ESSÊNCIA CRISTÃ

Deus é amor. (João 4:16)

 

O ser humano em seu sentido mais completo, não é explicável por meio do pensamento clássico ou por intermédio de qualquer religião; é compreensível apenas pela fé bíblica. Somente quando Deus é reconhecido como uma pessoa, podemos afirmar que a pessoalidade é a base do ser humano. Um Deus impessoal não pode constituir base para uma existência pessoal.

A fé cristã, leva-nos além, até mesmo dessa questão. A singularidade da fé cristã está no facto de que Deus se fez homem na pessoa de Jesus Cristo. Através do seu Espírito podemos desfrutar sua presença em nós e conhecê-lo pessoalmente. Nenhum seguidor de Confúcio pode afirmar conhecer seu mestre pessoalmente; nenhum budista pode dizer que conhece Buda pessoalmente; nenhum muçulmano pode alegar conhecer Alá pessoalmente. Essa crença, que se encontra no âmago da fé, pertence unicamente ao cristianismo.

Este é o segredo da verdadeira felicidade de todo o cristão: desfrutar um relacionamento pessoal com Deus, porque Jesus Cristo vive em nossas vidas pelo poder do seu Espírito. Nenhuma outra fé pode repetir a promessa feita por Jesus a seus discípulos: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará e viremos para ele e faremos nele morada”. Posteriormente, nessa mesma passagem, Jesus pede em oração que seus discípulos, bem como todos os que viessem a crer em Deus pelo seu testemunho, fossem unidos como o Pai e o Filho são na Trindade. Essa incrível união nos relacionamentos leva à felicidade. Segundo a oração de Jesus: “Para que a vossa alegria seja completa”.

(HOUSTON, James; Em Busca da Felicidade; Abba Press, p. 168)

 

            A coisa mais bonita da vida é o relacionamento íntimo, o amor, a sincera e profunda amizade, a confiança inabalável, a harmonia pessoal, estarmos bem com Deus, connosco e uns com os outros. A mais elevada expressão humana está na família, no amor entre os cônjuges e entre pais e filhos.

Cristianismo é relacionamento pessoal com Deus possível, única e exclusivamente, através de Jesus Cristo, numa transformação radical do ser corrompido pela desobediência no Jardim do Éden. Somos chamados em Jesus Cristo a ser filhos de Deus depois de, ao longo de toda a antiga aliança, encontrarmos homens e mulheres que foram companheiros de caminho de Deus, que andaram com Ele e foram Seus amigos.

            A nossa perdição é estarmos separados de Deus e nada podermos fazer para nos chegarmos a Ele. A salvação só Ele nos pode conceder, só Ele podia efectuar. E Ele o fez em Jesus através da Sua morte substitutiva, em nosso lugar e por nós.

            A desgraça do homem é isolar-se de Deus, fechar-se e opor-se à revelação e à presença divina, nas suas múltiplas manifestações, seja ela da natureza, da consciência, da história, da palavra, da profecia, da presença física entre nós.

            A graça é abrir o coração para o dom da presença e da revelação, da qual Deus é autor e consumador.

É só na relação que O conhecemos e encontramos a plenitude da vida.

A revelação acontece na relação e é na relação que acabamos por entendê-la como deve ser entendida, não apenas com a mente (embora também com ela), mas também com o coração e a vontade.

A presença e a revelação que é vertida na palavra, acontece ao longo da história, a caminho, na diversidade de pessoas, de situações, de culturas, de contextos sociais, no auge do sucesso ou no vale escuro da derrota, na saúde e na enfermidade, em sofrimento e em festa, na esperança e no desespero, na obediência e na desobediência, com arrependimento e conversão ou com dureza de coração.

Esta diversidade de situações e de casos (cada biografia é distinta da outra), ressalta a soberania e a providência do Criador que age em conformidade com o Seu plano e propósito, e mostra como Ele actua em conformidade com cada caso sem fazer acepção de pessoas, mas sem fórmulas matemáticas previsíveis. Não podemos resumir a intervenção do Todo-poderoso a esquemas estreitos e limitados. Deus é Senhor e sempre faz bem feito tudo o que faz!

Desde o Deus Criador que passeia no jardim com a criação (Sua imagem e semelhança) até Jesus Cristo – Deus encarnado dentro da história e entre os homens, até ao Espírito Santo fazendo do homem Seu templo, até aos novos céus e nova terra em que habitará com o homem, passando por Enoque e Noé que andaram com Ele, Abraão que considerou amigo, David que tinha um coração segundo o Seu, e muitos outros como Isaque, Jacó, José, Moisés, Josué, Daniel, Pedro, João, Tiago e Paulo. A Bíblia é a narrativa do relacionamento de Deus com o homem de uma plenitude a outra, passando pelo período de afastamento e de restrições.

 

            Toda a Bíblia é um relato acerca de Deus e do homem na História. Pessoas de carne e osso como cada um de nós, em situações concretas da vida com as quais todos nós nos identificamos independentemente das mudanças radicais em termos científicos e tecnológicos. Nos dilemas da vida, em meio a tensões, face a sonhos e a fracassos o agir de Deus é desvendado.

            Não sendo possível ao homem ver Deus, estar na Sua presença face a face, O Senhor vai revelando-se de várias maneiras, comunicando-se através da palavra nos acontecimentos do dia a dia.

E acrescentou: Não me poderás ver a face, porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá.

(Êxodo 33:20)

 

Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigénito, que está no seio do Pai, é quem o revelou.

(João 1:18)

 

 

Existe em Job um grito lancinante em meio ao seu profundo sofrimento que acaba por traduzir o intenso desejo humano de encontrar Deus face a face e de o questionar, de saber mais acerca dos Seus desígnios e propósitos, de conhecer a razão das coisas que acontecem. O livro termina sem nenhuma resposta racional e teórica. A resposta suficiente acaba por ser o próprio Deus e a fé n’Ele, reconhecendo que Ele sabe o que nós não sabemos e isso deve ser suficiente.

Respondeu, porém, Jó:

Ainda hoje a minha queixa é de um revoltado,

apesar de a minha mão reprimir o meu gemido.

Ah! se eu soubesse onde o poderia achar!

Exporia ante ele a minha causa,

encheria a minha boca de argumentos.

Saberia as palavras que ele me respondesse,

e entenderia o que me dissesse.

Acaso segundo a grandeza de seu poder contenderia comigo?

Não; antes me atenderia.

Ali o homem recto pleitearia com ele,

e eu me livraria para sempre do meu juiz.

Eis que se me adianto, ali não está;

se torno para trás, não o percebo.

Se opera à esquerda, não o vejo;

esconde-se à direita, e não o diviso.

Mas ele sabe o meu caminho;

se ele me provasse, sairia como o ouro.

Os meus pés seguiram as suas pisadas;

guardei o seu caminho, e não me desviei dele.

Do mandamento de seus lábios nunca me apartei,

escondi no meu íntimo as palavras da sua boca.

Mas, se ele resolveu alguma coisa, quem o pode dissuadir?

O que ele deseja, isso fará.

Pois ele cumprirá o que está ordenado a meu respeito,

e muitas coisas como estas ainda tem consigo.

Por isso me perturbo perante ele;

e quando o considero, temo-me dele.

Deus é quem me faz desmaiar o coração,

e o Todo-poderoso quem me perturbou,

porque não estou desfalecido por causa das trevas,

nem porque a escuridão cobre meu rosto.

(Jó 23)

 

            Diante do sofrimento, da dor e da injustiça o nosso coração perturba-se e a nossa mente questiona. Quando consideramos o que a Bíblia nos fala sobre a monstruosidade do pecado a nossa estupefacção passa a ser porque ainda assim tantas coisas boas acontecem e a vida ainda é uma aventura onde a esperança, a fé, a paz, a solidariedade brilham. Não fora a graça comum as trevas seriam absolutas! A questão face ao pecado e à justiça humana é como é possível que ainda o bem subsista e diante da cruz é o louvor e a adoração que brotam. No Calvário Deus sofre o nosso sofrimento e carrega as nossas dores.

 

Uma das questões essenciais que atravessa toda a Bíblia é como pode o homem chegar-se a Deus, como pode reconciliar-se com Deus, como pode tornar-se agradável a Deus, como pode achar graça diante d’Ele, como pode ser salvo.

Basicamente a questão que atravessa toda a Bíblia é como pode ser resolvida a questão do pecado que corrompeu a natureza humana e lhe provocou a morte espiritual. Por si próprio o homem nada consegue fazer. A história demonstra-o. O texto bíblico acaba por guiar-nos através de várias etapas em que fica bem visível a incapacidade humana para resolver por si só a situação criada com a sua desobediência. Só Deus pode salvar o homem. Mas essa salvação não pode ser uma mera absolvição ou uma amnistia. A justiça divina não o permitiria nunca. Por outro lado absolvição ou amnistia não resolveria a essência do problema que tem que ver com a condição humana, com a sua própria natureza espiritual. Absolver o homem hoje não evitaria que amanhã se repetisse com a mesma dimensão e gravidade, o homem continuaria prisioneiro da sua condição. A banalização do pecado não é a solução. Encolher os ombros ou vê-lo como fatalidade não altera seja o que for.

Não bastava um paliativo. A cura teria de ser total.

Por esta razão, importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos.

Se, pois, se tornou firme a palavra falada por meio de anjos, e toda transgressão e desobediência recebeu justo castigo,

como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? a qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram;

dando Deus testemunho juntamente com eles, por sinais, prodígios e vários milagres, e por distribuições do Espírito Santo segundo a sua vontade.

(Hebreus 2:1-4)

 

            Não menos verdade é como Deus pode manifestar para com o homem o Seu amor sem pôr em causa a Sua justiça, como pode agir no homem reabilitando-o respeitando a sua liberdade e não o tornando um robô, mas transformá-lo num acto de amor perdoador e justo de modo que não volte à rebelar-se porque já sabe o que custa o pecado e conhece verdadeiramente o coração do Criador como Pai.

 

O pecado (1) é separação, ruptura entre o homem e Deus (rebelião, desobediência). Reflectir sobre a compreensão do pecado como o corte de relações, de intimidade, de imagem e semelhança com Deus da qual deriva essa impossibilidade de contacto como existia no Jardim do Éden é interessante e de alguma forma remete-nos também para uma compreensão sugestiva do que significa a salvação no contexto do novo nascimento, e do futuro para o qual caminhamos nos novos céus e nova terra em que habita a justiça.

As acções erradas, o comportamento desviante é resultado do pecado, ou seja existe uma diferença entre o pecado e os pecados. Pecamos porque somos pecadores. O pecado é o resultado da natureza pecaminosa do homem. Embora inevitável isso não significa que face à graça comum, à consciência, à noção de bem e de mal, à lei divina e às leis humanas, à dimensão ética e moral do homem, este não seja responsável e não possa e deva dizer não ao pecado. Mas a verdade bíblica é que todos pecaram e pecam.

Eu nasci na iniquidade,

e em pecado me concebeu minha mãe.

(Salmo 139:5)

 

Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para não poder ouvir.

Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça.

(Isaías 59:1,2)

 

Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal, e a opressão não podes contemplar; (...)

(Habacuque 1:13)

 

            Só Jesus Cristo podia tirar o pecado do mundo, acabar com este abismo intransponível da parte humana:

No dia seguinte, viu João a Jesus que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!

(João 1:29)

 

            Quem busca a Deus de todo o seu coração O encontra, essa é a garantia que Deus dá ao Seu povo de Israel e que poderemos certamente tomar para nós.

De lá buscarás ao Senhor teu Deus, e o acharás, quando o buscares de todo o teu coração e de toda a tua alma.

(Deuteronómio 4:29)

 

            Esse é o desejo íntimo do coração do Senhor, que o Seu povo Lhe obedeça de forma a que seja bem sucedido.

Quem me dera que eles tivessem tal coração que me temessem, e guardassem em todo o tempo todos os meus mandamentos, para que bem lhes fosse e a seus filhos para sempre!

(Deuteronómio 5:29)

 

            O que Deus pede é que se Lhe entregue o coração:

Dá-me filho meu, o teu coração, e os teus olhos se agradem dos meus caminhos.

(Provérbios 23:26)

 

 

NO PRINCÍPIO

            A convicção de que no princípio de todas as coisas está Deus ou o nada faz uma diferença absoluta na compreensão de nós mesmos, de tudo o que nos rodeia e do sentido e propósito da nossa existência.

            Esta afirmação de Deus como Criador atravessa toda a Bíblia e é sintomático que o século XX tenha sido marcado pela tentativa de substituição desse pressuposto pelo do nada, do acidente e do acaso. O resultado está bem à vista.

            É bem possível que o século XXI acabe marcado pela ideia de um deus energético, impessoal, que “preside” à grande evolução do universo e da humanidade. Mesmo assim será uma divindade vedada ao relacionamento e à intimidade. Não é certamente o Deus de Abraão, Isaque e Jacó, de Jesus Cristo, de Paulo e de toda a Igreja.

“No princípio criou Deus os céus e a terra.”

(Génesis 1:1)

 

            Fomos criados por Deus para nos relacionarmos com Ele e é só nessa relação que nos realizamos plenamente, que o propósito e o sentido da nossa vida se cumprem.

Quando ouviram a voz do Senhor Deus, que andava no jardim pela viração do dia, esconderam-se da presença do Senhor Deus, o homem e sua mulher, por entre as árvores do jardim.

(Génesis 3:8)

 

            É nessa intenção de relacionamento que podemos perceber o facto de termos sido criados, conforme o desígnio bíblico, à imagem e semelhança de Deus. Partilhamos com o Criador dessa identidade que nos permite relacionarmo-nos com Ele, de O conhecermos, e de nos conhecermos n’Ele.

Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.

(Génesis 1:27)

 

            É também à luz desta dimensão relacional que podemos entender a morte anunciada para o acto de comer da árvore da ciência do bem e do mal, que traduziria de forma objectiva por parte do homem de cortar o Seu relacionamento de confiança e dependência de Deus, para fazer o seu próprio caminho.

            Fico a pensar comigo mesmo que quando Deus anuncia a consequência do comer da árvore da ciência do bem e do mal, sabe e já determinou que o Seu filho irá morrer porque o homem desobedecerá e morrerá. Ao determinar as consequências do pecado já decidiu que Ele mesmo sofrerá sobre si próprio essas mesmas consequências que Ele mesmo decidiu. Mesmo assim Ele na Sua omnisciência e soberania criou o homem. Criou dispondo-se na eternidade em tornar-se homem, e como homem sem deixar de ser Deus, morrer às mãos dos homens, porque afinal o pecado é sempre contra Ele. Morrerá por causa do homem mas como satisfação à Sua própria justiça e demonstração do Seu amor incondicional como propiciação pelos pecados de cada e de todo o homem. Na cruz temos o ponto culminante do amor em todo o universo: O Criador feito criatura, Deus e Homem, dá a Sua vida por cada pessoa humana.

E lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.

(Génesis 2:16,17)

 

            Ao decretar que assim fosse Deus sabia que chegaria o momento na história em que Ele mesmo morreria como homem para reconciliar o homem consigo e essa seria a dinâmica de toda a história salvífica, em que como Criador e Sustentador percorreria todo um trajecto histórico para trazer de volta o homem a Si mesmo revelando-se de forma objectiva nesse processo como Deus santo e justo, amoroso e benigno, cheio de misericórdia e longanimidade.

Então o Senhor disse à serpente: Visto que isso fizeste, maldita és entre todos os animais domésticos, e o és entre todos os animais selváticos: rastejarás sobre o teu ventre, e comerás pó todos os dias da tua vida.

Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.

(Génesis 3:14,15)

 

            O relacionamento restaurado passaria necessariamente pelo sacrifício substitutivo que como sinal e tipo percorre toda a revelação bíblica do Antigo Testamento e culmina no sacrifício anunciado que é realizado pelo próprio Deus feito homem, em Jesus Cristo.

Fez o Senhor Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher, e os vestiu.

(Génesis 3:21)

 

            Esta relação harmoniosa com o Senhor do Universo e da Criação, Senhor do Homem e da Mulher, é o fundamento do relacionamento humano que tem a sua expressão máxima no contexto da família.

Deu nome o homem a todos os animais domésticos, às aves dos céus, e a todos os animais selváticos; para o homem, todavia, não se achava uma auxiliadora que lhe fosse idónea.

Então o Senhor Deus fez cair pesado sono sobre o homem, e este adormeceu: tomou uma das suas costelas, e fechou o lugar com carne.

E a costela que o Senhor Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher, e lha trouxe.

E disse o homem: Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada.

Por isso deixa o homem pai e mãe, e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.

Ora, um e outro, o homem e sua mulher, estavam nus, e não se envergonhavam.

(Génesis 2:18-25)

 

            A ruptura no relacionamento do homem com Deus acabou por inquinar e destruir o relacionamento do homem com o seu semelhante, ou seja, logo ali, entre o homem e a mulher.

Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu, e deu também ao marido, e ele comeu.

Abriram-se, então, os olhos de ambos; e, percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueira, e fizeram cintas para si.

Quando ouviram a voz do Senhor, que andava no jardim pela viração do dia, esconderam-se da presença do Senhor Deus, o homem e sua mulher, por entre as árvores do jardim.

E chamou o Senhor Deus ao homem, e lhe perguntou: Onde estás?

Ele respondeu: Ouvi a tua voz no jardim, e, porque estava nu, tive medo e me escondi.

Perguntou-lhe Deus: Quem te fez saber que estavas nu? Comeste da árvore que te ordenei que não comesses?

Então disse o homem: A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi.

Disse o Senhor Deus à mulher: Que é isso que fizeste? Respondeu a mulher: A serpente me enganou, e eu comi.

(Génesis 3:6-13)

 

            Também a relação do homem com a natureza sai profundamente afectada. s consequências da desobediência humana não são um produto aleatório, mas são determinadas e enunciadas pelo Criador, que é o garante da liberdade humana, que é o Juiz e será também o Salvador e Restaurador.

Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra.

Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou.

E Deus os abençoou, e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, e sobre todo animal que rasteja pela terra.

E disse Deus ainda: Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície de toda a terra, e todas as árvores em que há fruto que dê semente; isso vos será para mantimento.

E todos os animais da terra e todas as aves dos céus e a todos os répteis da terra, em que há fôlego de vida, toda erva verde lhes será para mantimento. E assim se fez.

E viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. Houve tarde e manhã, o sexto dia.

(Génesis 1:26-31)

 

Esta é a génese dos céus e da terra quando foram criados, quando o Senhor Deus os criou.

Não havia ainda nenhuma planta do campo na terra, pois ainda nenhuma erva do campo havia brotado; porque o Senhor Deus não fizera chover sobre a terra, e também não havia homem para lavrar o solo.

Mas uma neblina subia da terra e regava toda a superfície do solo.

Então formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra, e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente.

E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, da banda do Oriente, e pôs nele o homem que havia formado.

Do solo fez o Senhor Deus brotar toda sorte de árvores agradável à vista e boa para alimento; e também a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore do conhecimento do bem e do mal.

E saía um rio do Éden para regar o jardim, e dali se dividia, repartindo-se em quatro braços.

O primeiro chama-se Pisom; é o que rodeia a terra de Havilá, onde há ouro.

O ouro dessa terra é bom; também se encontram lá o bdélio e a pedra de ónix.

O segundo rio chama-se Giom; é o que circunda a terra de Cuxe.

O nome do terceiro rio é Tigre; é o que corre pelo oriente da Assíria. E o quarto é o Eufrates.

Tomou, pois, o Senhor Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar.

E lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente,

mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.

Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só: far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idónea.

Havendo, pois, o Senhor Deus, formado da terra todos os animais do campo, e todas as aves dos céus, trouxe-os ao homem, para ver como este lhes chamaria; e o nome que o homem desse a todos os seres viventes, esse seria o nome deles.

Deu nome o homem a todos os animais domésticos, às aves dos céus, e a todos os animais selváticos; para o homem, todavia, não se achava uma auxiliadora que lhe fosse idónea.

(Génesis 1:26-31; 2:1-20)

 

E à mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio de dores darás à luz filhos; o teu desejo será para o teu marido, e ele te governará.

E a Adão disse: Visto que atendes a voz de tua mulher, e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses: maldita é a terra por tua causa: em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida.

Ela produzirá também cardos e abrolhos, e tu comerás a erva do campo.

No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado: porque tu és pó e ao pó tornarás.

(Génesis 2:16-19)

 

            Fica claro no texto introdutório da Bíblia que a relação com Deus não acontece aleatoriamente. Ela faz parte e acontece numa sintonia entre a natureza de Deus e do homem. A natureza humana foi pervertida, corrompida, degradada, adulterada, afectada, arruinada. Qualquer que seja o termo usado fica claro que a ruptura foi uma ruptura profunda a que o termo queda (3) não pode ser desassociado.

            Embora o termo pecado não seja usado ainda neste conjunto de relatos fica evidente que aqui está a sua génese e que ele tem muito que ver com o corte de relações, de proximidade, de intimidade. O homem morreu espiritualmente, ou seja, deixa de ter vida espiritual – encontra-se afastado de Deus na sua própria essência e natureza, no que é (mesmo que em determinadas ocasiões o Criador dele se aproxime – a proximidade do ser só será possível quando Jesus Cristo operar a salvação do homem mediante a Sua própria morte substitutiva).

            As consequências que advieram da atitude do homem e da mulher foram ditadas por Deus e não aconteceram casuisticamente ou como decreto da serpente. Também ela afinal fica abrangida pelas consequências.

            A soberania de Deus e a sua omnisciência dão-nos a garantia de que tudo o que foi feito terá um resultado de acordo com a natureza divina e portanto a esperança mantém-se. Tudo acabará de acordo com o que está predeterminado por Deus. O homem será salvo em Cristo, desde que aquele O aceite, receba, creia.

