O MAIOR

Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado.

(I Coríntios 2:2)

 

A SINGULARIDADE E EXCELÊNCIA DE JESUS CRISTO.

OS PRETENSOS JUÍZES DE JESUS CRISTO.

A IDENTIDADE DE JESUS CRISTO.

CONFRONTO E ESPERANÇA EM JESUS CRISTO.

DEUS ENTRE NÓS.

A EVOLUÇÃO NÃO EXPLICA JESUS CRISTO.

O SUCESSO DE JESUS CRISTO.

A TOLERÂNCIA EM JESUS CRISTO.

A FORÇA DA FÉ EM JESUS CRISTO.

AS DIFICULDADES ACRESCIDAS COM JESUS CRISTO.

OS LÍDERES DAS GRANDES RELIGIÕES E JESUS CRISTO.

O BAPTISMO ÀS MÃOS DE JOÃO BAPTISTA.

AS DECLARAÇÕES DO PAI SOBRE A IDENTIDADE DE JESUS CRISTO.

O ESPÍRITO SANTO NA PESSOA E OBRA DE JESUS CRISTO.

A TRINDADE NO PERCURSO TERRENO DO DEUS E HOMEM – JESUS CRISTO.

A BÍBLIA NO MINSTÉRIO DE JESUS CRISTO.

OS PECADORES NO MINISTÉRIO DE JESUS CRISTO.

OS RELIGIOSOS NO MINISTÉRIO DE JESUS CRISTO.

A TENTAÇÃO DE JESUS CRISTO.

A CURA DE UM LEPROSO.

A CURA DE UM PARALÍTICO.

A CURA DA FILHA DE UMA MULHER CANANEIA.

UMA MULHER COM SEDE.

UM MORTO DE QUATRO DIAS.

A MULHER CONDENADA À MORTE.

PÉS LAVADOS.

JESUS NO GETSEMANI.

A CRUCIFICAÇÃO.

A RESSURREIÇÃO DE JESUS.

OS CONVITES DE JESUS CRISTO.

O ENSINO MORAL DE JESUS CRISTO.

A VISÃO DO FUTURO DE JESUS CRISTO.

 

 

 


 

A SINGULARIDADE E EXCELÊNCIA DE JESUS CRISTO.

            Inexcedível como homem e muito mais do que homem.

            Irrepreensível na Sua postura, atitudes, comportamentos, valores e princípios, motivações e intenções.

            Ninguém alguma vez viveu como Ele, falou como Ele, agiu como Ele, morreu como Ele e ressuscitou como Ele. Isto não apenas no que diz respeito às acções, aos gestos exteriormente manifestados, mas aos motivos intrínsecos por Ele mesmo evidenciados.

            Passaram-se dois mil anos entretanto, o homem alcançou patamares nunca antes imaginados no campo da ciência e da tecnologia, as artes sofreram mudanças arrasadoras, e ainda assim, nenhum outro ser humano se conseguiu sequer aproximar da pessoa de Jesus Cristo e das suas reivindicações largamente evidenciadas e demonstradas.

            Tudo isto aponta para a razão que está na base da diferença: a Sua identidade.

 

OS PRETENSOS JUÍZES DE JESUS CRISTO.

            Quem se atrever a apontar o dedo acusador contra Ele, certamente padece de um juízo parcial, para lá de se colocar a si próprio numa posição delicada face à sua própria biografia.

            Acreditamos que algumas senão mesmo muitas vezes alguns destes críticos são vítimas de visões e imagens distorcidas, mas ainda assim a imagem certa e correcta encontra-se disponível no livro milenar que é a Bíblia, para lá da pessoa do Espírito Santo que nos foi dada precisamente para dar testemunho fidedigno acerca d’Ele.

            Têm surgido ao longo da história pessoas que puseram e põem em causa a superioridade moral e ética de Jesus Cristo, o que os seus próprios contemporâneos também fizeram, embora numa determinada ocasião, e face ao desafio feito pelo Mestre, todos tivessem ficado silenciosos.

            Para o condenarem em tribunal tiveram que recorrer a testemunhas falsas e finalmente à questão central da vida e pessoa de Jesus: a Sua identidade e o Seu relacionamento especial com o Pai.

            Os que se arvoram em juizes de Cristo, face à Sua excelência tornam-se réus e o seu próprio pecado os denuncia e condena.

            Têm existido outros que face à Sua excelência, singularidade e exclusividade pretendem remetê-lo para o domínio da lenda ou do mito, outros ainda não se atrevendo a ir tão longe querem confiná-lo a uma figura de ficção literária, mas uma leitura atenta das suas biografias não deixa margem para dúvida que os escritores estavam a falar de alguém real, histórico, de carne e osso.

