornal Público; 10 fevereiro 2003)

 

A Internet é uma das principais sedes do tenebroso mundo da pornografia infantil e da pedofilia, conforme têm revelado diversas investigações policiais. Um mundo em que os conteúdos mais sórdidos não são de acesso fácil para o comum dos internautas, mas muito activo, lucrativo e perigoso para as crianças, alvos permanentes de redes que as aliciam através da Net.

(...)

Mediante o pagamento de uma mensalidade a partir de 14,95 dólares (13,8 euros), o servidor Usenet, por exemplo, coloca à disposição do utilizador cerca de 80 mil grupos de discussão sobre os mais variados temas, onde qualquer pessoa poderá aceder, visualizar, descarregar e trocar conteúdos de pornografia infantil,

(O obscuro mundo da pedofilia na Internet; Jornal Público; 13 fevereiro 2003)

 

·         No ano de 2000, nos EUA, uma em cada cinco crianças com acesso regular à Internet foi abordada pelo menos uma vez por desconhecidos com intuitos sexuais (“Risk factors for and impact of  online sexual solicitation of youth”, “Journal of the American Medical Association”, de 20 de Junho de 2001)

·         Em Espanha, 20 polícias tentam, diariamente, descobrir sítios da Internet com conteúdos proibidos

·         Em Espanha, a polícia, a Guardia Civil e a Associación Contra la Pornografia Infantil recebem, mensalmente, 3000 denúncias de páginas da Internet que exibem conteúdos pedófilos

·         Em 2001, foram desmanteladas 812 comunidades pedófilas em Espanha

·         Segundo responsáveis do maior fornecedor de acesso à Internet em Espanha, 99 por cento das denúncias sobre pornografia infantil na rede referiam-se a páginas alojadas gratuitamente

·         A Landslide Producrions Inc. (a maior rede de exploração de pornografia infantil nos EUA, desmantelada recentemente) controlava dois mil sítios, tinha 250 mil subscritores, espalhados por 60 países, e facturava 1,4 milhões de dólares por mês

·         Estima-se que os crimes envolvendo pedofilia na Internet movimentem cinco mil milhões de dólares. Desse total, 300 milhões corresponderão à venda de fotografias e vídeos contendo cenas de abusos sexuais

·         Até agora, já foram encontrados 17 mil sítios de pedofilia na rede

·         Calcula-se que fotografias e vídeos com cenas de pedofilia na Internet possam custar entre 400 e 6000 dólares

(Jornal Público; 13 fevereiro 2003)

 

*Abuso Sexual

A verdade é que as denúncias aumentaram substancialmente ao longo da última década. Os dados do IML do Porto são disso mesmo prova: se no princípio da década de 90 o número de casos de abuso sexual de menores rondava as três dezenas por ano (35 em 1990, 39 em 91 e 33 em 92), a partir de 1994 começaram a aumentar, atingindo um pico em 1999 (163), ou seja, quatro vezes mais; a partir daí, estabilizaram (140, em 2000; 132, no ano passado; 101, até Outubro passado). (Familiares e amigos são os principais abusadores sexuais de crianças; Jornal Público, 9.12.2002)

 

Cerca de 80 por cento das prostitutas e proxenetas existentes na Europa foram abusados sexualmente quando eram crianças, de acordo com um estudo europeu.

(Abuso sexual marca infância de prostitutas; Jornal Público; 23 fevereiro 2003)

 

* Sexo

Moynihan refere que o objectivo é criar uma espécie de Viagra para as mulheres, depois do sucesso que teve o medicamento contra a disfunção eréctil masculina: desde 1998, foi prescrito a mais de 17 milhões de homens e deu em 2001 à Pfizer, empresa que o comercializa, lucros na ordem dos 17 milhões de dólares (quantia semelhante em euros).

(Farmacêuticas acusadas de inventar disfunção sexual feminina como uma doença; Jornal Público; 4.1.2003)

 

DESIGUALDADE NA INICIAÇÃO SEXUAL ENTRE HOMENS E MULHERES É MAIOR EM PORTUGAL

Portugal é um dos países europeus onde a disparidade entre homens e mulheres, no que diz respeito à idade de iniciação sexual, é maior. Metade das jovens portuguesas nascidas em 1970, perderam a virgindade antes dos 19,8 anos; para as restantes, a primeira experiência aconteceu depois. Entre os homens da mesma geração, 50 por cento iniciaram-se antes de dobrarem os 17,5 anos.

(Jornal Público, 15.6.2003)

 

O SEXO NA ERA PÓS-VIAGRA

Se pensarmos em divisores de água na história da sexualidade, nãos erá com esforço que nos lembraremos das teorias freudianas, da revolução dos costumes impulsionada pela pílula anticoncepcional e, obviamente, da comercialização do Viagra. (...)

(...) desde 1998, o remédio azul foi receitado a mais de 17 milhões de homens -, “o consumo do Viagra ficou aquém daquilo que era previsto pela empresa”. (...)

(Jornal Público, 29.6.2003)

 

ENGRAVIDAR SEM SEXO E SEM AJUDA MÉDICA

Moda da auto-inseminação caseira chega a Portugal pela mão das lésbicas.

SEM PECADO ORIGINAL

Não têm relações sexuais com homens nem recorrem a clínicas, mas conseguem engravidar. Dizem que usam o método mais natural do mundo: basta pedir um frasquinho de esperma a um a migo e o resto resolve-se sem sair de casa. Se houver milagre só pode ser o da auto-inseminação. Se houver pecado só se for o de mexer com o futuro das crianças.

(Revista Visão, 3a9julho2003)

 

* Prostituição

Longe vão os tempos em que falar de prostituição em Viana do Castelo, seria falar da “emblemática” recta de Castelo de Neiva. Mas os tempos mudaram e, actualmente, regista-se um verdadeiro “boom” no negócio do sexo em todo o distrito.

Desde as casas de alterne, passando pelo nascimento de novas zonas de prostituição de rua, até ao “sexo encomendado pelo telefone”, as escolhas têm vindo a crescer em grande número.

(...)

Perante a palavra amor, uma das prostitutas mais velha a trabalhar no distrito ri-se. “Com esta idade, o que interessa é mesmo o dinheiro, pois o amor é coisa para as miúdas mais novas”.

(...)

Histórias e dramas, tantas vezes contadas e já verdadeiros “clichés” do mundo da prostituição, são também ouvidas no Alto-Minho. “Estou aqui para ganhar dinheiro para os meus filhos que estão na Colômbia”, revela uma. Outra firma “que se não viesse para Portugal acabaria por morrer na miséria”. No meio dos desabafos, encontramos o caso de Roseane, uma brasileira de 32 anos, cujos motivos diferem: “Era casada, estava a tirar Direito e a construir uma casa com o meu marido”. Ele morreu e agora quer concluir as obras. “Esta foi a forma mais rápida de o fazer”, diz.

(Prostitutas Sem Crise; Jornal Diário de Notícias; 17.1.2003)

 

Adiantando que esta associação tentou promover a reinserção social, através da atribuição de um rendimento mínimo garantido, Manuela Brito justificou o fracasso da tentativa com o facto de muitas “muitas delas auferirem num dia o que seria atribuído por mês”. E acrescentou ainda que esta é uma actividade à qual recorrem todos os quadros sociais, desde juizes a médicos e psicólogos. “Neste momento, o problema é o da saúde pública, com o aumento dos casos de sida”.

(...)

(...) Os estudantes prostituem-se porque querem viver acima da média”.

(Causas e consequências da prostituição debatidas ontem em Coimbra; Jornal Público; 27 fevereiro 2003)

 

*Ecologia

“Particularmente grave é a situação das florestas tropicais, que crescem em volta do equador e contêm a maior diversidade de vida vegetal e animal na terra e decrescem ao ritmo de 10 milhões de hectares por ano. Como se a natureza fosse um estorvo ao desenvolvimento das estradas e da construção civil. A Mata Atlântica é, a seguir à Floresta Amazónica, a segunda maior em extensão de florestas tropicais do Brasil. Verdadeira fábrica de oxigénio, esteve originalmente distribuída por uma área superior a 1,3 milhões de Km2, entre 17 estados brasileiros, ocupando cerca de 15 por cento do território. Desde o início da colonização, a Mata Atlântica tem sido devastada e actualmente encontra-se reduzida a menos de 8 por cento da sua área original, ou seja, a cerca de 100 mil Km2. (...) Os principais inimigos da árvore são o homem e as suas acções como a poluição, os incêndios, a urbanização e a extensão das redes viárias. O homem submete a natureza à suas vontades. Substitui as árvores por prédios. Os animais por carros. Os pássaros por antenas. Desbrava as florestas com fins financeiros, calca o solo, asfixia as raízes e incendeia a floresta. Ironicamente, uma árvore pode produzir milhões de fósforos, mas basta um fósforo para destruir milhões de árvores. Todos os anos, há centenas de espécies do mundo animal e vegetal que se extinguem para sempre e mesmo antes de serem identificadas e recenseadas. O empobrecimento da flora põe em perigo as espécies animais, a começar pelo homem e é isso que ele parece não entender.” (Maria João Freitas, Pública, 29 setembro 2002, p.14)

 

*Poluição

VULCÃO SUBMERSO (Visão, 21 Novembro 2002) – “O Prestige afundou-se após derramar 6 mil toneladas de crude na costa galega. Mas as 70 mil toneladas que iam no navio hão-de vir à superfície. Receia-se que, nessa altura, o caos atinja o litoral dos dois países ibéricos. (...) Treze anos depois do acidente do Exxon Valdez – o mais trágico derrame de petróleo da história -, permanecem bolsas de crude na costa do Alasca. (...) O combustível que seguia a bordo revela-se especialmente lesivo para o ambiente. O ‘fuel tipo 6’ é um produto já refinado, com uma capacidade de degradação lenta e uma elevada toxicidade. O que, só por si, torna este acidente muito mais grave do que o ocorrido em Porto Santo, em 1990, quando 25 mil toneladas de crude ‘puro’ invadiram a ilha.”

 

A Europa tingida de negro

1967 – 18 Março No primeiro acidente deste tipo, uma maré negra atinge a costa francesa na sequência do afundamneto do petroleito “Torrey Canion”, que provoca o derrame de 120 mil toneladas de “crude”.

1976 – 24 Janeiro Um total de 1200 toneladas de petróleo bruto escapam do navio “Olympic Bravery”, que se afunda ao largo da França.

1976 – 15 Outubro O petroleiro “Boehlen” parte-se no decorrer de uma tempestade e 8000 toneladas de “crude” atingem a costa francesa.