 

 

FORA DO JARDIM

            As consequências na relação com Deus fazem sentir-se logo depois à expulsão do homem e da mulher do Jardim, entre os que reconhecem uma aproximação segundo o que o Criador determina e os que teimam nos seus próprios méritos, virtudes, planos, capacidade, realizações, desempenho, etc.

Aconteceu que no fim de uns tempos trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao Senhor.

Abel por sua vez, trouxe das primícias do seu rebanho, e da gordura deste. Agradou-se o Senhor de Abel e de sua oferta;

ao passo que de Caim e de sua oferta não se agradou. Irou-se, pois, sobremaneira Caim, e descaiu-lhe o semblante.

Então lhe disse o Senhor: Por que andas irado? e por que descaiu o teu semblante?

Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta: o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo.

(Génesis 4:3-7)

 

            Este diferendo acaba por eclodir no primeiro fratricídio:

Disse Caim a Abel, seu irmão: Vamos ao campo. Estando eles no campo, sucedeu que se levantou Caim contra Abel, seu irmão, e o matou.

Disse o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão? Ele respondeu: Não sei: acaso sou eu tutor de meu irmão?

E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão clama da terra a mim.

És agora, pois, maldito por sobre a terra cuja boca se abriu para receber de tuas mãos o sangue de teu irmão.

Quando lavrares o solo não te dará ele a sua força; serás fugitivo e errante pela terra.

Então disse Caim ao Senhor: É tamanho o meu castigo, que já não posso suportá-lo.

Eis que hoje me lanças da face da terra, e da tua presença hei-de esconder-me; serei fugitivo e errante pela terra: quem comigo se encontrar me matará.

O Senhor, porém, lhe disse: Assim qualquer que matar a Caim será vingado sete vezes. E pôs o Senhor um sinal em Caim para que o não ferisse de morte quem quer que o encontrasse.

Retirou-se Caim da presença do Senhor, e habitou na terra de Node, ao oriente do Éden.

(Génesis 4:8-16)

 

            Esta violência há-de crescer de tal forma que atinge proporções absurdas:

E disse Lameque às suas esposas:

Ada e Zilá, ouvi-me:

vós, mulheres de Lameque, escutai o que passo a dizer-vos:

Matei um homem porque ele me feriu;

e um rapaz porque me pisou.

Sete vezes se tomará vingança de Caim,

de Lameque, porém, setenta vezes sete.

(Génesis 4:23,24)

 

            Esta violência em espiral terminará na hecatombe do Dilúvio no qual Deus extermina da face da terra os seus moradores, à excepção de Noé e sua família:

Como se foram multiplicando os homens na terra, e lhes nasceram filhas,

vendo os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas, tomaram para si mulheres, as que, entre todas, mais lhes agradaram.

Então disse o Senhor: O meu Espírito não agirá para sempre no homem, pois este é carnal; e os seus dias serão cento e vinte anos.

Ora naquele tempo havia gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos; estes foram valentes, varões de renome, na antiguidade.

Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra, e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração;

então se arrependeu o Senhor de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração.

Disse o Senhor: Farei desaparecer da face da terra o homem que criei, o homem e o animal, os répteis, e as aves dos céus; porque me arrependo de os haver feito.

Porém Noé achou graça diante do Senhor.

Eis a história de Noé: Noé era homem justo e íntegro entre os seus contemporâneos; Noé andava com Deus.

Gerou três filhos: Sem, Cão e Jafé.

A terra estava corrompida à vista de Deus, e cheia de violência.

Viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque todo ser vivente havia corrompido o seu caminho na terra.

Então disse Deus a Noé: Resolvi dar cabo de toda carne, porque a terra está cheia da violência dos homens; eis que os farei perecer juntamente com a terra.

Faz uma arca de tábuas de cipreste; nela farás compartimentos, e calafetarás com betume por dentro e por fora.

Deste modo a farás: de trezentos côvados será o comprimento, de cinquenta a largura, e a altura de trinta.

Farás ao seu redor uma abertura de um côvado de alto; a porta da arca colocarás lateralmente; farás pavimentos na arca: um em baixo, um segundo e um terceiro.

Porque estou para derramar águas em dilúvio sobre a terra para consumir toda carne em que há fôlego de vida debaixo dos céus: tudo o que há na terra perecerá.

Contigo, porém, estabelecerei a minha aliança; entrarás na arca, tu e teus filhos, e tua mulher, e as mulheres de teus filhos.

De tudo o que vive, de toda carne, dois de cada espécie, macho e fêmea, farás entrar na arca, para os conservares vivos contigo.

Das aves segundo as suas espécies, do gado segundo as suas espécies, de todo réptil da terra segundo as suas espécies, dois de cada espécie virão a ti, para os conservares em vida.

Leva contigo de tudo o que se come, ajunta-o contigo; ser-te-á para alimento, a ti e a eles.

Assim fez Noé, consoante a tudo o que Deus lhe ordenara.

(Génesis 6)

 

            Até este ponto o livro dos começos regista o início da invocação de Deus e de Enoque que andou como Deus à semelhança de Noé, como lemos neste capítulo:

A Sete nasceu-lhe também um filho, ao qual pôs o nome de Enos: daí se começou a invocar o nome do Senhor.

(Génesis 4:26)

 

Andou Enoque com Deus; e, depois que gerou a Metusalém, viveu trezentos anos; e teve filhos e filhas.

Todos os dias de Enoque foram trezentos e sessenta e cinco anos.

Andou Enoque com Deus, e já não era, porque Deus o tomou para si.

(Génesis 5:22-24)

 

Eis a história de Noé: Noé era homem justo e íntegro entre os seus  contemporâneos; Noé andava com Deus.

(Génesis 6:9)

 

 

INSTALADA A CONFUSÃO

            Em contraste com a atitude de humildade e de dependência de Deus que estes homens registam e assinalam, outros seguem a via da sua própria capacidade e esforço para O tentarem alcançar.

Ora em toda a terra havia apenas uma linguagem e uma só maneira de falar.

Sucedeu que, partindo eles do oriente, deram com uma planície na terra de Sinear; e habitaram ali.

E disseram uns aos outros: Vinde, façamos tijolos, e queimemo-los bem. Os tijolos serviram-lhes de pedra, e o betume, de argamassa.

Disseram: Vinde, edifiquemos para nós uma cidade, e uma torre cujo topo chegue aos céus, e tornemos célebre o nosso nome, para que não sejamos espalhados por toda a terra.

Então desceu o Senhor para ver a cidade e a torre, que os filhos dos homens edificavam;

e disse: Eis que o povo é um, e todos têm a mesma linguagem. Isto é apenas o começo: agora não haverá restrição para tudo que intentam fazer.

Vinde, desçamos, e confundamos ali a sua linguagem, para que um não entenda a linguagem de outro.

Destarte o Senhor os dispersou dali pela superfície da terra; e cessaram de edificar a cidade.

Chamou-se-lhe, por isso, o nome de Babel, porque ali confundiu o Senhor a linguagem de toda a terra, e dali os dispersou por toda a superfície dela.

(Génesis 11:1-9)

 

 

O AMIGO DE DEUS NA ORIGEM DE UM POVO ESCOLHIDO

            Daqui por diante a iniciativa de Deus passa pela constituição de um povo a partir do qual haveria de nascer o Seu próprio Filho, o Messias, e através d’Ele todos poderiam ser salvos.

            O tema da salvação que percorre toda a história bíblica e que culmina com a encarnação, morte e ressurreição de Jesus Cristo, toca no âmago do ser humano, de forma a reabilitá-lo à comunhão com o Criador, mediante uma transformação na sua natureza e essência, que mudará em absoluto e por toda a eternidade a sua existência.

            O que começa com Abraão na formação de um povo não tem um carácter sectário porque visa todas as nações da terra, conforme o texto assinala peremptoriamente.

Ora disse o Senhor a Abraão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, e vai para a terra que te mostrarei;

de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção;

abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra.

Partiu, pois, Abraão, como lho ordenara o Senhor, e Ló foi com ele. Tinha Abrão setenta e cinco anos quando saiu de Harã.

(Génesis 12:1-4)

 

            Ao longo da biografia de Abraão encontramos a história de alguém que conhece a Deus e assim confia decididamente n’Ele, ao ponto de estar disposto a lhe sacrificar o seu próprio e único filho, numa clara associação ao que o Criador alguns milhares de anos mais tarde faria com o Seu filho unigénito. Abraão não precisou de consumar a sua disposição porque houve um substituto para o seu filho, que seria igualmente o próprio Filho de Deus.

Depois destas coisas pôs Deus Abraão à prova e lhe disse: Abraão. Este lhe respondeu: Eis-me aqui.

Acrescentou Deus: Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá: oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei.

Levantou-se, pois, Abraão de madrugada e, tendo preparado o seu jumento, tomou consigo dois dos seus servos, e a Isaque, seu filho; rachou lenha para o holocausto, e foi para o lugar que Deus lhe havia indicado.

Ao terceiro dia, erguendo Abraão os olhos, viu o lugar de longe.

Então disse a seus servos: Esperai aqui, com o jumento; eu e o rapaz iremos até lá e, havendo adorado, voltaremos para junto de vós.

Tomou Abraão a lenha do holocausto e a colocou sobre Isaque, seu filho; ele, porém, levava nas mãos o fogo e o cutelo. Assim caminhavam ambos juntos.

Quando Isaque disse a Abraão, seu pai: Meu pai. Respondeu Abraão: Eis-me aqui meu filho. Perguntou-lhe Isaque: Eis o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto?

Respondeu Abraão: Deus proverá para si, meu filho, o cordeiro para o holocausto; e seguiam ambos juntos.

Chegaram ao lugar que Deus lhe havia designado; ali edificou Abraão um altar, sobre ele dispôs a lenha, amarrou Isaque seu filho, e o deitou no altar, em cima da lenha;

e, estendendo a mão, tomou o cutelo para imolar o filho.

Mas do céu lhe bradou o Anjo do Senhor: Abraão! Abraão! Ele respondeu: Eis-me aqui.

Então lhe disse: Não estendas a mão sobre o rapaz, e nada lhe faças; pois agora sei que temes a Deus, porquanto não me negaste o filho, o teu único filho.

Tendo Abraão erguido os olhos, viu atrás de si um carneiro preso pelos chifres entre os arbustos; tomou Abraão o carneiro e o ofereceu em holocausto, em lugar de seu filho.

E pôs Abraão por nome àquele lugar – O Senhor proverá. Daí dizer-se até ao dia de hoje: No monte do Senhor se proverá.

Então do céu bradou pela segunda vez o Anjo do Senhor a Abraão,

e disse: Jurei, por mim mesmo, diz o Senhor, porquanto fizeste isso, e não me negaste o teu único filho,

que deveras te abençoarei e certamente multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus e como a areia na praia do mar; a tua descendência possuirá a cidade dos seus inimigos,

nela serão benditas todas as nações da terra: porquanto obedecestes à minha voz.

Então voltou Abraão aos seus servos e, juntos, foram para Berseba, onde fixou residência.

(Génesis 22:1-19)

 

            Ao longo da carreira de Abraão temos registos significativos do modo como a sua relação pessoal com Deus, feita de amizade, de dependência e de obediência, se repercute nos seus relacionamentos pessoais, familiares e sociais.

Saiu, pois, Abraão do Egipto para o Neguebe, ele e sua mulher, e tudo o que tinha, e Ló com ele.

Era Abraão muito rico; possuía gado, prata e ouro.

Fez as suas jornadas do Neguebe até Betel, até ao lugar onde primeiro estivera a sua tenda, entre Betel e Ai;

até ao lugar do altar, que outrora tinha feito; e aí Abrão invocou o nome do Senhor.

Ló, que ia com Abrão, também tinha rebanhos, gado e tendas.

E a terra não podia sustentá-los, para que habitassem juntos, porque eram muitos os seus bens; de sorte que não podiam habitar um na companhia do outro.

Houve contenda entre os pastores do gado de Abraão e os pastores do gado de Ló. Nesse tempo os cananeus e os ferezeus habitavam essa terra.

Disse Abrão a Ló: Não haja contenda entre mim e ti, e entre os meus pastores e os teus pastores, porque somos parentes chegados.

Acaso não está diante de ti toda a terra? Peço-te que te apartes de mim; se fores para a esquerda, irei para a direita; se fores para a direita irei para a esquerda.

Levantou Ló os olhos, e viu toda a campina do Jordão, e que era toda bem regada (antes de haver o Senhor destruído Sodoma e Gomorra), como o jardim do Senhor, como a terra do Egipto, como quem vai para Zoar.

Então Ló escolheu para si toda a campina do Jordão, e partiu para o Oriente; separaram-se um do outro.

Habitou Abraão na terra de Canaã; e Ló nas cidades da campina, e ia armando as suas tendas até Sodoma.

Ora os homens de Sodoma eram maus e grandes pecadores contra o Senhor.

(Génesis 13:1-13)

 

Tendo-se levantado dali aqueles homens, olharam para Sodoma; e Abraão ia com eles, para os encaminhar.

Disse o Senhor: Ocultarei a Abraão o que estou para fazer?

visto que Abraão certamente virá a ser uma grande e poderosa nação, e nele serão benditas todas as nações da terra?

Porque eu o escolhi para que ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, a fim de que guardem o caminho do Senhor, e pratiquem a justiça e o juízo; para que o Senhor faça vir sobre Abraão o que tem falado a seu respeito.

Disse mais o Senhor: Com efeito o clamor de Sodoma e Gomorra tem-se multiplicado e o seu pecado se tem agravado muito.

Descerei e verei se de facto o que têm praticado corresponde a esse clamor que é vindo até mim; e, se assim não é, sabê-lo-ei.

Então partiram dali aqueles homens, e foram para Sodoma; porém Abraão permaneceu ainda na presença do Senhor.

E, aproximando-se a ele, disse: Destruirás o justo com o ímpio?

Se houver, porventura, cinquenta justos na cidade, destruirás ainda assim, e não pouparás o lugar por amor dos cinquenta justos que nela se encontram?

Longe de ti o fazeres tal coisa, matares o justo com o ímpio, como se o justo fosse igual ao ímpio; longe de ti. Não fará justiça o Juiz de toda a terra?

Então disse o Senhor: Se eu achar em Sodoma cinquenta justos dentro da cidade, pouparei a cidade toda por amor deles.

Disse mais Abraão: Eis que me atrevo a falar ao Senhor, eu que sou pó e cinza.

Na hipótese de faltarem cinco para cinquenta justos, destruirás por isso toda a cidade? Ele respondeu: Não a destruirei se achar ali quarenta e cinco.

Disse-lhe ainda mais Abraão: E se, porventura, houver ali quarenta? Respondeu: Não o farei por amor dos quarenta.

Insistiu: Não se ire o Senhor, falarei ainda: Se houver, porventura, ali trinta? Respondeu o Senhor: Não o farei se eu encontrar ali trinta.

Continuou Abraão: Eis que me atrevi a falar ao Senhor: Se, porventura, houver ali vinte? Respondeu o Senhor: Não a destruirei por amor dos vinte.

Disse ainda Abraão: Não se ire o Senhor, se lhe falo somente mais esta vez: Se, porventura, houver ali dez? Respondeu o Senhor: Não a destruirei por amor dos dez.

Tendo cessado de falar Abraão, retirou-se o Senhor; e Abraão voltou para o seu lugar.

(Génesis 18:16-33)

 

            Neste processo de caminhada com Deus Abraão vem a ser conhecido como amigo de Deus, sem dúvida, o reconhecimento mais extraordinário que alguém pode almejar.

e se cumpriu a Escritura, a qual diz:

Ora, Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça;

e:

Foi chamado amigo de Deus.

(Tiago 2:23)

 

Porventura, ó nosso Deus, não lançaste fora os moradores desta terra de diante do teu povo Israel, e não a deste para sempre à posteridade de Abraão, teu amigo?

(2 Crónicas 20:7)

 

 

JACÓ COM DEUS SEM O SABER

Partiu Jacó de Berseba e seguiu para Harã.

Tendo chegado a certo lugar, ali passou a noite, pois já era sol-posto; tomou uma das pedras do lugar, fê-la seu travesseiro, e se deitou ali mesmo para dormir.

E sonhou: Eis posta na terra uma escada, cujo topo atingia o céu; e os anjos de Deus subiam e desciam por ela.

Perto dele estava o Senhor, e lhe disse: Eu sou o Senhor, Deus de Abraão, teu pai, e Deus de Isaque. A terra em que agora estás deitado, eu ta darei, a ti, e à tua descendência.

A tua descendência será como o pó da terra; estender-te-ás para o Ocidente e para o Oriente, para o Norte, e para o Sul. Em ti e na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra.

Eis que eu estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei voltar a esta terra, porque te não desampararei, até cumprir eu aquilo que te hei referido.

Despertado Jacó do seu sono, disse: Na verdade o Senhor está neste lugar; e eu não o sabia.

E, temendo, disse: Quão temível é este lugar! É a casa de Deus, a porta dos céus.

(Génesis 28:10-17)

 

 

JOSÉ – O DEUS QUE MUDA O MAL EM BEM

            O conhecimento que Josué tem de Deus no seu íntimo levam-no a fugir do pecado, do que sabe Lhe desagrada e portanto lhe será ruinoso por um lado e, por outro, leva-o a ser excelente em todas as coisas e em todas as circunstâncias, confiando na soberania amorosa e justa do Criador.

Aconteceu, depois destas coisas, que a mulher de seu senhor, pôs os olhos em José e lhe disse: Deita-te comigo.

Ele, porém, recusou, e disse à mulher do seu senhor: Tem-me por mordomo o meu senhor, e não sabe do que há em casa, pois tudo o que tem me passou ele às minhas mãos.

Ele não é maior do que eu nesta casa, e nenhuma coisa me vedou, senão a ti, porque és sua mulher: como, pois, cometeria eu tamanha maldade e pecaria contra Deus?

(Génesis 39:7-9)

 

Vendo os irmãos de José que seu pai já era morto, disseram: é o caso de José nos perseguir, e nos retribuir certamente o mal que lhe fizemos.

Portanto mandaram dizer a José: Teu pai ordenou, antes da sua morte, dizendo:

Assim direis a José: Perdoa, pois, a transgressão de teus irmãos, e o seu pecado, porque te fizeram mal; agora, pois, te rogamos que perdoes a transgressão dos servos do Deus de teu pai. José chorou enquanto lhe falavam.

Depois vieram também seus irmãos, prostraram-se diante dele, e disseram: Eis-nos aqui por teus servos.

Respondeu-lhes José: Não temais; acaso estou eu em lugar de Deus?

Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida.

Não temais, pois; eu vos sustentarei a vós outros e a vossos filhos. Assim os consolou, e lhes falou ao coração.

(Génesis 50:15-21)

 

 

MOISÉS – UMA TAREFA QUE SÓ COM DEUS PODE SER REALIZADA E O DESEJO DE VER A SUA GLÓRIA

            Moisés insiste com Deus que apenas seguirá caminho se o Senhor for com ele e com o povo.

Disse Moisés ao Senhor: Tu me dizes: Faze subir este povo, porém, não me deste saber a quem hás de enviar comigo; contudo disseste: Conheço-te pelo teu nome, também achaste graça aos meus olhos.

Agora, pois, se achei graça aos teus olhos, rogo-te que me faças saber neste momento o teu caminho, para que eu te conheça, e ache graça aos teus olhos; e considera que esta nação é teu povo.

Respondeu-lhe: A minha presença irá contigo, e eu te darei descanso.

Então lhe disse Moisés: Se a tua presença não vai comigo, não nos faças subir deste lugar.

Pois como se há de saber que achamos graça aos teus olhos, eu e o teu povo? não é porventura, em andares connosco, de maneira que somos separados eu e o teu povo, de todos os povos da terra?

(Êxodo 33:12-16)

 

            Se algum homem viu o poder de Deus manifestado em inúmeros prodígios, esse homem foi Moisés. O interessante e significativo é que Moisés não se satisfazia em ver o que Deus é capaz de fazer, mas a cada manifestação da Sua grandeza crescia nele o desejo intenso de ver e conhecer Deus como Ele é.

Disse Moisés ao Senhor: Tu me dizes: Faze subir este povo, porém, não me deste saber a quem hás de enviar comigo; contudo disseste: Conheço-te pelo teu nome, também achaste graça aos meus olhos.

Agora, pois, se achei graça aos teus olhos, rogo-te que me faças saber neste momento o teu caminho, para que eu te conheça, e ache graça aos teus olhos; e considera que esta nação é o teu povo.

Respondeu-lhe: A minha presença irá contigo, e eu te darei descanso.

Então lhe disse Moisés: Se a tua presença não vai comigo, não nos faças subir deste lugar.

Pois como se há de saber que achamos graça aos teus olhos, eu e o teu povo? não é porventura, em andares connosco, de maneira que somos separados, eu e o teu povo, de todos os povos da terra?

Disse o Senhor a Moisés: Farei também isto que disseste; porque achaste graça aos meus olhos, e eu te conheço pelo teu nome.

Então ele disse: Rogo-te que me mostres a tua glória.

Respondeu-lhe: Farei passar toda a minha bondade diante de ti, e te proclamarei o nome do Senhor; terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e me compadecerei de quem eu me compadecer.

E acrescentou: Não me poderás ver a face, porquanto homem nenhum verá a minha face, e viverá.

Disse mais o Senhor: Eis aqui um lugar junto a mim; e tu estarás sobre a penha.

Quando passar a minha glória, eu te porei numa fenda da penha, e com a mão te cobrirei, até que eu tenha passado.

Depois, em tirando eu a mão, tu me verás pelas costas; mas a minha face não se verá.