 

A IDENTIDADE DE JESUS CRISTO.

            Jesus impressiona as pessoas acerca de quem é, e instiga os que O não reconhecem com filho de Deus a que de forma isenta e imparcial observem as Suas obras e retirem daí as ilações que se impõem. Não por causa de Si mesmo, porque Ele sabe perfeitamente quem é e não é o reconhecimento alheio que lhe trará qualquer benefício pessoal. São os que o rodeiam que ganharão tudo, se tiverem a humildade suficiente para reconhecerem a Sua excelência. É numa absoluta serenidade que Jesus vive, fala, age, realiza milagres, dialoga, interroga, denuncia e desafia. Através de todo o Seu comportamento mostra todas as evidências necessárias ao reconhecimento da Sua pessoa: sem manipulação, sem forçar, sem obrigar, sem se impor.

 

CONFRONTO E ESPERANÇA EM JESUS CRISTO.

            O acidente ou o acaso não batem certo com a vida, ensino, procedimentos, atitudes, morte, ressurreição, comissão, ascensão e promessa de segunda vinda de Jesus Cristo.

            O nada depois da morte é contrariado directa e frontalmente por Ele.

            A vitimização, desculpabilização, o é assim e assim será, o sou assim e nada há a fazer, é totalmente contrariado por Cristo.

 

DEUS ENTRE NÓS.

            Deus entrou no labirinto da história e foi tocado, ouvido, escutado, disputado, tentado, morto. E voltou à vida e ao Seu trono como Soberano do Universo e da História.

            Face a Ele podemos concluir que Deus existe. Ele o reivindicou. A maior de todas as reivindicações de Cristo é a Sua identidade divina. Não o fez como alguns gostariam e queriam que Ele fizesse, como o próprio Diabo o tentou a fazer, mas como o Pai o determinou. Revelou-se na cruz e na ressurreição.

 

A EVOLUÇÃO NÃO EXPLICA JESUS CRISTO.

            Em termos humanos as origens de Jesus e a Sua vida fora dos grandes cenários onde se jogavam os destinos geo-políticos, económicos, sociais, culturais e artísticos, apontavam para a obscuridade e um total e completo desaparecimento da memória dos homens.

            Dois mil anos passados não produziram alguém que O superasse.

            Os milhares de anos antes não conseguiram produzir condições que explicassem a Sua pessoa.

            Jesus aparece na História com um destaque que a sociologia ou a antropologia não podem explicar em termos humanos. Jesus não cabe no ideal de humanidade. É Homem perfeito, mas muito mais do que Homem perfeito. Ele só pode ser entendido à luz da Bíblia como Emanuel - Deus entre nós.

            Quem poderia vaticinar que alguém nascido nas palhas de um estábulo, fora do ambiente da povoação e lar dos seus pais, com um pai adoptivo carpinteiro, entre pessoas simples e sem cultura e destaque ou projecção; viria algum dia a atrair toda a humanidade e resolver em Si o drama espiritual, moral e físico do homem?

            Quem admitiria que as raízes populares de Jesus não seriam um obstáculo a um sucesso nunca antes visto.

            Como encarar a projecção de Cristo à luz do sucesso como é entendido pelo homem moderno?

 

O SUCESSO DE JESUS CRISTO.

            Qual foi o sucesso de Jesus? Uma multinacional, uma fortuna multimilionária, um curso superior, uma vitória militar, um complexo sistema político, uma revolução social político económica?

            Esse não foi o seu sucesso!

            Jesus conjugou o seu sucesso no amor, no perdão, na restauração, na esperança, no apelo ao arrependimento e conversão. Venceu todas as barreiras entre os homens e entre o homem e Deus.

            Jesus alcança sucesso sujeitando-se a uma morte injusta, trocado por um marginal, da qual extrai uma rotunda vitória sobre o que trouxe ao homem a condição de pecador, caído do propósito original.

            O sucesso de Jesus não reside naquilo que os homens e as nações se habituaram a chamar de grande.

            É precisamente no oposto de uma aparente fragilidade e vulnerabilidade que manifesta uma força nunca antes imaginada e que ao longo dos séculos tem atraído milhões de pessoas.

            O sucesso de Jesus está em vidas transformadas, conquistadas pelo Seu amor, vencidas pelo Seu perdão, mudadas pela Sua morte e ressurreição, levantadas pela Sua esperança.

            Vence na fragilidade, na pobreza, na morte, no silêncio, na conversão e no diálogo, na mão estendida para ajudar, para curar, para libertar, no amor pelos desprezados, abandonados, escorraçados. Tudo isto assume um valor inestimável com a Sua própria ressurreição.

