JESUS CRISTO

o líder para o século XXI

 

            Que posso eu dizer de Ti que já não tenha sido dito?

            Que posso eu dizer além do que Tu próprio disseste?

            Como posso eu encontrar palavras para tornar claro aquilo que é evidente nas Tuas próprias palavras?

            Como fazer entender o que não se quer entender?

            Como ver sem buscar nos Teus olhos a visão? Como conhecer sem buscar nas Tuas palavras o conhecimento? Como saber se não nos reconhecermos ignorantes, se não encararmos que precisamos ser ensinados?

            Como aprenderão os que já sabem tudo, ou pensam que o sabem, sem saber que não o sabem?

            Cada um encontra o que quer encontrar? E nós que encontrámos o que não procurávamos, e  encontrámos o que não queríamos encontrar? Encontrámos porque sempre ali esteve, vimos porque vendo não negámos que víramos, porque ouvindo não dissemos que outros se enganaram e mentiram! Cremos porque é absurdo deixar de crer. Cremos porque não crer é dizer que a História mente, que a verdade não existe ou só existe a de não existir. Cremos porque é impossível negar que a luz brilha. Cremos porque a vida se nos tornou luminosa, porque é impossível querer voltar ás cavernas, ao silêncio, às algemas, à escuridão da noite da morte, do acaso, do absurdo, do nada, do sem sentido. Cremos porque a inteligência a isso nos impele. Cremos porque nos é impossível não crer.

 

            No alvorecer do século XXI precisamos dar ouvidos ao único que na História derrotou a morte e nos assegura vida eterna, não em função dos nossos méritos mas única e exclusivamente com base na obra que consumou com a Sua própria morte e ressurreição. Precisamos dar ouvidos Àquele que nos põe diante do nosso drama existencial e histórico. Precisamos escutar Aquele que tendo-nos criado, acabou por assumir a nossa natureza para tornar possível a nossa recriação, depois de nos termos estragado, e de estarmos numa condição em que não podemos nos relacionar com Deus e, por nós mesmos, atingir os Seus desígnios.

            Muito mais do que um pedagogo Ele é o único que pode pegar no nosso ser e adequá-lo ao projecto inicial de Deus, do qual todos como raça, desde Adão, caímos. Hoje não somos como o Homem no início foi criado, não vivemos a vida para a qual fomos criados, não temos as condições que aquando da criação existiam e que para nós foram trazidas à existência. A História é o esforço do Homem para sozinho construir o seu projecto alternativo excluindo Deus ou substituindo por outros deuses. A vinda de Cristo é a consumação do plano de Deus para a salvação do Homem. Esse plano implicou a Sua morte e a Sua ressurreição, implica ainda num futuro que aguardamos com expectativa, a Sua segunda vinda, o trono branco e novos céus e nova terra em que habitará eternamente a justiça.

            As ambições do homem moderno e pós-moderno, vão para a educação científica e tecnológica, a profissão, a família, as finanças, o comer e o beber, os divertimentos, e outras coisas similares. Vivemos na sociedade ocidental e não só, numa corrida consumista. Nem isto nem outra coisa qualquer trarão satisfação ao homem.

 

            Hoje como ontem não gostamos de ouvir falar de pecado e que somos pecadores. Por isso Ele não é muito popular e o Seu evangelho também. Preferimos ouvir de direitos.

            Pecamos porque somos pecadores, somos pecadores porque a nossa essência humana está afectada, degenerada, decaída; porque nos tornámos inimigos de Deus, porque somos hostis à Sua vontade, plano e propósito; porque não andamos como Ele quer.


 

 

HISTÓRIA E FÉ DE MÃOS DADAS

                O que acreditamos faz parte da História, a nossa fé está enraizada em factos. O rigor da análise dos textos bíblicos não deixa margens para dúvida. Os relatos são apresentados não como ficção, nem como mito ou lenda. História e fé não são contraditórios em termos cristãos. A fé do ponto de vista cristão não vale por si própria, não se trata de fé na fé, nem de fé no ar, fé meramente subjectiva. A subjectividade existe mas não é nela que se origina e fundamenta. A fé cristão tem o seu berço objectivamente.

            Visto que muitos houve que empreenderam uma narração coordenada dos factos que entre nós se realizaram, conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram deles testemunhas oculares, e ministros da palavra, igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem, para que tenhas plena certeza das verdades em que foste instruído. (Lucas 1:1-4) Mas um dos soldados lhe abriu o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água. Aquele que isto viu, testificou, sendo verdadeiro o seu testemunho; e ele sabe que diz a verdade, para que também vós creiais. (João 19:34,35) É necessário, pois, dos homens que nos acompanharam todo o tempo que o Senhor Jesus andou entre nós, começando no baptismo de João, até ao dia em que dentre nós foi levado às alturas, um destes se torne testemunha connosco da sua ressurreição. (Actos 1:21,22) Varões israelitas, atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós, com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmo sabeis; sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o mataste, crucificando-o por mãos de iníquos; ao qual, porém, Deus ressuscitou, rompendo os grilhões da morte; porquanto não era possível fosse ele retido por ela. (Actos 2:22-24) A este Jesus Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas. (Actos 2:32) Dessarte matastes o Autor da vida, a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, do que nós somos testemunhas. (Actos 3:15) e nós somos testemunhas de tudo o que ele fez na terra dos judeus  e em Jerusalém; ao qual também tiraram a vida, pendurando-o no madeiro. A este ressuscitou Deus no terceiro dia, e concedeu que fosse manifesto, não a todo o povo, mas às testemunhas que foram anteriormente escolhidas por Deus, isto é, a nós que comemos e bebemos com ele, depois que ressurgiu dos mortos; e nos mandou pregar ao povo e testificar que ele é quem foi constituído por deus juiz de vivos e de mortos. Dele todos os profetas dão testemunho de que por meio de seu nome, todo o que nele crê recebe remissão de pecados. (Actos 10:39-43) nós não podemos deixar de falar das cousas que vimos e ouvimos. (Actos 4:20) e foi visto muitos dias pelos que com ele subiram da Galileia para Jerusalém, os quais são agora as suas testemunhas perante o povo. (Actos 13:31) Porque tudo isto é do conhecimento do rei, a quem me dirijo com franqueza, pois estou persuadido de que nenhuma destas coisas lhe é oculta: porquanto nada se passou aí, nalgum recanto. (Actos 26:26)


 

 

UMA FIGURA NO MÍNIMO CONTROVERSA

            As opiniões formuladas extremaram-se de forma absoluta. De um lado, a afirmação messiânica, numa clara percepção da filiação divina singular e exclusiva, que indica a presença da divindade. De outro lado, a acusação da agência pelo príncipe dos demónios. Mas vós, continuou ele, quem dizeis que eu sou? Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. (Mateus 16:15,16) Mas os fariseus, ouvindo isto, murmuravam: Este não expele os demónios senão pelo poder de Belzebu, maioral dos demónios. (Mateus 12:24)