(Êxodo 33:12-23)

 

            O rosto de Moisés brilha ao estar na presença de Deus.

Quando desceu Moisés do monte Sinai, tendo nas mãos as duas tábuas do testemunho, sim, quando desceu do monte, não sabia Moisés que a pele do seu rosto resplandecia, depois de haver Deus falado com ele.

(Êxodo 34:29)

 

 

O POVO IMPEDIDO DE SE CHEGAR AO MONTE SINAI

No terceiro mês da saída dos filhos de Israel da terra do Egipto, no primeiro dia desse mês, vieram ao deserto de Sinai.

Tendo partido de Refidim, vieram ao deserto de Sinai, no qual se acamparam; ali, pois, se acampou Israel em frente do monte.

Subiu Moisés a Deus, e do monte o Senhor o chamou e lhe disse: Assim falarás à casa de Jacó, e anunciarás aos filhos de Israel:

Tendes visto o que fiz aos egípcios, como vos levei sobre asas de águias, e vos cheguei a mim.

Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz, e guardardes a minha aliança, então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos: porque toda a terra é minha;

vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel.

Veio Moisés, chamou os anciãos do povo, e expôs diante deles todas estas palavras, que o Senhor lhe havia ordenado.

Então o povo respondeu à uma: Tudo o que o Senhor falou, faremos. E Moisés relatou ao Senhor as palavras do povo.

Disse o Senhor a Moisés: Eis que virei a ti numa nuvem escura, para que o povo ouça quando eu falar contigo, e para que também creiam sempre em ti. porque Moisés tinha anunciado as palavras do seu povo ao Senhor.

Disse também o Senhor a Moisés: vai ao povo, e purifica-os hoje a manhã. Lavem eles as suas vestes,

e estejam prontos para o terceiro dia: porque no terceiro dia o Senhor à vista de todo o povo descerá sobre o monte Sinai.

Marcarás em redor limites ao povo, dizendo: Guardai-vos de subir ao monte, nem toqueis o seu termo; todo aquele que tocar o monte, será morto.

Mão nenhuma tocará neste, mas será apedrejado ou frechado; quer seja animal, quer seja homem, não viverá. Quando soar longamente a buzina, então subirão ao monte.

Moisés, tendo descido do monte ao povo, consagrou o povo; e lavaram as suas vestes.

E disse ao povo: Estai prontos ao terceiro dia; e não vos chegueis  a mulher.

Ao amanhecer do terceiro dia houve trovões e relâmpagos e uma espessa nuvem sobre o monte, e mui forte clangor de trombeta, de maneira que todo o povo que estava no arraial se estremeceu.

E Moisés levou o povo fora do arraial ao encontro de Deus; e puseram-se ao pé do monte.

Todo o monte Sinai fumegava, porque o Senhor descera sobre ele em fogo; a sua fumaça subiu como fumaça de uma fornalha, e todo o monte tremia grandemente.

E o clangor da trombeta ia aumentando cada vez mais: Moisés falava, e Deus lhe respondia no trovão.

Descendo o Senhor para o cume do monte Sinai, chamou a Moisés para o cimo do monte. Moisés subiu,

e o Senhor disse a Moisés: Desce, adverte ao povo que não traspasse o termo até ao Senhor para vê-lo, a fim de muitos deles não perecerem.

Também os sacerdotes, que se chegam ao Senhor, se hão de consagrar, para que o Senhor não os fira.

Então disse Moisés ao Senhor: O povo não poderá subir ao monte Sinai, porque tu nos advertistes, dizendo: Marca limites ao redor do monte e consagra-o.

Replicou-lhe o Senhor: Vai, desce; depois subirás tu, e Arão contigo; os sacerdotes, porém, e o povo não traspassem o termo para subirem ao Senhor, para que não os fira.

Desceu, pois, Moisés ao povo, e lhe disse tudo isso.

(Êxodo 19)

 

 

DO EGIPTO À TERRA PROMETIDA A ODISSEIA DE SABER QUE DEUS É DEUS, QUE É FIEL E NUNCA FALHA

            Todo o êxodo do povo de Israel é uma aventura para saberem que na verdade Deus é Deus. As lições da fé são aprendidas nas dificuldades do quotidiano. Apesar de Jeová se mostrar fiel em cada uma das suas promessas e em cada uma das situações dramáticas pelas quais o povo passa, ainda assim ele não consegue vencer a sua propensão para a incredulidade, para a lamentação e o desânimo. Toda a geração que saiu do Egipto, à excepção de Josué e Calebe, morreram no deserto.

Disseram a Moisés: Será por não haver sepulcros no Egipto, que nos tiraste de lá, para que morramos neste deserto? Por que nos trataste assim, fazendo-nos sair do Egipto?

Não é isto o que te dissemos no Egipto: Deixa-nos, para que sirvamos os egípcios? pois melhor nos fora servir aos egípcios, do que morrermos no deserto.

Moisés, porém, respondeu ao povo: Não temais: aquietai-vos e vede o livramento do Senhor que hoje vos fará; porque os egípcios, que hoje vedes, nunca mais os tornareis a ver.

O Senhor pelejará por vós, e vós vos calareis.

(Êxodo 14:11-14)

 

E o povo murmurou contra Moisés, dizendo: Que havemos de beber?

(Êxodo 15:24)

 

Toda a congregação dos filhos de Israel murmurou contra Moisés e Arão no deserto;

disseram-lhes os filhos de Israel: Quem nos dera tivéssemos morrido pela mão do Senhor na terra do Egipto, quando estávamos sentados junto às panelas de carne, e comíamos pão a fartar! pois nos trouxestes a este deserto, para matardes de fome a toda esta multidão.

(Êxodo 16:2,3)

 

Contendeu, pois, o povo com Moisés, e disse: Dá-nos água para beber. Respondeu-lhes Moisés: Por que contendeis comigo? Por que tentais ao Senhor?

Tendo aí o povo sede de água, murmurou contra Moisés, e disse: Por que nos fizeste subir do Egipto, para nos matares de sede, a nós, a nossos filhos, e aos nossos rebanhos?

Então clamou Moisés ao Senhor: Que farei a este povo? Só lhe resta apedrejar-me.

(Êxodo 17:2-4)

 

Mas vendo o povo que Moisés tardava em descer do monte, acercou-se de Arão, e lhe disse: Levanta-te, faze-nos deuses que vão adiante de nós; pois quanto a este Moisés, o homem que nos tirou do Egipto, não sabemos o que lhe terá sucedido.

Disse-lhes Arão: Tirai as argolas de ouro das orelhas de vossas mulheres, vossos filhos e vossas filhas, e trazei-mas.

Então todo o povo tirou das orelhas as argolas e as trouxeram a Arão.

Este, recebendo-as das suas mãos, trabalhou o ouro com buril, e fez dele um bezerro fundido. Então disseram: São estes, ó Israel, os teus deuses, que te tiraram da terra do Egipto.

Arão, vendo isso, edificou um altar diante dele, e, apregoando, disse: Amanhã será festa ao Senhor.

No dia seguinte madrugaram, e ofereceram holocaustos, e trouxeram ofertas pacíficas; e o povo assentou-se para comer e beber, e levantou-se para divertir-se.

Então disse o Senhor a Moisés: Vai, desce; porque o teu povo, que fizeste sair do Egipto, se corrompeu,

e depressa se desviou do caminho que lhes havia eu ordenado; fizeram para si um bezerro fundido, e o adoraram, e lhe sacrificam, e dizem: São estes, ó Israel, os teus deuses, que te tiraram da terra do Egipto.

Disse mais o Senhor a Moisés: Tenho visto a este povo, e eis que é povo de dura serviz.

Agora, pois, deixa-me; para que se acenda contra eles o meu furor, e eu os consuma; e de ti farei uma grande nação.

(Êxodo 32:1-10)

 

Levantou-se, pois, toda a congregação, e gritou em voz alta; e o povo chorou aquela noite.

Todos os filhos de Israel murmuraram contra Moisés e contra Arão; e toda a congregação lhes disse: Oxalá tivéssemos morrido na terra do Egipto! ou mesmo neste deserto!

E por que nos traz o Senhor a esta terra, para cairmos à espada, e para que nossas mulheres e nossas crianças sejam por presa? Não nos seria melhor voltarmos para o Egipto?

E diziam uns aos outros: Levantemos a um para nosso capitão, e voltemos para o Egipto.

Então Moisés e Arão caíram sobre os seus rostos perante a congregação dos filhos de Israel.

E Josué, filho de Num, e Calebe, filho de Jefoné, dentre os que espiaram a terra, rasgaram as suas vestes,

e falaram a toda a congregação dos filhos de Israel, dizendo: A terra pelo meio da qual passamos a espiar é terra muitíssimo boa.

Se o Senhor se agradar de nós, então nos fará entrar nessa terra, e no-la dará: terra que mana leite e mel.

Tão somente não sejais rebeldes contra o Senhor, e não temais o povo dessa terra, porquanto como pão os podemos devorar; retirou-se deles o seu amparo; o Senhor é connosco; não os temais.

Apesar disso toda a congregação disse que os apedrejassem; porém a Glória do Senhor apareceu na tenda da congregação a todos os filhos de Israel.

Disse o Senhor a Moisés: Até quando me provocará este povo, e até quando não crerão em mim, a despeito de todos os sinais que fiz no meio deles?

Com pestilência o ferirei, e o deserdarei; e farei de ti povo maior e mais forte do que este.

(Números 14:1-12)

 

Tornou-se-lhe o Senhor: Segundo a tua palavra eu lhe perdoei.

Porém tão certo como eu vivo, e como toda a terra se encherá da glória do Senhor,

nenhum dos homens que, tendo visto a minha glória e os prodígios que fiz no Egipto e no deserto, e todavia me puseram à prova já dez vezes e não obedeceram à minha voz,

nenhum deles verá a terra que com juramento prometi a seus pais, sim, nenhum daqueles que me desprezaram, a verá.

Porém o meu servo Calebe, visto que nele houve outro espírito, e perseverou em seguir-me, eu o farei entrar a terra que espiou, e a sua descendência a possuirá.

(Êxodo 14:20-24)

 

 

JÓ – UM EXEMPLO DE CONFIANÇA INABALÁVEL EM DEUS

            A principal questão que atravessa o livro de Jó e que articula o diálogo entre Deus e o Diabo é em que medida os homens amam e servem a Deus pelo que Ele dá ou por quem Ele é.

Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles.

Então perguntou o Senhor a Satanás: Donde vens? Satanás respondeu ao Senhor, e disse: De rodear a terra, e passear por ela.

Perguntou ainda o Senhor a Satanás: Observaste a meu servo Jó? porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e recto, temente a Deus, e que se desvia do mal.

Então respondeu Satanás ao Senhor: Porventura Jó debalde teme a Deus?

Acaso não o cercaste com sebe, a ele, a sua casa e a tudo quanto tem? a obra de suas mãos abençoaste, e os seus bens se multiplicaram na terra.

Estende, porém, a tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema contra ti na tua face!

Disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está em teu poder; somente contra ele não estendas a tua mão. E Satanás saiu da presença do Senhor.

(Jó 1:6-12)

 

Num dia, em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles apresentar-se perante ele.

Então o Senhor disse a Satanás: Donde vens? Respondeu Satanás ao Senhor, e disse: De rodear a terra, e passear por ela.

Perguntou o Senhor a Satanás: Observaste o meu servo Jó? porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e recto, temente a Deus, e que se desvia do mal. Ele conserva a sua integridade embora me incitasses contra ele, para o consumir sem causa.

Então Satanás respondeu ao Senhor: Pele por pele, e tudo quanto o homem tem dará pela sua vida.

Estende, porém, a tua mão, toca-lhe nos ossos e na carne, e verás se não blasfema contra ti na tua face!

Disse o Senhor a Satanás: Eis que ele está em teu poder; mas poupa-lhe a vida.

Então saiu Satanás da presença do Senhor, e feriu a Jó de tumores malignos, desde a planta do pé até ao alto da cabeça.

(Jó 2:1-7)

 

Jó demonstra um conhecimento pessoal de Deus extraordinário. Adora a Deus não em função do que Deus dá, mas em função de quem Ele é. Não com interesse, nem em troca do que pode receber, mas porque efectivamente Deus é Deus.

e disse: Nu saí do ventre de minha mãe, e nu voltarei; o Senhor o deu, e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor!

Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma.

(Jó 1:21,22)

 

Ainda que ele me mate, nele esperarei (...)

(Jó 13:15)

 

Porque eu sei que o meu Redentor vive,

e por fim se levantará sobre a terra.

Depois, revestido este meu corpo da minha pele,

em minha carne verei a Deus.

Vê-lo-ei por mim mesmo,

os meus olhos o verão, e não outros;

de saudade me desfalece o coração dentro em mim.

(Jó 19:25-27)

 

            As perdas sucessivas de Jó nos seus bens materiais, na sua família e na sua saúde levantam inúmeras questões sobre a relação entre a soberania e providência divinas e o comportamento humano. Como é possível acreditar e confiar em Deus face às tragédias, às calamidades? Esta é uma questão que tem atravessado os séculos e os milénios? Espera-se em Deus como um seguro de vida, face ao que de bom ou de mau pode suceder? Se Deus é todo-poderoso e não intervém face às coisas ruins que acontecem como é que pode ser amor, e se é amor e não intervém como é que pode ser todo-poderoso? De que forma é possível que coisas más aconteçam a pessoas boas?

            Depois de um longo desfiar de argumentos e contra-argumentos, de interrogações e possíveis respostas, a voz de Deus faz-se ouvir e a Sua resposta radica na Sua soberania e sabedoria infinita:

Depois disto o Senhor, do meio de um remoinho, respondeu a Jó:

Quem é este que escurece os meus desígnios

com palavras sem conhecimento?

Cinge, pois, os teus lombos como homem,

pois eu te perguntarei, e tu me farás saber.

Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra?

Dize-mo, se tens entendimento.

Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes?

Ou quem estendeu sobre ela o cordel?

Sobre que estão fundadas as suas bases,

ou quem lhe assentou a pedra angular,

quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam,

e rejubilavam todos os filhos de Deus?

Ou quem encerrou o mar com portas,

quando irrompeu da madre;

quando eu lhe pus as nuvens por vestidura,

e a escuridão por fraldas?

Quando eu lhe tracei limites e portas,

e disse: Até aqui virás, e não mais adiante,

e aqui se quebrará o orgulho das tuas ondas?

Acaso desde que começaram os teus dias deste ordem à madrugada,

ou fizeste a alva saber o seu lugar,

para que se apegasse às orlas da terra,

e desta fossem os perversos sacudidos?

A terra se modela como o barro debaixo do selo,

e tudo se apresenta como vestidos;

dos perversos se desvia a sua luz,

e o braço levantado para ferir se quebranta.

Acaso entraste nos mananciais do mar,

ou percorreste o mais profundo do abismo?

Porventura te foram reveladas as portas da morte,

ou viste essas portas da região tenebrosa?

Tens ideia nítida da largura da terra?

Diz-mo se o sabes.

Onde está o caminho para a morada da luz?

E, quanto às trevas, onde é o seu lugar?

Para que as conduzas aos seus limites,

e discirnas as veredas para a sua casa?

Tu o sabes, porque nesse tempo eras nascido,

e porque é grande o número dos teus dias!

Acaso entraste nos depósitos da neve,

e viste os tesouros da saraiva,

que eu retenho até ao tempo da angústia,

até ao dia da peleja e da guerra?

Onde está o caminho para onde se difunde a luz

e se espalha o vento oriental sobre a terra?

Quem abriu regos para ao aguaceiro,

ou o caminho para os relâmpagos dos trovões;

para que se faça chover sobre a terra,

onde não há ninguém,

e no ermo em que não há gente;

para dessedentar a terra deserta e assolada,

e para fazer crescer os renovos da erva?

Acaso a chuva tem pai?

Ou quem gera as gotas do orvalho?

De que ventre procede o gelo?

E quem dá à luz a geada do céu?

As águas ficam duras como a pedra,

e a superfície das profundezas se torna compacta.

Ou poderás tu atar as cadeias do Sete-estrelo,

ou soltar os laços do Órion?

Ou fazer aparecer os signos do Zodíaco,

ou guiar a ursa com seus filhos?

Sabes tu as ordenanças dos céus,

podes estabelecer a sua influência sobre a terra?

Podes levantar a tua voz até às nuvens,

para que a abundância das águas te cubra?

Ou ordenarás aos relâmpagos que saiam,

e te digam: Eis-nos aqui?

Quem pôs sabedoria nas camadas de nuvens?

Ou quem deu entendimento ao meteoro?

Quem pode numerar com sabedoria as nuvens?

Ou os odres dos céus, quem os pode despejar?

Para que o pó se transforme em massa sólida

e os torrões se apeguem uns aos outros.

Caçarás, porventura, a presa para a leoa?

Ou saciarás a fome dos leõezinhos,

quando se agacham nos covis,

e estão à espreita nas covas?

Quem prepara aos corvos o seu alimento,

quando os seus pintainhos gritam a Deus

e andam vagueando, por não terem que comer?

(Jó 38)

 

 

DAVID – UM HOMEM SEGUNDO O CORAÇÃO DE DEUS

            David é um homem de uma personalidade e carácter verdadeiramente ímpares. A sua postura de humildade, de dependência de Deus, de tolerância, de solidariedade, de arrependimento, de justiça, de louvor e adoração, de sensibilidade espiritual, de consciência da soberania divina, são um exemplo.

            Destacaria entre outros pontos que me tocam na sua biografia:

            - O facto de estar a cuidar dos rebanhos quando Samuel vai a casa do seu pai para ungir o futuro rei de Israel.

            - O nunca ter levantado a sua mão contra Saul, o rei em exercício, quando sabia que tinha sido ungido para substitui-lo.

            - O ter acedido a servir a Saul mesmo quando este lhe tinha profundos ciúmes e o procurou matar.

            - A amizade profunda e sincera com Jónatas que seria o natural sucessor do rei.

            - A confiança em Deus diante do atrevimento e insulto do gigante Golias, quando todos se acovardaram, incluindo o rei Saul.

            - A sua atitude quando soube da morte de Saul e de Jónatas seu grande amigo.

            - O louvor e a adoração genuínas diante de Deus ao ponto de dançar, o que lhe mereceu a reprovação e censura de Mical, sua esposa.

            - O amor pelos seus filhos ao ponto de chorar a morte de Absalão que se rebelara contra ele.

            - O reconhecimento dos pecados de homicídio (indirecto) e de adultério.

            - O colocar-se nas mãos de Deus quando transgrediu o princípio divino de não proceder a qualquer censo do povo.

            - O acatar a ordem de Deus para que não fosse ele o construtor do templo mas o seu filho, em virtude do muito sangue derramado pelas suas mãos e exército.

 

E, tendo tirado a este, levantou-lhes o rei Davi, do qual também, dando testemunho, disse: Achei a Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará toda a minha vontade.

(Actos 13:22)

 

 

SALMOS DA INTIMIDADE COM DEUS

            A poesia dos salmos brota da intimidade com Deus como cânticos que celebram a Sua presença.

            O salmista anseia pela comunhão com o Senhor que é cantado como o Seu bom pastor.

            O livro de salmos manifesta uma postura diante de Deus extremamente interessante. A intimidade é de tal forma assumida em transparência e sinceridade, em reverência e temor, que o salmista derrama todo o seu coração na presença divina. Nada há que permaneça oculto e se porventura existe essa possibilidade, eis que clama para que o Espírito sonde o mais profundo, o escondido, o encoberto, o desconhecido, o reprimido, o inconsciente.

            É verdadeiramente magnífica a possibilidade de semelhante postura. Não há a ideia sequer de fingir, de aparentar o que não corresponde à realidade. A confissão e o despojamento atravessam todo o livro.

            Quando o coração se abre ao ponto de dizer o que parece não ser muito adequado, muito protocolar, a manifestação do amor e da misericórdia divinas alteram todo o cenário e o louvor e a adoração irrompem.

            Uma outra tónica é sem sombra de dúvida o desejo intenso de conhecer Deus, de andar com Ele, de n’Ele esperar, de Lhe obedecer.

O Senhor é o meu pastor:

nada me faltará.

Ele me faz repousar em pastos verdejantes.

Leva-me para junto das águas de descanso;

refrigera-me a alma.

Guia-me pelas veredas da justiça

por amor do seu nome.

Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte,

não temerei mal nenhum,

porque tu estás comigo:

a tua vara e o teu cajado

me consolam.

Preparaste-me uma mesa

na presença dos meus adversários,

unges-me a cabeça com óleo;

o meu cálice transborda.

Bondade e misericórdia certamente me seguirão

todos os dias da minha vida;

e habitarei na casa do Senhor

para todo o sempre.

(Salmo 23)

 

Eu amo, Senhor, a habitação de tua casa,

e o lugar onde tua glória assiste.

(Salmo 26:8)

 

A intimidade do Senhor é para os que o temem,

aos quais ele dará a conhecer a sua aliança.

(Salmo 25:14)

 

Uma coisa peço ao Senhor,

e a buscarei:

que eu possa morar na casa do Senhor

todos os dias da minha vida,

para contemplar a beleza do Senhor,

e meditar no seu templo.

(Salmo 27:4)

 

Como suspira a corça pelas correntes das águas,

assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma.

A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo:

quando irei e me verei

perante a face de Deus?

As minhas lágrimas têm sido o meu alimento

dia e noite,

enquanto me dizem continuamente:

O teu Deus, onde está?

Lembro-me destas coisas –

e dentro em mim se me derrama a alma –,

de como passava eu com a multidão de povo,

e os guiava em procissão à casa de Deus,

entre gritos de alegria e louvor,

multidão em festa.