            Jesus subverte os valores então prevalecentes desde que o homem caiu.

            Uma força que não está na ponta das armas.

            Uma liberdade que não tem que ver com uma certa cidadania.

            Um valor e identidade que não está dependente da fortuna.

            Uma sabedoria que não está na erudição.

            Um amor que não radica no erotismo.

            Uma piedade que não surge do temor e do medo.

            Uma motivação que não se prende com posições ou postos.

 

A TOLERÂNCIA EM JESUS CRISTO.

            Jesus não obriga, nem impõe, nem mesmo com o recurso a lógicas que esmagassem os seus opositores. Jesus lida com as razões da mente e do coração. Ele sabe que para alguns nem um milagre portentoso chegará para serem convencidos, deixarem convencer-se. Jesus conhece a medida justa da argumentação para respeitar a liberdade de escolha feita e a fazer.

            E nessa fragilidade e vulnerabilidade, nessa força feita de amor e santidade, Jesus não teme os dignatários religiosos, os poderes das armas e do dinheiro. Ele conhece como bem frágeis são as bases em que esse poder assenta.

            Não é pela força que Cristo apela ao arrependimento, mas pelo Seu amor e pelas Suas obras.

 

A FORÇA DA FÉ EM JESUS CRISTO.

            Ninguém como Ele suscita, alimenta, encoraja e potencializa a fé na acção. Fé que é abertura para o invisível e para o que até ali seria julgado como impossível. Diz o poeta que quando o homem sonha o mundo pula e avança, e tem a sua dose de razão, mas mais do que o sonho é a fé que move montanhas. Não uma fé qualquer reduzida à força do pensamento ou da vontade, a fé na fé. Aquela que Jesus instila à Sua passagem é a fé no Altíssimo, no Deus soberano, no Pai das luzes. A fé vale pelo seu objecto, autor e consumador.

            Com os seus milagres Jesus mostrou o que é, o que foi e o que será de acordo com a vontade do Criador e Recriador de todas as coisas. Os milagres são a antecipação de novos céus e nova terra, de uma nova era.

 

AS DIFICULDADES ACRESCIDAS COM JESUS CRISTO.

            Mas Jesus não enveredou pela demagogia, pelo facilitismo. Não temos um Evangelho adocicado, produto de consumo, ajustado a vãs ilusões e falsas promessas.

            É este o Jesus histórico, da fé, dos evangelhos, da Palavra eterna, a que hoje precisamos voltar em claro confronto com a nossa época tão carregada de materialismo, vaidades, consumismo, utopias de sucessos, esquecida desse amor, serviço, perdão, reconciliação, esperança, renúncia, vividos e expressos por Jesus. Não na ideia que vamos mudar o mundo, mas que importa sermos mudados e dessa forma influenciarmos o mundo à nossa volta.

 

OS LÍDERES DAS GRANDES RELIGIÕES E JESUS CRISTO.

            É verdade que se pode dizer que também outros líderes religiosos, saindo da obscuridade, alcançaram uma notoriedade tal, que hoje congregam à volta das suas ideias e doutrinas, milhões de seguidores. Mas é aqui que se levanta uma das grandes diferenças de Jesus relativamente a qualquer outro líder. Toda a mensagem de Cristo radica e brota Dele mesmo. É precisamente a Ele que somos convidados. Ele não é apenas um exemplo e modelo de vida, Ele assume-se como a própria vida. Tirar Jesus da Bíblia é deixarmos de ter Bíblia. Tudo o que nos é revelado pelo Novo Testamento resume-se a viver a nossa vida em e através de Cristo, ou a Ele viver a Sua vida em nós. Isto é absolutamente único na História da humanidade.

 

O BAPTISMO ÀS MÃOS DE JOÃO BAPTISTA.

            A humildade, a identificação radical, a ligação ao percursor, a sujeição ao plano divino, a conexão com a história da revelação de Deus através de Israel e que se regista no Velho Testamento, o ponto de partida de um ministério que realizará e consumará em toda a sua plenitude e que o próprio baptismo encerra e simboliza: uma nova existência, o renascer para outro estilo de vida numa nova natureza espiritual - morte e ressurreição.

 

AS DECLARAÇÕES DO PAI SOBRE A IDENTIDADE DE JESUS CRISTO.

            Nem todos escutaram o testemunho do Pai: apenas os principais intervenientes e os que de perto estão envolvidos com o Seu ministério. No baptismo e na transfiguração. O valor da identidade reside Naquele que faz a declaração. O próprio Pai se expressa sobre Quem é Jesus. Nada mais será necessário ou preciso.

 

O ESPÍRITO SANTO NA PESSOA E OBRA DE JESUS CRISTO.