            Convém manter presente a ideia da narrativa evangélica na qual se regista o facto de que é o próprio que coloca como central a questão da sua identidade. Quem diz o povo ser o Filho do homem? (...) Mas vós, (...), quem dizeis que eu sou? (Mateus 16:13,15)

            Mas ninguém se exprimiu sobre Ele com declarações mais estonteantes do que Ele próprio. Eu sou o pão da vida. (João 6:48) Eu sou a luz do mundo; (...) (João 8:12) Eu sou a porta. (João 10:9) Eu sou o bom pastor; (...) (João 10:11) Eu sou a ressurreição e a vida. (João 11:25) Vós me chamais o Mestre e o Senhor, e dizeis bem; porque eu o sou. (João 13:13) Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; (...) (João 14:6) Eu sou a videira verdadeira, (...) (João 15:1)

            Outros deram o seu testemunho acerca Dele, inimigos ou amigos, simpatizantes ou opositores. Os samaritanos em função do que ouviram e presenciaram retiraram a única conclusão possível: Já agora não é pelo que disseste que nós cremos; mas porque nós mesmos temos ouvido e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo. (João 4:42) À vista da dispersão da multidão e do abandono de muitos dos seus discípulos, perante a pergunta se também os mais próximos O queriam deixar, Pedro assume a dianteira e fala o que todos os outros têm na alma: Senhor, para quem iremos? tu tens as palavras da vida eterna; e nós temos crido e conhecido que tu és o Santo de Deus. (João 6:68,69) Os guardas que pelos principais sacerdotes e fariseus foram enviados para O prender, voltaram de mãos a abanar e corações cheios do que ouviram e presenciaram: Jamais alguém falou como este homem. (João 7:46) Ao lado da cruz, perante os últimos acontecimentos, a atitude e reacção que assumiu diante dos insultos e dos apupos, face às convulsões da própria natureza, O centurião e os que com ele guardavam a Jesus, vendo o terramoto e tudo o que se passava, ficaram possuídos de grande temor, e disseram: verdadeiramente este era Filho de Deus. (Mateus 27:54) O Seu discípulo Tomé que não conseguia acreditar no testemunho dos seus companheiros sobre a ressurreição do Nazareno, e para crer exigiu ver as marcas indeléveis do seu sacrifício nas mãos e lado, perante as mesmas exclama: Senhor meu e Deus meu! (João 20:28)


 

 

LOUCO OU NÃO?

            Por causa dessas palavras rompeu nova dissensão entre os judeus. Muitos deles diziam: Ele tem demónio e enlouqueceu, por que o ouvis? Outros diziam: Este modo de falar não é de endemoninhado; pode, porventura, um demónio abrir os olhos aos cegos? (João 10:19-21)

                O inusitado das declarações de Cristo deixava naturalmente os seus contemporâneos atónitos, confusos, desconcertados. Não era razão para menos! Estavam diante de alguém que apesar de conhecerem a família, o contexto social e cultural, apresentava credenciais, recursos, capacidades, reacções, discurso, procedimento totalmente distinto. Era um homem, muito mais do que homem certamente. O conceito de homem não lhe assentava única e exclusivamente. Estava muito, muito acima de todos os homens que eles conheciam.

 


 

 

AMIGO DOS PECADORES

                Ao contrário do que era apanágio da religião, na Sua encarnação Cristo aproximou-se dos que Dele precisavam, nunca marginalizou quem quer que fosse e, antes de voltar ao Pai, ordenou aos discípulos que fossem pelo mundo inteiro com esta mensagem de amor, de reconciliação, de perdão, de transformação, de vida eterna. Na cruz envolveu com os Seus braços homens e mulheres de todas as raças, povos, nações e línguas. No livro do Apocalipse todos eles são vistos como fazendo parte da família de Deus nos lugares celestiais.

            E sucedeu que, estando ele em casa, à mesa, muitos publicanos e pecadores vieram e tomaram lugares com Jesus e seus discípulos. Ora, vendo isto os fariseus, perguntavam aos discípulos: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores? Mas Jesus, ouvindo, disse: Os sãos não precisam de médico, e, sim, os doentes. Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não holocaustos; pois não vim chamar justos, e, sim, pecadores (ao arrependimento). (Mateus 9:10-13)Veio o Filho do homem, que come e bebe, e dizem: Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores! Mas a sabedoria é justificada por suas obras. (Mateus 11:19) E murmuravam os fariseus e os escribas, dizendo: Este recebe pecadores e come com eles. (Lucas 15:2)


 

 

REJEITADO

            Os porqueiros fugiram, e o anunciaram na cidade e pelos campos. Então saiu o povo para ver o que sucedera. Indo ter com Jesus viram o endemoninhado, o que tivera a legião, assentado, vestido, em perfeito juízo; e temeram. Os que haviam presenciado os factos contaram-lhes o que sucedera ao endemoninhado, e acerca dos porcos. E entraram a rogar-lhe que se retirasse da terra deles. (Marcos 5:14-17) Tendo Jesus partido dali, foi para a sua terra e os seus discípulos o acompanharam. Chegando o sábado, passou a ensinar na sinagoga; e muitos, ouvindo-o, se maravilharam, dizendo: Donde vem a este estas cousas? Que sabedoria é esta que lhe foi dada? e como se fazem tais maravilhas por suas mãos? Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, José, Judas e Simão? e não vivem aqui entre nós suas irmãs?  E escandalizavam-se nele. Jesus, porém, lhes disse: Não há profeta sem honra senão na sua terra, entre os seus parentes, e na sua casa. Não pôde fazer ali nenhum milagre, senão curar uns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos. Admirou-se da incredulidade deles. Contudo, percorria as aldeias circunvizinhas, a ensinar. (Marcos 6:1-6) Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; a saber: aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. (João 1:11-13)

                Pode parecer-nos estranho e anormal, que alguém como Jesus, seja rejeitado pelos seus contemporâneos e conterrâneos. Os evangelhos não silenciam ou ignoram estas ocorrências. O que aconteceu é ainda hoje o que sucede. Muitas são as pessoas que ignoram, ostensivamente rejeitam ou contornam a Sua identidade e obra.

            As razões da rejeição são certamente variadas. No caso dos gerasenos, aquando da libertação de um pobre homem atormentado por espíritos malignos, o que foi acompanhado por um prejuízo material avultado devido à precipitação de uma manda de porcos por um despenhadeiro abaixo, fica evidente que muitas vezes as pessoas estão muito mais preocupadas com os seus haveres e lucros, com o valor material, com o ter do que com o sofrimento alheio, não estando dispostos a suportarem um prejuízo material em função de um lucro humano. A dignidade de uma pessoa é, para alguns, nada diante dos valores materiais. A escolher entre uma manada de porcos e um homem liberto, algumas pessoas escolhem os porcos. Infelizmente esta é a sociedade em que vivemos ainda. Hoje como ontem Jesus continua a ser rejeitado pelo temor de alguns prejuízos materiais.