Por que estás abatida, ó minha alma?

por que te perturbas dentro em mim?

Espera em Deus, pois ainda o louvarei,

a ele, meu auxílio e Deus meu.

Sinto abatida dentro em mim a minha alma;

lembro-me, portanto, de ti,

nas terras do Jordão e nos montes do Hermom,

no outeiro de Mizar.

Um abismo chama outro abismo,

ao fragor das tuas catadupas;

todas as tuas ondas e vagas

passaram sobre mim.

Contudo, Senhor, durante o dia,

me concede misericórdia,

e à noite comigo está o seu cântico,

uma oração ao Deus da minha vida.

Digo a Deus minha rocha:

Por que te olvidaste de mim?

Por que hei de andar eu lamentando sob a opressão dos meus inimigos?

Esmigalham-se-me os ossos,

quando os meus adversários me insultam,

dizendo e dizendo:

O teu Deus, onde está?

Por que estás abatida ó minha alma?

por que te perturbas dentro em mim?

Espera em Deus, pois ainda o louvarei,

a ele, meu auxílio e Deus meu.

(Salmo 42)

 

Pois da morte me livraste a alma, sim, livraste da queda os meus pés, para que eu ande na presença de Deus na luz da vida.

(Salmo 56:13)

 

Ó Deus, tu és o meu Deus forte,

eu te busco ansiosamente,

a minha alma tem sede de ti;

numa terra árida, exausta, sem água.

Assim eu te contemplo no santuário,

para ver a tua força e a tua glória.

Porque a tua graça é melhor do que a vida;

os meus lábios te louvam.

Assim cumpre-me bendizer-te enquanto eu viver;

em teu nome levanto as mãos.

Como de banha e gordura farta-se a minha alma;

e, com júbilo nos lábios, a minha boca te louva,

no meu leito, quando de ti me recordo,

e em ti medito, durante a vigília da noite.

Porque tu tens sido auxílio;

à sombra das tuas asas eu canto jubiloso.

A minha alma apega-se a ti:

a tua destra me ampara.

Porém, os que me procuram a vida para a destruir,

abismar-se-ão nas profundezas da terra.

Serão entregues ao poder da espada,

e virão a ser pasto dos chacais.

O rei, porém, se alegra em Deus;

quem por ele jura gloriar-se-á,

pois se tapará a boca dos que proferem mentira.

(Salmo 63)

 

Quão amáveis são os teus tabernáculos,

Senhor dos Exércitos!

A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do Senhor;

o meu coração e a minha carne exultam pelo Deus vivo!

O pardal encontrou casa,

e a andorinha ninho para si,

onde acolha os seus filhotes;

eu, os teus altares, Senhor dos Exércitos,

Rei meu e Deus meu!

Bem-aventurados, Senhor, os que habitam em tua casa:

louvam-te perpetuamente.

Bem-aventurado o homem cuja força está em ti,

em cujo coração se encontram os caminhos aplanados,

o qual, passando pelo vale árido,

faz dele um manancial;

de bênçãos o cobre a primeira chuva.

Vão indo de força em força;

cada um deles aparece diante de Deus em Sião.

Senhor Deus dos Exércitos, escuta-me a oração;

presta ouvidos, ó Deus de Jacó!

Olha, ó Deus, escudo nosso,

e contempla o rosto do teu ungido.

Pois um dia nos teus átrios vale mais que mil,

prefiro estar à porta da casa do meu Deus,

a permanecer nas tendas da perversidade.

Porque o Senhor Deus é sol e escudo;

o Senhor dá graça e glória;

nenhum bem sonega aos que andam rectamente.

Ó Senhor dos Exércitos,

feliz o homem que em ti confia.

(Salmo 84)

 

O que habita no esconderijo do Altíssimo,

e descansa à sombra do Omnipotente,

diz ao Senhor: Meu refúgio e meu baluarte,

Deus meu, em quem confio.

Pois ele te livrará do laço do passarinheiro,

e da peste perniciosa.

Cobrir-te-á com as suas penas,

sob suas asas estarás seguro;

a sua verdade é pavês e escudo.

Não te assustarás do terror nocturno,

nem da seta que voa de dia,

nem da peste que se propaga nas trevas,

nem da mortandade que assola ao meio-dia.

Caiam mil ao teu lado,

e dez mil à tua direita;

tu não serás atingido.

Somente com os teus olhos contemplarás,

e verás o castigo dos ímpios.

Pois disseste: O Senhor é o meu refúgio.

Fizeste do Altíssimo a tua morada.

Nenhum mal te sucederá,

praga alguma chegará à tua tenda.

Porque aos seus anjos dará ordens a teu respeito,

para que te guardem em todos os teus caminhos.

Eles te sustentarão nas suas mãos,

para não tropeçares nalguma pedra.

Pisarás o leão e a áspide,

calcarás aos pés o leãozinho e a serpente.

Porque a mim se apegou com amor,

eu o livrarei;

pô-lo-ei a salvo, porque conhece o meu nome.

Ele me invocará, e eu lhe responderei;

na sua angústia eu estarei com ele,

livrá-lo-ei, e o glorificarei.

Saciá-lo-ei com longevidade,

e lhe mostrarei a minha salvação.

(Salmo 91)

 

Rendei graças ao Senhor, invocai o seu nome,

fazei conhecidos, entre os povos, os seus feitos.

Cantai-lhe, cantai-lhe salmos;

narrai todas as suas maravilhas.

Gloriai-vos no seu santo nome;

Alegre-se o coração dos que buscam o Senhor.

Buscai o Senhor e o seu poder;

buscai perpetuamente a sua presença.

(Salmo 105:1-4)

 

Pois dessedentou a alma sequiosa,

e fartou de bens a alma faminta.

(Salmo 107:9)

 

Bem-aventurados os irrepreensíveis no seu caminho,

que andam na lei do Senhor.

Bem-aventurados os que guardam as suas prescrições,

e o buscam de todo o coração;

não praticam iniquidade,

e andam nos seus caminhos.

(Salmo 119:1-3)

 

Elevo os olhos para os montes:

de onde me virá o socorro?

O meu socorro vem do Senhor,

que fez o céu e a terra.

Ele não permitirá que os teus pés vacilem;

não dormitará aquele que te guarda.

É certo que não dormita nem dorme

o guarda de Israel.

O Senhor é quem te guarda;

o Senhor é a tua sombra à tua direita.

De dia não te molestará o sol,

nem de noite, a lua.

O Senhor te guardará de todo o mal; guardará a tua alma.

O Senhor guardará a tua saída e a tua entrada,

desde agora e para sempre.

(Salmo 121)

 

Alegrei-me quando me disseram:

Vamos à casa do Senhor.

Pararam os nossos pés

junto às tuas portas, ó Jerusalém!

Jerusalém, que estás construída

como cidade compacta,

para onde sobem as tribos, as tribos do Senhor,

como convém a Israel,

para renderem graças ao nome do Senhor.

Lá estão os tronos de justiça,

os tronos da casa de David.

Orai pela paz de Jerusalém.

Sejam prósperos os que te amam.

Reine paz, dentro em teus muros,

e prosperidade nos teus palácios.

Por amor dos meus irmãos e amigos,

eu peço: Haja paz em ti.

Por amor da casa do Senhor, nosso Deus,

buscarei o teu bem.

(Salmo 122)

 

A ti, que habitas nos céus,

elevo os meus olhos!

Como os olhos dos servos estão fitos

nas mãos dos seus senhores,

e os olhos da serva,

na mão da sua senhora,

assim os nossos olhos estão fitos no Senhor, nosso Deus, até que se compadeça de nós.

Tem misericórdia de nós, Senhor,

tem misericórdia;

pois estamos sobremodo fartos de desprezo.

A nossa alma está saturada

do escárnio dos que estão à sua vontade

e do desprezo dos soberbos.

(Salmo 123)

 

Os que confiam no Senhor são como o monte de Sião,

que não se abala, firme para sempre.

Como em redor de Jerusalém estão os montes,

assim o Senhor em derredor do seu povo,

desde agora e para sempre.

O ceptro dos ímpios não permanecerá

sobre a sorte dos justos,

para que o justo não estenda a mão à iniquidade.

Faze o bem, Senhor,

aos bons e aos rectos de coração.

Quanto aos que se desviam para sendas tortuosas,

levá-los-á o Senhor juntamente com os malfeitores.

Paz sobre Israel!

(Salmo 125)

 

 

A INTIMIDADE PROVOCA O DESEJO INTENSO DE UM CORAÇÃO PURO

            Coração puro é certamente o coração que detesta o pecado, que anseia ardentemente pela santidade divina, pela intimidade com Deus, que está disposto a tudo rejeitar para não perder a presença do Criador.

            É sugestivo que este anseio esteja manifesto no Antigo Testamento porque só depois da morte e ressurreição de Jesus, da Sua obra expiatória, foi possível o homem receber um novo coração através do novo nascimento.

Cria em mim ó Deus, um coração,

e renova dentro em mim um espírito inabalável.

(Salmo 51:10)

 

 

A OMNIPRESENÇA DE DEUS NÃO IMPÕE O RELACIONAMENTO E A INTIMIDADE

            A inevitabilidade da presença de Deus em toda a parte não significa que de qualquer maneira o homem pode chegar-se a Ele nem que a intimidade é automática.

Senhor, tu me sondas e me conheces.

Sabes quando me assento e quando me levanto;

de longe penetras os meus pensamentos.

Esquadrinhas o meu andar e o meu deitar,

e conheces todos os meus caminhos.

Ainda a palavra me não chegou à língua,

e tu, Senhor, já a conheces toda.

Tu me cercas por trás e por diante,

e sobre mim pões a tua mão.

Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim:

é sobremodo elevado, não o posso atingir.

Para onde me ausentarei do teu Espírito?

para onde fugirei da tua face?

Se subo aos céus, lá estás;

se faço a minha cama no mais profundo abismo,

lá estás também;

e se tomo as asas da alvorada

e me detenho nos confins dos mares:

ainda lá me haverá de guiar a tua mão

e a tua destra me susterá.

Se eu digo: As trevas, com efeito, me encobrirão,

e a luz ao redor de mim se fará noite,

até as próprias trevas não te serão escuras:

as trevas e a luz são a mesma coisa.

Pois tu formaste o meu interior,

tu me teceste no seio de minha mãe.

Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste;

as tuas obras são admiráveis,

e a minha alma o sabe muito bem;

os meus ossos não te foram encobertos,

quando no oculto fui formado,

e entretecido como nas profundezas da terra.

Os teus olhos me viram a substância ainda informe,

e no teu livro foram escritos todos os meus dias,

cada um deles escrito e determinado,

quando nem um deles havia ainda.

Que preciosos para mim, Senhor,

são os teus pensamentos!

E como é grande a soma deles!

Se os contasse, excedem os grãos de areia:

contaria, contaria, sem jamais chegar ao fim.

Tomara, ó Deus, desses cabo do perverso;

apartai-vos, pois, de mim, homens de sangue.

Eles se rebelam insidiosamente contra ti,

e como teus inimigos falam malícia.

Não aborreço eu, Senhor, os que te aborrecem?

e não abomino os que contra ti se levantam?

Aborreço-os com ódio consumado:

para mim são inimigos de facto.

Sonda-me ó Deus, e conhece o meu coração:

prova-me e conhece os meus pensamentos;

vê se há em mim algum caminho mau,

e guia-me pelo caminho eterno.

(Salmo 139)

 

 

A INTIMIDADE COM DEUS É GERADORA DO RELACIONAMENTO ENTRE OS IRMÃOS

Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!

É como o óleo precioso sobre a cabeça,

o qual desce para a barba,

a barba de Arão,

e desce para a gola de suas vestes.

É como o orvalho do Hermom,

que desce sobre os montes de Sião.

Ali ordena o Senhor a sua bênção,

e a vida para sempre.

(Salmo 133)

 

 

CANTARES DE SALOMÃO – O CÂNTICO DOS CÂNTICOS – A RELAÇÃO CONJUGAL TAMBÉM COMO PARÁFRASE DA RELAÇÃO ENTRE CRISTO E A IGREJA

Beija-me com os beijos da tua boca;

porque melhor é o teu amor do que o vinho.

(Cantares 1:2)

 

O meu amado fala e me diz:

Levanta-te, querida minha,

formosa minha, e vem.

Porque eis que passou o Inverno,

cessou a chuva e se foi;

aparecem as flores na terra,

chegou o tempo de cantarem as aves,

e a voz da rola ouve-se em nossa terra.

A figueira começou a dar seus figos,

e as vides em flor exalam o seu aroma;

levanta-te, querida minha,

formosa minha, e vem.

Pomba minha, que andas pelas fendas dos penhascos,

no esconderijo das rochas escarpadas,

mostra-me o teu rosto,

faze-me ouvir a tua voz,

porque a tua voz é doce,

e o teu rosto amável.

(Cantares 2:10-14)

 

Levanta-te vento norte,

e vem tu, vento sul;

assopra no meu jardim,

para que se derramem os seus aromas.

Ah! venha o meu amado para o seu jardim,

e coma os seus frutos excelentes!

(Cantares 3:16)

 

O meu amado desceu ao seu jardim,

aos canteiros de bálsamo,

para pastorear nos jardins

e para colher os lírios.

Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu;

ele pastoreia entre os lírios.

(Cantares 6:2,3)

 

Quem é esta que sobe do deserto,

e vem encostada ao seu amado?

Debaixo da macieira te despertei,

ali esteve tua mãe com dores;

ali esteve com dores aquela que te deu à luz.

põe-me como selo sobre o teu coração,

como selo sobre o teu braço,

porque o amor é forte como a morte,

e duro como a sepultura o ciúme;

as suas brasas são brasas de fogo,

são veementes labaredas.

As muitas águas não poderiam apagar o amor,

nem os rios afogá-lo;

ainda que alguém desse todos os bens da sua casa pelo amor,

seria de todo desprezado.

(Cantares 8:5-7)

 

Vem depressa, amado meu,

faz-te semelhante ao gamo ou ao filho da gazela

que saltam sobre os montes aromáticos.

(Cantares 8:14)

 

 

DISPOSIÇÃO DO CORAÇÃO

            A atitude do coração é fundamental na disposição da dependência, confiança, obediência, entrega. Ao longo das notas biográficas, mesmo que muito sucintas, dos reis de Israel, a postura do coração é salientada e é o ponto fulcral. Como é o coração assim é a atitude.

O Senhor foi com Josafá, porque andou nos primeiros caminhos de Davi, seu pai, e não procurou a Baalins.

Antes procurou ao Deus de seu pai, e andou nos seus mandamentos, e não segundo as obras de Israel.

O Senhor confirmou o reino na sua mão, e todo o Judá deu presentes a Josafá, o qual teve riquezas e glória em abundância.

Tornou-se-lhe ousado o coração em seguir os caminhos do Senhor, e ainda tirou os altos e os postes-ídolos de Judá.

(2 Crónias 17:3-6)

 

Josafá, rei de Judá, voltou para sua casa em paz para Jerusalém.

O vidente Jeú, filho de Hanani, saiu ao encontro do rei Josafá e lhe disse: Devias tu ajudar ao perverso e amar aqueles que aborrecem o Senhor? Por isso caiu sobre ti a ira da parte do Senhor.

Boas coisas contudo se acharam em ti; porque tiraste os postes-ídolos da terra, e dispuseste o coração para buscares a Deus.

(2 Crónicas 19:1-3)

 

Era Amazias da idade de vinte e cinco anos, quando começou a reinar, e reinou vinte e nove anos em Jerusalém; sua mãe se chamava Jeodã, de Jerusalém.

Fez ele o que era recto perante o Senhor, não, porém com inteireza de coração.

(2 Crónicas 25:1,2)

 

Todo o povo de Judá tomou a Uzias, que era de dezasseis anos, e o constituiu rei em lugar de Amazias, seu pai.

Ele edificou a Elote, e a restituiu a Judá, depois que o rei descansou com seus pais.

Uzias tinha dezasseis anos quando começou a reinar, e cinquenta e dois anos reinou em Jerusalém. Era o nome de sua mãe Jecolias, de Jerusalém.

fizera Amazias, seu pai.

Propôs-se buscar a Deus nos dias de Zacarias, que era entendido nas visões de Deus; nos dias em que buscou ao Senhor, Deus o fez prosperar.

(2 Crónicas 26:1-5)

 

Mas, havendo-se já fortificado, exaltou-se o seu coração para a sua própria ruína, e cometeu transgressões contra o Senhor, seu Deus, porque entrou no templo do Senhor para queimar incenso no altar do incenso.

(2 Crónicas 26:16)

 

Assim Jotão se foi tornando mais poderoso, porque dirigia os seus caminhos segundo a vontade do Senhor seu Deus.

(2 Crónicas 27:6)

 

Porque uma multidão do povo, muitos de Efraim, de Manassés, de Issacar e de Zebulom, não se tinham purificado, e contudo comeram a Páscoa, não como está escrito; porém Ezequias orou por eles, dizendo: O Senhor, que é bom, perdoe a todo aquele

que dispôs o coração para buscar o Senhor Deus, o Deus de seus pais, ainda que não segundo a purificação exigida pelo santuário.

(2 Crónicas 30:18,19)

 

Porquanto o teu coração se enterneceu, e te humilhaste perante Deus, quando ouviste as suas ameaças contra este lugar, e contra os seus moradores, e te humilhaste perante mim, rasgaste as tuas vestes, e choraste perante mim, também eu te ouvi, diz o Senhor.

(...)

O rei se pôs no seu lugar, e fez aliança ante o Senhor, para o seguirem, guardarem os seus mandamentos, os seus testemunhos e os seus estatutos, de todo o coração e de toda a alma, cumprindo as palavras desta aliança, que estavam escritas naquele livro.

(2 Crónicas 34:27,31)

 

Tinha Zedequias a idade de vinte e um anos, quando começou a reinar, e reinou onze anos em Jerusalém.

Fez o que era mau perante o Senhor seu Deus, e não se humilhou perante o profeta Jeremias, que falava da parte do Senhor.

(2 Crónicas 36:12)

 

 

ISAÍAS NO CORAÇÃO DE DEUS

            A relação de Deus com a casa de Israel é tratada de uma forma sublime em algumas passagens do profeta Isaías, em claro contraste e contradição com os querem ver no Antigo Testamento sempre um Deus carrancudo.

Agora cantarei ao meu amado, o cântico do meu amado a respeito da sua vinha. O meu amado teve uma vinha num outeiro fertilíssimo.

Sachou-a, limpou-a das pedras e a plantou de vides escolhidas; edificou no meio dela uma torre, e também abriu um lagar. Ele esperava que desse uvas boas, mas deu uvas bravas.

Agora, pois, ó moradores de Jerusalém e homens de Judá, julgai, vos peço, entre mim e a minha vinha.

Que mais se podia fazer ainda à minha vinha, que lhe não tenha feito? e como, esperando eu que desse uvas boas veio a produzir uvas bravas?

Agora, pois, vos farei saber o que pretendo fazer à minha vinha: Tirarei a sua sebe, para que a vinha sirva de pasto; derribarei o seu muro, para que seja pisada;

torná-la-ei em deserto. Não será podada nem sachada, mas crescerão nela espinheiros e abrolhos; às nuvens darei ordem que não derramem chuva sobre ela.

Porque a vinha do Senhor dos Exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são a planta dilecta do Senhor; este desejou que exercessem juízo, e eis aí quebrantamento da lei; justiça, e eis aí clamor.

(Isaías 7:1-7)

 

Também através dos teus juízos, Senhor te esperamos; no teu nome e na tua memória está o desejo da nossa alma.

Com minha alma suspiro de noite por ti, e com o meu espírito dentro em mim, eu te procuro diligentemente; porque, quando os teus juízos reinam na terra, os moradores do mundo aprendem justiça.

(Isaías 26:8,9)

 

Como pastor apascentará o seu rebanho; entre os seus braços recolherá os cordeirinhos, e os levará no seio; as que amamentam, ele guiará mansamente.

(Isaías 40:11)

 

Porque eu o Senhor teu Deus te tomo pela tua mão direita, e te digo: Não temas, que eu te ajudo.

Não temas, ó vermezinho de Jacó, povozinho de Israel; eu te ajudo, diz o Senhor, e o teu Redentor é o Santo de Israel.

(Isaías 41:13,14)

 

Ouvi-me, ó casa de Jacó, e todo o restante da casa de Israel; vós a quem desde o nascimento carrego e levo nos braços desde o ventre materno.

Até à vossa velhice eu serei o mesmo, e ainda até às cãs eu vos carregarei; já o tenho feito; levar-vos-ei, pois, carregar-vos-ei e vos salvarei.

(Isaías 46:3,4)

 

Cantai, ó céus, alegra-te, ó terra, e vós, montes, rompei em cânticos, porque o Senhor consolou o seu povo, e dos seus aflitos se compadece.

Mas Sião diz: O Senhor me desamparou, o Senhor se esqueceu de mim.

Acaso pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti.

Eis que nas palmas das minhas mãos te gravei; os teus muros estão continuamente perante mim.

(Isaías 49:13-16)

 

Fui buscado dos que não perguntavam por mim; fui achado daqueles que não me buscavam; a um povo que não se chamava do meu nome eu disse: Eis-me aqui, eis-me aqui.

Estendi as minhas mãos todo dia a um povo rebelde, que anda por caminho que não é bom, seguindo os seus próprios pensamentos,

povo que de contínuo me irrita abertamente, sacrificando em jardins e queimando incenso sobre altares de tijolos;

que mora ente as sepulturas e passa as noites em lugares misteriosos; come carne de porco, e tem no seu prato ensopado de carne abominável;

povo que diz: Fica onde estás, não te chegues a mim, porque sou mais santo do que tu. És no meu nariz como fumo de fogo que arde o dia todo.