            Toda a Sua vida é marcada pela presença plena e acção do Espírito Santo. Certamente um exemplo de como os Seus futuros discípulos deveriam viver, agir e realizar o plano por Ele estabelecido. Não é possível ser um discípulo de Cristo à margem do Espírito Santo.

 

A TRINDADE NO PERCURSO TERRENO DO DEUS E HOMEM – JESUS CRISTO.

            A relação íntima, a perfeita unidade, estão patentes ao longo da presença visível de Deus entre os homens.

 

A BÍBLIA NO MINSTÉRIO DE JESUS CRISTO.

            Está escrito é a afirmação constante nos lábios do Mestre dos mestres. Mas a citação, a referência, a explanação das Escrituras não é feita como os rabis. Enquanto estes citam a palavra de Outro, Jesus cita-se a si mesmo.

            Há também aqui um claro ensino para a vida do cristão. O seguidor de Jesus Cristo respeita escrupulosamente e segue rigorosamente o que a Palavra contém sem uma atitude legalista, mas como valores e princípios inscritos na sua nova natureza espiritual. Da mesma forma que a Palavra é a expressão da natureza divina, a nova natureza do cristão está em conformidade com essa Palavra.

 

OS PECADORES NO MINISTÉRIO DE JESUS CRISTO.

            Chamado de amigo de publicanos e pecadores como Deus e Homem apresentou pela Sua própria vida a maior distância do pecado e a maior aproximação do pecador, não para que permanecesse no seu pecado mas para que fosse liberto do seu jugo e começasse de novo.

 

OS RELIGIOSOS NO MINISTÉRIO DE JESUS CRISTO.

            Apesar de franco e directo com os religiosos que não poupou na denúncia da sua hipocrisia, acolheu os que a Ele se dirigiram falando-lhes da necessidade de um novo nascimento, operado pelo Espírito, sem o qual não é possível fazer parte do Seu reino.

 

A TENTAÇÃO DE JESUS CRISTO. (Mateus 4:1-11; Marcos 1:12,13; Lucas 4:1-13)

            À semelhança do comum dos mortais Jesus foi tentado como homem no cerne da Sua essência e da Sua existência. A Sua identidade, as Suas motivações, os meios pelos quais haveria de concretizar o plano que O trouxe, as formas como haveria de se manifestar perante o mundo, são testadas e provadas.

            Cristo não cede face ao facilitismo, ao vedetismo, à ambição do poder para proveito próprio, à encenação que apenas briga com os sentidos mas não apela à mudança de carácter, aos apetites de forma gratuita, à fuga do sofrimento e da renúncia.

            Na tentação são lhe propostos atalhos para alcançar notoriedade. Não é isso de todo o que Ele procura. O seu objectivo é salvar o homem do que o matou e continua a matar, do que o atrofia, do que o rouba, do que o separa de Deus e da humanidade de acordo com o propósito divino presente na Sua própria natureza na qual fomos moldados em imagem e semelhança.

            Sucessivamente, e em três investidas, o Diabo procura conduzir Jesus a usar meios mediáticos e porventura mais imediatos e fáceis de sucesso aparente, com os quais Adão e Eva foram iludidos.

            Usar o Seu poder para transformar pedras em pães.

            Atirar-se do pináculo do tempo abaixo em uma grande encenação cinematográfica que deixasse boqiabertos os seus detractores religiosos e o povo ávido de sensacionalismo. Usar um truque meio mágico, vencer as leis da natureza e voar como uma ave.

            Em nenhum destes confrontos a acção seria voltada para as necessidades reais do homem no domínio material quanto no espiritual, em nenhuma delas se afirmaria a necessidade de transformação no íntimo, uma mudança de coração, uma acção em serviço e solidariedade para com os outros.

            A tentação dos imperadores romanos com a qual atraíam e manipulavam o povo: pão e circo, em vistas do seu próprio objectivo de dominar o mundo e ter a sua glória, adorando todos os ídolos possíveis e imaginários, viessem de onde viessem e tivessem a forma que tivessem. Jesus recusou liminarmente semelhantes tentações.

Não admitiu que a Sua identidade fosse colocada em causa ou que tivesse de ser provada de qualquer maneira. A fonte dela era o próprio Pai.

Não aceitou usar meios que não estivessem em sintonia e coerência com os fins.

Recusou uma glória fácil renunciando à adoração e culto do único Deus verdadeiro – o Senhor Jeová, Deus de Abraão, Isaque e Jacó.