1978 – 16 Março O naufrágio do super-petroleiro “Amoco Cadiz” lança uma mancha de 230 mil toneladas de “crude” sobre 320 km de costa do noroeste da França.

1980 – 7 Março O petroleiro “Tanio” parte-se ao largo da França e derrama 6000 toneladas de combustível.

1993 – 5 Janeiro O petroleiro “Braer” afunda-se e solta a sua carga de 84 mil toneladas. A rápida evaporação evita uma catástrofe ecológica nas ilhas Shetland (Grã-Bretanha).

1996 – 16 Fevereiro 147 mil toneladas de “crude” provenientes do naufrágio do navio-tanque “Sea Empress” atingem o sul do País de Gales.

1999 – 12 Dezembro Uma faixa de 400 km do litoral francês é atingida pelas 20.000 toneladas de combustível provenientes do petroleiro “Erika”, que se afunda ao largo.

2001 – 30 Março Devido à colisão do petroleiro “Baltic Career” com um cargueiro, são derramadas no mar Báltico 2700 toneladas de combustível, que atingem a costa dinamarquesa.

(Jornal Público, 18.11.2002)

 

A falta de saneamento, a água imprópria, a higiene precária, a poluição e outros perigos ambientais provocam doenças fatais como a malária, diarreias e infecções respiratórias agudas, que matam cinco milhões de crianças todos os anos. Por isso, as Nações Unidas decidiram dedicar este Dia Mundial da Saúde, que hoje se celebra, ao direito das crianças a um ambiente são.

(...)

Mais de 2,4 mil milhões de pessoas não estão ligadas a rede de esgotos. Além disso, os adultos, mas sobretudo as crianças, não limpam as mãos antes das refeições ou depois de defecar.

(...)

Cerca de dois milhões de miúdos com menos de cinco anos morrem todos os anos devido a infecções respiratórias.

(...)

A dengue, sobretudo sob a forma de febre hemorrágica, mata 10 mil crianças por ano. (...) Dos dois milhões de casos cutâneos que aparecem anualmente, 95 por cento atingem crianças abaixo dos cinco anos.

(...)

Cerca de 500 mil miúdos até aos 14 anos morrem todos os anos devido a envenenamentos acidentais.

(...)

Os acidentes de trânsito, os envenenamentos e os afogamentos matam 685 mil crianças abaixo dos 15 todos os anos.

(Problemas ambientais matam cinco milhões de crianças por ano; Público, 7.4.2003)

 

EMISSÕES DE GASES COM EFEITO DE ESTUFA VÃO AUMENTAR

Apesar de os países industrializados se terem comprometido a reduzir as suas emissões de gases que provocam o efeito de estufa, irá registar-se um aumento de dez por cento até 2010, indica o último relatório das Nações Unidas.

(...)

As emissões dos países mais industrializados podem aumentar 17 por cento até final da década. Simultaneamente, os países em transição da Europa Central e de Leste estão a começar a poluir à medida que as economias recuperam do colapso sofrido em meados da década de 90 – colapso esse que contribui para que as suas emissões diminuíssem 37 por cento, o que fez com que, em média, o mundo desenvolvido reduzisse três por cento durante os anos 90.

(Jornal Público, 5.6.2003)

 

*Catástrofes

 

 

*Cheias e inundações

 

 

*Terramotos

Os primeiros anos deste século já conheceram terríveis abalos sísmicos. A lista dos mais mortíferos é a seguite:

2001

13 Janeiro e 13 Fevereiro

Com um mês de intervalo, dois violentos sismos (7,6 e 6,6 na escala de Richter) abalam El Salvador. Contam-se 1142 mortos, 2000 desaparecidos e 1,3 milhões de desalojados.

26 Janeiro

O estado indiano de Gularat sofre os efeitos de um sismo devastador (7,9 Richter), que deixa atrás de si mais de 20.000 mortos e 160.000 feridos.

2002

25 Março

A terra treme no Afeganistão (5,8 Richter), matando 800 pessoas e deixando muitos milhares sem abrigo.

31 Outubro

Tragédia na aldeia italiana de San Giuliano di Puglia, onde um sismo (5,3 Richter) provoca o desabamento de uma escola. Das 30 vítimas, 27 são crianças.

2003

24 Fevereiro

Mais de 250 mortos e pelo menos 1000 feridos – é este o balanço  do sismo de magnitude 6,6 na escala de Richter que ontem abalou o Oeste da região autónoma de Xinjiang, na China.

(Sismos no Século XXI, Jornal Público, 25 fevereiro 2003)

 

SISMO CAUSA 150 MORTOS E 500 FERIDOS NA TURQUIA

Dez anos de sismos

A Turquia tem sido atingida por vários sismos ao longo do tempo, os mais graves dos quais foram registados em Agosto e Novembro de 1999 que causaram 20 mil mortos.

13 de Março de 1992. 653 pessoas morreram ou desapareceram e cerca de 700 ficaram feridas, em consequência de um tremor de terra que atingiu o Leste do país.

1 de Outubro de 1995. A região de Dinar é sacudida por um sismo cujo resultado são 90 mortos e 210 feridos.

27 de Junho de 1998. Pelo menos 140 pessoas morrem devido a um sismo de 6,3 na escala de Richter que atinge a província turca de Adana e várias províncias vizinhas.

Agosto 1999. Outro violento tremor de terra de 6,7 graus na escala de Rchter abala o Nordeste do país. Cerca de 20 mil pessoas morrem e 45 mil ficam feridas. Várias réplicas igualmente mortíferas sucedem-se.

12 de Novembro de 1999. Novo sismo com uma magnitude de 7,4 devasta o Nordeste do país, provocando cerca de 900 mortos e cinco mil feridos.

6 de Junho de 2000. Um tremor de terra de magnitude de 5,9 na escala de Richter atinge a província de Cankiri, no Norte, causando a morte de duas pessoas e ferindo 81.

16 de Dezembro de 2000. Seis pessoas morrem e 40 ficam feridas num sismo de magnitude 5,8 na escala de Richter que sacode as províncias de Konya et de Afyon.

3 de Fevereiro de 2002. Um tremor de terra de magnitude seis na escala de Richter faz 44 mortos e 318 feridos na província de Afyon.

(Jornal Público, 2.5.2003)

 

A ARGÉLIA TREME

Mais de 2 mil mortos, 8 mil feridos e um milhar de desaparecidos. O grande sismo que ficará associado a este mês de Maio de 2003 foi a maior tragédia argelina em 23 anos. E a presidência de Buteflika ficou ameaçada por uma população cansada de sofrer em silêncio.

(Revista Visão, 29 de Maio de 2003)

 

ABALO NO JAPÃO

Também no Norte de Japão foi sacudido por um violento sismo, mas este sem causar vítimas mortais.  Eram 18 e 24 de segunda-feira, dia 26 (menos nove horas em Portugal continental), quando a terra começou a tremer na cidade de Sandai, a partir de um epicentro localizado no mar, propagando-se o abalo telúrico a toda metade setentrional do arquipélago, incluindo Tóquio, a capital, situada 300 quilómetros a sul.

O sismo teve uma magnitude de 7 na escala de Richter, o que normalmente lhe conferiria um carácter catastrófico, se não de se o caso de, no Japão, a maioria dos edifícios estar construída de molde a resistir aos efeitos devastadores destes fenómenos naturais, ali bastante frequentes – a tal ponto que, tradicionalmente, as casas eram feitas de madeira e papel, materiais relativamente leves. (...)

(Revista Visão, 29.5.2003)

 

*Buraco do ozono

 

 

*Espécies em extinção

 

 

*Esgotamento de recursos

A falta de qualidade e quantidade da água disponível no planeta vai agravar-se nos próximos anos, já que a inércia política tem contribuído para a agudização do problema, alertam as Nações Unidas. (...)

As Nações Unidas fazem duas previsões para 2050, dependentes das alterações demográficas e das decisões políticas: a optimista calcula que 2000 milhões de pessoas em 48 países terão falta de água, enquanto que a pessimista considera que o problema afectará 7000 milhões de pessoas em 60 países.

As alterações climáticas serão responsáveis por um aumento de 20 por cento dos problemas de escassez de água, já que se prevê que as chuvas aumentem nas zonas húmidas e que diminuam nas regiões mais secas, nomeadamente em zonas tropicais e sub-tropicais.

O aumento da poluição é outra das causas de diminuição da qualidade da água, que em 2050 poderá ser responsável pela perda de 18 mil quilómetros cúbicos de água doce, nove vezes o total da água usada na irrigação, a actividade que mais consome – e desperdiça – água no planeta.

Muitos países, sobre tudo no Terceiro Mundo, já se defrontam hoje com um enorme dilema – como abastecer as populações e ao mesmo tempo garantir disponibilidades para a agricultura. O resultado está à vista: 815 milhões de pessoas sofrem de subnutrição e, com o agravamento da falta de água, a solução para este drama parece cada vez mais distante.

 

NÚMEROS

  • Dois milhões de toneladas de resíduos são deitados todos os dias em rios, lagos e ribeiros
  • Um litro de esgoto polui oito litros de água doce
  • Uma criança dos países ricos consome 30 a 50 vezes mais água que uma de um país pobre
  • 6000 pessoas, a maioria crianças, morrem todos os dias de doenças diarreicas
  • O consumo de água duplicou nos últimos 50 anos, mas as disponibilidades “per capita” diminuíram um terço entre 1970 e 1990
  • Os rios asiáticos têm três vezes mais bactérias que a média mundial devido ao despejo de esgotos
  • Existem 42.800 quilómetros cúbicos de água nos rios e 23.400 mil quilómetros cúbicos em lençóis subterrâneos.

(Falta de água vai agudizar-se nos próximos anos; Público, 6.3.2003)

 

O que está globalmente em causa é o destino dos 508 milhões de pessoas que têm sede todos os dias, a par dos 1,1 milhões de indivíduos que sobrevivem sem água potável, dos 2,3 mil milhões privados de instalações sanitárias ou dos 4 mil milhões de habitantes do planeta que continuam à espera de aceder a uma rede de saneamento básico. Ao ritmo actual de consumo de água potável, numerosos estudos são coincidentes na previsão de que 50 por cento da população mundial – qualquer coisa como 3 mil milhões de indivíduos – não terá água potável em 2025. Assim, para atingir uma cobertura universal das necessidades básicas de água, estima-se que seria necessário investir anualmente, e durante a próxima década, 180 mil milhões de euros, o que representa duas a três vezes o montante anual da ajuda pública ao desenvolvimento.