Eis que está escrito diante de mim, e não me calarei; mas eu pagarei, vingar-me-ei, totalmente,

das vossas iniquidades, e juntamente das iniquidades de vossos pais, censo nos montes, e me afrontaram nos outeiros; pelo que eu vos medirei totalmente a paga devida às suas obras antigas.

(Isaías 65:1-7)

 

 

JEREMIAS – BUSCAR A DEUS DE TODO O CORAÇÃO

Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que desejais.

Então me invocareis, passareis a orar a mim, e eu vos ouvirei.

Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração.

Serei achado de vós, diz o Senhor, e farei mudar a vossa sorte; congregar-vos-ei de todas as nações, e de todos os lugares para onde vos lancei, diz o Senhor, e tornarei a trazer-vos ao lugar donde vos mandei para o exílio.

(Jeremias 29:11-14)

 

 

DANIEL E SEUS COMPANHEIROS MANIFESTAM A GRANDEZA DE DEUS EM TERRA ESTRANHA

Falou Nabucodonosor, e lhes disse: É verdade, ó Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que vós não servis a meus deuses nem adorais a imagem de ouro que levantei?

Agora, pois, estai dispostos e, quando ouvirdes o som da trombeta, do pífaro, da cítara, da harpa, do saltério, da gaita de foles, prostrai-vos e adorai a imagem que fiz; porém, se não a adorardes sereis no mesmo instante lançados na fornalha de fogo ardente. E quem é o deus que vos poderá livrar das minhas mãos?

responderam Sadraque, Mesaque e Abede-Nego ao rei: Ó Nabucodonosor, quanto a isto não necessitamos de te responder.

Se o nosso Deus, a quem servimos, quer livrar-nos, ele nos livrará da fornalha de fogo ardente, e das tuas mãos ó rei.

Se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos, a teus deuses, nem adoraremos a imagem de ouro que levantaste.

Então Nabucodosor se encheu de fúria, e, transtornado o aspecto do seu rosto contra Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, ordenou que se acendesse a fornalha sete vezes mais do que se costumava.

Ordenou aos homens mais poderosos que estavam no seu exército, que atassem a Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, e os lançassem na fornalha de fogo ardente.

Então estes homens foram atados com os seus mantos, suas túnicas e chapéus, e suas outras roupas, e foram lançados na fornalha sobremaneira acesa.

Porque a palavra do rei era urgente e a fornalha estava sobremaneira acesa, as chamas do fogo mataram os homens que lançaram de cima para dentro a Sadraque, Mesaque e Abede-Nego.

Estes três homens, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, caíram atados dentro da fornalha sobremaneira acesa.

Então o rei Nabucodonosor se espantou, e se levantou depressa e disse aos seus conselheiros: Não lançamos nós três homens atados dentro do fogo? Responderam ao rei: É verdade, ó rei.

Tornou ele e disse: Eu, porém, vejo quatro homens soltos, que andam passeando dentro do fogo, sem nenhum dano; e o aspecto do quarto é semelhante a um filho dos deuses.

Então se chegou Nabucodonosor à porta da fornalha sobremaneira acesa, falou, e disse: Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, servos do Deus Altíssimo, saí e vinde! Então Sadraque, Mesaque e Abede-Nego saíram do meio do fogo.

Ajuntaram-se os sátrapas, os prefeitos, os governadores e conselheiros do rei, e viram que o fogo não teve poder sobre os corpos destes homens; nem foram chamuscados os cabelos da sua cabeça, nem os seus mantos se mudaram, nem cheiro de fogo passara sobre eles.

Falou Nabucodonosor, e disse: Bendito seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que enviou o seu anjo, e livrou os seus servos, que confiaram nele, pois não quiseram cumprir a palavra do rei, preferindo entregar os seus corpos, a servirem e adorarem a qualquer outro deus, senão ao seu Deus.

Portanto faço um decreto, pelo qual todo o povo, nação e língua que disser blasfémia contra o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, seja despedaçado, e as suas casas sejam feitas em monturo; porque não há outro Deus que possa livrar como este.

Então o rei fez prosperar a Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, na província de Babilónia.

(Daniel 3:14-30)

 

 

OSEIAS – A HISTÓRIA DE UM AMOR REJEITADO

Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egipto chamei o meu filho.

Quanto mais eu os chamava, tanto mais se iam da minha presença; sacrificavam a Baalins e queimavam incenso às imagens de escultura.

Todavia, eu ensinei a andar a Efraim; tomei-os nos meus braços, mas não atinaram que eu os curava.

Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor; e fui para eles como quem alivia o jugo de sobre as suas queixadas, e me inclinei para dar-lhes de comer.

Não voltarão para a terra do Egipto, mas o assírio será seu rei; porque recusam converter-se.

A espada cairá sobre as suas cidades, e consumirá os seus ferrolhos, e as devorará, por causa dos seus caprichos.

Porque o meu povo é inclinado a desviar-se de mim; se é concitado a dirigir-se acima, ninguém o faz.

Como te deixaria, ó Efraim? Como te entregaria, ó Israel? Como te faria como a Admá? Como fazer-te um Zeboim? Meu coração está comovido dentro em mim, as minhas compaixões à uma se acendem.

Não executarei o furor da minha ira; não tornarei para destruir a Efraim, porque eu sou Deus e não homem, o Santo no meio de ti; não voltarei em ira.

Andarão após o Senhor; este bramará como leão, e bramando, os filhos, tremendo, virão do ocidente;

tremendo virão, como passarinhos os do Egipto, e como pombas os da terra da Assíria, e os farei habitar em suas próprias casas, diz o Senhor.

Efraim me cercou por meio de mentiras, e a casa de Israel com engano; mas Judá ainda domina com Deus, e é fiel com o Santo.

(Oséias 11)

 

 

EM JESUS CRISTO DEUS VISITA-NOS

            Jesus Cristo é Emanuel: Deus connosco! Nada mais podemos ambicionar. Deus entra na História, faz parte da nossa própria raça, veste a nossa semelhança, assume a nossa carne e sangue, torna-se homem sem deixar de ser Deus.

Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus connosco).

(Mateus 1:23)

 

 

INTIMIDADE ABSOLUTA COM O PAI E O ESPÍRITO SANTO

Replicou-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta.

Disse-lhe Jesus: Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me tens conhecido? Quem me vê a mim, vê o Pai, como dizes tu: Mostra-nos o Pai?

Não crês que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo; mas o Pai que permanece em mim, faz as suas obras.

Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim; crede ao menos por causa das mesmas obras.

Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim, fará também as obras que eu faço, e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai.

(João 14:8-12)

 

JESUS O AMIGO DOS PECADORES

                        Este é o título por excelência de Jesus Cristo que nos desafia a uma postura de amizade e relacionamentos próximos de forma a partilhar, dar a conhecer, modelar, comunicar a realidade do Reino.

Mas, a quem hei de comparar esta geração? É semelhante a meninos que, sentados nas praças, gritam aos companheiros:

Nós vos tocámos flauta, e não dançastes;

entoamos lamentações, e não pranteastes.

Pois veio João, que não comia nem bebia, e dizem: Tem demónio.

Veio o Filho do homem, que come e bebe, e dizem: Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores! Mas a sabedoria é justificada por suas obras.

(Mateus 11:16-19)

 

Aproximavam-se de Jesus todos os publicanos e pecadores para o ouvir.

e murmuravam os fariseus e os escribas: Este recebe pecadores e come com eles.

(Lucas 15:1,2)

 

 

JESUS REJEITADO COM LÁGRIMAS

Jerusalém, Jerusalém! que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não quisestes!

Eis que a vossa casa vos ficará deserta.

Declaro-vos, pois, que dsde agora já não me vereis, até que venhais a dizer:

Bendito o que vem em nome do Senhor!

(Mateus 23:37-39)

Muitos dos seus discípulos, tendo ouvido tais palavras, disseram: Duro é este discurso, quem o pode ouvir?

Mas Jesus, sabendo por si mesmo que eles murmuravam a respeito de suas palavras, interpelou-os: Isto vos escandaliza?

Que será, pois, se virdes o Filho do homem subir para o lugar onde primeiro estava?

O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito, são espírito e são vida.

Contudo há descrentes entre vós. Pois Jesus sabia desde o princípio quais eram os que não criam e quem o havia de trair.

E prosseguiu: Por causa disto é que vos tenho dito: Ninguém poderá vir a mim, se pelo Pai não lhe dor concedido.

À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele.

Então perguntou Jesus aos doze: Porventura quereis também vós outros retirar-vos?

Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos? tu tens as palavras da vida eterna:

e nós temos crido e conhecido que tu és o Santo de Deus.

Replicou-lhes Jesus: Não vos escolhi em número de doze? Contudo um de vós é diabo.

Referia-se ele a Judas, filho de Simão Iscariotes; porque era quem estava para traí-lo, sendo um dos doze.

(João 6:60-71)

 

 

SÓ ATRAVÉS DE JESUS PODEMOS CHEGAR AO PAI

            Em Jesus Cristo temos, segundo as Suas próprias palavras, a possibilidade de nos chegarmos ao Pai. O que faz todo o sentido, porque sendo Ele Deus que se fez homem, só através d’Ele podemos chegar ao Pai. Por outro lado só Ele pagou com o Seu próprio sangue o que era devido à justiça de Deus, por causa do nosso pecado.

Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.

(João 14:6)

 

 

A GRAÇA COMO AMOR E ACEITAÇÃO INCONDICIONAL DA PARTE DE DEUS EM JESUS CRISTO PARA MUDANÇA DE VIDA

Ah! todos vós os que tendes sede, vinde às águas; e vós os que não tendes dinheiro, vinde, comprai, e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite.

Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão: e o vosso suor naquilo que não satisfaz? Ouvi-me atentamente, comei o que é bom, e vos deleitareis com finos manjares.

Inclinai os vossos ouvidos, e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua, que consiste nas fieis misericórdias prometidas a Davi.

Eis que eu o dei por testemunho aos povos, como príncipe e governador dos povos.

Eis que chamarás a uma nação que não conheces, e uma nação que nunca te conheceu correrá para junto de ti, por amor do Semhor, teu Deus, e do Santo de Israel, porque este te glorificou.

Buscai o Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto.

Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo os seus pensamentos; converta-se ao Senhor, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar.

Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor,

porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos.

Porque, assim como descem a chuva e a neve dos céus, e para lá não tornam, sem que primeiro reguem a terra e a façam brotar, para dar semente ao semeador e pão ao que come,

assim será a palavra que sair da minha boca; não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a designei.

Saireis com alegria, e em paz sereis guiados; os montes e os outeiros romperão em cânticos diante de vós, e todas as árvores do campo baterão palmas.

Em lugar do espinheiro crescerá o cipreste, e em lugar da sarça crescerá a murta; e será isto glória para o Senhor, e memorial eterno que jamais será extinto.

(Isaías 55)

 

Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados,

nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora actua nos filhos da desobediência;

entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como também os demais.

Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou,

e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, - pela graça sois salvos,

e juntamente com ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus;

para mostrar nos séculos vindouros a suprema riqueza da sua graça, em bondade para connosco, em Cristo Jesus.

Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus;

não de obras, para que ninguém se glorie.

Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.

(Efésios 2:1-10)

 

 

EXPIAÇÃO, REDENÇÃO, RESGATE E JUSTIFICAÇÃO – A NECESSIDADE DE UM SUBSTITUTO QUE SOBRE SI SUPORTASSE AS CONSEQUÊNCIAS ETERNAS DO PECADO E NOS ABRISSE AS PORTAS DA PRESENÇA E INTIMIDADE COM DEUS

Então Jesus chamando-os, disse: Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles.

Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva;

e quem quiser ser o primeiro entre vós, será vosso servo;

tal como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.

(Mateus 20:25-28)

 

Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue.

(Actos 20:28)

 

Antes de tudo vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras,

e que foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.

(1 Coríntios 15:3,4)

 

Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos, logo todos morreram.

E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.

(2 Coríntios 5:14,15)

 

Àquele que não conheceu pecado, ele o fez do pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.

(2 Coríntios 6:21)

 

o qual se entregou a si mesmo pelos nossos pecados; para nos desarraigar deste mundo perverso, segundo a vontade de nosso Deus e Pai.

(Gálatas 1:4)

 

vindo, porém, a plenitude do tempo Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei,

para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adopção de filhos.

(Gálatas 4:4,5)

 

Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor,

no qual temos a redenção, a remissão dos pecados.

Ele é a imagem do Deus invisível, o primogénito de toda a criação;

pois nele foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele.

Ele é antes de todas as coisas. Nele tudo subsiste.

Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogénito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia,

porque aprouve a Deus que nele residisse toda a plenitude,

e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus.

E a vós outros também que outrora éreis estranhos e inimigos no entendimento pelas vossas obras malignas,

agora, porém, vos reconciliou no corpo da sua carne, mediante a sua morte, para apresentar-vos perante ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis,

se é que permaneceis na fé, alicerçados e firmes, não vos deixando afastar da esperança do evangelho que ouvistes, e que foi pregado a toda criatura debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, me tornei ministro.

(Colossenses 1:13-23)

 

Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs subtilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo:

porquanto nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade.

Também nele estais aperfeiçoados. Ele é o cabeça de todo principado e potestade.

Nele também fostes circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no despojamento do corpo da carne, que é a circuncisão de Cristo;

tendo sido sepultados juntamente com ele no baptismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos.

E a vós outros, que estáveis mortos, pelas vossas transgressões pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos;

tendo cancelado o escrito de dívida que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz;

e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz.

(Colossenses 2:8-15)

 

Nós, porém, que somos do dia, sejamos sóbrios, revestindo-nos da couraça da fé e amor, e tomando como capacete, a esperança da salvação;

porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo,

que morreu por nós para que, quer vigiemos, quer durmamos, vivamos em união com ele.

Consolai-vos, pois, uns aos outros, e edificai-vos reciprocamente, como também estais fazendo.

(1 Tessalonicenses 5:8-11)

 

Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, acções de graça, em favor de todos os homens,

em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito.

Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador,

o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.

Porquanto há um só Deus e um Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem.

O qual a si mesmo se deu em resgate por todos: testemunho que se deve prestar em tempos oportunos.

Para isto fui designado pregador e apóstolo (afirmo verdade, não minto), mestre dos gentios na fé e na verdade.

(2 Timóteo 2:1-7)

 

Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens,

educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos no presente século, sensata, justa e piedosamente,

aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus,

o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniquidade, e purificar para si mesmo um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras.

Diz estas coisas: exorta e repreende também com toda a autoridade. Ninguém te despreze.

(Tito 2:11-15)

 

Havendo Deus, outrora, falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas,

nestes últimos dias nos falou pelo Filho a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo.

Ele, que é o resplendor da glória do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da majestade nas alturas,

tendo-se tornado tão superior aos anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles.

(Hebreus 1:1-4)

 

Ora, desde que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou fora do seu domínio. Agora, porém, ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas;

vemos, todavia, aquele que, tendo sido feito menor que os anjos, Jesus por causa do sofrimento da morte, foi coroado de glória e de honra, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todo homem.

(Hebreus 2:8,9)

 

Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo,

e livrasse a todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida.

Pois ele, evidentemente, não socorre a anjos, mas socorre a descendência de Abraão.

Por isso mesmo convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus, e para fazer propiciação pelos pecados do povo.

Pois naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados.

(Hebreus 2:14-18)

 

Quando, porém, veio Cristo como sumo sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, quer dizer, não desta criação,

não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção.

Portanto, se o sangue de bode e de touros, e a cinza de uma novilha, aspergida sobre os contaminados, os santifica, quanto à purificação da carne,

muito mais o sangue de Cristo que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas para servirmos ao Deus vivo!

Por isso mesmo, ele é o Mediador da nova aliança a fim de que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia sob a primeira aliança, recebam a promessa da eterna herança aqueles que têm sido chamados.

(Hebreus 9:11-15)

 

Com efeito, quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão.

(Hebreus 9:22)

 

Ora, neste caso, será necessário que ele tivesse sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo; agora, porém, ao se cumprirem os tempos, se manifestou uma vez por todas, para aniquilar pelo sacrifício de si mesmo o pecado.

E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez e, depois disto, o juízo,

assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para salvação.

(Hebreus 9:26-28)

Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito,

no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão,

os quais noutro tempo foram desobedientes quando a longanimidade de Deus aguardava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca , na qual poucos, a saber, oito pessoas, foram salvos, através da água,

a qual, figurando o baptismo, agora também vos salva, não sendo a remoção da imundícia da carne, mas a indagação de uma boa consciência para com Deus, por meio da ressurreição de Jesus Cristo;

o qual, depois de ir para o céu, está à dextra de Deus, ficando-lhe subordinados anjos, e potestades, e poderes.

(1 Pedro 3:18-22)

 

Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo;

e ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro.

(1 João 2:1,2)

 

Nisto consiste o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou, e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.

(1 João 4:10)

 

João, às sete igrejas que se encontram na Ásia: Graça e paz a vós outros, da parte daquele que é, que era e que há de vir, da parte dos sete Espíritos que se acham diante do seu trono,

e da parte de Jesus Cristo, a fiel testemunha, o primogénito dos mortos, e o soberano dos reis da terra.

Àquele que nos ama, e pelo seu sangue nos libertou dos nossos pecados,

e nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai, a ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amem.

Eis que vem com as nuvens, e todo olhos o verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Certamente. Amem.

Eu sou o Alfa e o Ómega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-poderoso.

(Apocalipse 1:4-8)

 

e entoavam novo cântico, dizendo:

Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação,

e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra.

(Apocalipse 5:9,10)

 

 

 

PARÁBOLAS ELUCIDATIVAS

Então lhes propôs Jesus esta parábola:

Qual, dentre vós, é o homem que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la?

Achando-a, põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo.

E, indo para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida.

Digo-vos que assim haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.

(Lucas 15:3-7)

 

Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma, não acende a candeia, varre a casa e a procura diligentemente até encontrá-la?

E, tendo-a achado, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque achei a dracma que eu tinha perdido.

Eu vos afirmo que, de igual modo, há júbilo diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende.

(Lucas 15:8-10)

 

Continuou: Certo homem tinha dois filhos;

o mais moço deles disse ao pai: Pai dá-me a parte que me cabe dos bens. E ele lhes repartiu os haveres.

Passados não muitos dias, o filho mais moço, ajuntando tudo o que era seu, partiu para uma terra distante, e lá dissipou todos os seus bens, vivendo dissolutamente.

Depois de ter consumido tudo, sobreveio àquele país uma grande fome, e ele começou a passar necessidade.

Então ele foi e se agregou a um dos cidadãos daquela terra, e este o mandou para os seus campos a guardar porcos.

Ali desejava ele fartar-se das alfarrobas que os porcos comiam; mas ninguém lhe dava nada.

Então, caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui morro de fome!

Levantar-me-ei e irei ter com meu pai e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e diante de t;

já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-se como um dos teus trabalhadores.

E, levantando-se, foi para seu pai. Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou e, compadecido dele, correndo, o abraçou e beijou.

E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho.

O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa; vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés;

trazei também e matai o novilho cevado. Comamos e regozijemo-nos,

porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E começaram a regozijar-se.

Ora, o filho mais velho estivera no campo; e, quando voltava, a aproximar-se da casa, ouviu música e as danças.

Chamou um dos criados e perguntou-lhe o que era aquilo.

E ele informou: Veio teu irmão, e teu pai mandou matar o novilho cevado, porque o recuperou com saúde.

Ele se indignou e não queira entrar; saindo, porém, o pai procurava conciliá-lo.

Mas ele respondeu a seu pai: Há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito sequer para alegrar-me com os meus amigos;

vindo, porém, esse teu filho, que desperdiçou os teus bens com meretrizes, tu mandaste matar para ele o novilho cevado.

Então lhe respondeu o pai: Meu filho, tu sempre estás comigo; tudo o que é meu é teu.

Entretanto, era preciso que nos regozijássemos e nos alegrássemos, porque esse teu irmão estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado.

(Lucas 15:11-32)

 

CHAMADOS A SER FILHOS DE DEUS

            Com Jesus Cristo cumpre-se o propósito divino de nos fazer, de sermos, de nos tornarmos pelo Seu exclusivo poder e vontade, Seus filhos.

Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; a saber: aos que crêem no seu nome;

os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.

(João 1:12,13)

 

Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, ao ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de facto, somos filhos de Deus. Por essa razão o mundo não nos conhece porquanto não o conheceu a ele mesmo.

Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque havemos de vê-lo como ele é.

E a si mesmo se purifica todo que nele tem esta esperança, assim como ele é puro.

(1 João 3:1-3)

 

 

O PROCESSO IMPLICA UMA MUDANÇA RADICAL DO SER     

            Jesus Cristo chamou-lhe de novo nascimento. Um novo começo a partir de uma mudança radical no ser, na essência espiritual do ser humano. A ruptura com Deus provocou a morte espiritual do homem e de todos os que à sua imagem nasceram. Com o Messias torna-se possível o homem nascer de Deus e receber a sua natureza, a possibilidade de entrar e viver na Sua presença bem como recebê-la.

Havia, entre os fariseus, um homem, chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus.

Este, de noite, foi ter com Jesus e lhe disse: Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus: porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele.

A isto respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.

Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez?

Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: Quem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.

O que é nascido da carne, é carne; e o que é nascido do Espírito, é espírito.

Não te admires de eu te dizer: Importa-vos nascer de novo.

O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito.

Então lhe perguntou Nicodemos: Como pode suceder isto? Acudiu Jesus:

Tu és mestre em Israel, e não compreendes estas coisas?

Em verdade em verdade te digo que nós dizemos o que sabemos e testificamos o que temos visto, contudo não aceitais o nosso testemunho.