As propostas poderiam parecer aliciantes e rentáveis, eventualmente mais vantajosas do que enfrentar a fome, a doença, a solidão, a rejeição, o egoísmo, a maldade, a inveja, a hipocrisia, o ciúme, a ganância, a corrupção, a mentira, o fingimento, a alienação, o legalismo, as máscaras, os insultos, as blasfémias, enfim a morte, a cruz, a coroa de espinhos, o sepulcro.

            Talvez fosse preferível voar do pináculo do templo com um séquito de anjos a protegerem-no do que abraçar o leproso, sentir o cheiro fétido da morte, enfrentar a tempestade no mar da Galileia, ser beijado por Judas, saber da negação de Pedro, ser ameaçado de apedrejamento, ser acusado de expulsar demónios pelo príncipe dos demónios, etc. Mas Ele preferiu lidar com a miséria humana a montar um espectáculo.

            Jesus recusa o espectáculo gratuito, a aceitação porventura do povo, dos religiosos e até dos romanos e outras gentes, como figura do circo, como mágico, como tautologista, como parapsicólogo.

            A acção do sobrenatural em Jesus Cristo não é entretenimento nem marketing.

            A pedra é pedra, o pão é pão, o pináculo do templo e qualquer encenação de voo não chamaria o homem ao arrependimento. O que as pessoas precisam é mais do que barriga cheia e divertimento.

            A glória deste mundo é falsa e passageira. Jesus não a aceita porque veio precisamente para denunciá-la como enganosa. A verdadeira glória nos braços amorosos do Pai que Ele veio revelar e ser o caminho de acesso até Ele.

            Jesus não aceita o sincretismo religioso greco-romano ou qualquer outro. Só a Deus devemos adorar e cultuar.

 

A CURA DE UM LEPROSO. (Mateus 8:1-4; Marcos 1:40-43; Lucas 5:12-16)

            A lepra é uma doença que no tempo em que Jesus viveu na Terra, implicava uma marginalização absoluta da convivência social, obrigava à separação do grupo, a uma vida solitária e a uma degradação progressiva até à morte.

            A lepra, sabe-se hoje, é uma doença que arrasta uma perca progressiva da sensibilidade e da dor. O corpo deixa de ser sensível mesmo quando está a ser afectado e destruído. A incapacidade do organismo reagir à sua destruição e a insensibilidade à sua própria degradação. Não existe quadro físico mais pertinente em relação ao pecado nas suas manifestações espiritual, mental, moral, afectiva, emocional e física.

            A cura dos leprosos manifesta a perspectiva da integração em vez da exclusão, e da sensibilidade em lugar da indiferença e apatia face a nós mesmos e aos outros. Manifesta ainda muito mais a cura da doença da alma que nos impede de sermos sensíveis ao coração de Deus, de nos percebermos como pecadores, porque, não o esqueçamos, o pecado gera a morte, ou seja, a insensibilidade total.

 

A CURA DE UM PARALÍTICO. (Mateus 9:1-8; Marcos 2:1-12; Lucas 5:17-26)

            A solidariedade de alguns homens que se envolvem com um paralítico e se tornam nas pernas de alguém que não podia andar e o trazem a Jesus, que o pode curar. É o romper com o império da indiferença e do mero palavreado, para o envolvimento directo e prático com o próximo nas suas necessidades.

            A perseverança e a determinação que vence os obstáculos é também colocada em relevo pelo relato, quando não podendo entrar pela porta devido à afluência de pessoas, resolveram descer o paralítico pelo telhado.

            É em meio a esta dinâmica que Cristo mostra o Seu poder tanto no que se refere ao espírito e à alma quanto ao corpo, começando pelo perdão e depois passando à cura do corpo como confirmação do Seu poder e autoridade em relação à primeira acção. O que ainda deve ser entendido como a valorização das necessidades espirituais, e a singularidade e especificidade da Sua acção e dos Seus futuros mensageiros. Quando se valoriza cada vez mais o material e o físico, não se pode deixar de verificar que para Cristo é fundamental e essencial a reconciliação com Deus, porque o pecado paralisa o espírito e a alma. E só Jesus tem efectivamente poder para tal.

            Os milagres físicos são sinais e evidências da Sua autoridade espiritual.

            As doenças físicas tornam-se em ilustrações das doenças espirituais. As primeiras transtornam a vida terrena, as segundas não apenas a terrena mas também a eterna.

            Sabe-se hoje pela mão da medicina que muitas das doenças que nos afectam têm a sua raiz no domínio psico-afectivo. Mas Jesus vai mais fundo do que as feridas que infectam a alma, penetrando no espírito e trazendo perdão.

            Os religiosos presentes consideraram isso como afronta porque só Deus pode perdoar pecados, não querendo reconhecer que diante deles estava o Emanuel – Deus connosco.