            No caso dos seus próprios conterrâneos de Nazaré a razão prende-se com o facto de não aceitarem o poder de Jesus porque conheciam os Seus familiares. Em Nazaré Ele não podia ser maior do que eles. O orgulho, a inveja, o ciúme estreitaram a visão daquele povo, e impediram-nos de receber a benção.

            Outros não O aceitaram porque o seu próprio poder, posição social e regras religiosas tradicionais estavam ameaçadas. Preferiam guardar o sábado na aparência da lei do que alegrar-se com a cura ou a libertação de uma pessoa. Uma visão corrompida de Deus e da Sua vontade. Uma recusa rebelde de reconhecer a autoridade de Cristo.


 

 

A EVIDÊNCIA DOS FACTOS

            Quando João ouviu, no cárcere, falar das obras de Cristo, mandou por seus discípulos perguntar-lhe: És tu aquele que estava para vir, ou havemos de esperar outro? E Jesus, respondendo, disse-lhes: Ide, e anunciai a João o que estais ouvindo e vendo: Os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres está sendo pregado o evangelho. E bem aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço. (Mateus 11:2-6) Até quando nos deixarás a mente em suspenso? Se tu és o Cristo, dize-o francamente. Respondeu-lhes Jesus: Já vo-lo disse e não credes. As obras que eu faço em nome de meu Pai, testificam a meu respeito. (João 10:24,25) Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim; crede ao menos por causa das mesmas obras. (João 14:11)

            Não se limitou às palavras, aos discursos, à conversa e ao diálogo com os mais variados interlocutores. A palavra foi seguida dos actos marcados pelo sobrenatural. Milagres no domínio do físico, do material e da natureza. Nunca por nunca ser em manifestações que apenas servissem o espectáculo, a impressão pura e simples dos sentidos. Eram as necessidades humanas que estavam em foco.

            Mais do que contrariar as leis naturais presentes, trata-se de anunciar o funcionamento de uma natureza não afectada pelo drama da queda e do pecado, a proclamação de uma nova era, a antecipação dos novos céus e nova terra, a presença do reino de Deus e dos céus.

            Todos essas manifestações são sinais que apontam e mostram a identidade a Sua identidade e falam eloquentemente do futuro que Deus estava a tornar possível de novo para o homem.


 

 

AUTORIDADE INVULGAR

            Tendo Jesus entrado no templo, expulsou a todos os que ali vendiam e compravam; também derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas. E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, a transformais em covil de salteadores. (Mateus 21:12,13) Vieram a ele no templo cegos e coxos, e ele os curou. Mas vendo os principais sacerdotes e os escribas as maravilhas que Jesus fazia, e os meninos clamando: Hosana ao Filho de Davi, indignaram-se, e perguntaram-lhe: Ouves o que estes estão dizendo? Respondeu-lhes Jesus: Sim; nunca lestes: Da boca de pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor? E, deixando-os, saiu da cidade para Betânia, onde pernoitou. (Mateus 21:14-17) Cedo de manhã, ao voltar para a cidade, teve fome; e, vendo uma figueira à beira do caminho, aproximou-se dela; e, não tendo achado senão folhas, disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti. e a figueira secou imediatamente. Vendo isto os discípulos, admiraram-se e exclamaram: Como secou depressa a figueira! Jesus, porém, lhes respondeu: Em verdade vos digo que, se tiverdes fé e não duvidardes, não somente fareis o que foi feito à figueira, mas até mesmo se a este monte disserdes: Ergue-te e lança-te no mar, tal sucederá; e tudo quanto pedirdes em oração, crendo, recebereis. (Mateus 21:18-22) Tendo chegado ao templo, estando já ensinando, acercaram-se dele os principais sacerdotes e os anciãos do povo, perguntando: Com que autoridade fazes estas cousas? e quem te deu essa autoridade? E Jesus lhes respondeu: Eu também vos farei uma pergunta; se me responderdes, também eu vos direi com que autoridade faço estas coisas. Donde era o baptismo de João? do céu ou dos homens? E discorriam entre si: Se dissermos: Do céu ele nos dirá: Então por que não acreditastes nele? E, se dissermos: Dos homens, é para temer o povo, porque todos consideram João como profeta. Então responderam a Jesus: Não sabemos. E ele por sua vez: Nem eu vos digo com que autoridade faço estas cousas. (Mateus 21:23-27)

                Sendo um homem Jesus era muito mais do que todos os homens até então conhecidos e a partir daí conhecidos. Jesus estava muito acima das limitações, da ignorância, da impotência de todos os restantes homens – ainda os de hoje. Mesmo após as grandes realizações da ciência, da técnica e das artes, Ele continua a ser muito maior, mais do que isso, Ele é único. Jesus – Deus e Homem – entre os homens.

            E porque Cristo não se perturbava face aos ataques, às intimidações, às regras, às tradições dos dignatários religiosos e políticos, a raiva deles foi crescendo até ao ponto de ser condenado à morte e de ser crucificado. Já na cruz essa raiva não foi satisfeita, porque ainda lá Ele continua a evidenciar a mesma dignidade, a identidade do ser que não pode ser aniquilada, posta em causa pelos outros, pelos sistemas, pelos poderosos ou pela morte. Por isso crucificado, os mesmos que urdiram a sua condenação e exigiram a sua morte, desafiam-no a sair da cruz. Mas não tendo saído vivo da cruz haveria de sair do sepulcro passados três dias. Porque era necessário a nosso respeito que na cruz morresse por nós.


 

 

RAZÕES DA FÉ

                Crer é resultado de uma atitude do coração, que não dispensa a informação que ilumina a mente.

            Naquela hora exultou Jesus no Espírito Santo e exclamou: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra porque ocultaste estas cousas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado. (Lucas 10:21) Se não faço as obras de meu Pai, não me acrediteis; mas, se faço, e não me credes, crede nas obras; para que possais saber e compreender que o Pai está em mim, e eu estou no Pai. (João 10:37,38)


 

 

RAZÕES DA INCREDULIDADE

                Uma vontade hostil, um coração orgulhoso e auto suficiente, não abre espaço para a revelação. Se nos limitamos intransigentemente ao homem, às suas possibilidades, aos seus esforços, à sua capacidade, à sua capacidade de conhecimento e descoberta, fechamos a porta à fé. Da mesma forma que ninguém aprende se não está disponível para dar ouvidos aos que o podem ensinar. A civilização nunca teria chegado onde chegou, se todos não aprendêssemos uns com os outros. Começar continuamente do zero, implicaria nunca sair dele.

            A fé não é possível se não damos ouvidos à revelação, ao Mestre que veio trazer-nos o conhecimento que de outra forma não poderíamos alcançar.