Se tratando das coisas terrenas não me credes, como crereis, se vos falar das celestiais?

Ora, ninguém subiu ao céu, senão aquele que de lá desceu, a saber, o Filho do homem [que está no céu].

E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado,

para que todo o que nele crê tenha a vida eterna.

(João 3:1-15)

 

Pois nós também, outrora, éramos néscios, desobedientes, desgarrados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros.

Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com os homens,

não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo,

que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo nosso Salvador,

a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna.

(Tito 2:3-7)

 

 

ESTAR E PERMANECER EM JESUS COMO A VARA NA VIDEIRA

Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor.

Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto, limpa, para que produza mais fruto ainda.

Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado:

permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira; assim nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim.

Eu sou a videira, vós os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.

Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora à semelhança do ramo e secará; e o apanham, lançam no fogo e o queimam.

Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito.

(João 15:1-7)

 

Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo;

logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.

(Gálatas 2:19,20)

 

 

AMAR JESUS IMPLICA OBEDIÊNCIA

Falava ainda Jesus ao povo, e eis que sua mãe e seus irmãos estavam do lado de fora, procurando falar-lhe.

E alguém lhe disse: Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e querem falar-te.

Porém ele respondeu ao que lhe trouxera o aviso: Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?

E, estendendo a mão para os discípulos, disse: Eis minha mãe e meus irmãos.

Porque qualquer que fizer a vontade de meu Pai celeste, esse é meu irmão, irmã e mãe.

(Mateus 12:46-50)

 

E me amais, guardareis os meus mandamentos.

(João 14:13)

 

 

JESUS, O PAI E O ESPÍRITO SANTO E NÓS

E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco.

o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós.

Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós outros.

Ainda por um pouco e o mundo não me verá mais; vós, porém, me vereis; porque eu vivo, vós também vivereis.

Naquele dia vós conhecereis que eu estou em meu Pai e vós em mim e eu em vós.

Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama, será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele.

Disse-lhe Judas, não o Iscariotes: Donde procede, Senhor, que estás para manifestar-te a nós, e não ao mundo?

Respondeu Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada.

Quem não me ama, não guarda as minhas palavras; e a palavra que estais ouvindo não é minha, mas do Pai que me enviou.

Isto vos tenho dito, estando ainda convosco;

mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito.

Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.

Ouvistes que eu vos disse: Vou e volto para junto de vós. Se me amásseis, alegrar-vos-íeis de que eu vá para o Pai, pois o Pai é maior do que eu.

Disse-vos agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós creiais.

Já não falarei muito convosco, porque aí vem o príncipe do mundo; e ele nada tem em mim;

contudo, assim procedo para que o mundo saiba que eu amo o Pai e que faço como o Pai me ordenou. Levantai-vos, vamo-nos daqui.

(João 14:16-31)

 

PROJECTO ETERNO DE INTIMIDADE

Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim.

Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar.

E quando eu for, e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que onde eu estou estejais vós também.

(João 14:1-3)

 

Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo.

(João 17:24)

 

 

O CONSOLADOR QUE HABITA EM NÓS

            O Espírito Santo é concedido a todos os que recebem a Jesus Cristo como único e suficiente Salvador. Ele habita em nós. A intimidade atinge a proximidade total. Deus vive dentro de nós, não à maneira da espiritualidade New Age, que quer fazer crer que todos têm dentro de si deus como uma energia cósmica. Não é esse o ensino da Bíblia e de Jesus Cristo.

Acaso não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?

(2 Coríntios 6:19)

 

E, porque vós sois filhos, enviou Deus aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai.

(Gálatas 4:6)

 

 

PENTECOSTES: A PRESENÇA DE DEUS NOS ÚLTIMOS DIAS

Então os que estavam reunidos lhe perguntavam: Senhor, será este o tempo em que restaures o reino a Israel?

Respondeu-lhes: Não vos compete conhecer tempos ou épocas que o Pai reservou para sua exclusiva autoridade;

mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra.

(Actos 1:6-8)

 

Ao cumprir-se o dia de Pentecoste, estavam todos reunidos no mesmo lugar;

de repente veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados.

E apareceram, distribuídas entre eles, línguas como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles.

Todos ficaram cheios do Espírito Santo, e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito concedia que falassem.

Ora, estavam habitando em Jerusalém judeus, homens piedosos, de todas as nações debaixo do céu.

Quando, pois, se fez ouvir aquela voz, afluiu a multidão, que se possui de perplexidade, porquanto cada um os ouvia falar na sua própria língua.

Estavam, pois, atónitos, e se admiravam, dizendo: Vede! Não são, porventura, galileus todos esses que aí estão falando?

E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna,

partos, medos e elamitas e os naturais da Mesopotâmia, Judeia, Capadócia, Ponto e Ásia;

da Frigia e da Panfília, do Egipto e das regiões da Líbia, nas imediações de Cirene, e romanos que aqui residem,

tanto judeus como prosélitos, cretenses e arábios; como os ouvimos falar em nossas próprias línguas as grandezas de Deus?

Todos, atónitos e perplexos, interpelavam uns aos outros: Que quer isto dizer?

Outros, porém, zombando, diziam: Estão embriagados!

Então se levantou Pedro, com os onze; e, erguendo a voz, advertiu-os nestes termos: Varões judeus e todos os habitantes de Jerusalém, tomai conhecimento disto e atentai nas minhas palavras.

Estes homens não estão embriagados, como vindes pensando, sendo esta a terceira hora do dia.

Mas o que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta Joel:

E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos;

até sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e profetizarão.

Mostrarei prodígios em cima no céu e sinais em baixo na terra; sangue, fogo e vapor de fumo.

O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e glorioso dia do Senhor.

E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.

(Actos 2:1-21)

 

 

A SANTIDADE COMO QUALIDADE DO SER E DO CARÁCTER EM SEPARAÇÃO PARA DEUS

Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.

(Hebreus 12:14)

 

Por isso, cingindo o vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que vos está sendo trazida na revelação de Jesus Cristo.

Como filhos da obediência, não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância;

pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo vosso procedimento,

porque escrito está:

Sede santos, porque eu sou santo.

Ora, se invocais como Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo as obras de cada um, portai-vos com temor durante o tempo da vossa peregrinação,

sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram,

mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo,

conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós,

que, por meio dele, tendes fé em Deus, o qual o ressuscitou dentre os mortos e lhe deu glória, de sorte que a vossa fé e esperança estejam em Deus.

(1 Pedro 1:13-21)

 

 

INTIMIDADE PELA REVELAÇÃO E REVELAÇÃO NA INTIMIDADE

            Deus fala ao homem com a mesma Palavra com que lhe falou há dois mil anos atrás. Se é porventura verdade que devemos contextualizar a nossa comunicação das Boas Novas do amor e da justiça divinas, não é menos verdade que é o homem que tem de descer do seu pretenso pedestal cultural, religioso, laico, secularizado e humanista e chegar-se a Deus rogando-lhe humildemente misericórdia. Precisamos pedir-Lhe que nos dê entendimento, conhecimento, que nos permita saber quem Ele é e qual é o Seu propósito e plano para as nossas vidas, bem como nos conceda o poder para o realizar.

            O orgulho, a arrogância, a auto-suficiência, a soberba e a rebeldia do homem estão por detrás da idolatria e da religiosidade humana sem qualquer valor diante de Deus e totalmente rejeitada por Ele.

A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça;

porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou.

Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são por isso indesculpáveis;

porquanto, tendo conhecimento de Deus não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-lhes o coração insensato.

Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos,

e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes, e répteis.

Por isso Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seus próprios corações, para desonrarem os seus corpos entre si;

pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amem.

Por causa disso os entregou Deus a paixões infames; porque até as suas mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas, por outro contrário à natureza;

semelhantemente, os homens também, deixando o contacto natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo em si mesmos a merecida punição do seu erro.

E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes,

cheios de toda injustiça, malícia, avareza e maldade; possuídos de inveja, homicídio, contenda, dolo e malignidade; sendo difamadores,

caluniadores, aborrecidos de Deus, insolentes, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais,

insensatos, pérfidos, sem afeição natural e sem misericórdia.

Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem.

(Romanos 1:18-32)

 

 

INTIMIDADE NA ADORAÇÃO, NO LOUVOR E NA ACÇÃO DE GRAÇAS

            Jesus revela-nos que o Pai não é indiferente a todos os que O adoram em espírito e em verdade. Os dois requisitos apelam-nos à atitude do coração, no mais profundo do nosso ser, na devoção, na vontade de O buscar e de Lhe obedecer e servir.

Mas vem a hora, e já chegou, quando os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores.

Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.

(João 4:23,24)

 

Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus,

pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne,

e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus,

aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo os corações purificados de má consciência, e lavado o corpo com água pura.

Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel.

Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras.

Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações, e tanto mais quanto vedes que o dia se aproxima.

(Hebreus 10:19-25)

 

Por meio de Jesus, pois, ofereçamos a Deus, sempre, sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios que confessam o seu nome.

(Hebreus 13:15)

 

 

INTIMIDADE NA ORAÇÃO                                       

            Falar com Deus tanto com a boca quanto com o coração é nosso privilégio.

E, quando orares, não sereis como os hipócritas; porque gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos dos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa.

Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto; e, fechada a porta, orarás a teu Pai que está em secreto; e teu Pai que vê em secreto, te recompensará.

E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos.

Não vos assemelheis pois a eles; porque Deus, o vosso Pai, sabe o de que tendes necessidade, antes que lho peçais.

Portanto, vós orareis assim: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome;

venha o teu reino, faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;

o pão nosso de cada dia dá-nos hoje;

e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;

e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal [pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amem.]

Porque se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará;

se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tão pouco vosso pai vos perdoará as vossas ofensas.

(Mateus 6:5-15)

 

 

O RELACIONAMENTO COM DEUS GERA PROXIMIDADE COM O SEMELHANTE

Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros.

Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros.

(João 13:34,35)

 

Porque a mensagem que ouvistes desde o princípio é esta, que nos amemos uns aos outros;

não segundo Caim, que era do maligno e assassinou a seu irmão; e por que o assassinou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas.

Irmãos, não vos maravilheis, se o mundo vos odeia.

Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; aquele que não ama permanece na morte.

Todo aquele que odeia a seu irmão é assassino; ora, vós sabeis que todo assassino não tem a vida eterna permanente em si.

Nisto conhecemos o amor, em que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar a nossa vida pelos irmãos.

Ora, aquele que possuir recursos deste mundo e vir a seu irmão padecer necessidade e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus?

Filhinhos, não amemos de palavra de palavra, nem de língua, mas de facto e de verdade.

E nisto conheceremos que somos da verdade, bem como, perante ele, tranquilizaremos o nosso coração;

pois, se o nosso coração nos acusar, certamente Deus é maior do que o nosso coração, e conhece todas as coisas.

Amados, se o coração não nos acusar, temos confiança diante de Deus;

e aquilo que pedimos, dele recebemos, porque guardamos os seus mandamentos, e fazemos diante dele o que lhe é agradável.

Ora, o seu mandamento é este, que creiamos em o nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o mandamento que nos ordenou.

E aquele que guarda os seus mandamentos permanece em Deus, e Deus nele. E nisto conhecemos que ele permanece em nós, pelo Espírito que nos deu.

(1 João 3:11-24)

 

 

NO FIM REINARÁ PERFEITA HARMONIA – DEUS, O HOMEM E A CRIAÇÃO

Palavra que em visão, veio a Isaías, filho de Amoz, a respeito de Judá e Jerusalém.

Nos últimos dias acontecerá que o monte da casa do Senhor será estabelecido no cume dos montes, e se elevará sobre os outeiros, e para ele afluirão todos os povos.

Irão muitas nações, e dirão: Vinde, e subamos ao monte do Senhor, e à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos pelas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e a palavra do Senhor de Jerusalém.

Ele julgará entre os povos, e corrigirá muitas nações; estes converterão as suas espadas em relhas de arados, e suas lanças em podadeiras: uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra.

Vinde, ó casa de Jacó, e andemos na luz do Senhor.

(Isaías 2:1-5)

 

 

O CÉU COMO INTIMIDADE ETERNA COM DEUS

            A vontade de Deus é que vivamos eternamente com Ele. A consumação dos séculos revelará como o propósito de Deus não foi gorado. O Diabo está derrotado porque na cruz Jesus rompeu com a prisão que nos separava em definitivo de Deus em toda a Sua santidade e justiça.

Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim.

Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar.

E quando eu for, e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que onde eu estou estejais vós também.

(João 14:1-3)

 

Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo.

(João 17:24)

 

Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e primeira terra passaram, e o mar já não existe.

Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo.

Então ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus e Deus mesmo estará com eles.

E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.

E aquele que está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras.

Disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o alfa e o Ómega, o princípio e o fim. Eu, a quem tem sede darei de graça da fonte da água da vida.

O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe serei Deus e ele me será filho.

Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte.

(Apocalipse 21:1-8)

 

 

O INFERNO COMO ETERNA SEPARAÇÃO DE DEUS

Quando vier o Filho do homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória;

e todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas;

e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos à esquerda;

então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo.

Porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era forasteiro e me hospedastes;

estava nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; preso e foste ver-me.

Então perguntarão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? ou com sede e te demos de beber?

E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? ou nu e te vestimos?

E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar?

O Rei, respondendo, lhes dirá: em verdade, vos afirmo que sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.

Então o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos.

Porque tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber;

sendo forasteiro, não me hospedastes; estando nu, não me vestistes; achando-me enfermo e preso não fostes ver-me.

E eles lhes perguntarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, forasteiro, nu, enfermo ou preso, e não te assistimos?

Então lhes responderá: em verdade vos digo que sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer.

E irão estes para o castigo eterno, porém os justos para a vida eterna.

(Mateus 25:31-46)

 

 

CONHECER DEUS

            O conhecimento de Deus é a coisa mais estupenda e fascinante que podemos lograr alcançar.

            A vida só é vivida na sua intensidade própria quando a vivemos neste propósito.

Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte na sua força, nem o rico nas suas riquezas;

mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o Senhor, e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor.

(Jeremias 9:23,24)

 

Conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor: como a alva a sua vinda é certa; e ele descerá sobre nós como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra.

(Oséias 6:3)

 

Pois misericórdia quero, e não sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que holocaustos.

(Oséias 6:6)

 

E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.

(João 17:3)

 

 

O CORAÇÃO DO HOMEM POR SI SÓ NÃO O PODE LEVAR ATÉ DEUS

            Ao contrário da tendência das religiões orientais que anunciam que Deus está dentro do coração do homem e que é nele que O podem conhecer e encontrar, a Bíblia denuncia que o íntimo humano está pervertido e é enganoso.

            Deus conhece-se através da Sua revelação escrita e na iluminação do Espírito Santo.

Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto, quem o conhecerá?

Eu, o Senhor, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos; e isto para dar a cada um segundo o seu proceder, segundo o fruto das suas acções.

(Jeremias 17:9,10)

 

 

O DEUS ESCONDIDO

Então disse Salomão: o Senhor declarou que habitaria em trevas espessas!

(1 Reis 8:12)

 

 

DEUS É TREMENDO, NENHUM OUTRO A ELE SE COMPARA

            Necessariamente a intimidade gera conhecimento e o conhecimento intensifica a intimidade.

Pelo que Davi louvou ao Senhor perante a congregação toda, e disse: Bendito és tu, Senhor, Deus de nosso pai Israel, de eternidade em eternidade.

Tua, Senhor, é a grandeza, o poder, a honra, a vitória e a majestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra; teu, Senhor, é o reino, e tu te exaltaste por chefe sobre todos.

Riquezas e glória vêm de ti, tu dominas sobre tudo, na tua mão há força e poder: contigo está o engrandecer e a tudo dar força.

Agora, pois, ó nosso Deus, graças te damos, e louvamos o teu glorioso nome.

Porque quem sou eu, e quem é o meu povo para que pudéssemos dar voluntariamente estas coisas? Porque tudo vem de ti, e das tuas mãos to damos.

Porque somos estranhos diante de ti, e peregrinos como todos os nossos pais; como a sombra são os nossos dias sobre a terra, e não temos permanência.

Senhor, nosso Deus, toda esta abundância, que preparamos para te edificar uma casa ao teu santo nome, vem da tua mão, e é toda tua.

Bem sei, meu Deus, que tu provas os corações, e que da sinceridade te agradas; eu também na sinceridade de meu coração dei voluntariamente todas estas coisas; acabo de ver com alegria que o teu povo que se acha aqui, te faz ofertas voluntariamente.

Senhor, Deus de nossos pais Abraão, Isaque e Israel, conserva para sempre no coração do teu povo estas disposições e pensamentos, inclina-lhe o coração para contigo;

e a Salomão, meu filho, dá coração íntegro para guardar os teus mandamentos, os teus testemunhos e os teus estatutos, fazendo tudo para edificar este palácio para o qual providenciei.

Então disse Davi a toda a congregação: Agora louvai ao Senhor vosso Deus. Então toda a congregação louvou ao Senhor Deus de seus pais; todas inclinaram a cabeça, adoraram o Senhor, e se prostraram perante o rei.

Ao outro dia trouxeram sacrifícios ao Senhor, e lhe ofereceram holocaustos de mil bezerros, mil carneiros, mil cordeiros, com as suas libações; sacrifícios em abundância por todo o Israel.

Comeram e beberam naquele dia perante o Senhor, com grande regozijo.

(1 Crónicas 29:10-22)

 

Ó Senhor, Senhor nosso,

quão magnífico em toda a terra é o teu nome!

pois expuseste nos céus a tua majestade.

Da boca de pequeninos e crianças de peito

suscitaste força, por causa dos teus adversários,

para fazeres emudecer o inimigo e o vingador.

Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos,

e a lua e as estrelas que estabeleceste,

que é o homem, que dele te lembres? e o filho do homem, que o visites?

Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que Deus,

e de glória e de honra o coroaste.

Deste-lhe domínio sobre as obras da tua mão,

e sob seus pés tudo lhe puseste:

ovelhas e bois, todos,

e também os animais do campo;

as aves do céu e os peixes do mar,

e tudo o que percorre as sendas dos mares.

Ó Senhor, Senhor nosso,

quão magnífico em toda a terra é o teu nome!

(Salmo 8)

 

No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo.

Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os seus pés e com duas voava.

E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.

As bases do limiar se moveram à voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça.

Então disse eu: Ai de mim! Estou perdido! porque sou homem de lábios impuros, habito no meio dum povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!

Então um dos serafins voou para mim trazendo na mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz;

com a brasa tocou a minha boca, e disse: Eis que ela tocou os teus lábios; a tua iniquidade foi tirada, e perdoado o teu pecado.

Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim.

Então disse ele: Vai, e dize a este povo: Ouvi, ouvi, e não entendais; vede, vede, mas não percebais.

Torna insensível o coração deste povo, endurece-lhe os ouvidos, e fecha-lhes os olhos, para que não venha ele a ver com os olhos, a ouvir com os ouvidos, e a entender com o coração, e se converta e seja salvo.

Então disse eu: Até quando, Senhor? Ele respondeu: Até que sejam desoladas as cidades e fiquem sem habitantes, as casas fiquem sem moradores, e a terra seja de todo assolada,

e o Senhor afaste dela os homens e no meio da terra seja grande o desamparo.

Mas se ainda ficar a décima parte dela tornará a ser destruída. Como terebinto e como carvalho, dos quais, depois de derrubados, ainda fica o toco, assim a santa semente é o seu toco.

(Isaías 6)

 

Quem na concha de sua mão mediu as águas, e tomou a medida dos céus a palmos? Quem recolheu na terça parte de um efa o pó da terra, e pesou os montes em romana e os outeiros em balança de precisão?

Quem guiou o Espírito do Senhor? ou, como seu conselheiro, o ensinou?

Com quem tomou ele conselho, para que lhe desse compreensão? Quem o instruiu na vereda do juízo e lhe ensinou sabedoria e lhe mostrou o caminho de entendimento?

Eis que as nações são consideradas por ele como um pingo que cai dum balde, e como um grão de pó na balança; as ilhas são como pó fino que se levanta.

Nem todo o Líbano basta para queimar, nem os seus animais para um holocausto.

Todas as nações são perante ele como coisa que não é nada; ele as considera menos do que nada, como um vácuo.

Com quem comparareis a Deus? ou que coisa semelhante confrontareis. O artífice funde a imagem, e o ourives a cobre de ouro, e cadeias de prata forja para ela.

O sacerdote idólatra escolhe madeira que não se corrompe e busca um artífice perito para assentar uma imagem esculpida que não oscile.

Acaso não sabeis? porventura não ouvis? não vos tem sido anunciado desde o princípio? ou não atentastes para os fundamentos da terra?

Ele é o que está assentado sobre a redondeza da terra, cujos moradores são com gafanhotos; é ele quem estende os céus como cortina, e os desenrola como tenda para neles habitar;

é ele quem reduz a nada os príncipes, e torna em nulidade os juízos da terra.

Mal foram plantados e semeados, mal se arraigou na terra o seu tronco, já se secam, quando um sopro passa por eles, e uma tempestade os leva como palha.

A quem, pois, me comparareis para que eu lhe seja igual? diz o Santo.

Levantai ao alto os vossos olhos, e vede. Quem criou estas coisas? Aquele que faz sair o seu exército de estrelas, todas bem contadas, as quais ele chama pelos seus nomes; por ser ele grande em força e forte em poder, nem um só vem a faltar.

Por que, pois, dizes, ó Jacó, e falas, ó Israel: O meu caminho está encoberto ao Senhor, e o meu direito passa despercebido ao meu Deus?

Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o Senhor, o Criador dos fins da terra, nem se cansa nem se fatiga? Não se pode esquadrinhar o seu entendimento.

