FANÁTICO DA GRAÇA

 

            A graça consiste na acção divina a nosso favor independentemente dos nossos méritos que em boa verdade são inexistentes. A graça conjuga-se com amor e aceitação incondicionais, com perdão e reconciliação.

            Dependemos da graça e à medida que vamos sendo absorvidos e dominados por ela vamos descobrindo que não há nada mais sublime e maravilhoso na vida, melhor dizendo, descobrimos que a essência da vida reside e tem a sua plenitude precisamente nela.

            Sou um fanático da graça divina. À medida que os anos passam e as experiências se acumulam, vou aprofundando e solidificando a convicção de que dependemos em absoluto da graça de Deus para sermos feitos Seus filhos e para vivermos enquanto tal.

            Não há evangelho e não há cristianismo em que o âmago, o cerne não estejam na graça de Deus para connosco a partir de Jesus Cristo, na Sua vida, na Sua morte, na Sua ressurreição, no derramamento do Seu Espírito e na promessa da Sua segunda vinda em glória.

            Se queremos ver uma renovação do impacto do cristianismo na vida dos homens e das mulheres, das crianças, dos adolescentes e dos jovens, nas estruturas morais e éticas da sociedade, precisamos concentrar a nossa atenção na graça que Deus nos estende através do Seu Filho para uma nova vida.

            Oremos para que o nosso Deus e Pai amoleça os nossos corações de forma a sermos sensíveis à Sua graça. Estamos embotados nos nossos sentidos e na nossa mente para podermos ser tocados e arrebatados pelo verdade e pela graça que Jesus Cristo nos trouxe, exprimiu, comunicou, viveu e consumou.

 

            Tomaremos como base da nossa comunicação o texto de abertura do Evangelho escrito pelo apóstolo João e o texto do segundo capítulo da carta aos Efésios escrito pelo apóstolo Paulo, que desde já passamos a citar:

            “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez. A vida estava nele, e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela.

            Houve um homem enviado por Deus, cujo nome era João. Este veio como testemunha para que testificasse a respeito da luz, a fim de todos virem a crer por intermédio dele. Ele não era a luz, mas veio para que testificasse da luz, a saber: a verdadeira luz que, vinda ao mundo, ilumina a todo o homem.

            Estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; a saber: aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigénito do Pai.

            João testemunha a respeito dele e exclama: Este é o de quem eu disse: O que vem depois de mim tem, contudo, a primazia, porquanto já existia antes de mim. Porque todos nós temos recebido da sua plenitude, e graça sobre graça. Porque e lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. Ninguém jamais viu a Deus: o Deus unigénito, que está no seio do Pai, é quem o revelou.” (Jo 1:1-18).

 

            “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora actua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como também os demais.

            Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor como que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, - pela graça sois salvos, e juntamente com ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar nos séculos vindouros a suprema riqueza da sua graça, em bondade para connosco, em Cristo Jesus.

            Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.” (Ef 2:1-10).

 

A graça da revelação.

            Centramos a nossa apresentação na Bíblia como Palavra de Deus que contém a revelação total e final para nós, porque ela mesma é a base fundamental do entendimento da graça. Sendo ela mesma parte da graça de Deus para connosco, só através dela podemos tomar conhecimento acerca da graça como forma de Deus se relacionar connosco e nós nos podermos relacionar com Ele e uns com os outros.

            Consideramos que é essencial manter e se possível aprofundar a importância e o valor decisivo da Bíblia na vivência cristã, fazer dela o alicerce do nosso pensamento e da nossa acção, estruturar as nossas convicções a partir do seu conteúdo afastando os fantasmas do fundamentalismo e da intolerância.