Estes valores são, sem dúvida, astronómicos e parecem praticamente impossíveis de alcançar. NO entanto, o caso talvez mude de figura, se pensarmos que todos os anos são gastos 30 mil milhões de euros com o golfe, actividade que consome enormes quantidades de água. Para já não falar, por exemplo, nos 12 mil milhões de euros despendidos a alimentar os animais de estimação nos países ricos, como referiu ao diário francês “Libération” Gordon Young, director da UNESCO e coordenador das agências das Nações Unidas (ONU) para a água.

(Dez mil debatem em Quioto a crise planetária da água, Jornal Público, 17.3.2003)

 

A ÁGUA EM OITO NÚMEROS

1,4 milhões de quilómetros cúbicos é toda a água do planeta, da qual apenas 2,5 por cento (35 milhões de quilómetros cúbicos) é potável

0,5 por cento é a percentagem de água que está a ser acessível ao ser humano

70 por cento da reserva total de água doce é utilizada na agricultura

10 por cento da reserva total de água doce é utilizada na agricultura

600 litros é a quantidade de água consumida diariamente por um americano

30 litros é a quantidade de água que um africano consome por dia

5 milhões é o número de pessoas que morrem todos os anos em consequência do consumo de água contaminada

2 milhões de toneladas de lixo são derramadas por dia nos lagos, rios e outros cursos de água do planeta

(Jornal Público, 17.3.2003)

 

* Explosão populacional

Dos anos 40 para cá a população mundial duplicou, atingindo os seis mil milhões de pessoas.

(O desaparecimento – Fernando Ilharco; Jornal Público; 24 fevereiro 2003)

 

*Sida

“Portugal registou no ano passado uma taxa de incidência de sida – número de casos por cada milhão de habitantes – de 105,8 o valor mais alto da UE,  quando a média dos Quinze se situou em 21,8.” (Público, 11 setembro 2002)

 

“Apesar de a evolução da doença estar em regressão no resto da UE, em Portugal está a aumentar. Em 2001, o País assinalou um aumento de 13 por cento. (...) Segundo o relatório, a maior incidência em Portugal registou-se nas pessoas com idades entre 25 e 29 anos (22,1) mas também assinala um valor de 11,6 para os jovens entre 15 e 24 anos, quase o dobro da média europeia (5,5). A droga surge como a principal causa de casos de sida em Portugal (49,9 por cento), seguida dos contactos heterossexuais (27,8) e da homossexualidade.” (Diário de Notícias, 11 setembro 2002, p. 25).

 

“A sida está a tornar-se uma epidemia no feminino. São já quase 20 milhões as mulheres infectadas com HIV, muitas delas jovens em idade fértil.” (Público, 10 julho 2002, p. 30).

 

Hoje é o dia mundial da luta contra a sida, mas as notícias recentes sobre a maleita que minou o século XX não são boas. Há 42 milhões de pessoas infectadas no globo, das quais sete milhões só na Ásia. China, Índia e Rússia assistem a uma invasão em força do vírus. Um milhão de novas infecções surgiu já em 2002, o que representa mais dez por cento de novos afectados do que no ano anterior. Isto num cenário em que os especialistas alimentavam esperanças num estacionamento da doença, o que não aconteceu. Se não houver força e vontade para inverter a situação, o total de infectados em todo o mundo dentro de vinte anos será de 68 milhões. (Jornal Público, 1.12.2002)

 

(...) mais de um milhão de alunos africanos perderam este ano um docente, devido à sida. Em países como a Zâmbia, onde um quinto da população adulta está infectada com o HIV, a doença está a matar docentes a uma velocidade superior àquela que permite a sua substituição dizem as autoridades. (...) Há um sentimento de falta de esperança. (“Sida está a deixar africanos sem professores”, Jornal Público, 3.12.2002)

 

Logo no início, os números a caracterizar a realidade: cinco milhões de novas infecções por HIV em 2001; três milhões de mortes (mais de oito mil por dia); 13,2 milhões de órfãos de doentes de sida. (“Sampaio quer sexualidade responsável para prevenir sida”, Jornal Público, 2.12.2002)

 

Em Portugal, assiste-se a uma tendência para o crescimento de casos de sida entre heterossexuais. Em 2001 e 2002, mais de metade dos novos casos de infecção incidiram sobre toxicodependentes, apesar de se verificar um decréscimo entre os utilizadores de drogas injectáveis. O número de novos infectados tem diminuído: em 2002 apareceram 816 novos casos e o total nacional é de 21.102, dos quais cerca de seis mil já morreram. (Jornal Público, 27.11.2002)

 

As infecções pelo vírus HIV afectam 42 milhões de pessoas em todo mundo e vitimam anualmente outros três milhões.

(...)

Na África subsariana, assiste-se a uma progressão fulgurante da doença, tendo-se registado no ano passado mais 3,5 milhões de novas infecções com o HIV.

(Últimos avanços no combate à sida discutidos em Boston; Jornal Público, 11 fevereiro 2003)

 

SIDA É O MAIOR ENTRAVE AO DESENVOLVIMENTO

Mais do que o clima ou as guerras, é a sida que deve ser hoje responsabilizada pela pobreza e subdesenvolvimento do continente africano, conclui o relatório de 2003 do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). A doença está a matar a população activa. De tal forma que, em algumas nações, a esperança de vida pode a ser inferior a 30 anos – desde a Idade Média que não se via tal coisa. O cenário africano pode repetir-se, a muito curto prazo, na China, Índia e Rússia.

(...)

Neste momento, há 42 milhões de indivíduos com sida no planeta. A maior parte dos doentes, 29,4 milhões, vive em África, sobretudo na região subsariana, que, garante o PNUD, perderá mais de um quarto da sua força de trabalho até o ano 2020.

O número de infecções não pára de crescer e são cada vez mais mortos – em todo mundo, 25 milhões até hoje. (...)

Nestes países são sete milhões os indivíduos infectados. Ora foi precisamente quando a região subsariana chegou as sete milhões de doentes que aconteceu as explosão – numa década, África chegou aos 25 milhões -, e os especialistas receiam que o mesmo possa acontecer na China, Índia e Rússia.

“O curso da epidemia depende das características sociais e das respostas à ameaça. Mas, mesmo num cenário moderado, estima-se que naqueles três países possa ser infectadas quase 200 milhões de pessoas até 2025”, referem as Nações Unidas.

Na semana passada, o Centro para o Controlo e Prevenção de doenças (CCPD), nos Estados Unidos, classificou a China, a Índia e o Camboja como países “à beira de uma catástrofe de sida”. (...) Na próxima década, na China, o número de casos pode saltar de um milhão para dez milhões. A Índia tem neste momento quatro milhões.

(Jornal Público, 9.7.2003)

 

SIDA

Um em cada três adultos do Botswana, Lesoto, Suazilândia e Zimbabwe está infectado.

Em todo o mundo há 13 milhões de “órfãos da sida”.

Na Ásia Oriental há 1,2 milhões de doentes, na Europa do Leste o número é igual, na América Latina são 1,5 milhões e na Ásia do Sul seis milhões.

(Jornal Público, 9.7.2003)

 

*Cancro

 

 

* Lepra

A lepra entrou no século XXI, sem que fosse cumprida a meta dada pelos especialistas para a sua erradicação, em 2000. Apesar de o genoma do bacilo ter sido descodificado e dos novos tratamentos disponíveis, a doença continua sem dar tréguas em 15 países do mundo.

Hoje, dia mundial dos leprosos, a doença contagiará mais um milhar de pessoas  em todo o mundo. São 750 mil novos doentes por ano, um em cada minuto e meio. O bacilo continua a trocar as voltas às previsões dos especialistas, obrigados a alargar para 2005 a meta para a sua erradicação.

(Há 750 mil novos casos de lepra por ano, Jornal Público, 26.1.2003)

 

*Crise

Longe vão os tempos da euforia provocada pela “nova economia” e da crença inabalável na globalização. Depois do fim da bolha especulativa bolsista, da quase estagnação nas três principais economias mundiais, da crise argentina, dos escândalos financeiros, com os resultados das empresas em queda, é tempo para os dirigentes empresariais e políticos regressarem à estância turística helvética de Davos. Munidos de duas sondagens-choque que mostram uma população mundial profundamente descrente nas suas instituições e nos seus líderes, com dois terços dos cidadãos a não considerarem que os seus países são governados de acordo com a vontade do povo, os participantes do Fórum Económico Mundial (FEM) vão procurar encontrar formas de “construir a confiança”.

(População mundial descrente das suas instituições, Jornal Público, 23.1.2003)

 

(...) a confiança nas instituições recua em todo o planeta e os seus líderes são vistos com mais cepticismo do que há uma ano, sendo ainda menos credíveis que  as entidades à frente das quais se encontram. Esta sondagem também revela que diminuiu a crença de que o mundo evolui na direcção certa.

(...) apenas os líderes das ONG merecem a confiança da maioria dos inquiridos para lidarem com os desafios dos próximos 12 meses. Seguem-se os líderes da ONU e os líderes espirituais e religiosos, com quatro em cada dez cidadãos a depositarem neles a sua confiança.

Na China existe um trasbordante optimismo quanto à direcção em que o mundo está a evoluir, explicável pelo fortíssimo desenvolvimento económico que o país tem registado nos últimos anos. Os chineses são, no entanto, a excepção. Em mais nenhum dos restantes 14 países se encontrou uma maioria de interpelados que concordassem com a afirmação de que o mundo caminha na direcção certa.

(...) 49 por cento dos inquiridos escolheram a honestidade como característica mais importante na determinação da sua confiança nos líderes. A visão surgiu em segundo lugar (15 por cento), seguida da experiência (12 por cento) e pelo intelecto (dez por cento). A compaixão foi considerada a menos importante destas cinco características (cinco por cento)

Quanto aos factores que mais contribuem para que a desconfiança surja em relação aos líderes, “não fazem aquilo que dizem” foi a opção de 45 por cento dos sondados. O egoísmo foi referido por 28 por cento, seguindo-se o secretismo (11 por cento) e a arrogância (oito por cento). As falhas de carácter foram consideradas o menos importante dos factores geradores de confiança (cinco por cento).

(São cada vez menos os que acreditam que o mundo caminha na direcção certa, Jornal Público, 23.1.2003)

 

DEFINIR EM CONJUNTO UMA NOVA ORDEMINTERNACIONAL

(...)

Mais de dez anos depois da queda do Muro de Berlim e do desmembramento da URSS, o pós-guerra fria produziu um mundo caótico e perigoso onde as ameaças são múltiplas, a prosperidade desigualmente repartida e a coexistência de civilizações ultrapassada pelo confronto. O 11 de Setembro de 2001, demonstrou de maneira trágica a vulnerabilidade do Estado mais poderoso do planeta. O mundo mudou, assim, profundamente e a América evoluiu em consequência, ao mesmo tempo que a Europa prossegue a sua construção, lenta mas seguramente.