            Então se aproximaram os discípulos, e lhe perguntaram: Por que lhes falas por parábolas? Ao que respondeu: Porque a vós outros é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas àqueles não lhe é isso concedido. Pois ao que tem se lhe dará, e terá em abundância; mas, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. Por isso lhes falo por parábolas; porque vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem nem entendem. De sorte que neles se cumpre a profecia de Isaías: Ouvireis com os ouvidos, e de nenhum modo entendereis; vereis com os olhos e de nenhum modo percebereis. Porque o coração deste povo está endurecido, de mau grado ouviram com os seus ouvidos, e fecharam os seus olhos; para não suceder que vejam com os olhos, ouçam com os ouvidos, entendam com o coração, se convertam e sejam por mim curados. Bem aventurados, porém, os vossos olhos, porque vêem; e os vossos ouvidos, porque ouvem. Pois em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes, e não viram; e ouvir o que ouvis, e não ouviram. (Mateus 13:10-17) Fácil parece ser depreender deste texto que, propositada e intencionalmente, o Mestre encobre dos seus ouvintes o que seria para eles razão de cura. Esta interpretação coloca sobre Ele a causa. Uma leitura mais atenta, mostra-nos que a Sua acção está apenas em conformidade com uma disposição do coração dos ouvintes, que ele conhecia perfeitamente. Aqui está a causa. É o coração dos ouvintes que impede uma apresentação que os faça entender. Não fomos criados como robôs. Nem a nossa mente e raciocínio Deus forçará contra a nossa vontade. Ele não agride o coração forçando a mente, nem agride a mente forçando o coração. Aproximando-se os fariseus e saduceus, tentando-o, pediram-lhe que lhes mostrasse um sinal vindo do céu. Ele, porém, lhes respondeu: Chegada a tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está avermelhado; e, pela manhã: Hoje haverá tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio. Sabeis, na verdade, discernir o aspecto do céu, e não podeis discernir os sinais dos tempos? Uma geração má e adúltera pede um sinal; e nenhum sinal lhe será dado, senão o de Jonas. E, deixando-os, retirou-se. (Mateus 16:1-4) Nunca por nunca ser o Senhor Jesus usou o Seu poder para distrair ou divertir ou entreter a curiosidade dos que o rodeavam, muito menos para corresponder a um pedido que não correspondia a uma vontade séria e honesta de conversão. Muitos sinais foram feitos, mas o maior de todos eles foi e é a Sua ressurreição. Este é suficiente para dar razões para nos rendermos a Cristo. Quando o coração e a mente não cedem a este, nenhum outro seria suficiente. Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tão pouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos. (Lucas 16:31)  O julgamento é este: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más. Pois todo aquele que pratica o mal, aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem arguidas as suas obras. Quem pratica a verdade aproxima-se da luz a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque feitas em Deus. (João 3:19-21) Como podeis crer, vós os que aceitais glória uns dos outros, e contudo não procurais a glória que vem do Deus único? (João 5:44) Qual a razão porque não compreendeis a minha linguagem? É porque sois incapazes de ouvir a minha palavra. Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe aos desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira. Mas, porque digo a verdade, não me credes. Quem dentre vós me convence de pecado? Se vos digo a verdade, por que razão não me credes? (João 8:43-46) E, embora tivesse feito tantos sinais na sua presença, não creram nele; para se cumprir a palavra do profeta Isaías, que diz: Senhor, quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor? Por isso não podiam crer, porque Isaías disse ainda: Cegou-lhes os olhos e endureceu-lhes o coração, para que não vejam com os olhos nem entendam com o coração, e se convertam e sejam por mim curados. Isto disse Isaías porque viu a glória dele e falou a seu respeito. Contudo muitos dentre as próprias autoridades creram nele, mas por causa dos fariseus não o confessavam, para não serem expulsos da sinagoga; porque amaram mais a glória dos homens, do que a glória de Deus. (João 12:37-43)


 

 

A ESTRATÉGIA DO AMOR

            Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigénito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. (João 3:16) Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros. (João 13:34,35) Ora, antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim. (João 13:1) Se me amais guardareis os meus mandamentos. (João 14:15) Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama, será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele. (João 14:21) Respondeu Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele faremos nele morada. Quem não me ama, não guarda as minhas palavras; e a palavra que estais ouvindo não é minha, mas do Pai que me enviou. (João 14:23,24) Como o Pai me amou, também eu vos amei; permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; assim como também eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e no seu amor permaneço. (...) O meu mandamento é este, que vos ameis uns aos outros,  assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos. Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando. (...) Isto vos mando, que vos ameis uns aos outros. (João 15:9,10,12-14,17)

                É uma conspiração de amor que atravessa as páginas da Bíblia e eclode nos Evangelhos com a vinda de Cristo, a expressão máxima do amor de Deus, a dádiva do Seu amor. Contra a mentira, a desconfiança, a incredulidade, o orgulho, o egoísmo, a prepotência, a injustiça, Deus levanta o estandarte do Seu amor e manifesta-o entre os homens. Esta semente de amor há-de multiplicar-se numa comunidade que deve ser caracterizada por excelência nele. Se nem sempre assim aconteceu só serve para realçar o genuíno. A corrupção do poder e do dinheiro atreve-se a instalar-se no seio dos que trazem a aparência de seguidores do Mestre. Mas isso não põe em causa a essência da doutrina e do exemplo de Jesus. Ele levou o Seu amor até às últimas consequências. O amor prevaleceu e acreditamos que a eternidade é feita dele. Cristo não morreu em vão.

            Hoje é a própria palavra amor que tem sido pervertida. Fazer amor é fazer sexo. Deus criou o sexo e, ao contrário do que se pretende passar, biblicamente não é pecado, nem sequer o fruto proibido ou a raiz do pecado original. Como tudo o resto, é para ser vivido e expresso dentro dos valores da fidelidade e do compromisso, ou seja, dentro do valor do amor.

            Amar a Deus é fazer a Sua vontade. Amar a Deus e ao próximo é ser capaz de sofrer, de respeitar, de ajudar, de distribuir, de cuidar, de renunciar, etc.

            A palavra amor é suficiente para traduzir a narrativa de Deus em busca do homem. Amor é a expressão de Deus para com a humanidade. Mas não se conclua apressadamente que amar é tudo permitir e consentir, encolhendo os ombros e fazendo vista grossa. Amor sem verdade e justiça, não é amor.

            Amor que implica perdão e reconciliação. O maior pecado da humanidade é rejeitar o amor de Deus e o Seu perdão. Não há outra entrada para a vida eterna! Quem por aí não entra, só encontra as trevas exteriores.


