O BEM SUPREMO

 

            Não é coisas, nem fama, nem posição, nem agenda, nem comida, nem bebida. Não é saúde, nem poder, nem prestígio, nem aplausos, nem riqueza.

            O bem supremo é Deus que apenas podemos usufruir através do relacionamento pessoal.

            Este bem supremo não se conquista, não se merece, não se alcança por virtude pessoal. Não é um trofeu do estudo, da religião, das boas obras, do estatuto social, da raça, da cultura, da erudição, do bom comportamento moral.

            O maior de todos os espectáculos queda-se a anos-luz de distância da companhia do Ser Supremo de todo o Universo. A maior de todas as manifestações naturais nada é comparada com o fulgor, a majestade, a glória do Todo-Poderoso.

            O bem supremo usufrui-se no relacionamento pessoal. É na intimidade que se experimenta. É no Bem Supremo que nós nos tornamos perfeitos, que recebemos de volta a nossa dignidade, a nossa integridade, o nosso valor próprio.

            Tudo o que possamos ter é nada sem Deus. Tudo o que não tenhamos ou não logremos alcançar, torna-se nada face ao relacionamento com o Criador.

            O pior que nos possa suceder tem absoluta certeza de ser revertido em bem pela intervenção soberana de Deus. As coisas mais nefastas acabam por ter um impacto relativo quando face à fé e à esperança no Senhor do universo.

            O maior de todos os tesouros é efémero; só em Deus não existe sombra de variação e de mudança.

            Nada, absolutamente nada pode competir com o Autor da vida.

            É neste sentido que se exprimem muitos dos textos bíblicos que nos estimulam ao conhecimento e ao relacionamento com o Eu Sou:

            “Ó Senhor, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu nome!” (Sl 8:9).

           

Por isso o pecado é tenebroso...

            O pecado é a separação, a impossibilidade, o fosso intransponível de acesso a Deus.

O bem supremo torna-se inacessível. Algumas vezes uma miragem, uma aspiração, um desejo, uma sede intensa. Outras vezes fica absolutamente anulado pela ignorância e torna-se dúvida, negação, rejeição.

            O pecado priva-nos da presença de Deus, da Sua manifestação e da Sua glória. O pecado é o orgulho, a ideia de que o homem se basta a si mesmo, a loucura de pensar e agir com independência. O pecado é a negação de Deus mesmo que Ele existisse, é não aceitar que Ele possa existir, é não querer que Ele exista. A pessoa até pode crer mas vive como se não cresse. A este propósito fala o poeta bíblico: “Se eu no coração contemplara a vaidade, o Senhor não me teria ouvido.” (Sl 66:18).

            O pecado rouba-nos o supremo bem. “A intimidade do Senhor é para os que o temem, aos quais ele dará a conhecer a sua aliança.” (Sl 25:14). “As vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça.” (Is 59:2).

 

Por isso a salvação é tão maravilhosa...

            A salvação permite-nos ver resolvido definitivamente o que nos impede de ter relacionamento com Deus.

            Só o próprio Deus nos podia trazer de volta e derrubar o muro que d’Ele nos separava.

            Não se trata apenas de acreditar que existe um Ser Supremo, criador e sustentador de todas as coisas. Trata-se, isso sim, de relacionamento, proximidade e intimidade. Não apenas conhecimento intelectual e racional, mas também o conhecimento mais profundo que passa pelo coração, pelo espírito, pelos afectos, pelas emoções.

            Com a salvação não somos apenas criação de Deus; somos tornados filhos do Altíssimo. “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, ao ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de facto, somos filhos de Deus.” (1 Jo 3:1).

            O desejo de Deus é que todos possam experimentar e desfrutar desta maravilhosa salvação, que é a possibilidade de viver com Ele: “O qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.” (1 Tm 2:4).

 

Por isso a graça é para todos e só é desgraça para quem a recusa...

            A graça é esse favor de Deus de oferecer-nos e proporcionar-nos o que nunca pela nossa parte poderíamos conseguir e até almejar.

            É Ele quem toma a iniciativa e vem ao nosso encontro reatando a comunicação e possibilitando a reconciliação. É o próprio que nos convoca à reconciliação: “De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus.” (2 Co 5:20).

            O relacionamento com Deus é o que há de mais belo em todo o Universo.

            Fomos criados para Deus e só estamos completos n’Ele.

            Recusar a graça é efectivamente uma desgraça.

 

Por isso a Bíblia é tão relevante...

            Como biblioteca que nos abre o entendimento da mente e do coração para a grandeza de Deus, para o Seu amor, a Sua justiça, misericórdia, santidade.

            Através dela ouvimos os estímulos de Deus para que O conheçamos:

“Mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o Senhor, e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor.” (Jr 9:24).

“Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor.” (Os 6:3).

“Mas vem a hora, e já chegou, quando os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores.” (Jo 4:23).

“Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus.” (Hb 10:19).

 

Por isso Jesus é tão singular na História...

            Como Ele nenhum outro calcorreou as veredas desta terra. As multidões ficavam atónitas e maravilhadas com as Suas palavras e o Seu ensino. Os religiosos fanáticos e intolerantes ficavam irritados e sobressaltados com o Seu comportamento e proximidade dos marginalizados.

            As afirmações que faz a respeito de Si mesmo ainda hoje, passados vinte séculos, deixam arrepiados os cépticos e os fabricantes e defensores de outras vias.

            Como Jesus foi amado! Quem com Ele contactou foi atraído pelo Seu coração. “Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna; e nós temos crido e conhecido que tu és o Santo de Deus.” (Jo 6:68,69).

 

Por isso o inferno é tão terrível...

            Marcado pela ausência de Deus é um lugar de tormento.

            Não é possível para nós hoje imaginar um lugar onde Deus não esteja e onde os raios da Sua manifestação não se façam sentir.

 

Por isso o céu é tão magnífico...

            Porque o céu é o lugar onde a comunhão e intimidade com Deus é perfeita.

 

Por isso a morte de todos os que crêem não é um fantasma...

            A quase totalidade dos discípulos de Jesus acabaram por enfrentar o martírio única e exclusivamente por causa da afirmação de fé, confiança, dependência, obediência e esperança em Jesus Cristo.

            Uma vez experimentado o sabor desse Bem Supremo, não é possível negá-lo. Tudo o resto perde o sabor e a atracção. Toda a vida só faz sentido a partir d’Ele, n’Ele e para Ele.

 

Por isso a vida é uma aventura...

            A fé não é um escape, uma fuga, um distanciamento das necessidades, dos problemas, das dores, do sofrimento deste mundo e deste presente tempo.

            A proximidade de Deus é vivida e expressa na proximidade dos que sofrem.

            Terminamos com as palavras do salmista: “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede do Deus vivo (...).” (Sl 42:1,2). “Quão admiráveis são os teus tabernáculos, Senhor dos Exércitos! A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do Senhor; o meu coração e a minha carne exultam pelo Deus vivo! (...) Pois um dia nos teus átrios vale mais que mil, prefiro estar à porta da casa do meu Deus, a permanecer nas tendas da perversidade.” (Sl 84:1,2,10).

 

 

Samuel R. Pinheiro