(Jornal Público, 8.6.2003, Jacques Delors)

 

*Globalização

O poder pode ter-se tornado mais difuso no mundo contemporâneo. Alguns falam mesmo em “governação sem governo” porque o destino das economias é, em parte, determinado por forças impossíveis de identificar.

(O Iraque e o Ocidente, Ralf Dahrendorf, Jornal Público, 22.1.2003)

 

A globalização alimenta um monstro, o capital, e ameaça a democracia, pois só visa o lucro. Ela não apoia as pessoas e a comunidade, mas a sociedade desumana, de exclusão”, afirmou na sua intervenção. (Mário Soares)

(Militantes de Porto Alegre pugnam por uma nova democracia global, Jornal Público, 23.1.2003)

 

“(...) vou-lhes mostrar que não é possível continuar com uma ordem económica em que poucos comem cinco vezes por dia e muitos passam cinco dias sem comer”. 

(...) o presidente da oitava maior economia do mundo, onde 45 milhões de pessoas passam fome”.

(Lula sugerirá em Davos nova ordem económica mundial, Jornal Público, 26.1.2003)

 

“Escrúpulos morais à parte, a globalização é, pela sua própria natureza, predadora: só se expande e multiplica graças e mercê da degradação das condições económicas-laborais-salariais de dois terços do planeta. (...)”

(Igualdade entre sexos só existe na lei, Globalização afecta mais as mulheres, Público, 6.4.2003)

 

*Hiroshima

 

 

*Nagazaqui

 

 

*Holocausto

 

 

*Cambodja

 

 

*Vietname

 

 

*Comunismo

 

 

*Fascismo

 

 

*Capitalismo

 

 

*Religiões

Quem são os raelitas?

Claude Vorilhon, ou Rael, ou o último profeta, foi piloto de automóveis e depois cantor, mas sem grande sucesso. Até que, um dia, encontrou os Elohim, extraterrestres pequeninos e verdes que lhe revelaram a verdade. Rael era fruto da relação da sua mãe, francesa, com um destes extraterrestres. E foi concebido numa bela noite de Natal, no dia 25 de Dezembro de 1945. Os homenzinhos verdes disseram-lhe então que os humanos tinham sido criados por eles, através da clonagem, e que escolheram a Terra para povoar com o fruto da sua experiência. O objectivo de Rael, guia dos raelitas, passou a ser então o de arranjar uma técnica de reproduzir o homem por meio de uma técnica científica, que permita um dia à humanidade colonizar outros planetas. A clonagem é o meio que serve para esse fim, explica a agência AFP. Os raelitas vêem na clonagem um modo de aperfeiçoar a espécie humana, ou seja, defendem uma espécie de eugenismo para salvar a humanidade de todos os seus defeitos. (Jornal Público, 28.12.2002)

 

Tanto mais que os resultados que os resultados do inquérito à prática dominical – de Março de 2001 – revelam que mais de 300 mil católicos deixaram de ir à missa desde 1991. (Impostos travam revisão da Concordata, Jornal Expresso, 6.7.2002)

 

Este é um desafio para um continente cada vez mais envelhecido e afastado da prática religiosa.

Nos Países Baixos, por exemplo, no ano de 1900, apenas um por cento da população se afirmava desligado de qualquer confissão religiosa. Em 1958 esse número aumentou para 24 por cento. Em 1991, atingiu os 58 por cento,  sendo que chegou aos 72 por cento entre os jovens dos 21 aos 31 anos.

Na Alemanha, entre 1991 e 1995, dois milhões de cristãos abandonaram as suas igrejas, exactamente o dobro do que aconteceu entre 1986 e 1990.

Na Bélgica, em 1950, mais de metade da população ia à missa ao domingo. Em 1995, só 13 por cento mantêm essa tradição. Calcula-se que hoje um em cada dois jovens com menos de 25 anos está desligado de qualquer comunidade religiosa.

Em Itália, a prática dominical é ainda mantida por 43 por cento da população, mas em França o número baixa para oito por cento.

Em Espanha, a participação nas missas baixou de 87 para 53 por cento.

Em Portugal, os números são mais recentes e evidenciam um decréscimo ao ritmo europeu. O caso que mais se destaca é, porventura, o da ilha da Madeira. Entre 1991 e 2001, a prática dominical baixou 24 por cento, enquanto a média do Continente foi de 15 por cento.

Na diocese do Funchal, de acordo com o recenseamento dominical de 1991, para cada homem presente nas missas havia 2,05 mulheres. O recenseamento de 2001 revela que a proporção é agora de um homem para 1,95 mulheres. A “perda” das mulheres pode significar os mesmos sintomas já verificados antes com os jovens e os operários.

(Europa em Crise Religiosa, Jornal Diário de Notícias, 28.4.2002)

 

As mudanças de comportamento registadas nos últimos 25 anos na sociedade portuguesa estão a atingir seriamente a Igreja Católica, que perdeu neste período mais de meio milhão de fiéis.

À semelhança do que se passa em outros domínios da vida social, também a atitude religiosa da mulher está a aproximar-se da dos homens, tornando-a na principal responsável pela descida de 14 por cento no número de católicos nas missas de domingo.

(...) desde 1977 o número de crentes nas igrejas não pára de baixar.

De acordo com os números, há 25 anos cerca de 2,44 milhões de pessoas iam à missa, ao passo que hoje ronda os 1,9 milhões.

(...)

A descida das práticas religiosas explica, igualmente, a diminuição do número de celebrações: 1400 na última década, não obstante uma sondagem realizada em Maio pela Universidade Católica revelar que a maioria dos católicos inquiridos confessa ser praticante, embora sem ir à missa. Os dados apontam que 83 por cento da população é católica.

(...) o conceito de católico praticante diverge consoante é visto pelos crentes ou pela hierarquia.

(Igreja portuguesa perdeu 500 mil fiéis – a atitude religiosa da mulher é responsável pela perda de 14 por cento de crentes nas eucaristias, Jornal Diário de Notícias, 23.6.2002)

 

*Superstição

 

 

*Fátima

“O que se passou (ou aparição de Nossa Senhora, ou fenómeno meteorológico, ou alucinação colectiva, ou descida de ovnis, ou equívoco sem transcendência, ou encenação oportunista) torna-se, afinal, secundário. “Mais importante do que haver milagres é”, lembrava Natália Correia, “acreditarmos que os há”. (Visão, n. 500, 3 a 8 outubro 2002, p. 106)

 

Poucas semanas após o afundamento do petroleiro Prestige, o ministro da Defesa, Paulo Portas, chegou junto do Presidente Jorge Sampaio e declarou: “Sei que o senhor não é crente, mas tenho as provas irrefutáveis, racionais, positivistas, de que Nossa Senhora existe. Que é portuguesa. E que é de Fátima.” E apresentou-lhe o mapa da evolução dos ventos e das marés que empurraram a maré negra para norte, depois de uma curva que a levou até 200km da Figueira da Foz.

(Paulo Portas “Existem dois eixos do mal”; Revista Visão; 27 fevereiro 2003)

 

*Estados Unidos

“É talvez um caso único na História recente. A hiperpotência que quer ser exemplo e promotor da democracia no mundo (e já o foi) está hoje a ser governada por um Presidente e por um Executivo que, na sua esmagadora maioria, são controlados ou inspirados pela extrema-direita e que agem, em pleno século XXI, em conformidade com o modelo das ditaduras nacionalistas europeias do século XX. Há então o perigo de virem a instaurar um regime ditatorial nos EUA? Creio bem que não. Mas há, sim, o perigo de, como fizeram as principais ditaduras europeias do século passado, precipitar o mundo numa 3ª Guerra Mundial. Desta vez não na Europa, mas no Médio Oriente. As consequências seriam dramáticas e incalculáveis.” (Diogo Freitas do Amaral, Visão, nº. 497, 12 a 18 setembro 2002, p. 60)

 

“(...) a Europa, a Rússia e a China têm de travar o belicismo de Bush e dos seus falcões. Senão, poderemos, cair – em menos de um ano – na 3ª Guerra Mundial.” (Diogo Freitas do Amaral, Visão, n.º 498, 19 a 25 setembro 2002, p. 72)

 

Em Manhattan, o pó não era radioactivo. Em 1945, das bombas lançadas sobre Hiroxima e Nagasaki, uma explodiu sobre um hospital e causou a morte instantânea a 1000.000 pessoas, das quais 95 por cento eram civis; outras 100.000 pessoas morreram mais lentamente, com queimaduras e por efeito da radiação atómica. Estas bombas anunciavam que os Estados Unidos seriam, daí em diante, a maior potência bélica do mundo. O ataque de 11 de Setembro dizia que essa potência nem sequer podia garantir a invulnerabilidade da sua própria casa. Os dois acontecimentos marcam o princípio do fim de um período histórico.

(A barbárie, caminho da paz?, Frei Bento Domingues, O.P., Jornal Público, 30.6.2002)

 

Para Michael Ignatieff – director do Carr Center, na Kennedy School of Government – a palavra “império” é aquela que melhor descreve o impressionante poderio dos EUA. É a única nação que vigia o mundo por meio de cinco comandos militares mundiais; mantém mais de um milhão de homens e mulheres em armas, em quatro continentes; lança grupos de combate através de porta-aviões que vigiam todos os oceanos; garante a sobrevivência de países, desde Israel até à Coreia do sul; dirige o comércio mundial, e enche os corações e as mentes de um planeta de sonhos e desejos.

Se os norte-americanos têm um império, adquiriram-no num estado de profundo rechaço. O 11 de Setembro foi o despertar, o momento de enfrentar o alcance do seu poderio e os ódios vingadores que ele provoca (cf. “El País”, 8/2/2003).

(João Paulo II e George Bush – Frei Bento Domingues, O.P.; Jornal Público; 23 fevereiro 2003)

 

Têm ocorrido mudanças profundas na política externa americana, invertendo os compromissos bipartidários que durante mais de dois séculos valeram a grandeza do nosso país. Estes compromissos assentavam nos princípios religiosos básicos, no respeito pela lei internacional e alianças que conduziam a decisões prudentes e respeito mútuo. A nossa aparente determinação em lançar uma guerra contra o Iraque, sem apoio internacional, é uma violação dessas premissas.

Como cristão e como Presidente que foi violentamente provocado por crises internacionais, familiarizei-me com os princípios de uma guerra justa, e é evidente que um ataque unilateral substancial contra o Iraque não cumpre esses padrões. É uma convicção quase universal dos líderes religiosos, com a notável excepção de alguns porta-vozes da Convenção Baptista do sul, que são grandemente influenciados pela sua ligação a Israel baseada na teologia escatológica, ou dos dias finais. Para uma guerra ser justa, tem de satisfazer vários critérios definidos.