 

A CURA DA FILHA DE UMA MULHER CANANEIA. (Mateus 15:21.28; Marcos 7:24-30)

            A demonstração de fé mesmo face a fortes elementos dissuasores, como é o caso do silêncio de Jesus e da indiferença ou até da ostensiva rejeição dos discípulos.

            Cristo aproveita a oportunidade para dar aos seus companheiros uma profunda lição acerca da fé e do que ela representa em determinação e perseverança.

            O Mestre faz salientar na conversa travada e nas contrariedades invocadas, o valor da fé que não desiste, face a qualquer dificuldade ou impedimento.

            O valor da fé é uma das tónicas essenciais que faz a diferença e opera a mudança nas circunstâncias e situações.

            A fé em Jesus como motor da mudança, da dependência de Deus, da certeza acerca da Sua vontade.

            E o episódio acaba com a exclamação do próprio Jesus: Ó mulher, grande é a tua fé.

 

UMA MULHER COM SEDE. (João 4.1-42)

            Um episódio que demonstra claramente que a mensagem e a obra de Cristo tem carácter universal como está expressa na grande comissão.

            Uma universalidade que parte fundamentalmente da Sua superioridade, isto é da Sua singularidade face a todas as formulações religiosas, a todas as ideias expressas sobre Deus. É que Cristo é o próprio Deus connosco – Emanuel.

            Diante do poço de Jacó, sentado na sua borda, o Criador dos céus e da terra não se coíbe de pedir um pouco de água a uma mulher pecadora. O Senhor de tudo não se inibe de ser servido pelas mãos de uma mulher de reputação um tanto duvidosa. Como judeu Jesus ultrapassa as fronteiras e as barreiras sociais e dos costumes, tratando-se de uma mulher samaritana; mas como Deus atravessa todos os abismos que separavam os homens de Deus, e lança-se ao alcance de todos nós.

            Da necessidade física à necessidade do espírito e da alma foi um passo, que termina com o reconhecimento do carácter messiânico de Cristo e da Sua excelência.

            Toda um lugarejo foi confrontado com uma nova maneira de Alguém saber quem somos e o que fazemos, não para nos condenar ou para se distrair ou divertir, mas para nos reabilitar e restaurar.

 

UM MORTO DE QUATRO DIAS. (João 11)

            É uma das poucas ocasiões em que o Evangelho regista que Jesus chorou. No meu entender essas lágrimas expressam a profunda sensibilidade de Cristo face à morte presente na criação e para a qual o homem não foi criado, por outro lado também ao facto dos Seus seguidores não terem ainda apreendido a realidade de que a morte é apenas uma passagem para a eternidade na presença de Deus, ou seja o regresso ao lar.

            Se a nós nos causa profunda apreensão a dor da separação de alguém que é atingido pela morte, apesar de sabermos que todos temos que morrer, muito mais Jesus se impressiona com esse estigma na criação, porque como Criador o Seu projecto é de vida e não de morte, de saúde e não de doença, de felicidade e não de dor, de amor e não de ódio.

            Ninguém como Cristo soube o que era sofrer o que é a morte e o que é a inimizade, a inveja, o ciúme, a traição, a rejeição, a dissimulação, a hipocrisia. A sua própria morte atinge não apenas a dimensão física do que ela significa, mas a realidade espiritual que a originou e a pressupõe. Ninguém como Ele era tão sensível à sua presença e manifestação. Sofre quem é mais sensível, quem está menos endurecido, indiferente. Quem mais ama, mais sofre.

            Esta ressurreição é o prenúncio da morte vencida na cruz. Aquela separação momentânea talvez tenha trazido a Jesus os momentos que se avizinhavam em que também Ele seria separado do Pai, por causa dos nossos pecados. Mas o pecado e a morte seriam vencidos pela cruz e pela ressurreição.

 

A MULHER CONDENADA À MORTE. (João 8.1-11)

            Uma mulher é impiedosamente arrastada até Jesus pelos legalistas religiosos, na voracidade de uma condenação que é também uma forma de colocar o Mestre entre a espada e a parede, ou seja entre o amor e a justiça, entre a santidade e o perdão, entre a lei e a graça, entre o merecimento e a aceitação incondicional.

            Acusada de adultério, esquecido o homem envolvido com o caso, em flagrante oposição à própria lei que invocavam, procuram da parte de Cristo uma falso veredicto, porque este não lhes interessa, o que lhes importa é a apanhar o Mestre e a sua sentença já está decidida.

