ETERNIDADE

 

            “Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim.” (Eclesiastes 3:11).

 

            A eternidade é um assunto que não devemos escamotear nos dias que correm de um materialismo obsessivo e opressivo, que escraviza o homem e lhe rouba os horizontes para o qual foi criado.

            Se existe alguma coisa que está a corroer interiormente o homem desde a infância é a filosofia que o encerra dentro dos estreitos limites da matéria, como se ele fosse única e exclusivamente um amontoado de átomos e de células.

            O modelo evolucionista que impera no nosso sistema de ensino acaba por encerrar o homem dentro de um cárcere do qual só o Evangelho o pode arrancar. o modelo evolucionista é resultado desse cárcere em que o homem se encontra manietado longe de Deus, morto nos seus delitos e pecados.

            A essência da natureza humana escapa à sua capacidade de raciocínio e reflexão e coloca-o diante da necessidade de revelação. O homem seja ele culto ou ignorante, cientista ou artista, filósofo ou político carece de uma informação exterior que faça luz acerca da sua identidade, das suas origens e do destino e vocação para o qual foi criado.

            Insistimos em afirmar que não fomos criados para a morte, por isso em todo o tempo e cultura ela nos é avessa e nos repugna. Ansiamos por uma vida que permaneça.

            Acredito que uma das tarefas essenciais e prioritárias da Igreja nos dias que vivemos é despertar o homem para a sua imortalidade, denunciar as teias da filosofia materialista, confrontar as prisões de uma cultura enferma pela ideia de que não existe nada para lá da morte e de que não existe informação fidedigna.

            A reivindicação das reivindicações do Evangelho é a certeza da vida eterna. Há que buscar do Espírito sabedoria e ousadia para não cedermos perante a avalanche consumista que procura a todo o custo estancar no coração do homem o vislumbre da eternidade. Só Deus nos pode ajudar a não claudicarmos perante tão insidiosa conspiração.

            Vivemos na sociedade do ter. A acumulação de bens materiais procura entreter o homem e acaba por roubar-lhe o que é essencial Fomos criados para Deus e para viver com Ele e na Sua presença por toda a eternidade.

            Se é verdade que no tempo presente estamos confrontados com o mistério da injustiça, do sofrimento, da dor, da doença, da violência, da agressão, do ódio, do egoísmo, ao ponto de nos interrogarmos acerca de Deus e da Sua bondade, a Bíblia nos fala e nos chama a atenção para um outro tempo, uma outra era, uma outra dimensão em que tudo isso terá o seu termo e em que viveremos para sempre em absoluta bem-aventurança.

            Agora é o tempo de nos prepararmos para a eternidade!

            Diante de um corpo inerte, de um caixão aberto onde se depositaram os restos mortais de um ente querido ou de um conhecido, o que é que vemos? O quadro da derrota, do fim, do  tombar de toda a esperança ou apenas o pó da morada terrena cujo inquilino está agora na presença do Todo-Poderoso?

            Como cristãos não dizemos “adeus” como um nunca mais, mas um “até logo”.

            Se temos dificuldade em perceber, em aceitar, em compreender a vida eterna então roguemos a Deus que nos ilumine e nos liberte das teias do materialismo cego e vazio de sentido e propósito, de tal modo que vivamos para a vida e não para a morte, para uma eternidade com Deus e não para o nada, o vazio, o pó, o silêncio.

            Por isso celebramos e cantamos quando um de nós morre, porque de facto ele se encontra lá onde o cântico e a celebração é o ambiente permanente e constante, onde a festa não acaba. Sofremos com a partida, mas alegramo-nos na esperança.

 

            Diante da eternidade existem dois destinos que se escolhem e se definem no tempo presente face à pessoa de Jesus Cristo e à Sua obra consumada na cruz. Sem o perdão divino e a consequente restauração estaríamos inevitavelmente condenados. Nada do que fizéssemos nos poderia granjear a salvação. Esta só é possível mediante o sacrifício do Filho de Deus realizado por nós.

            Segundo a Bíblia o problema do homem não é meramente circunstancial, cultural, educacional, mas íntimo, inerente à sua própria natureza, radica no seu coração.

            O que para a pessoa humana natural é de somenos importância, tem à luz da revelação divina uma trágica e dramática proporção, nada mais nada menos do que o que somos.

            As consequências são visíveis diante dos nossos olhos desde a vida privada do indivíduo até ás super-estruturas da sociedade global, dos sistemas políticos e económicos.

            Deus introduziu a morte física como uma linha divisória para podermos ver mudado o nosso destino mediante a morte que Jesus suportou por nós. Nessa morte Jesus triunfou ressuscitando, o que implica que ao aceitarmos o que Ele realizou a nosso favor, tornamo-nos participantes dessa mesma realidade na dimensão espiritual e física. Espiritualmente morremos para a vida anterior e ressuscitamos para uma nova vida (o que se encontra figurado no baptismo por imersão), e fisicamente aguardamos a ressurreição final quando receberemos um corpo glorificado.

 

            Qual a razão ela qual nós devemos crer nisto?