A guerra só pode ser travada como último recurso, tendo-se esgotado todas as opções não violentas. (...)

As armas de guerra devem diferenciar entre combatentes e não combatentes. (...)

A sua violência deve ser proporcional aos danos que sofremos. (...)

Os atacantes devem ter uma autoridade legítima sancionada pela sociedade que dizem representar. (...)

A paz que estabelece deve significar uma clara melhoria em relação à que existe. (...)

(Guerra Justa ou Injusta?, Jimmy Carter; Revista Visão; 13 março 2003)

 

Desde a Segunda Guerra Mundial, os EUA bombardearam: a China (1945-46), a Coreia e a China (1950-53), a Guatemala (1954), a Indonésia (1958), Cuba (1959-1961), a Guatemala (1960), o Congo (1964), o Peru (1965), o Laos (1961-1973), o Vietname (1961-1973), o Camboja (1969-1970), a Guatemala (1967-1973), Granada (1983), Líbano (1983-84), a Líbia (1986), El Salvador (1980), a Nicarágua (1980), o Irão (1987), o Panamá (1989), o Iraque (1990-2001), o Kwait (1991), a Somália (1993), a Bósnia (1994-95), o Sudão (1998), o Afeganistão (1998), a Jugoslávia (1999).

Acções de terrorismo biológico e químico foram postas em prática pelos EUA: o agente laranja e os desfolhantes no Vietname, o vírus da peste contra Cuba que durante anos devastou a produção suína naquele país. O “Wall Street Journal” publicou um relatório que anunciava que 500.000 crianças vietnamitas nasceram deformadas em consequência da guerra química das forças norte-americanas.

(...)

(...) Como o seu país, que despende 270.000.000.000.000 dólares (duzentos e setenta mil milhões de dólares) por ano para manter o arsenal de guerra. O senhor bem sabe o que essa soma poderia ajudar a mudar o destino miserável de milhões de seres.

(Carta ao Presidente Bush, Mia Couto, Público, 27.3.2003)

 

O discurso “messiânico-político-religioso” de George W. Bush, pelas suas consequências bélicas, é muito comentado dentro e fora dos EUA. Repete-seque o fundamentalismo invadiu a Casa Branca.

Mas o fundamentalismo não é de hoje. Surgiu no começo do séc. XX como reacção contra o liberalismo protestante. Era uma afirmação de crenças não negociáveis, de crenças consideradas fundamentais.

A partir de 1970, os “evangelistas” sentiram-se com a missão de constituir uma “maioria moral” de pressão política, tentando depois, para objectivos mais vastos, uma grande “coligação cristã”.

Passaram, entretanto, por várias metamorfoses. Agora é o tempo dos profetas apocalípticos. Os seus inimigos já foram os judeus. Hoje, para alguns, muito influentes, os inimigos a destruir são o islão, as Nações Unidas e a União Europeia. O Anti-Cristo está à frente das Nações Unidas e transferiu a sede para a antiga Babilónica, no Iraque, sem contar, a destruição simultânea destas duas incarnações do mal. Qual será a influência destes delírios apocalípticos sobre a Administração Bush? Não é fácil de medir. Segundo alguns comentadores, estaria a tomar esta Administração uma muito doentia “teocracia”. As decisões do governo são tomadas em nome de um Deus de cólera e vingança, precedidas de leituras bíblicas e orações, assinalando o embate final das forças do Bem e do Mal.

A Convenção Baptista do sul, com 16 milhões de membros, declarou-se a favor da guerra. A associação Nacional dos Evangélicos é favorável a Bush, mas não tomou posição oficial, embora famosos pregadores, de grande influência televisiva, tenham multiplicado os apelos a guerra preventiva.

O ditador Saddam Hussein, que preside a um goveno de um regime laico, num país de maioria islâmica, convocou a “djihad”, a “guerra santa” contra a nova cruzada.

João Paulo II, num discurso aos bispos indonésios no passado dia 29 de Março, tocou no essencial: “Não permitamos que uma tragédia humana se transforme numa catástrofe religiosa”.

Foi atribuída a Malraux uma sentença mil vezes repetida: “O séc. XXI ou será religioso ou não será.” O séc. XXI começou de facto a ser muito religioso, mas da pior maneira.

Depois de uns irem ao Iraque em nome de Deus, como outros em nome de Deus já tinham atacado Nova Iorque – com grupos religiosos, de um e outro lado, a pedirem a Deus a derrota do Eixo do Mal situado em Washington ou Bagdad –, esse Deus só pode ser procurado entre cadáveres.

(Catástrofe religiosa, Frei Bento Domingues, O. P.; Público, 6.4.2003)

 

Pouco se sabe da estrutura e organização do megaterrorismo, mas algo se vai sabendo dos novos falcões de Washington.

(...)

Já quanto aos novos falcões de Washington (em plena sintonia com os de Jerusalém), sabe-se hoje um pouco mais. Constituíram-se em “grupo de reflexão”, em 1991, por discordarem da opção política de Bush-pai ao não derrubar então Saddam Hussein. Trabalharam na sombra durante algum tempo. Redigiram o Defense Policy Guidance. Transformaram-se em grupo de pressão. Hoje têm consigo algumas das mais conhecidas (e ricas) fundações políticas americanas – a Heritage Foundation, o American Enterprise Institute, a Free Congress Foundation, o New American Century, o Cato Institute, a Hoover Institution –, bem como importantes meios de comunicação social: a TV Fox News, a rádio Clear Channel, a revsita semanal Weekly Standard e o diário Wall Street Journal. Nomes principais? Dick Cheney, Donald Rumsfeld, Condoleeza Rice, John Ashcroft (actual ministro da Justiça), Paul Wolfowitz e Richard Perle (dados publicados pelo jornal italiano La Reppublica, de 7.4.03).

O que os une: uma visão bíblica de profetismo a favor dos EUA; uma crença na missão uma crença na missão divina de participar, a nível mundial, no combate entre o Bem e o Mal; uma visão doméstica do maniqueísmo, segundo a qual o Bem só pode triunfar se destruir o Mal pela força e pelo derramamento de sangue (concepção desde há décadas popularizada pelo cinema através dos western); uma concepção filosófico-política derivada de Hobbes, de acordo com a qual o Homem é por natureza mau e, quando não tem sobre ele a mão pesada de um poder político muito forte, entra necessariamente em anarquia – a guerra de todos contra todos.

Destes pressupostos retiram os falcões americanos uma política externa, de defesa e de segurança nova, redentora da humanidade, que faça da América não já o “polícia do mundo”, mas, muito mais amplamente, o “governo do mundo” – missão imperial, forças armadas temidas e invencíveis, guerra preventiva, irrelevância da ONU e do Direito Inernacional, combate prioritário ao “eixo do mal”, contenção da Velha Europa (franco-alemã), combate a novos avanços na união política europeia, total oposição à PESC, oposição a que o euro substitua a função de reserva monetária mundial pertencente ao dólar, neutralização estratégica da Rússia e da China, redesenho do mapa geopolítico total com o Estado de Israel, sobretudo quando governado por falcões com ideias semelhantes.

A seguir ao 11 de Setembro de 2001, este grupo convenceu Bush-filho a fazer o que não tinha conseguido convencer Bush-pai – uma revolução na política americana perante o resto do mundo. Dessa aliança resultou um documento oficial da Casa Branca – A new strategy for a new millenium (fins de 2002) –, já apreciado e muito bem comentado, entre nós, pelo general Loureiro dos Santos no seu best-seller A Idade Imperial.

(Dez anos da evolução do mundo, Diogo Freitas do Amaral; Visão, 8.5.2003)

 

Julgo que existe um conjunto de notas caracterizadoras [de uma certa religião cívica] que de facto têm a sua raiz na própria fundação da América. Em primeiro lugar, o facto de muitos imigrantes serem vítimas de guerras religiosas na Europa, o que fazia com que a Europa fosse uma espécie de Egipto do qual os povos muito ligados às tradições bíblicas fugiam, com o sonho de encontrarem uma ‘Terra Prometida’. Por outro lado, a necessidade de se institucionalizar a tolerância religiosa em migrações que vão sendo cada vez mais complexas, mas que tinham como nota comum serem de origem cristã ou serem religiões do Livro, em conjunto com a influencia de ideias iluministas e maçónicas, fez com que tenha emergido uma espécie de evocação de um Deus que abarcasse todas as religiões... e imediatamente eleito como entidade que fez uma escolha. E essa escolha foi o ‘novo Israel’, o ‘novo povo eleito’. Isto já está muito patente no discurso de tomada de posse do primeiro Presidente George Washington, e reproduz-se com maior ênfase praticamente até aos nossos dias. Como se Deus tivesse escolhido a América não só como terra prometida, mas o povo americano como aquele que iria cumprir algo que anteriormente teria sido encarnado pelo povo de Israel.

(Jornal Público, 21.6.2003, Entrevista com Fernando Catroga)

 

* Israel

Por 33 votos a favor, 13 contra e 10 abstenções, a Assembleia Geral das Nações Unidas ratificou, em 29 de Novembro de 1947, a divisão da Palestina em dois Estados: um Estado israelita com 14.000 quilómetros quadrados, abrangendo a Galileia Oriental, a faixa costeira do Acre e Isdub e ainda o Negueve. Incluía 558 mil judeus lado a lado com 405 mil árabes; um Estado árabe de 11.500 quilómetros quadrados abrangendo a Galileia Ocidental, a Samria e a faixa costeira na região de Gaza, com 804 mil árabes e 10 mil judeus; uma zona internacional englobando Jerusalém, Belém e os lugares santos, com 100 mil judeus e 105 mil árabes.

A 14 de Maio de 1948 foi criado o Estado de Israel, mas o mesmo não aconteceu com o outro Estado – o árabe – prevista na partilha das Nações Unidas.

(A guerra é uma derrota da humanidade, Frei Bento Domingues. O.P., Jornal Público, 19.1.2003)

 

Quando o primeiro-ministro israelita, Ariel Sharon, sair do Governo para o qual acaba de ser reeleito e perder imunidade, poderá ser julgado na Bélgica por crimes de guerra e crimes contra a humanidade, pela sua presumível responsabilidade nos massacres cometidos nos campos de refugiados palestinianos de Sabra e Shatila, durante a invasão do Líbano em 1982.

(Bélgica poderá julgar Sharon por genocídio; Jornal Público; 13 fevereiro 2003)

 

* Europa

Há lugar para Deus e para os valores religiosos na futura constituição europeia?