 

 

UMA VIDA PERANTE A QUAL SE DECIDE O NOSSO DESTINO

            Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos e eu vos aliviarei. Tomais sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve. (Mateus 11:28-30) Eu sou o pão da vida; o que vem a mim, jamais terá fome; e o que crê em mim, jamais terá sede. (João 6:35) Se alguém tem sede venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. (João 7:37,38) porque se não crerdes que eu sou morrereis nos vossos pecados. (João 8:24) Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres. (João 8:36) Se alguém guardar a minha palavra, não verá a morte, eternamente. (João 8:51) Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, eternamente, e ninguém as arrebatará da minha mão. (João 10:28) Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem. (João 10:9) eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância. (João 10:10) Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim, não morrerá, eternamente. (João 11:25,26) ninguém vem ao Pai senão por mim. (João 14:6) Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. (João 15:5)

            Alguém no seu perfeito juízo só pode afirmar o que aqui se afirma, se estiver perfeitamente convicto da sua identidade total e absolutamente distinta daqueles que o rodeiam. Estas palavras mostram como quem as afirma se mostra o centro a partir do qual a vida do homem deve ser vivida.

            Uma coisa é conversa e outra é a realidade. Estas palavras não teriam causado grande impacto na História se não correspondessem efectivamente à realidade para que apontam. O facto é que milhões através dessa mesma História testemunham e continuam a testemunhar acerca do seu valor e da sua realidade.

            Tirem às religiões os seus líderes e pouco se altera. A substância de cada uma delas não depende em primeira e última instância do que esses líderes hoje possam fazer. Tire-se Jesus aos evangelhos e ficamos sem nada, porque o Seu propósito depende Dele ainda hoje e sempre. A diferença reside em que Ele está vivo.


 

 

CARTÃO DE VISITA INVULGAR

            O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar aos pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor. (Lucas 4:18,19)

                Mas é já no Antigo Testamento que nós encontramos uma apresentação verdadeiramente extraordinária: Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade,  Príncipe da Paz; (Isaías 9:6)


 

 

SEM DEMAGOGIA

            Jesus não facilitou, não pintou o quadro cor de rosa para conseguir adeptos. Ele foi realista e objectivo, foi transparente e rigoroso. A verdade em amor acima de tudo. Muitas vezes as multidões e os dignatários da religião ou do poder político económico não gostaram. Mesmo assim Ele não alterou uma vírgula o seu discurso e o compromisso dos que queriam segui-lo. Falou com propriedade e autoridade porque Ele sabe do que falou.

            Entrai pela porta estreita (larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz para a perdição e são muitos os que entram por ela), porque estreita é a porta e apertado o caminho para a vida, e são poucos os que acertam com ela. (Mateus 7:13,14) Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demónios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi explicitamente: Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade. (Mateus 7:21-23) Vendo Jesus muita gente ao seu redor, ordenou passar para a outra margem. Então, aproximando-se dele um escriba, disse-lhe: Mestre, seguir-te-ei para onde quer que fores. Mas Jesus lhe respondeu: As raposas têm seus covis e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a sua cabeça. E outro dos discípulos lhe disse: Senhor, permiti-me ir primeiro sepultar meu pai. Replicou-lhe primeiro Jesus: Segue-me, e deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos. (Mateus 8:18-22)  Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. Pois vim causar divisão entre o homem e seu pai; entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra. Assim os inimigos do homem serão os da sua própria casa. Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim, não é digno de mim; e quem não toma a sua cruz, e vem após mim, não é digno de mim. Quem acha a sua vida, perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida por minha causa, achá-la-á. (Mateus 10:34-39) Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Porquanto, quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa, achá-la-á. Pois, que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? ou que dará o homem em troca da sua lama? (Mateus 16:24-26) Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; quem perder a sua vida por minha causa, esse a salvará. Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder-se, ou a causar dano a si mesmo? Porque qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do homem, quando vier na sua glória e na do Pai, e dos santos anjos. (Lucas 9:23-26) Eu vim para lançar fogo sobre a terra e bem quisera que já estivesse a arder. Tenho, porém, um baptismo com o qual hei de ser baptizado; e quanto me angustio até que o mesmo se realize. Supondes que vim para dar paz à terra? Não, eu vo-lo afirmo, antes, divisão. Porque daqui em diante estarão cinco divididos numa casa: três contra dois, e dois contra três. Estarão divididos: pai contra filhos, filho contra pai; mãe contra filha, filha contra mãe; sogra contra nora, e nora contra sogra. (Lucas 12:49-53) Se alguém vem a mim, e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E qualquer que não tomar a sua cruz, e vier após mim, não pode ser meu discípulo. (Lucas 14:25-27) Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro; ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas. (Lucas 16:13) Quem ama a sua vida, perde-a, mas aquele que odeia a sua vida neste mundo, preservá-la-á para a vida eterna. Se alguém me serve, siga-me, e onde eu estou, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, o Pai o honrará. (João 12:25,26) Tenho-vos dito estas cousas para que não vos escandalizeis. Eles vos expulsarão das sinagogas; mas vem a hora em que todo o que vos matar julgará com isso tributar culto a Deus. Isto farão porque não conhecem o Pai, nem a mim. Ora, estas cousas vos tenho dito para que, quando a hora chegar, vos recordeis de que eu vo-las disse. Não vo-las disse desde o princípio, porque eu estava convosco. (João 16:1-4)


 

 

UMA NOVA OPORTUNIDADE

            Para todos os que a opinião pública secular e religiosa já haviam colocado de lado. Essa nova oportunidade já é formulada em torno da capacidade e esforço humanos, mas, isso sim, da Sua completa e perfeita realização.

            A mulher que foi arrastada diante Dele para o testar face à leitura tendenciosa que os religiosos faziam da lei de Moisés: vai, e não peques mais. (João 8:11) Perante a interrogação da Sua autoridade para perdoar pecados, curou um paralítico, tendo assumido claramente a reivindicação: Mas, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados – disse ao paralítico: Eu te ordeno: Levanta-te, toma o teu leito, e vai para casa. (Lucas 5:24) Até um dos malfeitores crucificado ao Seu lado encontrou a oportunidade que a sociedade definitivamente lhe tirara face ao seu passado anti-social: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso. (Lucas 23:43) Leia-se igualmente o que aconteceu com Zaqueu, o publicano (Lucas 19:1-10); com Nicodemos, um fariseu, (João 3:1-15); com a mulher samaritana, junto ao poço de Jacó (João 4:1-30); e quantos mais que para enumerar não seria suficiente o espaço de muitas bibliotecas, se eventualmente para tanto chegassem. Tudo isto porque no dizer do próprio o Filho do homem veio buscar e salvar o perdido. (Lucas 19:10)


 

 

O DEDO NA FERIDA

            O problema do homem é denunciado. O que ele precisa é nascer de novo. Não se trata de mais e melhor religião, não de mais catecismo ou regras, leis ou princípios morais. Viver segundo os padrões presentes na natureza divina, sim, mas antes torna-se imprescindível mudar por dentro. O que Ele veio para tornar possível. Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo não pode ver o reino de Deus. (João 3:5)

            Para lá dos actos mostra-se o valor das motivações intrínsecas. A essência da natureza humana é a raiz que é diagnosticada e necessita de intervenção. Só o próprio Criador está em condições de intervir.