            Certamente que não é porque eu o digo, porque a religião o diz, porque temos esta intuição, porque nos apetece crer, porque nos parece mais lógico, mas principalmente (e eu diria quase que exclusivamente) porque Jesus o disse e o comprovou – morrendo e ressuscitando.

            Eu creio na vida eterna porque Jesus assim falou.

            Eu creio numa vida eterna de bem-aventurança com Ele porque foi esta a Sua promessa.

            Eu creio numa vida eterna de sofrimento e de condenação porque também Jesus a ela se referiu e dela nos alertou.

            Eu creio na ressurreição porque Jesus ressuscitou.

            Em creio que a morte foi vencida porque Jesus venceu.

 

            “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.” (1 Coríntios 2:9).

 

            “E quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória. Onde está ó morte, a tua vitória? onde está, ó morte, o teu aguilhão? O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Graças a Deus que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo.” (1 Coríntios 15:54-57).

 

            “Ora, se é corrente pregar-se que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como, pois, afirmam alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos? E, se não há ressurreição de mortos, então Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação e vã a vossa fé; e somos tidos por falsas testemunhas de Deus, porque temos asseverado contra Deus que ele ressuscitou a Cristo, ao qual ele não ressuscitou, se é certo que os mortos não ressuscitam. Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E ainda mais: os que dormiram em Cristo, pereceram. Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens. Mas de facto Cristo ressuscitou dos mortos, sendo ele as primícias dos que dormem.”(1 Coríntios 15:12-20).

 

            “Sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos da parte de Deus um edifício, casa não feita por mãos, eterna nos céus. E, por isso, neste tabernáculo gememos, aspirando por ser revestidos da nossa habitação celestial; se, todavia, formos encontrados vestidos e não nus. Pois, na verdade, os que estamos neste tabernáculo gememos angustiados, não por querermos ser despidos, mas revestidos, para que o mortal seja absorvido pela vida. Ora, foi o próprio Deus quem nos preparou para isto, outorgando-nos o penhor do Espírito. Temos, portanto, bom ânimo, sabendo que enquanto no corpo, estamos ausentes do Senhor; visto que andamos por fé, e não pelo que vemos. Entretanto estamos em plena confiança, preferindo deixar o corpo e habitar com o Senhor. É por isso que também nos esforçamos, quer presentes, quer ausentes, para lhe ser agradáveis. Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo.” (2 Coríntios 5:1-10).

 

            “Porque estou certo de que isto mesmo, pela vossa súplica e pela provisão do Espírito de Jesus Cristo, me redundará em libertação, segundo a minha ardente expectativa e esperança de que em nada serei envergonhado; antes, com toda a ousadia, como sempre, também agora, será Cristo engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte. Porquanto, para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro. Entretanto, se o viver na carne traz fruto para o meu trabalho, já não sei o que hei de escolher. Ora, de um e outro lado estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor. Mas, por vossa causa, é mais necessário permanecer na carne. E, convencido disto, estou certo de que ficarei, e permanecerei com todos vós, para o vosso progresso e gozo da fé. A fim de que aumente, quanto a  mim, o motivo de vos gloriardes em Cristo Jesus, pela minha presença de novo convosco.” (Filipenses 1:19-26).

 

            “Põe em ordem a tua casa, porque morrerás, e não viverás.” (Isaías 38:1).

 

            “E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu.” (Eclesiastes 12:7).

 

            “Nesse ponto, um homem que estava no meio da multidão lhe falou: Mestre, ordena a meu irmão que reparta comigo a herança. Mas Jesus lhe respondeu: Homem, quem me constituiu juiz ou partidor entre nós? Então lhes recomendou: Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui. E lhes proferiu ainda uma parábola, dizendo: O campo de um homem rico produziu com abundância. E arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei, pois não tenho onde recolher os meus frutos? E disse: Farei Isto: Destruirei os meus celeiros, reconstruí-los-ei maiores e aí recolherei todo o meu produto e todos os meus bens. Então direi à minha alma: Tens em depósito muitos bens para muitos anos: descansa, come e bebe, e regala-te. Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é o que entesoura para si mesmo, e não é rico para com Deus.” (Lucas 12:1-21).

 

            “Então ouvi uma voz do céu, dizendo: Escreve: Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem das suas fadigas, pois as suas obras os acompanham.” (Apocalipse 14:13).

 

            “Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo. Então ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens, Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras cousas passaram. E aquele que está assentado no trono diz: Eis que faço novas todas as cousas. E acrescentou: Escreve, porque estas palavras são fieis e verdadeiras. Disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ómega, o princípio e o fim. Eu, a quem tem sede darei de graça da fonte da água da vida. O vencedor herdará estas cousas, e eu lhe serei Deus e ele me será filho. Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte.” (Apocalipse 21:1-8).

 

            “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora eu vo-lo teria dito. Pois voi preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que onde eu estou estejais vós também.” (João 14:1-3).

 

            “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim, não morrerá, eternamente. Crês isto?” (João 11:25,26).

 

 

Samuel R. Pinheiro