Na futura Constituição europeia, será difícil aplicar a tradicional fórmula de invocação de Deus. Não se deverá buscar fórmulas de outra época e que, no mundo actual, não parecem senão num universo cultural islâmico. Mas, para o futuro da União europeia, é muito importante que haja referências à dimensão espiritual da integração europeia. Não se pode avançar na via da integração – política monetária comum, política externa comum – sem que apareça o sentimento de pertença à comunidade. Esse sentimento faz-se pela história e pela escolha cultural. A história da Europa é feita pela força de integração que se encontrava na fé cristã, na experiência da cristandade medieval e os pais fundadores da União Europeia [UE] referenciavam-se aos valores criados na cultura cristã.

Trata-se, então, de ser fiel às instituições dos fundadores da EU?

Não era um caso que os pais fundadores pertencessem à tradição cristãe procurassem enraizar na política os valores cristãos. Será necessário procurar fórmulas que digam, em primeiro lugar, que a Europa se forjou pelo encontro entre o factor religioso e o político. Será necessa´rio, na Constituição, afirmar quais os valores espirituais a que os europeus estão ligados e o respeito pelo pluralismo confessional, compreendendo também o respeito pela laicidade.

E essa referência deve incluir a herança judaica e islâmica na cultura europeia?

A natureza da Europa é pluralista, mas Voltaire – um homem muito afastado da tradição cristã – declarava que a Europa é cristã. A Europa não tem problemas com a tradição cristã. Tem problemas com a chegada de milhões de pessoas que estão ligadas ao islão. Penso na experiência da Polónia no século XVI-XVII, um país católico onde havia coabitação pacífica de igrejas católicas, protestantes e ortodoxas, com a sinagoga judaica e também com a mesquita. Esta paisagem cultural, de abertura às outras religiões, pode dar força à Europa.

Citou, aqui em Lisboa, o exemplo da Constituição polaca como uma possibilidade de resolver esse debate.

Em 1997, estabelecemos uma nova Constituição na Polónia. Foi importante que ela tivesse sido adoptada quando o Governo era do partido pós-comunista e quando o Presidente provinha do mesmo campo político. Tivemos que fazer um compromisso entre as forças políticas do movimento Solidariedade e as do anterior regime. E a fórmula adoptada diz que aceitamos em conjunto os valores fundamentais da liberdade, da dignidade do homem, do que é bom e belo. Diz: “Nós, todos os cidadãos da República, todos os que crêem em Deus, que é fonte de vontade e de justiça, do bem e da bondade, como também os que não partilham esta fé e proclamam esses valores universais em nome de outras fontes, no sentimento de responsabilidade diante de Deus ou perante a sua própria consciência, estabelecemos esta Constituição.” Creio que este é o exemplo de um compromisso em que ninguém perde, seja de tradição religiosa, seja de tradição laica. A UE é feita de reconciliações: entre a Alemanha e a França, [destas] com a Inglaterra e, agora, entre a Polónia e a Alemanha. Há uma reconciliação também possível entre a tradição cristã e a tradição laica Entre a fórmula cristã (“O homem é feito à imagem de Deus”, muito humanista) e a fórmula da filosofia (“O homem é a medida de todas as coisas”), não há contradição.

(A integração europeia deve assumir dimensão espiritual, Entrevista a Bronislaw Geremek (antigo conselheiro do Presidente Lech Walesa, ex.ministro dos Negócios Estrangeiros da Polónia e ex-presidente da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa – OSCE), António Marujo, Jornal Público, 5.2.2003)

 

*Islamismo

“No âmago de todas estas lutas encontra-se uma batalha de ideias mundial, nomeadamente no mundo islâmico, onde as rivalidades fundamentalistas perverteram a religião para justificar atentados suicidas contra inocentes como instrumento político abençoado por Alá. Esta batalha épica trava-se em torno de três questões muito antigas e essenciais: podemos ter comunidades fechadas sobre si mesmas ou devem elas ser abertas ao mundo? Podemos ter futuros separados ou devemos ter um futuro comum? Podemos deter toda a verdade ou devemos colaborar com os outros para a encontrar?” (Bill Clinton, Visão, n.º 497, 12 a 18 setembro 2002, p. 66).

 

Os primeiros fieis já chegaram à cidade sagrada de Meca, onde as cerimónias oficiais da grande peregrinação anual dos muçulmanos começarão no domingo, num cenário de crescente tensão, face à ameaça de guerra no Iraque. São esperados mais de dois milhões de visitantes oriundos de 170 países, incluindo os Estados Unidos, o grande inimigo do Iraque e principal vítima dos atentados terroristas cometidos pelos extremistas islâmicos directa ou indirectamente ligados à Al-Qaeda. Esta será, aliás, a maior concentração de muçulmanos desde os atentados de 11 de Setembro de 2001. Por isso, e porque não são inéditos os problemas de segurança causados por tamanha multidão, haverá este ano 60.000 pessoas a trabalhar para os serviços de apoio e a vigilância será feita por dezenas de milhares de agentes das froças policiais e militares, ajudados por cerca de duas mil câmaras instaladas em Meca e nos outros locais sagrados da peregrinação.

(Dois milhões de muçulmanos convergem para Meca, Jornal Público, 6.2.2003)

 

*Secularização e laicismo

“Numa palavra, que manter nas escolas (americanas) uma fórmula desactualizada de profissão de fé em Deus é faltar ao respeito às pessoas (para quem não acredita) e pecar por invocação do Seu nome em vão (para quem acredita), pelo que está tudo mal e precisa de ser revisto.” (Clara Pinto Correia, Visão, n.º 498, 19 a 25 setembro 2002, p. 18).

 

“A Educação Moral e Religiosa só seria aceitável (e, mesmo assim, como prática extracurricular) se, como mandariam os mais elementares princípios de tolerância e do pluralismo democráticos, fosse uma disciplina ecuménica, em que se ensinassem as crianças os princípios das diversas religiões, a história da longa convivência do Homem com a ideia de Deus, o papel das religiões na construção dos discursos culturais e civilizacionais.

(...)

Surpreende-me sempre o problema de consciência com que, mesmo numa sociedade laica, se debatem muitos pais: deve-se dar uma educação católica, deixando que as crianças, quando adultos, optem por abandoná-la? Ou, ao invés, a educação religiosa deve ser uma espécie de grau zero, abrindo campo a que, mais tarde, quem quiser opte por uma religião? Surpreende-me porque, para quem não é crente, só a segunda alternativa me parece aceitável. Mais: o número de adolescentes e adultos que se decidem por uma confissão religiosa, apesar de em crianças não terem tido nenhuma educação desse tipo, é suficiente para percebermos que a ausência de instrução específica não é, em si mesma, um obstáculo à livre assunção de opções religiosas.” (António Mega Ferreira, Visão, n.º 498, 19 a 25 setembro 2002, p. 37).

 

(...) o mundo está a passar por uma crise gravíssima de solidariedade. Agita-se por todo o lado uma onda de agressividade, em convulsões de violência que ameaçam tudo e todos. Sentem-se inseguras as famílias no seu lar; sentem-se desprotegidos os que se deslocam para o trabalho; sentem-se ameaçadas as crianças que demandam a escola; sentem-se inquietos os idosos que passeiam nos jardins. Há desordens nos lugares de diversão; há rixas nas prisões; há insultos nas estradas; há desavenças nas feiras e nos mercados; há desentendimentos entre os casais; há agressões nas escolas; onde quer que se encontrem seres humanos está geralmente presente a discórdia. O entendimento é a excepção. (Solidariedade está em crise; Fernando Santos – psicólogo, cons. Gestão rec. Humanos)

 

Michael Dini, um professor de Biologia da Universidade Texas Tech, recusa-se a passar cartas de recomendação a estudantes que não acreditem na teoria da evolução das espécies. Um dos seus alunos, um cristão criacionista, diz que essa política o prejudica pelas suas crenças religiosas. E pôs um processo em tribunal contra Dini por discriminação.

(...)

Nos EUA, ainda há muitos cristãos que acreditam numa leitura literalista da Bíblia e consideram que a espécie humana descende de Adão e Eva, colocados por Deus no Jardim do Éden há uns dez mil anos.

(Criação e discriminação; Jornal Público; 23 fevereiro 2003)

 

* Ciência

No futuro, o Universo será muito frio, muito calmo. O universo continuará a expandir-se, continuarão a formar-se galáxias que, às tantas, vão começar a atrair-se uma às outras – por causa da atracção gravítica – e entrar em colapso. Às tantas, toda a matéria entrará em colapso e vão formar-se buracos negros, que se evaporam. É o que Stephen Hawking descobriu em 1974: os buracos negros não ficam quietos, evaporam-se até desaparecerem. No fim, o que fica? Uma luz muito, muito ténue, muito escura, e mais nada.

(“No futuro, o Universo será muito frio, muito calmo”, entrevista com Pedro Gil Ferreira, Jornal Público, 22.1.2003)

 

Estranho e carregado este Fevereiro de 2003. Nos céus, o cair dos destroços do vaivém, o espanto e o abalar da esperança, mas mais ainda, com a presença da destruição enquanto tal, aqueles destroços feitos luz, contra o azul do céu, surgem também como o espelho dos escândalos que têm marcado o quotidiano português e da guerra anunciada que aí vem. Como se um imenso arco de ferro continuasse a ceder.

(Os destroços do céu; Fernando Ilharco; Jornal Público; 10 fevereiro 2003)

 

* Conhecimento

(...) o que hoje mais parece faltar é a própria informação: o que se passa realmente? O que está em causa? O que já foi ou não decidido? Onde está quem e o quê? Qual o rosto do inimigo? Como se avaliam as coisas? Navegamos na informação mas sem rota certa nem portos de abrigo. Pudemos saber tudo, mas sabemos sempre pouco.

(O desaparecimento – Fernando Ilharco; Jornal Público; 24 fevereiro 2003)

 

* Informação

O poder económico é hoje dominante e a democracia corre o risco de “afunilamento” porque as regras da comunicação social são ditadas pelos interesses económicos. Foi esta mensagem, de algum pessimismo “a curto prazo”, que o ex-Presidente da República e actual eurodeputado Mário soares deixou anteontem à noite, numa aula sobre “O político e os ‘media’: um testemunho pessoal”, na Universidade Católica.

Classificando os tempos actuais como “o império do capital”, Soares sublinhou: “O poder que está acima de todos é o económico e depois o mediático, cada vez mais influenciado pelo poder económico, e depois o poder político, que é influenciado pelo mediático.” Os meios de comunicação social, explicou, “servem os interesses de quem os comanda que são os interesses económicos”.