            Depois de forçado a responder pela segunda vez, Jesus limita-se a convidar o primeiro dos religiosos sem pecado a atirar a primeira pedra. A partir do mais velho, um a um, em silêncio, sorrateiramente, vão-se retirando. Diante de Jesus e das Suas palavras caem as máscaras e ninguém se atreve a considerar-se sem pecado. Perfeito quadro do que acontecerá no juízo final, diante do trono branco. Sem excepção todos constatarão a sua culpa, o seu pecado e a sua condenação.

            Numa situação concreta o evangelho expressa uma das suas principais denúncias, a situação do pecado comum a todos os mortais independentemente da religião e piedade, da classe social, da cultura e erudição, do poder económico, dos catecismos empunhados.

            Logo mais fica apenas a mulher e Jesus.

            Mas se Ele também não a condena, tem o poder de lhe conceder uma nova oportunidade com outras energias e vigor: Vai e não peques mais.

            Também fica de fora o encolher de ombros, o relativismo moral dos nossos dias. Há uma esperança de mudança de vida com Jesus.

 

PÉS LAVADOS. (João 13:1-20)

            O costume social da época em que Jesus viveu era que o anfitrião proporcionasse a lavagem dos pés aos seus convidados, normalmente executado pelos escravos.

            Na ceia da última Páscoa que Jesus passa com os Seus discípulos não tendo nenhum deles se predisposto ou lembrado a prestar tal serviço, o Mestre e Senhor cinge-se e tomando uma bacia e uma toalha assume a iniciativa de lhes lavar os pés.

            Uma vez mais o Senhor se mostra como o Servo por excelência. Ao invés do autoritarismo vulgar entre os poderosos, Jesus reconhecendo-se como Senhor e Mestre, não tem qualquer pejo em servir numa atitude de amor incondicional. Que revelação magnífica do Criador. Como difere das caricaturas que o Diabo pintou no Génesis e continua a pintar. Como difere da ideia que muitas vezes nós como Seus seguidores fazemos e damos Dele.

            A vida terrena de Jesus consistiu em servir os menos considerados, os mais desprotegidos, os abandonados, os sem esperança, os que a própria religião desprezava, abandonava e segregava.

            O que a sociedade de então havia esquecido acerca de Deus e o que as demais religiões nunca haviam pensado ou admitido, é o que Cristo demonstra em todos os Seus gestos.

            Estando já limpos precisavam ainda de lavar os pés. Verdade que tantas vezes negligenciamos a nosso respeito e a respeito dos demais. Lavar os pés alheios e deixar que os outros nos lavem os pés. Reciprocidade. Servir e ser servido. Não é de pés cortados que precisamos na Igreja, não é de um serrote, mas de uma bacia, de água, de uma toalha e de umas mãos cálidas que o façam.

            O discípulo Pedro não entende e não aceita, mas o Mestre faz-lhe sentir a sua ignorância presente: O que eu faço não o sabes agora, compreendê-lo-ás depois. A dimensão da fé que leva para além do que a nossa mente e conhecimentos dominam no momento.

 

JESUS NO GETSEMANI. (Mateus 26:47-56; Marcos 14:43-50; Lucas 22:47-53; João 18:1-11)

            O mesmo Deus que passeou no Jardim do Éden com a Sua criatura há alguns milhares de anos atrás, está agora só com o Pai, antevendo os momentos cruciais que viverá dentro em breve. O que desde a eternidade fora planeado e assumido face à criação está prestes a acontecer. O próprio Deus e Homem (Jesus Cristo) vai tomar sobre si as trágicas consequências do pecado.

 

A CRUCIFICAÇÃO. (Mateus 21:33-44; Marcos 15:22-32; Lucas 23:33-43; João 19:17-37)

            A cruz é central no Evangelho. Sem ela não há Boa Notícia a dar ao homem.

            Não é possível penetrarmos no seu significado e na sua necessidade sem a ajuda da própria revelação.

            A cruz fala-nos da situação e condição humanas.

            Mas ela também nos fala do imenso amor de Deus que levou até às últimas consequências assumindo a penalidade do nosso pecado.

            A cruz fala-nos ainda da obediência de Jesus ao Pai, até nas circunstâncias mais adversas, face à morte e a todos os horrores que ali se manifestam.

            Nada nos pode consertar com Deus senão o sacrifício do próprio Deus encarnado em nosso lugar na cruz. A ofensa do pecado e a depravação por ele provocada é tão contundente que apenas pode ser alterada pela morte substitutiva do único justo – Deus feito homem – Jesus Cristo. A exigência é do próprio Deus em toda a sua santidade, justiça, amor e misericórdia.

 

A RESSURREIÇÃO DE JESUS. (Mateus 28:1-10; Marcos 16:1-8; Lucas 24:1-12; João 20:1-10)

            É o próprio Espírito Santo que diz que se Cristo não ressuscitou a nossa fé é vã.