            A questão do homem está dentro do homem, o que aparece exteriormente é apenas resultado do que não está bem no íntimo. Ou fazei a árvore boa e o seu fruto bom, ou a árvore  má e o seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a árvore. Raça de víboras, como podeis falar cousas boas, sendo maus? porque a boca fala do que está cheio o coração. O homem bom tira do tesouro bom cousas boas; mas o homem mau do mau tesouro tira cousas más. Digo-vos de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no dia de juízo; porque pelas tuas palavras serás justificado, e pelas tuas palavras serás condenado. (Mateus 12:33-37)Não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce para o ventre, e depois é lançado em lugar escuso? Mas o que sai da boca, vem do coração, e é isso que contamina o homem. Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmeas. São estas as cousas que contaminam o homem; mas o comer sem lavar as mãos, não o contamina. (Mateus 15:17-20)


 

 

CONFRONTO ESPIRITUAL

             A figura do Diabo não era estranha ao Velho Testamento, mas com a vinda de Cristo o conflito entrou na fase aguda e crucial, que já no Jardim do Éden havia sido anunciada. Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar. (Génesis 3:15) De uma forma objectiva e frontal Ele denuncia a acção do poder pessoal e espiritual do mal, não sem deixar bem explícita a Sua missão. O ladrão vem somente para roubar, matar, e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância. (João 10:10) A Igreja apostólica estava ciente da vitória alcançada sobre tais poderes usurpadores e destruidores da criação divina: como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e poder, o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque deus era com ele. (Actos 10:38) Um pouco adiante o resultado deste confronto fica declarado: e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz. (Colossenses 2:15)


 

 

ETERNIDADE E PRESENTE NA MESMA LINHA

            A expectativa da eternidade e do que ela representa não é nunca assumida como uma fuga, uma alienação em relação às necessidades presentes. Basta considerar entre outras a parábola do Bom Samaritano (Lucas 10:25-37), e a história de Lázaro. Mas muito mais do que isto os milagres de Cristo apontam para uma intervenção que acode ao necessitado aqui e agora. Nem eternidade sem compromisso com o tempo, nem o tempo sem a expectativa da eternidade.

            A História demonstra que a fé cristão produziu e continua a produzir um caudal de solidariedade singular. Mas nem tudo a estatística e as crónicas assinalaram e assinalam.


 

 

CERTEZA PARA A ETERNIDADE

            entretanto, eu vos declaro que desde agora vereis o Filho do homem assentado á direita do Todo poderoso, e vindo sobre as nuvens do céu. (Mateus 26:64) Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que onde eu estou estejais vós também. (João 14:1-3)

                O futuro nas mãos de Cristo entra na eternidade. Esta é a esperança que a fé ilumina e suporta. A Sua ressurreição coloca-nos perante um poder que a nós também diz respeito. A Sua morte é a nossa morte, a Sua ressurreição é a nossa ressurreição. Uma nova vida aqui, uma nova postura, novos valores, uma forma diferente de viver e agir, mas também uma expectativa de esperança face à eternidade. A morte não é o termo, Nele respiramos a eternidade.


 

 

VIDA ETERNA

            Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigénito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. (João 3:16) Em verdade, em verdade, vos digo: Quem crê, tem a vida eterna. (João 6:47) E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. (João 17:3)


 

 

INSTRUÇÃO DE CIMA

            Através de Jesus Cristo perscrutamos a vida com outros olhos. A vida que começa em Deus. A vida que se perdeu nos labirintos da rebeldia, desobediência, orgulho, egoísmo, pecado e morte espiritual. A vida que é salva por Jesus Cristo. Em verdade, em verdade te digo que nós dizemos o que sabemos e testificamos o que temos visto, contudo não aceitais o nosso testemunho. Se tratando das cousas terrenas não me credes, como crereis, se vos falar das celestiais? Ora, ninguém subiu ao céu, senão aquele que de lá desceu, a saber, o Filho do homem. (João 3:11-13) Quem vem das alturas certamente está acima de todos; quem vem da terra é terreno e fala da terra; quem vem do céu está acima de todos e testifica o que tem visto e ouvido; contudo ninguém aceita o seu testemunho. Quem, todavia, lhe aceita o testemunho, por sua vez certifica que Deus é verdadeiro. Pois o enviado de deus fala as palavras dele, porque Deus não dá o Espírito por medida. O Pai ama o Filho, e todas as coisas tem confiado às suas mãos. Por isso quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus. (João 3:31-36) A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra. (João 4:34) Em verdade, em verdade vos digo que o Filho não pode fazer de si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai, porque tudo o que este fizer, o Filho também semelhantemente o faz. (João 5:19) Que será, pois, se virdes o Filho do homem subir para o lugar onde primeiro estava? (João 6:62) Ainda por um pouco de tempo estou convosco, e depois irei para junto daquele que me enviou. Haveis de procurar-me, e não me achareis; também onde eu estou, vós não podeis ir. (João 7:33,34) falo como o Pai me ensinou. (João 8:28) Vós sois cá de baixo, eu sou lá de cima; vós sois deste mundo, eu deste mundo não sou. (João 8:23) Eu falo das coisas que vi junto de meu Pai (João 8:38) Mas agora procurais matar-me, a mim que vos tenho falado a verdade que ouvi de Deus (João 8:40) porque eu vim de Deus e aqui estou; pois não vim de moto próprio, mas ele me enviou. (João 8:42) As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo; mas o Pai que permanece em mim, faz as suas obras. (João 14:11) e a palavra que estais ouvindo não é minha, mas do Pai que me enviou. (João 14:24)


 

 

A MAGNA CARTA DOS VALORES E PRINCÍPIOS ÉTICOS

            O chamado Sermão da Montanha, destaca-se como a exposição por excelência dos valores e princípios éticos do discípulo de Jesus Cristo.

            A globalidade do ensino que nos é apresentado através de todo o Novo Testamento leva-nos aqui a ressaltar que, não é através do cumprimento de valores que o homem tem acesso a Deus e à vida eterna nas moradas celestiais. Este relacionamento só é possível através do que Jesus consumou com a Sua morte substitutiva e com a Sua ressurreição. A observação dos princípios éticos só tem valor no quadro da salvação e como resultado dela. Por isso Jesus Cristo não trouxe uma religião no sentido formal de um catecismos ético e moral. Por isso o evangelho se destaca e diferencia de todas as restantes religiões. Se estas estão mais ou menos de acordo com o que deve ser o procedimento e as atitudes do homem no contexto social mais restrito ou mais amplo, o evangelho distingue-se deles porque aponta para um perdão e reconciliação que não dependem dele. Jesus veio para os fracassados moral e espiritualmente.