O eurodeputado recorda que, quando leu pela primeira vez o ensaio de Karl Popper sobre a necessidade de se controlar a televisão para impedir que ela nos controle a nós, não concordou e até estranhou tal ideia. “Este tipo quer instituir a censura de novo?”, recorda-se de se ter interrogado. Hoje, Soares diz que começa a ver que Popper tinha razão. “Ou a democracia é capaz de controlar as televisões – e eu sou a favor de uma televisão pública forte – ou a democracia está em risco de se perder”, disse, concordando que se têm feito campanhas “nauseabundas” na comunicação social, como com os casos de pedofilia.

O eurodeputado considera que a democracia “está a funilar-se depois de ter dado passos de gigante”, mas que a censura não é o melhor caminho para resolver o problema. “Não desejo que haja censura, mas auto-regulação com um estatuto de cada órgão de comunicação social para saberem quais são as regras, como se distinguem o erro e a mentira dos factos e da verdade”, explicou.

(Soares alerta para risco de “afunilamento da democracia”; Jornal Público; 27 fevereiro 2003)

 

TELEVISÃO OBSCENA

Quando eu vou na rua, uso um espaço público, e por isso não posso por exemplo despir-me como se estivesse no meu quarto. Seria obsceno, isto é, uma cena proibida. As televisões estão por toda a parte, e neste sentido estão na rua, na frente das outras pessoas, exibem-se perante toda a gente publicamente, e ainda mais poderosamente porque podem entrar nos espaços privados. Como então se compreende que as televisões emitam, sem aviso e a horas absolutamente impróprias e proibidas, coisas obscenas, como sucedeu na passada terça-feira, por volta das três horas da tarde, no termo do telejornal da SIC Notícias?

Tratava-se, ao que parece, de cenas de uma peça teatral em que os actores, dois homens nus, brincavam com o sexo de modo ridículo e feio. Para iludir as óbvias intenções comerciais, e compensar a fealdade e a própria obscenidade, a curtos intervalos mostravam-se alguns poucos espectadores que riam imenso. Mas se a intenção era provocar o riso, os efeitos iam muito para além disso, E a prova foi o visível embaraço dos “pivots” que encerraram a seguir o telejornal.

Qualquer pessoa podia estar a ver o telejornal da SIC Notícias, aguardando, naquele espaço oferecido ao público, a informação esperável. Numa casa, num café, numa creche, numa escola, numa clínica. Crianças, jovens, velhos, doentes, toda a gente, de todas as idades e condições, de todas as sensibilidades e convicções – são essas as reais condições das emissões televisivas. Qualquer pessoa podia estar a ver o programa como quem vai na rua admirando o espectáculo, durante uma tarde de compras. Não é pois admissível que, de repente, se apresentem aquelas obscenidades.

Não creio que tal pessoa possa ver-se no noticiário de um canal decente de um país decente. Os donos e directores do referido canal ficam com o dever de pedir desculpas e aceitar as punições adequadas. Para mais se, ainda por cima, são pessoas que gostam de ostentar o seu currículo honorífico e o seu papel de homens de cultura. O que aí se viu é puro e duro negócio do lixo mais lixo que se pode conceber. A empresa de difusão por cabo, idem, idem, aspas aspas. E que dizer quanto aos jornalistas, que têm a sua ética e a sua deontologia, assim humilhados como meros espectadores? Finalmente, as autoridades não podem demitir-se de averiguar o ocorrido e de proceder de acordo com a lei. Afinal, precisamos de saber, de uma vez para sempre, quais são as regras do uso do espaço público das emissões televisivas. Esse espaço não está transformado em absoluto negócio privado de exploração de produtos indecentes! Ou está? Houve certamente crianças menores que viram aquelas cenas. Então, se assim são as coisas sem escândalo nos abusos em público, depois admiramo-nos com outros abusos em provado?...

(Três histórias que dão que pensar, Mário Pinto, Público, 14.4.2003)

 

Na última década, a violência e o sexo impuseram, através da televisão, um quase universal monopólio.

(...)

Todos nos tornámos contemporâneos de Tibério e de Calígula. Basta acender o televisor e, amanhã (hoje), o telemóvel, para estar, ao mesmo tempo, em todos os circos romanos onde as nossas pulsões estremas encontram um exutório.

(...)

(...) fixação demente na violência e no sexo (...).

(...)

O mundo como deserto convoca os deuses dos espaços abertos, Alá ou Buda que não era um deus mas o mas o mais fantástico dos antideuses. É desta nova religiosidade – em relação à nossa de ocidentais, paradoxalmente demasiado humanos – que flui o rio insignificante e hipersignificante do cultural. Não sabemos se é o daquela metafísica que Malraux profetizou para o século XXI. Mais se parece com o maelstrom de deuses em fuga diante de si mesmos, à maneira de Álvaro de Campos. Tudo é Deus, salvo o que durante milénios tomámos por Deus. A nossa cultura de ocidentais é a religião dessa morte de Deus sem tragédia humana, a todos nós oficiando de noite e dia na planetária Las Vegas televisiva que nos serve de vida.

Durante quatro séculos, os nossos sonhos desconstruíram a casa ocidental de Deus. A do mundo barroco já era uma ópera. Ainda hoje aí revivemos o último suspiro de Deus que cantávamos. Depois da Revolução revestimos o Diabo com todos os cantos roubados ao Deus de Monteverdi sem nos convencer que celebrávamos a sério as núpcias do céu e do inferno. Seria a herança da cultura na sua época de ouro, aquela a que Baudelaire abriu as portas só agora (definitivamente?) fechadas. Com a Literatura no centro. Tudo é livro, o livro divino não santo que reescrevemos sem cansaço há dois séculos. Desestruturando o antigo livro Santo descontruímos o mundo que ele ajudava ler e suportar. E o seu fantasma que agora regressa como se tanta literatura profana lhe fosse indiferente clamando que o livro não é só a palavra de Deus inaudível mas o seu gládio decidido a instaurar de vez o Bem neste mundo de espectadores saciados.

De súbito, a velha ordem cultural – ou o que assim chamávamos – vacilou na sua fé ou na falta dela e cada um, nos quatro cantos da Terra se interroga: a que Deus se dedicar se não obedecer? A Cultura que estava no lugar do Deus morto suicidou-se gloriosamente nas sua smúltiplas e impotentes manifestações. Sob ela, ou além dela, os vestígios do antigo Deus ressuscitam para nos salvar. De quê? De nós como idólatras do cultural e da Cultura.

(Deriva Cultural, Eduardo Lourenço, Visão, 8.5.2003)

 

E, no entanto, em 1972 existiam ao todo apenas 150 mil computadores. (...) A lei dos números assim o confirma: o valor estimado de navegadores no mundo ronda os 615,4 milhões, um décimo da população total do planeta. Em Portugal, estimam-se em cerca de 3,2 milhões. As previsões apontam para que em 2006 sejam, respectivamente, mil milhões e 6 milhões. Candidatos a uma informação que aumenta dez vezes por ano. O número de locais web duplica de 50 em 50 dias. Uma home page nova é publicada em quatro segundos. É o triunfo da vulgarização de um invento, concebido e projectado em 1963 pelo americano Larry Roberts.

(...)

(...) Os analfabetos do século XXI são os info-excluídos.

(Nova Babel, Sílvia Souto Cunha, Visão, 8.5.2003)

 

* Portugal

A sociedade portuguesa mudou muito nos últimos dez anos, mas muitas dessas mudanças só são notórias contra o pano de fundo de resistentes continuidades. (...)

Eis um lenco possível das principais mudanças, sem ordem de precedência: aumento da imigração (depois de África, os países de Leste) com a correspondente alteração da estrutura social e cultural da população; emergência de movimentos sociais amplos e transversais, do apoioà independência de Timor Leste à defesa do meio ambiente e à luta contra a guerra; aumento das assimetrias regionais e intensificação do processo de metropolização territorial (Lisboa e Porto), mas, ao mesmo tempo, incremento da intensidade urbana (aumento da oferta de serviços e padrões de consumo) em pequenas e médias cidades; ascensão e queda da nova economia; explosão da micro-informática e dos telemóveis (em 1998 só os países escandinavos nos ultrapassavam); aumento da oferta do ensino superior; consolidação do sistema público de segurança social, entretanto posta em causa pelo actual governo; criação de um sistema nacional de ciência e de tecnologia; melhoria dos indicadores de pobreza com um decréscimo de 24% para 21% da taxa de pobreza relativa (percentagem da população residente com rendimento inferior a 60% da média do rendimento nacional); aumento da precarização do emprego (contratos a prazo e desestruturação das carreiras); aumento do desemprego de licenciados/as; incremento da discrepância entre rendimento e padrões de consumo, com o consequente e dramático aumento do endividamento das famílias; reforço do direito dos homens a gozarem de licenças para assistência aos filhos (licença de paternidade e licença parental); aumento importante da cultura como área de intervenção política do Estado e, sobretudo, das autarquias; incremento das indústrias culturais, da produção mediática e da publicidade, em parte ligado à privatização da televisão; informalização e desjudicialização da justiça e a introdução de novas tecnologias de informação e de comunicação no sistema judicial; emergência de novos (ou velhos, mas até agora não denunciados) tipos de criminalidade, do crime económico organizado às associações criminosas, corrupção, tráfico de drogas e de armas, pedofilia; aumento da participação das mulheres em muitas áreas da vida social (não política) e, nomeadamente, na administração da justiça; começo do fim dos poderosos; aumento da distância entre os cidadãos e o sistema político com a subida da abstenção e a fraca participação nos referendos; incremento da mediatização da política; emergência e consolidação do Bloco de Esquerda; entrada da homossexualidade e dos direitos sexuais no discurso político.

A sociedade portuguesa é uma sociedade em movimento. Todas as sociedades são sociedades em movimento, mas entre nós essa constatação tem um significado específico que não tem noutras sociedades europeias. É que vivemos na presença de um tempo passado, mas recente, de imobilismo, de estagnação e, portanto, de decadência, contra o qual imaginamos estar a impor-se a presença rival de um tempo de ruptura e de mudança. Nas representações dos Portugueses, o tempo do imobilismo é o tempo do fascismo, Estado Novo, ditadura, Salazar, Cerejeira, PIDE, províncias ultramarinas, censura, União Nacional, guerra colonial, saudade, fado, futebol e Fátima, a Bem da Nação, censura, Marcelo Caetano, Movimento Nacional Feminino, brandos costumes, orgulhosamente sós, a aldeia mais portuguesa, agricultura camponesa, Deus, Pátria e Família, Mocidade Portuguesa, Angola é nossa, mulher-mãe-e-esposa, conversa em família, enxovais para os pobrezinhos, Abril em Portugal, povo que lavas no rio, cópia e ditado, criada de serviço, madrinhas de guerra. Por sua vez, o tempo de mudança é o tempo do 25 de Abril, liberdade, democracia, descolonização, partidos políticos, manifestações, União europeia, Zeca Afonso, greves, coca-cola, escola nova, Mário Soares, gestão democrática, Xico Fininho, nacionalizações, privatizações, contratos a prazo, computadores, vídeos, telemóveis, mulher-operária-e-profissional, drogas, endividamento, Maria de Lurdes Pintassilgo, Expo 98, Siza Vieira, discotecas, turismo rural, Procuradoria Geral da República, Eduardo Lourenço, José Saramago, euro, rádios locais, internet, disk jockeys.