            Trata-se, sem margem para dúvida, de uma ressurreição literal, factual, física. Mas não se tratou de uma mero reviver, o corpo ressuscitado apresenta novos atributos, novas qualidades, uma natureza diferente.

            A ressurreição de Cristo é a garantia da ressurreição de todos os que Nele crêem e a certeza da eternidade. A morte não é o fim. A vida continua. Para os que aceitam a Jesus como Senhor e Salvador, é uma eternidade para a vida, mas para quem recusa é uma eternidade de morte enquanto separação de Deus.

            A ressurreição significa igualmente que o sacrifício foi aceite e a obra da salvação consumada como Jesus declarou na cruz ao expirar. Se Ele não tivesse ressuscitado teríamos dúvidas acerca do valor da Sua morte, mas porque ressuscitou não sobejam dúvidas acerca de Quem é e do que consumou.

            Contra todas as expectativas dos próprios discípulos relutantes em crer e crendo contra a sua própria vontade.

            Contra todas as precauções tomadas pelos religiosos certamente devidas a todas as manifestações ocorridas durante a crucificação: as trevas, o tremor de terra, a ressurreição de mortos e, principalmente, o véu do templo rasgado de alto abaixo. Pela primeira vez na história do povo de Israel o lugar santíssimo ficou acessível ao olhar dos sacerdotes e do povo, sem que nenhum mal lhes sucedesse. O choque deve ter sido tremendo. Os religiosos tinham todas as razões para temer o “pior”. E foi isso mesmo que aconteceu: Jesus ressuscitou!

            A vida e a disposição dos discípulos mudou radicalmente. Não mais sobejaram dúvidas, ou interrogações, ou reticências. A partir da ressurreição e do dia de Pentecostes em que foram baptizados com o Espírito Santo, “transtornaram” o mundo até aos nossos dias.

 

OS CONVITES DE JESUS CRISTO. (Mateus 11:28-30; João 20:37-39)

            Uma das marcas da doutrina de Cristo é que ela não se limita a dizer aos homens como é que eles devem viver, quais os valores que devem observar, que princípios devem perseguir, ou quais os objectivos que devem ter em mira.

            Jesus sabe que o problema do homem é maior do que a ignorância moral. Na maior parte das vezes o homem sabe como deve agir, só que fica aquém desse modelo e desse ideal.

            Nesse sentido o homem precisa de perdão por todas as falhas cometidas contra Deus, contra o semelhante e contra si mesmo. Depois o homem precisa mudar por dentro para começar de novo. Só sendo ressuscitado espiritualmente, pode voltar a relacionar-se com o Pai.

 

O ENSINO MORAL DE JESUS CRISTO.

            O ensino moral do Mestre dos mestres não está apenas voltado para as acções, mas penetra nas intenções e motivações do coração.

            O ensino moral de Jesus parte da verificação e denúncia da depravação geral do ser humano. Ou seja, segundo o Seu ensino, o homem não nasce bom nem neutro. O homem nasce pecador e o pecado está alojado intrinsecamente na sua natureza. Isto não significa que o homem não seja responsável porque apesar da sua condição pecaminosa, tem uma consciência e vontade. Por outro lado quando confrontado com Cristo o homem torna-se responsável pela aceitação ou rejeição do perdão que Deus oferece.

            As explicações sociológicas, económicas, culturais e educacionais, ignoram a causa das causas alojada na condição humana. É verdade que as circunstâncias podem favorecer ou não a maldade, a violência, a corrupção, o vício em maior ou menor grau. Mas a verdade é que, conforme diz a Bíblia, todos pecaram.

 

A VISÃO DO FUTURO DE JESUS CRISTO.

            O futuro nas palavras de Jesus Cristo aponta para a expansão do reino de Deus de tal modo que terá uma configuração universal, alcançando todos os povos, raças e línguas.

            Por outro lado Jesus vê o confronto, o choque e o conflito entre a Igreja e os poderes espirituais da maldade.

            Jesus vê ainda a apostasia e corrupção que atingirá sectores da Igreja produzindo confusão e escândalo.

            Finalmente Jesus aponta um futuro em que todas as coisas serão restauradas e o bem e o amor imperarão para sempre. Antes dessa nova época chegar à terra os sistemas humanos passarão por momentos difíceis de violência, catástrofe, calamidade, epidemia e destruição maciça. A História desde então tem sido uma demonstração cabal das Suas palavras.

            Claramente Jesus afirma que o pecado não perdoado acarreta condenação eterna. Existem portanto dois futuros conforme a escolha do homem face à cruz e à salvação que Ele oferece.

 

 

 

Samuel R. Pinheiro