Faz forte ao cansado, e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor.

Os jovens se cansam e se fatigam, e os moços de exaustos caem,

mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como de águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam.

(Isaías 40:21-31)

 

Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu Deus além de ti, que trabalha para aquele que nele espera.

(Isaías 64:4)

 

Quem, ó Deus, é semelhante a ti, que perdoas a iniquidade, e te esqueces da transgressão do restante da tua herança? O Senhor não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia.

Tornará a ter compaixão de nós; pisará aos pés as nossas iniquidades, e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar.

(Miquéias 7:18,19)

 

 

DEUS É SANTO, JUSTO, AMOROSO, BONDOSO, MISERICORDIOSO, LONGÂNIMO

            A tendência hoje em dia é para ignorar que Deus rejeita, reprova o pecado e condena o pecador que não se arrepende e não aceita o Seu perdão. Ele sabe perfeitamente o que vai no coração do homem.

            Apresenta-se um Deus cor-de-rosa e esconde-se a Sua ira contra o que destrói e arruína a Sua criação. Alguns até pretendem divisar um Deus irado no Velho Testamento e um Deus de amor no Novo Testamento. Nada de mais errado. Em ambos os Testamentos o mesmo Deus santo, justo, amoroso e misericordioso está presente.

Por que se enfurecem os gentios e os povos imaginam coisas vãs?

Os reis da terra se levantam,

e os príncipes conspiram contra o Senhor e contra o seu Ungido, dizendo:

Rompamos os seus laços

e sacudamos de nós as suas algemas.

Ri-se aquele que habita nos céus;

o Senhor zomba deles.

Na sua ira, a seu tempo, lhes há de falar,

e no seu furor os confundirá:

Eu, porém, constitui o meu Rei,

sobre o meu santo monte Sião.

Proclamarei o decreto do Senhor:

Ele disse: Tu és meu Filho,

eu hoje te gerei.

Pede-me, e eu te darei as nações por herança,

e as nações por herança,

e as extremidades da terra por tua possessão.

Com vara de ferro as regerás,

e as despedaçarás como um vaso de oleiro.

Agora, pois, ó reis, sede prudentes;

deixai-vos advertir, juízes da terra.

Servi ao Senhor com temor,

e alegrai-vos nele com tremor.

Beijai o Filho para que se não irrite, e não pereçais no caminho;

porque dentro em pouco se lhe inflamará a ira.

Bem-aventurados todos os que nele se refugiam.

(Salmo 2)

 

 

Bendize, ó minha alma, ao Senhor,

e tudo o que há em mim bendiga ao seu santo nome.

Bendize, ó minha alma, ao Senhor,

e não te esqueças de nem um só de seus benefícios.

Ele é quem perdoa todas as tuas iniquidades;

quem sara todas as tuas enfermidades;

quem da cova redime a tua vida,

e te coroa de graça e misericórdia;

quem farta de bens a tua velhice,

de sorte que a tua mocidade se renova como a da águia.

O Senhor faz justiça,

e julga todos os oprimidos.

Manifestou os seus caminhos a Moisés,

e os seus feitos, aos filhos de Israel.

O Senhor é misericordioso e compassivo;

longânimo e assaz benigno.

Não repreende perpetuamente,

nem conserva para sempre a sua ira.

Não nos trata segundo os nossos pecados,

nem nos retribui consoante as nossas iniquidades.

Pois quanto o céu se alteia acima da terra,

assim é grande a sua misericórdia

para com os que o temem.

Quanto dista o Oriente do Ocidente,

assim afasta de nós as nossas transgressões.

Como um pai se compadece de seus filhos,

assim o Senhor se compadece dos que o temem.

Pois ele conhece a nossa estrutura e sabe que somos pó.

Quanto ao homem os seus dias são como a relva;

como a flor do campo, assim floresce;

pois, soprando nela o vento, desaparece;

e não conhecerá daí em diante do seu lugar.

Mas a misericórdia do Senhor é de eternidade a eternidade,

sobre os que o temem,

e a sua justiça sobre os filhos dos filhos;

para com os que guardam a sua aliança,

e para com os que se lembram dos seus preceitos e os cumprem.

Nos céus estabeleceu o Senhor o seu trono,

e o seu reino domina sobre tudo.

Bendizei ao Senhor todos os seus anjos,

valorosos em poder, que executais as suas ordens,

e lhe obedeceis à palavra.

Bendizei ao Senhor, vós, todas as suas obras,

em todos os lugares do seu domínio.

Bendize, ó minha alma, ao Senhor.

(Salmo 103)

 

Orarás naquele dia: Graças te dou, ó Senhor, porque, ainda que te iraste contra mim, a tua ira se retirou, e tu me consolas.

Eis que Deus é a minha salvação; confiarei e não temerei, porque o Senhor Deus é a minha força e o meu cântico; ele se tornou a minha salvação.

Vós com alegria tirareis águas das fontes da salvação.

Direis naquele dia: Dai graças ao Senhor, invocai o seu nome, tornai manifestos os seus feitos entre os povos, relembrai que é excelso o seu nome.

Cantai louvores ao Senhor, porque fez coisas grandiosas; saiba-se isto em toda a terra.

Exulta e jubila, ó habitante de Sião, porque grande é o Santo de Israel no meio de ti.

(Isaías 12)

 

Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará.

(Gálatas 6:7)

 

 

SÓ HÁ UM DEUS

            E esse Deus é pessoal. Não é uma energia nem se pode confundir com a coisa criada. Não é um ídolo, nem pode ser fabricado pelos homens.

Todos os artífices de imagens de escultura são nada, e as suas coisas preferidas são de nenhum préstimo; eles mesmos são testemunhas de que elas nada vêem nem entendem, para que eles sejam confundidos.

Quem formaria um deus ou fundiria uma imagem de escultura, que é de nenhum préstimo?

Eis que todos os seus seguidores ficariam confundidos, pois os mesmos artífices não passam de homens; ajuntem-se todos, e se apresentem, espantem-se e sejam à uma envergonhados.

O ferreiro faz o machado, trabalha nas brasas, e forma um ídolo a martelo, forja-o com a força do seu braço; ele tem fome e a sua força falta, não bebe água, e desfalece.

O artífice em madeira estende o cordel e, com o lápis, esboça uma imagem; alisa-a com plaina, marca com o compasso, e faz à semelhança e beleza de um homem, que possa morar em uma casa.

Um homem corta para si cedros, toma um cipreste ou um carvalho, fazendo escolha entre as árvores do bosque; planta um pinheiro, e a chuva o faz crescer.

Tais árvores servem ao homem para queimar; com parte de sua madeira se aquenta, e coze o pão, e também faz um deus e se prostra diante dele, esculpe uma imagem e se ajoelha diante dela.

Metade queima no fogo, e com ela coze a carne para comer, assa-a, e farta-se; também se aquenta e diz: Ah! já me aquento, contemplo a luz.

Então do resto faz um deus, uma imagem de escultura; ajoelha-se diante dela, prostra-se, e lhe dirige a sua oração, dizendo: Livra-me, porque tu és o meu deus.

Nada sabem, nada entendem; porque se lhes grudaram os olhos, para que não vejam, e os seus corações já não podem entender.

Nenhum deles cai em si, já não há conhecimento, nem compreensão para dizer: Metade queimei no fogo e cozi pão sobre as suas brasas, assei sobre elas carne, e a comi; e faria eu do resto uma abominação? ajoelhar-me-ia eu diante de um pedaço de árvore?

Tal homem se apascenta de cinza; o seu coração o iludiu; de maneira que não pode livrar a sua alma, nem dizer: Não é mentira o em que confio?

(Isaías 44:9-20)

 

Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria, como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!

Quem pois conheceu a mente do Senhor? ou que foi o seu conselheiro?

Ou quem primeiro lhe deu a ele para que lhe venha a ser restituído?

Porque dele e por meio dele e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amem.

(Romanos 11:33-36)

 

Depois destas coisas olhei, e eis não somente uma porta aberta no céu, como também a primeira voz que ouvi, como de trombeta ao falar comigo, dizendo: Sobe para aqui, e te mostrarei o que deve acontecer depois destas coisas.

Imediatamente eu me achei em espírito, e eis armado no céu um trono, e no trono alguém sentado;

e esse que se acha assentado é semelhante no aspecto a pedra de jaspe e de sardónio, e ao redor do trono há um arco-íris semelhante no aspecto a esmeralda.

Ao redor do trono há também vinte e quatro tronos e assentados neles vinte e quatro anciãos vestidos de branco, em cujas cabeças estão coroas de ouro.

Do trono saem relâmpagos, vozes e trovões, e diante do trono ardem sete tochas de fogo, que são os sete espíritos de Deus.

Há diante do trono um como que mar de vidro, semelhante ao cristal, e também no meio do trono, e à volta do trono, quatro seres viventes cheios de olhos por diante e por detrás.

O primeiro ser vivente é semelhante a leão, o segundo semelhante a novilho, o terceiro tem rosto como de homem, e o quarto ser vivente é semelhante a águia quando está voando.

E os quatro seres viventes, tendo cada um deles respectivamente seis asas, cheios de olhos, ao redor e por dentro; não têm descanso nem de dia nem de noite, proclamando;

Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-poderoso, aquele que era, que é e que há de vir.

Quando esses seres viventes derem glória, honra e acções de graça ao que se encontra sentado no trono, ao que vive pelos séculos dos séculos,

os vinte e quatro anciãos prostrar-se-ão diante daquele que se encontra sentado no trono, adorarão ao que vive pelos séculos dos séculos, e depositarão as suas coroas diante do trono, proclamando:

Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas.

(Apocalipse 4)

 

 

AMOR, PERDÃO E SERVIÇO COMO MANIFESTAÇÃO VISÍVEL DE QUEM CONHECE E TEM INTIMIDADE COM DEUS – SANTIDADE DE VIDA

Chegando um dos escribas, tendo ouvido a discussão entre eles, vendo como Jesus lhes houvera respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o principal de todos os mandamentos?

Respondeu Jesus: O principal é: Ouve, ó Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor!

Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento, e de toda a tua força.

O segundo é:

Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

Não há outro mandamento maior do que estes.

(Marcos 12:28-31)

 

Entretanto, procurai com zelo, os melhores dons. E eu passo a mostrar-vos ainda um caminho sobremodo excelente.

Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine.

Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé ao ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei.

E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres, e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará.

O amor é paciente, é benigno, o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece,

não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal;

não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade;

tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência passará;

porque em parte conhecemos, e em parte profetizamos.

Quando, porém, vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado.

Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino.

Porque agora vemos como em espelho, obscuramente, então veremos face a face; agora conheço em parte, então conhecerei como também sou conhecido.

Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três: porém o maior destes é o amor.

Segui o amor, e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente que profetizeis.

(1 Coríntios 12:31; 13 e 14:1)

 

Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é o cabeça, Cristo,

(Efésios 4:15)

 

Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo; todo aquele que não pratica justiça não procede de Deus, também aquele que não ama a seu irmão.

(1 João 3:10)

 

Porque a mensagem que ouvistes desde o princípio é esta, que nos amemos uns aos outros;

não segundo Caim, que era do maligno e assassinou a seu irmão; e por que o assassinou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão justas.

Irmãos, não vos maravilheis, se o mundo vos odeia.

Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; aquele que não ama permanece na morte.

Todo aquele que odeia a seu irmão é assassino; ora, vós sabeis que todo assassino não tem a vida eterna permanente em si.

Nisto conhecemos o amor, em que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar a nossa vida pelos irmãos.

Ora, aquele que possuir recursos deste mundo e vir a seu irmão padecer necessidade e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus?

Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de facto e de verdade.

E nisto conheceremos que somos da verdade, bem como, perante ele, tranquilizaremos o nosso coração;

pois, se o nosso coração nos acusar, certamente Deus é maior do que o nosso coração, e conhece todas as coisas.

Amados, se o coração não nos acusar, temos confiança diante de Deus;

e aquilo que pedimos dele recebemos, porque guardamos os seus mandamentos, e fazemos diante dele o que lhe é agradável.

Ora, o seu mandamento é este, que creiamos em o nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o mandamento que nos ordenou.

E aquele que guarda os seus mandamentos permanece em Deus, e Deus nele. E nisto conhecemos que ele permanece em nós, pelo Espírito que nos deu.

(1 João 3:11-24)

 

Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus, e conhece a Deus.

Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor.

Nisto se manifestou o amor de Deus em nós, em haver Deus enviado o seu Filho unigénito ao mundo, para vivermos por meio dele.

Nisto consiste o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou, e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.

Amados, se Deus de tal maneira nos amou, devemos nós também amar uns aos outros.

Ninguém jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é em nós aperfeiçoado.

Nisto conhecemos que permanecemos nele, e ele em nós, em que nos deu do seu Espírito.

E nós temos visto e testemunhamos que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo.

Aquele que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele em Deus.

E nós conhecemos e cremos o amor que Deus nos tem. Deus é amor, aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele.

Nisto é em nós aperfeiçoado o amor, para que no dia do juízo mantenhamos confiança; pois, segundo ele é, também nós somos neste mundo.

No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. Ora o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor.

Nós amamos porque ele nos amou primeiro.

Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.

Ora, temos da parte dele este mandamento, que aquele que ama a Deus, ame também a seu irmão.

(1 João 4:7-21)

 

Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou, também ama ao que dele é nascido.

Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus, quando amamos a Deus e praticamos os seus mandamentos.

Porque este é o amor de Deus, que guardemos os seus mandamentos; ora, os seus mandamentos não são penosos,

porque tudo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé.

Quem é o que vence o mundo senão aquele que crê ser Jesus o Filho de Deus?

(1 João 5:1-5)

 

 

A GRAÇA (2) COMO ESTILO DE VIDA BEBIDO EM DEUS

por intermédio de quem viemos a receber graça e apostolado por amor do seu nome, para a obediência por fé, entre todos os gentios,

(Romanos 1:5)

 

A todos os amados de Deus, que estais em Roma, chamados para serdes santos: Graça a vós outros e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.

(Romanos 1:7)

 

Justificados, pois, mediante a fé, tenhamos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo;

por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriemo-nos na esperança da glória de Deus.

(Romanos 5:1,2)

 

Todavia, não é assim o dom gratuito como a ofensa; porque se pela ofensa de um só, morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, foi abundante sobre muitos.

O dom entretanto, não é como no caso em que somente um pecou; porque o julgamento derivou de uma só ofensa, para a condenação; mas a graça transcorre de muitas ofensas, para a justificação.

Se pela ofensa de um, e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça, reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo.

Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação assim também por um só acto de justiça veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida.

Porque, como pela desobediência de um só homem muitos se tornaram pecadores, assim também por meio da obediência de um só muitos se tornarão justos.

Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado superabundou a graça;

a fim de que, como o pecado reinou pela morte, assim também reinasse a graça pela justiça para a vida eterna, mediante Jesus Cristo nosso Senhor.

(Romanos 5:15-21)

 

Graça a vós outros e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.

(1 Coríntios 1:3)

 

Sempre dou graças a [meu] Deus a vosso respeito, a propósito da sua graça que vos foi dada em Cristo Jesus.

(1 Coríntios 1:4)

 

Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça que me foi concedida, não se tornou vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus comigo.

(1 Coríntios 15:10)

 

A graça do Senhor Jesus seja convosco.

(1 Coríntios 16:23)

 

Graça a vós outros e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.

(2 Coríntios 1:2)

 

Não vos falo na forma de mandamento, mas para provar, pela diligência de outros, a sinceridade do vosso amor;

pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que pela sua pobreza vos tornásseis ricos.

(2 Coríntios 8:9)

 

enquanto oram eles a vosso favor, com grande afecto, em virtude da superabundante graça de Deus que há em vós.

Graças a Deus pelo seu dom inefável.

(2 Coríntios 9:14,15)

 

E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte.

Por causa disto três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim.

Então ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo.

Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando sou fraco, então é que sou forte.

(2 Coríntios 12:7-10)

 

A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós.

(2 Coríntios 13:13)

 

Graça a vós outros e paz da parte de Deus nosso Pai, e do [nosso] Senhor Jesus Cristo.

(Gálatas 1:3)

 

Quando, porém, ao que me separou antes de eu nascer e me chamou pela sua graça aprouve

revelar seu Filho em mim, para que eu o pregasse entre os gentios, sem detença não consultei carne e sangue,

(Gálatas 1:15,16)

 

e, quando conheceram a graça que me foi dada, Tiago, Cefas e João, que eram reputadas colunas, me estenderam, a mim e a Barnabé, a destra de comunhão, a fim de que nós fôssemos para os gentios e eles para a circuncisão;

(Gálatas 2:9)

 

Não anulo a graça de Deus; pois, se a justiça é mediante a lei, segue-se que morreu Cristo em vão.

(Gálatas 2:21)

 

A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja, irmãos, com o vosso espírito. Amem.

(Gálatas 6:18)

 

Graça a vós outros e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.

(Efésios 1:2)

 

Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou,

e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, - pela graça sois salvos,

e juntamente com ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus;

para mostrar nos séculos vindouros a suprema riqueza da sua graça, em bondade para connosco, em Cristo Jesus.

Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus;

não de obras, para que ninguém se glorie.

Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.

(Efésios 2:4-10)

 

 

PROJECTO DO REINO NO CORAÇÃO DOS HOMENS

            Creio que o projecto social de Deus em termos presentes e futuros, temporal e eterno, não se confunde com nenhum sistema político ou económico seja ele mais socialista ou comunista, social democrata ou democrata cristão; seja ele capitalista ou liberal.

            Os discípulos de Jesus Cristo influenciam necessariamente nos dias que correm como no passado os sistemas sociais, a legislação produzida, a sua aplicação prática, etc. Mas a intervenção maior ocorre na vivência pessoal, familiar, profissional e social, na dimensão espiritual, moral e ética, nos relacionamentos e nas atitudes quotidianas.

            Estou convicto que a eternidade em termos de vivência pessoal e social não estará circunscrita a nenhum tipo de sistema de poderes legislativo, executivo e judicial como hoje conhecemos. A vivência despontará com toda a harmonia do coração de cada homem e mulher, como filhos de Deus como obras acabadas e completas, como igreja sem mácula e sem ruga.

            É esta dinâmica que desde já, aqui e agora, temos que impulsionar e concretizar, não perdendo de vista a intervenção político-social e económica, mas daquela maneira indo muito mais longe e produzindo um impacto muito maior.

            No mundo inteiro hoje em dia milhões de pessoas, jovens e adultos, crianças e adolescentes, mulheres e homens, de todas as raças e de todas as línguas, em todas as nações vivem e manifestam o amor, o perdão e o serviço na comunhão com o Pai celestial, aprendidos em Jesus Cristo e alimentados pelo Espírito Santo. Novas criaturas, filhos de Deus por Jesus Cristo mediante a Sua morte expiatória.

            O cristão não necessita que a lei imponha ou prescreva para viver o que Deus quer. O seu desejo é viver segundo o coração do Pai.

            As injustiças sociais ainda atravessam a Igreja, mas a solidariedade e a generosidade ajudam a superar estas notas dissonantes. Na segunda vinda de Cristo estas questões estarão perfeitamente resolvidas e desaparecerão para sempre.

            Ao longo destes vinte séculos a Igreja não conseguiu trazer à sociedade um projecto político alternativo nem esta era a sua missão. A Igreja não falhou porque essa não é o seu propósito. Tal meta seria impossível, não se coaduna sequer com o Evangelho. Agora é certo que muita coisa esteve e está diferente pela sua acção.

            Os princípios bíblicos do amor, do perdão e do serviço, do dar, da generosidade, do trabalho, da excelência, do equilíbrio, do ser antes do ter, da dependência de Deus em vez da competição desenfreada e selvagem, etc. quando aplicados e vividos produzem resultados em qualquer latitude e influenciam positivamente a sociedade.

            Não chega ensinar o povo como viver individualmente, em família, etc. sem uma experiência de salvação e transformação de vida, para a intimidade e comunhão com Deus. A perspectiva evangélica visa a eternidade e aí causa todo o impacto no temporal.

            Na sua segunda vinda Jesus instaurará o que em embrião e em parte já é a realidade da Sua Igreja no mundo, do qual serão excluindo todos os que não O aceitaram nem aceitarão nunca.

Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus.

(Mateus 3:2)

 

Daí por diante passou Jesus a pregar e dizer: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus.

(Mateus 4:17)

 

Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.

(Mateus 5:3)

 

Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus.

(Mateus 5:19)

 

venha o tu reino, faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;

(Mateus 6:10)

 

e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal [pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amem.]

(Mateus 6:13)

 

buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.

(Mateus 6:33)

 

Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.

(Mateus 7:21)

 

Digo-vos que muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos céus.

Ao passo que os filhos do reino serão lançados para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes.

(Mateus 8:11,12)

 

e, à medida que seguirdes, pregai que está próximo o reino dos céus.

(Mateus 10:7)

 

Em verdade, vos digo: Entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Baptista; mas o menor no reino dos céus é maior do que ele.

Desde os dias de João Baptista até agora o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele.

(Mateus 11:11,12)

 

Se, porém, eu expulso os demónios, pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós.

(Mateus 12:28)

 

Ao que respondeu: Porque a vós outros é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas àqueles não lhes é isso concedido.

(Mateus 13:11)

 

A todos os que ouvem a palavra do reino, e não a compreendem, vem o maligno e arrebata o que lhes foi semeado no coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho.

(Mateus 13:19)

 

o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do reino; o joio são os filhos do maligno;

(Mateus 13:38)

 

Dar-te-ei as chaves do reino dos céus: o que ligares na terra, terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra, terá sido desligado nos céus.

(Mateus 16:19)

 

E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus.