            Apesar de todo o respeito que nutrimos por todas as correntes de opinião, por todas as filosofias e por todas as correntes religiosas quaisquer que sejam, isso não belisca nem compromete a nossa convicção de que a revelação divina se encontra nos textos da Bíblia Sagrada. É a ela que nos dirigimos para saber de facto Quem Deus é e qual o Seu plano e desígnio para a nossa vida. Apesar de admitirmos que Deus se nos revela através de tudo o que nos rodeia e nos envolve, e até de podermos divisar essa revelação em nós mesmos, na nossa capacidade de nos interrogarmos e de reflectirmos sobre as nossas interrogações, ainda assim consideramos que o fio-de-prumo de todas essas evidências se encontra na revelação escrita. O que fica ou o que vai além não merece a nossa confiança.

            Não partilhamos a ideia de que precisamos conseguir qualquer compromisso com a cultura dominante ou com as várias expressões religiosas. Também somos claros em afirmar que o referencial pelo qual avaliamos a verdade das ideias sobre Deus é precisamente o que a Bíblia nos diz. Não partilhamos da opinião de que todas as ideias ou pontos de vista sobre Deus sejam igualmente válidos. Consideramos que tudo o que o homem possa imaginar ou dizer sobre Deus só é aceitável quando validado pela revelação bíblica.

            Isto não significa que não possamos empenharmo-nos em entender de forma rigorosa e objectiva o que pensa sobre Deus e sobre a vida em geral qualquer corrente religiosa, e que porventura não encontremos alguns paralelismos. Estes todavia não são argumento para tomarmos o todo pela parte, nem a parte pelo todo. O crivo pelo qual avaliamos a validade das ideias sobre Deus restringe-se unicamente ao texto da Bíblia.

            Também não deixa de ser verdade que o conhecimento da cultura em que nos movemos é importante para comunicarmos e expressarmos a fé. Gostaríamos todavia de deixar aqui uma nota no sentido de termos consciência de que precisamos aproximarmo-nos da Bíblia com humildade de quem quer aprender e não com a arrogância e sobranceria de quem sabe tudo e é juiz na matéria.

 

 

A revelação da graça.

            Deus não se limitou a falar. Deus veio ao nosso encontro. Não temos apenas um livro entre as mãos. Deus faz parte da nossa própria História.

            A vida é uma marca constante de todo o texto bíblico. Ao longo de toda a Bíblia Deus se nos vai revelando no concreto da História, através de homens e mulheres de carne e osso, através das suas famílias e tribos, através dos povos e nações que constituíram às quais não faltam os grandes impérios que marcaram a antiguidade.

            Mas a vida que por excelência nos é apresentada é a vida do próprio Deus na forma humana em Jesus Cristo. É através dele que a graça e a verdade tomam forma.

            Não quer dizer que elas sejam uma absoluta novidade porque podemos encontrar a sua presença ao longo de toda a trajectória na acção divina até Cristo. Mas é em Jesus que ela atinge o seu apogeu na demonstração da presença divina, na Sua pessoa, nas Suas palavras e nos Seus actos em concreto.

            A graça de que o Filho de Deus é portador expressa-se de forma muito particular nos Seus encontros pessoais, de onde destacamos o encontro com Nicodemos e com a mulher samaritana.

            Cada pessoa foi tratada por Cristo na sua singularidade própria. Não encontramos um esquema único ao qual se subordinava cada um dos encontros mencionados nos evangelhos.

            Entre Nicodemos e a mulher samaritana vão muitas diferenças que a cultura do tempo acentuava. O primeiro deles procurou-O, o outro foi procurado. Em boa verdade podemos dizer que de uma forma ou de outra todos eles, bem como cada um de nós, somos procurados quando procuramos e talvez procuremos, sem saber que estamos a ser procurados. Em qualquer dos casos cada um deles recebeu toda a atenção da parte do Mestre. Cada um deles foi acolhido incondicionalmente e de forma directa conduzida ao cerne da vontade e do propósito de Deus, no qual reside o desígnio da criatura humana.

            A Nicodemos, homem religioso, Jesus afirmou categoricamente: “Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” (Jo 3:3).