(...)

É mais significativo que a diversidade religiosa tenha aumentado expressivamente nos últimos dez anos ou que a Igreja cAtólica portuguesa continue, como há séculos, conservadora e “instrumento do reino” (sob a sua égide entra um neoliberalismo baptizado com a reforma da Segurança Social e novo Código de Trabalho)?

(...)

(...) O realismo é, entre nós, uma atitude de renúncia a mudar a realidade. A mudança da realidade exige um projecto; não havendo projecto, a rotina é o melhor seguro contra o futuro incerto. A rotina é o governo do conhecido pelo conhecido. É a força de quem não tem força, ou, tendo-a, não sabe que a tem ou acha desperdício ou perigoso exercê-la. Na rotina é-se contra o método, o rigor e a previdência em nome da facilidade, do comedimento e do bom senso naturais do deixar correr. Aubrey Bell escrevia no início do séc. XX que a outra palavra tipicamente portuguesa, além da saudade, era “desleixo”, a qual, em seu entender, implicava menos a falta de energia do que a íntima convicção de que “não vale a pena...”. (...)

(...)

(...) há que interpretar de modo não tradicional a tradição para abrir o caminho à inovação consistente. (...)

(Bloqueio em movimento?, Boaventura Sousa Santos; Visão, 8.5.2003)

 

No final de 2002, os assinantes eram mais de oito milhões e meio – há dez anos não passavam de poucos milhares. Durante a última década, de uma forma cada vez mais vertiginosa, os portugueses renderam-se aos telemóveis e viram as suas vidas mudarem. O telefone trouxe novos hábitos e deixou para trás uns tantos costumes.

Olhando para os números do ano passado, parece que os portugueses pouco mais fazem do que falar ao telemóvel. Em 2002, foram contabilizadas 5,6 mil milhões de chamadas, que geraram quase 10 mil milhões de minutos de tráfego, e enviados dois mil milhões de mensagens escritas.

(O melhor amigo do homem, Gabriela Lourenço; Visão, 8.5.2003)                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                    

 

* O Mundo

No plano da política internacional, não é possível falar da década de 1993-2003 sem remontar a 1989-91 – a queda do muro de Berlim, a dissolução da URSS, a democratização do Leste europeu e o seu início na Rússia, o desmantelamento do império soviético, a extinção do Pacto de Varsóvia e, como consequência de tudo isto, o fim do “pesadelo nuclear” que ameaçava todo o mundo.

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Uma nova era parecia nascer: uma era de paz, sem perigo de holocausto nuclear, com a democracia política a espalhar-se por todo o mundo, e com o Gorbachev a propor – pasme-se hoje! – que todos os diferendos internacionais, a começar pelos que eventualmente opusessem os EUA e a Federação Russa, fossem sempre resolvidos pela via da negociação diplomática ou, em caso de impasse, pela aceitação, por todos os países membros da ONU, da jurisdição obrigatória do Tribunal de Haia.

Era uma “admirável mundo novo” – paz, democracia, e, a seguir, forte desenvolvimento económico e e uma generosa justiça social para todos os povos e cidadãos da Terra. Nunca mais a guerra, nunca mais a ditadura, nunca mais a pobreza e a miséria! Este sonho lindo levou um ilustre e prestigiado professor americano, de origem japonesa, Francis Fukuyama, a escrever o livro apropriado às esperanças da época: O Fim da História.

Infelizmente, os problemas reais do mundo são graves e muito complexos, os interesses e as ambições, insaciáveis, e a natureza humana, imutável: as guerras depressa recomeçaram, muitas ditaduras resistiram à onda de democratização, e o desenvolvimento económico e social, em largas zonas do planeta, continuou a não arrancar, e às vezes até a regredir.

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Quando, em Outubro de 1995, a ONU celebrou em Nova Iorque, com pompa e circunstância, o seu 50º aniversário (com a presença de 150 chefes de Estado e de Governo), numa Assembleia Geral presidida por um português o autor destas linhas – foi comovente e promissor ouvir Yasser Arafat declarar perante todos: “Da última vez que aqui vim, proferi palavras de guerra. Hoje trago-vos palavras de paz. Gerou-se a confiança entre palestinianos e israelitas. Rabin e eu estamos prestes a celebrar um acordo histórico. É por isso que, segundo a tradição da Palestina, venho aqui estender um ramo de oliveira ao meu amigo de hoje, Isaac Rabin.”

A plateia aplaudiu de pé, prolongadamente. Seguiu-se no uso da palavra o primeiro-ministro de Israel, Rabin, que confirmou tudo o que Arafat acabara de dizer: “Não queremos mais a guerra entre os nossos dois povos. Estamos cansados e feridos da guerra. Queremos paz. Uma paz justa e duradoura na terra sagrada da Palestina. Aceito com o maior orgulho, e com a maior esperança, o ramo de oliveira que me estende Yasser Arafat.”

De novo a plateia se levantou, e aplaudiu com entusiasmo. Uma lágrima de felicidade interior escorreu pela minha face: pela primeira vez na vida, sentia estar a assistir a algo de muito parecido com um milagre. E num instante, lembrei-me da magnífica pregação de Santo Agostinho a favor da paz e do ideal da paz perpétua e universal de Kant. Ouvi, deleitado, os discursos idealistas (e ao mesmo tempo sensatos) de Vaclav Havel, a favor da ONU e do direito Internacional, e de Mary Robinson, em prol dos Direitos Humanos.

A visita oficial do Papa João Paulo II à ONU, 15 dias depois, e o seu histórico discurso sobre os direitos das pessoas e os direitos das nações, prolongaram em mim aquela espécie de êxtase quase-místico em que ficara. A paz pelo Direito, a liberdade pelo Direito, a segurança pelo Direito, a democracia pelo Direito, a solidariedade e a justiça social pelo Direito – valores reafirmados solenemente pela ONU, pelos líderes dos seus países membros e pela Igreja Católica, através do Sumo Pontífice – fizeram-me acreditar de novo na Humanidade e sentir orgulho por a minha vocação ter feito de mim um homem de Direito.

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O mundo continuou a rolar, em torno do eixo da Terra, ano após ano. Os problemas estruturais continuaram sem grandes avanços: a pobreza, a subnutrição, as epidemias, o narco-tráfico, o buraco do ozono, a destruição das minas antipessoais, o desarmamento nuclear, etc, etc.

Mas as mulheres e os homens de boa vontade continuavam a lutar incansavelmente pela paz, pelo desenvolvimento, pelos direitos humanos, pela justiça, pelo ambiente, pela democracia. O tratado instituidor do Tribunal Penal Internacional – esse grande momento de progresso civilizacional – continuou a ser negociado, acabou por ser assinado e, depois de ratificado por numerosos países, já se encontra hoje em vigor – como aviso sério para os futuros responsáveis por crimes contra a paz ou contra a Humanidade.

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A esperança, contudo, é sempre a última a morrer no coração humano: e, em 2000, de novo confluem para Nova Iorque quase 200 Chefes de Estado e de Governo para proclamarem e assinarem, sob a égide da ONU, a “Declaração do Novo Milénio”. Mais uma vez se exaltaram os grandes valores humanitários do nosso tempo – a paz, a justiça, o direito, a democracia, os direitos humanos, o desenvolvimento, a ecologia.

Os homens de boa vontade – a quem a paz foi prometida na Terra – assinaram essa declaração de boa fé. Mas todos estariam isentos de reserva mental? Com que intenções e estado de espírito a subscreveram os ditadores, os belicistas, os traficantes de droga, os protectores da exploração privada ou pública dos trabalhadores, dos consumidores e dos contribuintes?

Na sombra – nesse ano 2000, portador de tantas esperanças para um mundo melhor –, já preparavam secretamente os seus planos de pólvora e destruição os dois protagonistas que se iriam afrontar, a nível mundial, a partir do ano seguinte (e por muito tempo, decerto, ao longo do século XXI): os fanáticos do terrorismo sem rosto, e os fanáticos do belicismo imperial.

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(Dez anos da evolução do mundo, Diogo Freitas do Amaral; Visão, 8.5.2003)


 

SER ESPERANÇA

 

 

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“por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriemo-nos na esperança da glória de Deus.” (Romanos 5:2)

 

 

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“Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três: porém o maior destes é o amor.” (1 Coríntios 13:13)

 

 

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“Porque nós, pelo Espírito, aguardamos a esperança da justiça que provém da fé.” (Gálatas 5:5)

 

 

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“iluminados os olhos do vosso coração para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos” (Efésios 1:18)

 

 

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“naquele tempo, estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo.” (Efésios 2:12)

 

 

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“por causa da esperança que vos está preservada nos céus, da qual antes ouvistes pela palavra da verdade do evangelho.” (Colossenses 1:5)

 

 

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“aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória. (Colossenses 1:27)

 

 

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“recordando-nos, diante do nosso Deus e Pai, da operosidade da vossa fé, da abnegação do vosso amor e da firmeza da vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Tessalonicenses 1:3)

 

 

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“Ora, nosso Senhor Jesus Cristo mesmo, e Deus nosso Pai que nos amou e nos deu eterna consolação e boa esperança, pela graça, console os vossos corações e os confirme em toda boa obra e boa palavra.” (2 Tessalonicenses 1:16,17)

 

 

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“Paulo, apóstolo de Cristo Jesus, pelo mandato de Deus, nosso Salvador, e de Cristo Jesus, nossa esperança,” (1 Timóteo 1:1)

 

 

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“a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna.” (Tito 3:7)

 

 

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“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos” (1 Pedro 1:3)

 

 

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“que, por meio dele, tendes fé em Deus, o qual o ressuscitou dentre os mortos e lhe deu glória, de sorte que a vossa fé e esperança estejam em Deus.” (1 Pedro 1:21)

 

 

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“antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vossos corações, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós” (1 Pedro 3:15)

 

 

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