 

 

TEMAS CHAVE DO SEU ENSINO

 

            Ao que Jesus lhes disse: Tende fé em Deus; (...) (Marcos 11:22)

 

Amor

            Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros. (João 13:34,35)

 

Perdão

            E, quando estiverdes orando, se tendes alguma cousa contra alguém, perdoai, para que vosso Pai celestial vos perdoe as vossas ofensas. (Mas, se não perdoardes, também vosso Pai celeste não vos perdoará as vossas ofensas.) (Marcos 11:25,26)

 

Serviço

            Então Jesus, chamando-os, disse: Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que maiorais exercem autoridade sobre eles. Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós, será vosso servo; tal como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos. (Mateus 20:25-28)

 

Humildade

            Naquela hora, aproximaram-se de Jesus os discípulos, perguntando: Quem é, porventura, o maior no reino dos céus? E Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles. E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus. Portanto, aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no reino dos céus. E quem receber uma criança, tal como esta, em meu nome, a  mim me recebe. (Mateus 18:1-5)


 

 

DEUS NA HISTÓRIA

            Ninguém jamais viu a Deus: o Deus unigénito, que está no seio do Pai, é quem o revelou. (João 1:18) Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não somente violava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus. (João 5:18) Antes que Abraão existisse, eu sou. (João 8:58) Eu e o Pai somos um. (João 10:30) Responderam-lhes os judeus: Não é por obra boa que te apedrejamos, e, sim, por causa da blasfemea, pois sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo. (João 10:33) E quem me vê a mim, vê aquele que me enviou. (João 12:45) sabendo este que o Pai tudo confiara às suas mãos, e que ele viera de Deus e voltava para Deus, (João 13:3) Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me tens conhecido? Quem me vê a mim, vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai? (João 14:9)


 

 

O MAIOR OU O ÚNICO

            As Suas próprias palavras não O tornam comparável, mas absolutamente único, como único é Deus. Nem Deus que se torna Homem, nem Homem que se torna Deus, mas Deus e Homem.

            A Igreja do primeiro século e de todos os séculos, porque não há Igreja fora desse fundamento, cresce com base na declaração seguinte: tomai conhecimento vós todos e todo o povo de Israel de que, em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, a quem vós crucificastes, e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, sim, em seu nome é que este está curado perante vós. Este Jesus é pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular. E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos. (Actos 4:10-12) Nesta mesma linha o apóstolo Paulo enfaticamente passa a revelação do Espírito Santo nestes termos: Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu um nome que está acima de todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai. (Filipenses 2:5-11) porquanto nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade. (Colossenses 2:9)


 

 

VULNERABILIDADE

            Como Deus e Homem apresentou toda uma postura que se identifica com os que sofrem, com os pobres, os simples. Mostra uma humildade surpreendente. Não esmaga os seus inimigos. Tolera os que se lhe opõem mas não esconde nem cala os avisos e a denúncia da condição e destino humanos.

            Então Jesus, chamando-os, disse: Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós, será vosso servo; tal como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos. (Mateus 20:25-28) E isto vos será de sinal: encontrareis uma criança envolta em faixas e deitada em manjedoura. (Lucas 2:12) Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. (João 13:14,15) o Pai é maior do que eu. (João 14:28)


 

 

TOLERÂNCIA SEM AMBIGUIDADES

            Falou João e disse: Mestre, vimos certo homem que em teu nome expelia demónios, e lho proibimos, porque não segue connosco. Mas Jesus lhe disse: Não proibais; pois quem não é contra vós outros, é por vós. (Lucas 9:49,50) Vendo isto, os discípulos Tiago e João perguntaram: Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para os consumir? Jesus, porém, voltando-se os repreendeu(e disse: Vós não sabeis de que espírito sois). (Pois o Filho do homem não veio para destruir as lamas dos homens, mas para salvá-las.) E seguiram para outra aldeia. (Lucas 9:51-56) Jerusalém, Jerusalém! que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes! (Mateus 23:37) Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. (Lucas 23:34)


 

 

UM PROPÓSITO DEFINIDO

            Desde esse tempo, começou Jesus Cristo a mostrar a seus discípulos que lhe era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morte e ressuscitado no terceiro dia. (Mateus 16:21) Estando Jesus para subir a Jerusalém, chamou à parte os doze e, em caminho, lhes disse: Eis que subimos para Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas. Eles o condenarão à morte. E o entregarão aos gentios para ser escarnecido, açoitado e crucificado; mas ao terceiro dia ressurgirá. (Mateus 20:17-19) tal como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos. (Mateus 20:28) Sabeis que daqui a dois dias celebrar-se-á a páscoa; e o Filho do homem será entregue para ser crucificado. (Mateus 26:2) É necessário que o Filho do homem sofra muitas coisas, seja rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas; seja morto e no terceiro dia ressuscite. (Lucas 9:22) Agora está angustiada a minha alma, e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? mas precisamente com este propósito vim para esta hora. (João 12:27) Ora, antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim. (João 13:1) Sabendo, pois, Jesus todas as cousas que sobre ele haviam de vir, adiantou-se e perguntou-lhes: A quem buscais? (João 18:4)

                Não foi surpreendido pela morte. Esse era precisamente o fulcro da Sua missão, o Seu propósito, a intenção final da Sua vinda. Uma morte em nosso lugar, substituindo-nos para que, livres de qualquer penalidade, pudéssemos ter a certeza do perdão, da absolvição, da justificação e da vida eterna.

            Entre outros o apóstolo Pedro dá-nos um quadro elucidativo do valor da Sua morte: sabendo que não foi mediante cousas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo, conhecido, com efeito, antes da fundação do  mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós, que, por meio dele, tendes fé em Deus, o qual o ressuscitou dentre os mortos e lhe deu glória, de sorte que a vossa fé e esperança estejam em Deus. (1 Pedro 1:18-21)


 

 

ENTREGOU A SUA VIDA

            Acaso pensas que não posso rogar a meu Pai, e ele me mandaria neste momento mais de doze legiões de anjos? (Mateus 26:53) Por isso o Pai me ama, porque eu dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai. (João 10:17,18)


 

 

UM PLANO DE RESGATE SEM ALTERNATIVA

            Meu Pai: Se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e, sim, como tu queres. (Mateus 26:39) Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade. (Mateus 26:42)


 

 

O SEPULCRO VAZIO

            Então entrou também o outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, e viu e creu. (João 20:8)

                Os discípulos não creram porque eram crédulos, porque estavam predispostos a crer ou porque esperavam que as coisas assim ocorressem. Eles creram porque os factos eram incontestáveis, porque O próprio lhes apareceu e se mostrou. A partir daí ninguém mais os conseguiu silenciar. Depois do desânimo e da incredulidade, a fé nunca mais foi silenciada. Nem as ameaças, nem a perseguição, nem a espada conseguiu apagar a chama que lhes ardia no coração. Eles sabiam peremptoriamente quem Ele é.