            À mulher samaritana Jesus declarou entre outras coisas: “Se conheceras o dom de Deus, e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva.” (Jo 4:10).

            A revelação da graça que atinge a sua plenitude na pessoa de Jesus Cristo tem a sua essência na forma como Ele se aproxima das pessoas, como Ele as acolhe, como responde às suas questões mais íntimas, como Ele descobre os mais profundos segredos do ser humano sem machucar e sem destruir, como Ele confronta com a verdade sem condenar, como Ele vai em busca dos mais desamparados e marginalizados, como Ele toca nos totalmente excluídos e indesejados, como Ele denuncia a justiça própria e a arrogância espiritual, como Ele desmonta a hipocrisia e a falsa sinceridade, como Ele fica em silêncio diante dos falsos argumentos e das dúvidas que escondem apenas o orgulho e a sobranceria.

            Como me sinto longe de poder entender o que significou naquele tempo Jesus se ter deixado aproximar pelos leprosos e de os ter tocado, de se ter deixado adorar por eles, de os ter acolhido e ouvido nas suas mais profundas necessidades.

            Como me sinto distante de poder entender o que significou Jesus ter acolhido os publicanos e pecadores e ter sido acusado de ser amigo deles.

            Como tenho dificuldade em perceber o que representou naqueles dias ter falado com mulheres, de ter sido anunciado por elas, de ter perdoado os pecados de uma adúltera, de ter sido tocado por uma mulher com um fluxo de sangue.

            Como se torna difícil conseguir alcançar tudo o que naqueles dias significou tomar nos seus braços as crianças, abençoá-las e tomá-las como modelo em relação ao Reino de Deus.

            Como se torna difícil entender o que representou a recusa de Cristo na cruz, face aos insultos e desafios dos religiosos que requeriam que dela saísse para que n’Ele cressem.

            Como se torna difícil entender a Sua atitude para com um dos malfeitores crucificado ao Seu lado.

            A graça não é um conceito abstracto, meramente doutrinário ou teológico, vai muito além de qualquer conteúdo filosófico e só é percebido nesse relacionamento restaurado de Deus com as Suas criaturas tal e qual como elas se encontram, sem condições prévias, sem qualquer merecimento.

            E é com base nessa graça que começa a maior de todas as transformações, no coração do homem e da mulher, para uma nova vida que se expressa num relacionamento pessoal com o Criador e com cada uma das Suas criaturas qualquer que seja a sua raça, condição social, língua ou cultura a caminho de uma sociedade em que toda a injustiça será expurgada.

            A parábola do filho pródigo há-de permanecer como a história mais singela e mais eloquente acerca do amor do Pai não entendido por nenhum dos seus filhos, mas que se revela em cada uma das etapas e para o qual não existe substituto. Fomos criados para o amor.

            O filme “Bruce o Todo-Poderoso” coloca para mim a maior de todas as questões: “Como é possível fazer com que alguém nos ame?” Deus em Cristo fez tudo o que haveria para fazer – o maior de todos os argumentos reside na cruz.

 

 

A graça da criação.

            A revelação de que somos criação especial de Deus dá-nos uma perspectiva totalmente diferente da nossa essência e existência. Fomos feitos à imagem e semelhança de Deus, uma imagem e semelhança que acolheu o próprio Deus na Sua encarnação. Deus nos fez à sua imagem e Deus se encarnou à nossa imagem.

            Não existimos para o nada. A nossa vida não é um absurdo.

            Qualquer que seja a forma pela qual Deus trouxe à existência tudo o que existe certamente que ela se conjuga e harmoniza com o amor. Não consigo percebê-la como resultado da lei do mais forte, mas como manifestação e expressão de amor.

            Não é possível à luz do Evangelho entender o Paraíso por vir a partir da lei do mais forte, mas da vitória da graça e da verdade que em Jesus se tornaram carne.