(Mateus 18:3)

 

Jesus, porém, disse: Deixai os pequeninos, não os embaraceis de vir a mim, porque dos tais é o reino dos céus.

(Mateus 19:14)

 

Então disse Jesus a seus discípulos: Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no reino dos céus.

(Mateus 19:23)

 

Portanto vos digo que o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos.

(Mateus 21:43)

 

então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo.

(Mateus 25:34)

 

E digo-vos que, desta hora em diante, não beberei deste fruto da videira, até aquele dia em que o hei de beber, novo, convosco no reino de meu Pai.

(Mateus 26:29)

 

Interrogado pelos fariseus sobre quando viria o reino de Deus, Jesus lhes respondeu: Não vem o reino de Dês com visível aparência.

Nem dirão: Ei-lo aqui! ou: Lá está! porque o reino de Deus está dentro em vós.

(Lucas 17:20,21)

 

Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça e paz, e alegria no Espírito Santo.

(Romanos 14:17)

 

Porque o reino de Deus consiste, não em palavra, mas em poder.

(1 Coríntios 4:20)

 

 

1

            A Ideia Bíblica do Pecado.

            Ao dar a ideia bíblica do pecado, é necessário chamar a atenção para diversas particularidades.

            1. O PECADO É OMAL NUMA CATEGORIA ESPECÍFICA. Hoje em dia ouvimos falar muito do mal, e relativamente pouco do pecado; e isso é muito enganoso. Nem todo o mal é pecado. Não se de deve confundir o pecado com o mal físico, com aquilo que é danoso ou calamitoso. É possível falar, não só do pecado mas da doença, como um mal, mas, então, a palavra “mal” é empregada em dois sentidos totalmente diversos. Acima da esfera física está a esfera ética, na qual é aplicável o contraste entre o bem moral e o mal moral, e é somente nesta esfera que podemos falar de pecado. E mesmo nesta esfera não é desejável substituir a palavra “pecado” pela palavra “mal” sem acrescentar algum qualificativo, pois aquela é mais específica do que esta. O pecado é um mal moral. Muitos nomes empregues na Escritura para designar o pecado indicam o seu teor moral. Chatta’th dirige a atenção para o pecado como um feito que erra o alvo e que consiste num desvio do caminho certo. ‘Avel e ‘avon indicam que é uma falta de integridade e rectidão, uma saída da vereda designada. Pesha’ refere-se a ele como uma revolta ou uma recusa de sujeição à autoridade legítima, uma positiva transgressão da lei, e um rompimento da aliança. E resha’ o assinala como uma fuga ímpia e culposa da lei. Ademais, é designada como culpa por ‘asham, como infidelidade e traição por ma’al, como vaidade por ‘aven e como perversão ou distorção (torção) por ‘avah. As palavras neotestamentárias correspondentes, como hamartia, adikia, parabasis, paraptoma, anomia, paranomia e outras, indicam as mesmas ideias. em vista do emprego dessas palavras e do modo pelo qual a Bíblia normalmente fala do pecado, não se pode duvidar do seu teor ético. Não é uma calamidade que sobreveio inopinadamente ao homem, envenenou sua vida e arruinou sua felicidade, mas um curso que o homem decidiu seguir deliberadamente e que leva consigo miséria inaudita. Fundamentalmente não é uma coisa passiva, como uma fraqueza, um defeito, ou uma imperfeição pela qual podemos ser responsabilizados, mas uma activa oposição a Deus, e uma posição de transgressão da Sua lei, constituindo culpa. O pecado é o resultado de uma escolha livre, porém má, do homem. Este é o ensino claro da Palavra de Deus, Gn 3.1-6; Rm 1.18-32; 1 Jo 3.4. A aplicação da filosofia evolucionista ao estudo do Velho Testamento levou alguns críticos à convicção de que a ideia ética do pecado não se desenvolveu até o tempo dos profetas, mas esta opinião não encontra apoio na maneira como os mais antigos livros da Bíblia falam do pecado.

 

            2. O PECADO TEM CARÁCTER ABSOLUTO. Na esfera ética, o contraste entre o bem e o mal é absoluto. Não há condição neutra entre ambos. Apesar de indubitavelmente haver graus nos dois, não há graduação entre o bem e o mal. A transição de um para o outro não é de carácter quantitativo, e, sim, qualitativo. Um ser moral bom não se torna mau por uma simples diminuição da sua bondade, mas somente por uma mudança qualitativa radical, por um volver ao pecado. O pecado não é um grau menor de bondade, mas um mal positivo. Isso é ensinado claramente na Bíblia. Quem não ama a Deus é, por isso, caracterizado como mau. A Escritura não reconhece nenhuma posição de neutralidade. Ela concita o ímpio a voltar-se para a rectidão e, às vezes, fala do justo como caindo no mal; mas não contém nem uma só indicação de que um ou outro alguma vez fica numa posição neutra. O homem está do lado certo ou do lado errado, Mt 10.32,33; 12.30; Lc 11.23; Tg 2.10.

 

            3. O PECADO SEMPRE TEM RELAÇÃO COM DEUS E SUA VONTADE. Os mais antigos teólogos compreenderam que é impossível ter uma correcta concepção do pecado sem vê-lo em relação a Deus e Sua vontade e, portanto, acentuavam este aspecto e normalmente falavam do pecado como “falta de conformidade com a lei de Deus”. É, sem dúvida, uma correcta definição formal do pecado. Mas surge a questão: Qual é precisamente o conteúdo material da lei? Que é que ela exige? Respondendo-se esta questão, será possível determinar o que é o pecado num sentido material. Ora, não há dúvida de que a grande e central exigência da lei é o amor a Deus. E se, do ponto de vista material, a bondade consiste em amar a Deus, o mal moral consiste no oposto. É a separação de Deus, a oposição a Deus, o ódio a Deus, e isto se manifesta em constante transgressão da lei de Deus, em pensamento, palavra e acto. As seguintes passagens mostram claramente que a Escritura vê o pecado em relação a Deus e Sua lei, quer como lei escrita nas tábuas do coração, quer como dada por meio de Moisés, Rm 1.32; 2.12-14; 4.15; Tg 2.9; 1 Jo 3.4.

 

            4. O PECADO INCLUI A CULPA E A CORRUPÇÃO. A culpa é o estado de merecimento da condenação ou de ser passível de punição pela violação de uma lei ou de uma exigência moral. Ela expressa a relação do pecado com a justiça ou da penalidade com a lei. Mesmo assim, porém, a palavra tem duplo sentido. Pode indicar uma qualidade inerente ao pecador, a saber, o seu demérito, más qualidades ou culpabilidade, que o faz merecedor de castigo. Dabney fala disso como “culpa potencial”. É inseparável do pecado, jamais se encontra em quem não é pessoalmente pecador, e é permanente, de modo que, uma vez estabelecida, não pode ser removida pelo perdão. Mas também pode indicar a obrigação de satisfazer a justiça, pagar a penalidade do pecado – a “culpa de facto”, como lhe chama Dabney. Não é inerente ao homem, mas é o estatuto penal do legislador, que fixa a penalidade da culpa. Pode ser removida pela satisfação pessoal ou vicária das justas exigências da lei. Embora muitos neguem que o pecado inclui culpa, essa negação não se harmoniza com o facto de que o pecado é ameaçado com castigo, e de facto o recebe, e evidentemente contradiz claras afirmações da Escritura, Mt 6.12; Rm 3.19; 5.18; Ef. 2.3. Por corrupção entendemos a corrosiva contaminação inerente, a que todo pecador está sujeito. É uma realidade na vida de todos os indivíduos. É inconcebível sem a culpa, embora a culpa, como incluída numa relação penal, seja concebível sem a corrupção imediata. Mas é sempre seguida pela corrupção. Todo aquele que é culpado em Adão, também nasce com uma natureza corrupta, em consequência. Ensina-se claramente a doutrina da corrupção do pecado em passagens como, Jó 14.4; Jr 17.9; Mt 7.15-20; Rm 8.5-8; Ef 4.17-19.

 

            5. O PECADO TEM SUA SEDE NO CORAÇÃO. O pecado não reside nalguma faculdade da alma, mas no coração, que na psicologia da Escritura é o órgão central da alma, onde estão as saídas da vida. E desse centro, sua influência e suas operações espalham-se para o intelecto, a vontade, as emoções – em suma, a todo o homem, seu corpo inclusive. Em seu estado pecaminoso, o homem completo é objecto do desprazer de Deus. Há um sentido em que se pode dizer que o pecado teve origem na vontade do homem, caso em que a vontade não designa uma volição efectiva, na medida em que isto sucede com a natureza volitiva do homem. Havia uma tendência do coração, subjacente à volição efectiva, quando o pecado entrou no mundo. Esta maneira de entender no mundo. Esta maneira de ver está em perfeita harmonia com as descrições bíblicas, em passagens como as seguintes: Pv 4.23; Jr 17.9; Mt 15.19; 20; Lc 6.45; Hb 3.12.

 

            6. O PECADO NÃO CONSISTE APENAS DE ACTOS MANIFESTOS. O pecado não consiste somente de actos patentes, mas também de actos pecaminosos e de uma condição pecaminosa da alma. Estes três âmbitos se interrelacionam do seguinte modo: O estado pecaminoso é a base dos hábitos pecaminosos, e estes se manifestam em acções pecaminosos, e estes se manifestam em acções pecaminosas. Também há verdade, porém, na alegação de que os actos pecaminosos repetidos levam ao estabelecimento de hábitos pecaminosos. As acções e as disposições pecaminosas do homem devem ser atribuídas a uma natureza corrupta, que as explica. As passagens citadas no parágrafo anterior consubstanciam esta opinião, pois provam com clareza que o estado ou condição do homem é completamente pecaminosa. E se for necessário levantar a questão sobre se os pensamentos e os sentimentos do homem natural, chamado carne” na Escritura, devem ser considerados como constituindo pecado, poder-se-ia responder indicando passagens como as seguintes: Mt 5.22; Rm 7.7; Gl 5.17, 24, e outras. Em conclusão, pode-se dizer que se pode definir o pecado como falta de conformidade com a lei moral de Deus, em acto, disposição ou estado.

 

(BERKHOF, Louis; Teologia Sistemática; pp. 233-235)

 

 

 

2

1. O USO BÍBLICO DA PALAVRA “GRAÇA”. Nem sempre a palavra “graça” é empregue no mesmo sentido da Escritura, mas apresenta certa variedade de significados. Temos no Velho Testamento a palavra chen (adj. chanun) da raiz chanan. O substantivo pode significar graciosidade (graça, neste sentido) ou beleza, Pv 22.11; 31.30, porém mais geralmente significa favor ou boa vontade. Achar favor aos olhos de Deus ou do homem é expressão que se encontra repetidamente no Velho Testamento. O favor assim obtido leva consigo a concessão de favores ou bênçãos. Quer dizer que a graça não é uma qualidade abstracta, mas é um princípio activo e dinâmico, que se manifesta em actos benevolentes, Gn6.8; 19.19; 33.15; Êx 33.12; 34.9; 1 Sm 1.18; 27.5; Et 2.7. A ideia fundamental é a de que as bênçãos graciosamente concedidas são dadas livremente (gratuitamente), e não em consideração a qualquer reivindicação ou mérito. A palavra neotestamentária charis, de chairein, “regozijar-se”, denota primeiramente uma aparência externa agradável – “encanto”, “agrado”, “aceitabilidade”, e é este o sentido em Lc 4.22; Cl 4.6. Contudo, num sentido mais proeminente é favor ou boa vontade, simpatia, Lc 1.30; 2.40, 52; At 2.47; 7.46; 24.27; 25.9. Pode significar a bondade ou benevolência de nosso Senhor, 2 Co 8.9, ou o favor demonstrado ou concedido por Deus, 2 Co 9.8 (que se refere a bênçãos materiais); 1 Pe 5.10. Acresce que a palavra expressa a emoção despertada no coração do favorecido e, assim, adquire o sentido de gratidão, Lc 4.22; 1 Co 10.30; 15.57; 2 Co 2.14; 8.16; 1 Tm 1.12. Contudo, na maioria das passagens em que a palavra charis é utilizada no Novo Testamento, ela significa a imerecida operação de Deus no coração do homem, operação efectuada mediante o Espírito Santo. Embora às vezes falemos da graça como uma qualidade inerente, é, na realidade a comunicação activa das bênçãos divinas pela acção interior do Espírito Santo, provenientes daquele que é “cheio de graça e de verdade”, Rm 3.24; 5.2, 15, 17, 20; 6.1; 8.9; Ef 1.7; 2.5, 8; 3.7; 1 Pe 3.7; 5.12.

 

2. A GRAÇA DE DEUS NA OBRA DE REDENÇÃO. A discussão da graça de Deus no contexto da obra de redenção requer igualmente diversas distinções, que devemos ter em mente.

 

a. Em primeiro lugar, a graça é um atributo de Deus, uma das perfeições divinas. É o livre, soberano e imerecido favor ou amor de Deus ao homem, no estado de pecado e culpa em que este se encontra, favor que se manifesta no perdão do pecado e no livramento da sua pena. A graça está relacionada com a misericórdia de Deus, em distinção da Sua justiça. Esta é a graça redentora no sentido mais fundamental da expressão. É a causa última do propósito activo de Deus, da justificação do pecado e da sua renovação espiritual; e é a prolífica fonte de todas as bênçãos espirituais e eternas.

 

b. Em segundo lugar, o termo “graça” é empregue como um designativo da provisão objectiva que Deus fez em Cristo para a salvação do homem. Cristo, como o Mediador, é a encarnação viva da graça de Deus. “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade”, Jo 1.14. Paulo tem em mente a manifestação de Cristo, quando diz: “Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens”, Tt 2.11. Mas o termo não é aplicado somente ao que Cristo é, mas também ao que Ele mereceu para os pecadores. Quando Paulo fala repetidamente, nas saudações finais das suas epístolas, da “graça de nosso Senhor Jesus Cristo”, ele tem em mente a graça da qual Cristo é a causa meritória. Diz João: “a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo”, Jo 1.17.

 

c. Em terceiro lugar, a palavra “graça” é empregue para designar o favor de Deus como é demonstrado na aplicação da obra de redenção pelo Espírito Santo. É aplicada ao perdão que recebemos na justificação, um perdão dado gratuitamente por Deus, Rm 3.24; 5.2, 21; Tt 3.15. Mas, em acréscimo a isso, também é um nome compreensivo, abrangendo todos os dons da graça de Deus, as bênçãos da salvação e as graças espirituais que são accionadas nos corações e vidas dos crentes pela operação do Espírito Santo, At 11.23; 18.27; Rm 5.17; 1 Co 15.10; 2 Co 9.14; Ef 4.7; Tg 4.5,6; 1 Pe 3.7. Além disso, há claras indicações de que não se trata apenas de uma qualidade passiva, mas também de uma força activa, uma energia, uma coisa que trabalha, 1 Co 15.10; 2 Co 12.9; 2 Tm 2.1. Neste sentido da palavra, ela é como um sinónimo do Espírito Santo, de maneira que há pouca diferença entre as expressões “cheio do Espírito Santo” e “cheio de graça e poder”, At 6.5 e 8. O Espírito Santo é chamado “Espírito da graça”, Hb 10.29. É especialmente com relação aos ensinamentos da Escritura a respeito da graça de Deus ao pecador pelo Espírito Santo, que a doutrina da graça se desenvolveu na igreja.

 

(BERKHOF, Louis; Teologia Sistemática; pp. 427-429)

 

 

 

3

            O primeiro e mais fundamental dos elementos de qualquer cosmovisão é a maneira como ela responde as questões das origens – de onde veio o Universo e como a vida humana começou. O segundo elemento tem a ver como essa cosmovisão explica o dilema humano. Por que há guerra e sofrimento, doença e morte? Essas perguntas são particularmente pressionadoras para a cosmovisão cristã, pois se acreditamos que o Universo veio da mão de um Criador sábio e bom, como explicamos a presença do mal? Ou, parafraseando o título do best seller do rabino Kushener, por que coisas ruins acontecem a pessoas boas? Se Deus é igualmente todo-amor e todo-poderoso, por que não usa seu poder para acabar com o sofrimento e a injustiça?

            Nenhuma outra questão aparenta ser enorme pedra de tropeço para a fé cristã do que esta, como também é a mais difícil para o cristão responder.

            Ainda assim a cosmovisão cristã realmente tem uma resposta, que conta para a experiência universal humana melhor do que a de qualquer outro credo. As Escrituras ensinam que Deus criou o Universo e nos fez à sua imagem, para sermos santos e vivermos de tal maneira que nos deu a dignidade única de sermos agentes morais livres -  criaturas com a habilidade de fazer escolhas, optar entre o bem e o mal. Com o propósito de criar as condições nas quais pudessem exercitar essa liberdade, Deus estabeleceu um limite moral aos nossos primeiros ancestrais. Ele os proibiu de comer do fruto da árvore da sabedoria do bem e do mal. Os humanos originais, Adão e Eva, exerceram sua liberdade de escolha e optaram por fazer o que Deus mandara que não fizessem. Assim, rejeitaram o modo de vida proposto por Deus, bem como a sua vontade, abrindo o mundo para a morte e o mal. O termo teológico para esta catástrofe é Queda.

            Em resumo, a Bíblia coloca a responsabilidade do pecado, que abriu as portas do mal, directamente sobre a raça humana – começando com Adão e Eva, mas continuando em nossas próprias escolhas morais. Em virtude da decisão de desobedecer a Deus, a natureza humana tornou-se moralmente distorcida e em declínio, de modo que desse ponto em diante a humanidade sempre inclina-se a fazer o mal. Esta é a base da doutrina que os teólogos chamam de pecado original, e que ensombra a humanidade até aos dias de hoje. Desde que os humanos receberam domínio sobre a natureza, a Queda também teve consequências cósmicas, como por exemplo de a natureza começar a produzir “espinhos e cardos”, a tornar-se uma fonte de labuta, dificuldade e sofrimento. Nas palavras do teólogo Edward Oakes, “nascemos num mundo onde a rebelião contra Deus já tomou espaço e nos arrasta como numa correnteza”.

            O problema com esta resposta não está em que as pessoas não a achem clara, mas no facto de considerarem-se desagradável. A implicação disso é que cada um de nós está incluído na responsabilidade pela quebra e distorção do estado original da Criação. Não obstante, da mesma maneira que o pecado entrou no mundo através de um homem, implicando toda a humanidade, também a redenção veio para todos através de um homem (Romanos 5.12-21). A justiça está disponível para todos através da fé no sacrifício expiatório de Cristo.

            A visão cristã do pecado pode parecer forte, até aviltante, para dignidade humana. Por isso, nos tempos modernos, muitos pensadores influentes lançaram a ideia do pecado como algo repressivo e não iluminado. Eles sugerem, ao invés disso, uma visão utópica assegurando que os humanos são intrinsecamente bons e que sob a condição social correcta sua boa natureza emergirá. Essa visão utópica tem raízes no iluminismo, quando intelectuais ocidentais rejeitaram o ensinamento bíblico e o substituíram com a teoria de que a natureza é o nosso criador – que a raça humana veio do limo primordial e evoluiu ao cume da evolução. A doutrina bíblica do pecado foi rejeitada como algo ultrapassado, advindo daquilo que os filósofos do iluminismo desdenhosamente chamaram da Era da Escuridão, da qual sua própria era triunfantemente emergiu. As pessoas já não viveriam sob a sombra da culpa e do julgamento moral; já não seriam mais oprimidas por regras morais impostas por uma divindade arbitrária e tirânica.

            Mas se a fonte de desordem e sofrimento não é o pecado, então de onde vêm esses problemas? Os pensadores do iluminismo concluíram que devem ser produto do ambiente: ignorância, pobreza ou outras condições sociais indesejáveis; tudo de que necessitam para gerar uma sociedade ideal é criar um ambiente melhor: melhorar a educação, aumentar as condições económicas e refazer as estruturas sociais. Se as condições forem correctas, a perfeição humana não tem limite. Assim nasceu o impulso da utopia moderna.

            Contudo, qual destas cosmovisões, a bíblica ou a utópica, encara o teste de realidade? Qual se encaixa no mundo e na natureza como realmente os experimentamos?

            Quase não se poderá dizer que a visão bíblica de pecado é irreal, se reconhecemos com franqueza a disposição humana de fazer escolhas morais erradas e infligir dano e sofrimento aos outros. Principalmente quando olhamos o longo curso da história. Alguém satirizou certa vez que a doutrina do pecado original é, do ponto de vista empírico, a única filosofia validada por 35 séculos de história humana registada.

            Por contraste, a cosmovisão do “iluminismo” provou ser totalmente irracional e intolerável. A negação de nossa natureza pecaminosa e o consequente mito utópico não conduz a uma experiência social beneficente, mas à tirania. A confiança de que os seres humanos são aperfeiçoáveis provê a justificação para tentar aperfeiçoá-los... não importa o que precisar. E com Deus fora do quadro, os que estão no poder não se sentem responsáveis diante de qualquer autoridade mais elevada. Eles podem usar qualquer meio necessário, não importa quão brutal ou coercitivo, para remodelar as pessoas para ajustar-se às suas noções de sociedade perfeita.

            O triunfo da cosmovisão do iluminismo, com sua mudança fundamental nas pressuposições sobre a natureza humana, foi em muitas maneiras o evento final do século XX, o que explica por que a história desta era foi tragicamente escrita com sangue. Como William Buckley observou severamente: Utopia “inevitavelmente... traz a morte da liberdade”.

 

(COLSON, Charles & PEARCEY, Nancy; E Agora Como Viveremos?, CPAD, pp. 185-187)

 

 

 

 

Samuel R. Pinheiro

Junho - Julho 2003