            Apesar de muitas vezes expressa a declaração da ressurreição, os discípulos não acreditaram de qualquer maneira. Jesus lhes respondeu: Destrui este santuário, e em três o reconstruirei. Replicaram os judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este santuário, e tu, em três dias o levantarás? Ele, porém, se referia ao santuário do seu corpo. Quando, pois, Jesus ressuscitou dentre os mortos, lembraram-se os seus discípulos de que ele dissera isto; e creram na Escritura e na palavra de Jesus. (João 2:19-22)


 

 

IMUTABILIDADE

            O tempo não o torna velho ou passado, não Lhe tira actualidade e relevância. Não foi substituído nem ultrapassado, em si mesmo, na Sua obra e no Seu ensino. Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão. (Mateus 24:35) Jesus Cristo ontem e hoje é o mesmo, e o será para sempre. (Hebreus 13:8)


 

 

O NERVO DA QUESTÃO

            Na verdade fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registados para que creiais que Jesus é o Cristo o Filho de Deus, e para que, crendo tenhais vida em seu nome. (João 20:30,31)

            Deus não impõe. Realiza e propõe. Faz o que não está ao nosso alcance realizar e deixa a cada um de nós o veredicto face às evidências expressas. É o Seu amor que nos persegue, que contende connosco, que nos desarma, que pacientemente nos questiona.

            Quem somos nós para lhe dar um conselho? Mas aceite uma simples sugestão: leia os Evangelhos e peça a Deus que lhe dê entendimento para compreender o que ali se encontra exposto, mesmo se você tem algumas dúvidas sérias acerca da Sua existência. Deus compreende o nosso coração e conhece a sinceridade e honestidade dos que não crendo estão receptivos às evidências que estão na base da fé.


 

 

O LÍDER PARA O SÉCULO XXI

            Um século marcado pela necessidade de múltiplas mudanças e transformações. Um século que requer uma nova atitude perante variados assuntos que vão desde a comunidade internacional, até ao coração de cada homem e mulher.

            Numa sociedade e num tempo em que as propostas que entrechocam, onde as explicações e diagnósticos são díspares, em que as soluções se degladiam; a humanidade necessita de uma autoridade, de um líder, de alguém que tenha a propriedade para falar, para diagnosticar, parar apresentar a solução, para indicar os valores e os princípios a serem vividos.

                Numa sociedade multicultural, com contrastes enormes em termos culturais, com tradições e heranças muitíssimo diferentes, precisamos de alguém que seja universal e tenha uma mensagem e linguagem que seja comum ao coração de todos os homens, de uma solução que passe por cima das diferenças e alcance aquilo que é comum levando-nos a viver segundo princípios absolutos, imutáveis e universais.

            Numa sociedade em que as últimas explicações dos filósofos dá de caras com a morte e o nada e não consegue acender uma esperança que os transponha, e nos remeta para uma segurança e vida eterna.

            Numa sociedade de consumo em que é já fácil de constatar que não são os bens de consumo que conseguem trazer paz e realização ao ser humano de forma integral, que o homem não pode ser reduzido aos cifrões, é preciso despertar para uma liderança que nos encaminhe para a realidade do ser muito mais e antes do ter.

            Numa sociedade em que o comer e o beber, o divertimento e o prazer, ocupam os lugares cimeiros da ambição, em que se raciocina com base única e exclusivamente na dimensão material, do corpo e em que se pretende reduzir tudo aos mecanismos biológicos, às leis da física e da química, às componentes físicas, é preciso um líder que desvende e ilumine a nossa ignorância sobre a nossa dimensão espiritual e nos introduza nas qualidades do ser e da pessoa que nos distinguem da restante criação.

            Numa sociedade em que as mega estruturas internacionais por um lado nos dão a impressão de que o nosso futuro está nas mãos de outros e que somos apenas simples elementos de uma engrenagem que não dominamos e da qual estamos à mercê, e que por outro nos parecem tão frágeis e inseguras para intervir e trazer a paz, a segurança, a justiça, o respeito pela dignidade humana, carecemos de um líder que esteja atento e tenha tempo para o cidadão anónimo, para a pessoa, para o marginalizado, para quem não consegue acompanhar o passa da competitividade, que não consegue atingir as plataformas do sucesso.

            Numa sociedade em que o que somos e temos para ser o resultado matemáticos de forças cegas e ocultas, em que muitos se escondem, refugiam ou se entregam a um predeterminismo confrangedor, em que parece não existir saída, é necessário um líder cujo poder quebre as correntes que subjugam o indivíduo e o impedem de respirar a liberdade.

            Numa sociedade em que a disparidade das religiões e dos seus deuses mostram por um lado a incapacidade de o homem através da sua mente ver Deus e por outro lado a rebeldia do homem em humildemente não reconhecer a sua necessidade de um revelação que lhe venha de fora e de cima, que ele não merece mas que tem que receber com gratidão, não com uma mente fechada, mas averiguadora; precisamos de Alguém que nos mostre quem Deus é dentro das nossas limitações, mas que simultaneamente as rompa e nos leva para além do que nós conseguimos por nós mesmos ver e discernir.

            Numa sociedade em que os valores, os direitos, por um lado conseguem reunir consensos, mas por outro lado está provada a incapacidade colectiva e individual de a eles corresponder efectivamente, precisamos de Alguém que não se limite ao que merecemos e nos remeta para uma forma de ser e de estar que dependa da graça (favor imerecido), em que não recebemos em função dos méritos, das qualidades e capacidades, mas, todos por igual, face ao amor incondicional.

 

            Dizemos líder em consonância com uma linguagem mais useira e vezeira hoje em dia. Mas de facto do que estamos a falar é da nossa necessidade de nos voltarmos para Aquele que é o Salvador e Senhor, que tem um nome que é sobre todo o nome.

 

            O Líder que começa com a pessoa humana e nos muda por dentro. Aquele que nos reconcilia com Deus, com o plano original da criação, com os nossos semelhantes, com a restante criação. Por isso Ele é chamado de Salvador, porque efectivamente ele salva o seu povo do seu pecado. Ele dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles. (Mateus 1:21)

                O líder que sendo Homem, é o Deus eterno, que criou todas as coisas e perante o qual nada está oculto.

            O  líder que sendo o Criador, que criou o homem à Sua imagem e semelhança juntamente com o Pai e o Espírito Santo, sabe o quanto o homem decaiu dessa condição e é o único capaz de o voltar a trazer já não apenas como pessoa criada, mas como filho nascido de Deus. Da criação introduzindo-o na família divina.

            O líder que sendo o Legislador não apenas do funcionamento do Universo é também o fundamento moral e espiritual da criação. Mas sendo o Legislador e conhecendo como o homem está afastado por dentro, no seu coração e vontade, na sua consciência e pensamento, da vontade de Deus, tomou o lugar do culpado, sofrendo na cruz toda a culpa e toda a sua penalidade.

            O líder que sendo o Senhor da História é capaz de dirigi-la para uma eternidade de paz, justiça, concórdia, amor e fraternidade, e que tem o poder de preparar outro espaço para a potestade do mal que instigou a rebelião humana e para todos os que desprezem a oportunidade que Deus oferece.

 

Samuel R. Pinheiro

set99