            Retirar Deus da origem de todas as coisas, por muito capazes que sejam as explicações dadas pela ciência, é abandonar o homem e a humanidade a um vazio que nada pode preencher. Não que recusemos o papel da ciência, mas consideramos que ele só faz sentido à luz da existência de Deus.

            Retirar o amor de Deus do acto da criação é comprometer toda a história da salvação.

 

 

A graça da própria lei.

            A graça conduz-nos à obediência e expressa-se através da própria obediência. Não há verdadeiro amor onde a desobediência e a rebeldia campeiam.

            Os princípios éticos e morais que Deus nos deu têm a Sua maior força persuasiva na graça. A observação da lei que não nos impele ao reconhecimento da nossa falência perante a santidade divina, redunda em legalismo. É pela graça que alcançamos vida. As regras são importantes mas sem graça tornam-se em geradoras de morte e desolação.

            Como é continuamente actual a história que Jesus contou acerca do fariseu e do publicano que subiram ao templo para orar. Em meio à contabilidade das virtudes e dos méritos enunciados pelo fariseu bem como da condenação do publicano, não encontrou justificação, paz com Deus. Por seu turno o publicano, face a todo o seu fracasso reconhecido e assumido na busca sincera de perdão, foi justificado.

            Deus não pactua com o pecado humano, com os vícios e com os crimes, mas ama incondicionalmente cada um dos prevaricadores e recebe-os de braços abertos quando respondem afirmativamente ao Seu amor.

 

 

A graça da salvação.

            A verdade genuína e transparente do evangelho que o torna efectivamente evangelho, ou seja “boas novas”, é que ela é uma graça que Deus nos estende e que nós abraçamos pela fé.

            A maior parte das vezes a religião é movida pelo medo, pela culpa, pela condenação.

            O evangelho é movido pela graça divina, pelo Seu amor incondicional, pela Sua aceitação.

            Como é nevrálgico que entendamos e vivamos isto, tornando-nos portadores desta verdade.

            O apóstolo Paulo que conheceu profundamente o que a religião do medo e do legalismo representa tornou-se, depois do seu encontro com Cristo, um incansável proclamador da graça divina.

            Tanto hoje como ontem a cruz de Cristo é escândalo e loucura. Admitir que Deus tenha requerido de si mesmo o sacrifício de Jesus Cristo para que pudéssemos ser reconciliados, satisfazendo plenamente a Sua justiça em amor, é inaceitável para algumas mentalidades. No entanto é precisamente aqui que a graça atinge a Sua verdadeira dimensão e essência.

            Neste caso como em qualquer outro ficamos com a teologia do próprio Espírito Santo, em vez da teologia de qualquer outra fonte, por mais interessante e simpática que seja.

            Não é nossa função ser politicamente correctos quando se trata da maneira como Deus age e trata com a nossa condição humana. Ao contrário de vermos aqui uma caricatura de Deus, vemos o brilho maior da Sua essência. Em vez de vermos qualquer paralelismo com crenças primitivas, vemos a diferença abissal da maneira como Deus vê o nosso estado e o trata.

            De todas as expressões de Cristo na cruz salientamos aquela em que triunfalmente declara “Está consumado”. Nada mais precisamos de acrescentar. Não necessitamos de nenhum outro mediador, nem Salvador. Jesus é totalmente suficiente. Tudo ficou definitivamente concluído. Somos reconciliados com Deus através do que Jesus realizou a nosso favor. Qualquer tentativa de acrescentar seja o que for é uma ofensa.

            O inferno é no fundo tentar pagar o que já foi pago, tentar realizar o que já foi realizado, tentar conquistar o que já foi conquistado, tentar merecer o que não pode ser merecido.

            O que afasta definitivamente o homem de Deus não são os pecados, mas o pecado da recusa da sua generosa salvação graciosamente oferecida e apenas recebida pela fé.

 

 

A graça na vivência individual.

            Se a graça é uma realidade absoluta no relacionamento de Deus para com o homem precisamos aprofundar as suas implicações na nossa vivência em relação a nós mesmos, a forma como nos vemos e entendemos, a maneira como lidamos com as pessoas que nos envolvem.

            Na medida em que formos tomados pela graça divina, na medida em que tivermos disso consciência, na medida em que a experiência da graça for dominante, estaremos habilitados para assumirmos a graça como elemento estruturante da nossa existência.

            Alcançados pela graça, relacionados com Deus com base na graça, para podermos estender essa graça uns aos outros.

            Amor incondicional, aceitação, perdão e serviço são uma necessidade premente. Diante de uma sociedade em que o egoísmo, a competição e o consumismo são geradores de exclusão, marginalidade, perturbações emocionais e doenças psíquicas, só a graça pode trazer cura e libertação.

            O texto do julgamento em que Jesus ressalta o tratamento que Lhe damos quando vestimos os nus, alimentamos os esfomeados, visitamos os doentes e os presos, conduz-nos a pautar a nossa vida pela mesma graça com que fomos agraciados, pelo mesmo perdão com que fomos perdoados, o mesmo amor com que fomos amados e o mesmo serviço com que fomos servidos. Deus tomou a iniciativa e uma vez tocados, transformados e nutridos pelo Seu amor, pela Sua graça, pelo Seu perdão e pelo Seu serviço, convoca-nos a todos a vivermos pessoal e individualmente desta maneira.

            Como será diferente a nossa sociedade se vivermos desta forma na nossa família, no nosso círculo de amigos e vizinhos, para com o próximo do qual nos aproximamos.

A parábola que Jesus contou conhecida como do “Bom Samaritano” encerra, de uma forma inexcedível para cada um dos tempos e dos espaços, a resposta a qualquer tentativa de segregação e xenofobia a partir da fé. O nosso próximo não é apenas aquele que fala a nossa língua, que veste as nossas marcas, que partilha a nossa cultura, que frequenta os nossos ambientes, mas aquele de quem nos aproximamos e o melhor modelo foi identificado por Cristo mais facilmente entre os proscritos samaritanos do que entre os religiosos judeus.

 

 

A graça na dimensão política.

            Diante da dimensão política parece-nos que a dimensão da ética individual vai perdendo terreno. Consideramos que a graça chama-nos a revalorizar a pessoa humana, o indivíduo e o relacionamento.

            Mesmo assim a política constitui-se como um desafio a que temos de responder percebendo de que forma é que a graça pode ser introduzida e valorizada.

            De que forma é que a graça pode pontuar as relações sócio-económicas, o mercado de trabalho, a relação entre os Estados e as Nações.

            Uma das formas por onde começar seria eventualmente o perdão das dívidas dos países pobres aos países ricos.

            Que diferença a graça pode fazer face às desigualdades sociais? De que modo a graça pode levar-nos a agir na distribuição da riqueza produzida? De que forma a graça pode influir nos orçamentos dos Estados de molde a que a solidariedade fale mais alto do que a corrida aos armamentos?

           

 

Graça multiplicada até que Jesus volte.

            Crescemos na medida em que somos inundados pela graça e a comunicamos a outros.

Dois mil anos já se passaram desde que o Verbo divino cheio de graça e verdade andou entre nós e nos mostrou o Pai, deixando-nos a promessa de que voltaria e que até lá reproduzíssemos o Seu exemplo e o Seu ensino.

            A esperança de que voltará é, também ela, uma das facetas da graça, que não nos permite capitular perante as arremetidas continuadas do egoísmo em cada um de nós. Acreditamos que novos céus e nova terra em que habitarão a justiça, só serão possíveis até que Ele volte e temos uma convicção profunda da sua iminência. Mas até que tal ocorra temos a incumbência de viver na graça, promovendo a justiça e a solidariedade entre os homens, numa convocação permanente ao arrependimento e à conversão a Jesus Cristo.

            Eu sou um fanático da graça de Deus!

 

 

 

Samuel R. Pinheiro

www.samuelpinheiro.com