CONHECER DEUS

 

·        ESTÁ EFECTIVAMENTE INTERESSADO EM CONHECER DEUS?

 

·        É POSSÍVEL CONHECER DEUS?

 

·        CONHECER O AMOR DE DEUS

 

·        CONHECER A GRAÇA DE DEUS

 

·        CONHECER O PERDÃO DE DEUS

 

·        CONHECER A PROVISÃO DE DEUS

 

·        CONHECER A PRESENÇA DE DEUS

 

·        CONHECER O CUIDADO DE DEUS

 

·        CONHECER O PODER DE DEUS

 

·        CONHECER A SANTIDADE DE DEUS

 

·        CONHECER A BONDADE DE DEUS


 

 ESTÁ EFECTIVAMENTE INTERESSADO EM CONHECER DEUS?

 

Antes de qualquer outra consideração, quando falamos em conhecer Deus, o que importa assentarmos é em que medida estamos verdadeiramente interessados em O conhecer.

 

O lugar do conhecimento é determinante na nossa vida, quer se trate das matérias técnicas, dos costumes, dos princípios e dos valores que balizam os nossos comportamentos, ou dos conhecimentos académicos e da utilização das várias máquinas com que lidamos no nosso dia a dia, etc.

 

O que é que seria a nossa vida se não soubéssemos o mínimo para realizarmos as nossas tarefas, desempenharmos a nossa profissão, comunicarmos uns com os outros, percebermos o que acontece à nossa volta, ligarmos a televisão, apanharmos um meio de transporte, etc.?

 

Quem já viajou num país estrangeiro já se deu conta das dificuldades que acontecem pelo simples facto de não dominarmos com facilidade a língua local.

 

A nossa vida é feita de muita aprendizagem. O povo tem um provérbio muito interessante que diz “aprender até morrer”.

 

A curiosidade é um dos traços do homem. É isso que o leva a rasgar novos horizontes, a demandar novas paragens, a desbastar florestas virgens, a perguntar e a interrogar.

 

Não será que nos devíamos também interessar em saber acerca de Deus?

 

É interessante verificarmos que é o próprio Deus que nos incita a que o conheçamos:

“Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor.” (Oseias 6:3)

O profeta Jeremias leva-nos a considerar que a coisa mais importante na nossa vida é procurarmos conhecer o Criador de tal forma que esse conhecimento afecte toda a nossa existência: “Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte na sua força, nem o rico nas suas riquezas; mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o Senhor, e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas cousas me agrado, diz o Senhor.” (9:23,24).

 

O escritor evangélico Tony Evans no seu livro “Deus é Tremendo”, escreveu o seguinte:

“Para que a vida tenha significado é preciso que haja algo suficientemente grande a ponto de justificar nosso compromisso e nossos sentimentos. A única coisa que se encaixa nessa qualificação é o próprio Deus, não apenas pelo que Ele significa, mas porque conhecê-lo é conhecer a nós mesmos. Grande parte da confusão a respeito da vida quotidiana surge porque vemos apenas as árvores, sem enxergar a floresta do grande Deus a quem servimos.”

 

De tudo o que se pode conhecer sabermos quem Deus é e qual é o Seu plano a nosso respeito é de facto o mais importante.

A matéria mais determinante sobre a qual nos podemos debruçar é Deus, o Criador do Universo, a Inteligência que colocou todos os astros em movimento, que nos fez à Sua imagem e semelhança e que veio ao nosso encontro na pessoa de Jesus.

 

Talvez algumas pessoas creiam que são apenas produto do acaso, que são resultado de um acidente com milhões de anos.

            Mas será que é de facto assim?

            Quais são as evidências que temos para pensar que é dessa maneira?

            Entregamo-nos tão facilmente à ideia de que tudo cessa com a morte?

            Quem é a autoridade suprema a quem confiamos tão facilmente o nosso futuro de morte e desaparecimento eterno?

            Pela parte que nos toca preferimos dar ouvidos à pessoa de Jesus Cristo! O que ouvimos e vemos n’Ele é absolutamente diferente!

            Em Jesus sabemos com certeza absoluta que há um Deus que nos ama, que não nos abandonou, que veio ao nosso encontro, que nos procura, que quer o melhor para nós, que nos quer para Ele por toda a eternidade.

            Entre acreditar num filósofo qualquer que pensou isto ou aquilo, que escreveu isto ou aquilo e que partilha connosco as mesmas debilidades, os mesmos fracassos e as mesmas angustias e perguntas; preferimos voltarmo-nos para Cristo que venceu a morte. O nosso desafio é muito simples: dê atenção a Jesus na sua vida, ouça-O, preste atenção ao que Ele hoje continua a dizer-nos!

            Não nos cansamos de dizer que não nos interessa religião ou filosofia, opinião ou superstição. A única pessoa que merece a nossa atenção é Cristo!

            Entre acreditar na morte ou na vida, escolhemos acreditar na vida.

 

            Quando falamos de conhecer Deus certamente que não ignoramos que Deus é Deus e nós somos homens, que entre nós e Ele existe um profundo abismo. Não existe nenhuma escada suficientemente grande que nós possamos construir que nos leve a Deus. Se nós pudéssemos compreender tudo acerca de Deus, nós mesmos seríamos iguais a Ele.

            Mas a boa notícia que a Bíblia nos dá é que nós fomos criados à semelhança de Deus e que depois de todas as coisas terem sido corrompidas por causa do pecado, o próprio Deus se fez à nossa imagem e semelhança na pessoa de Jesus.

            Se é verdade que nós não podemos chegar a Deus, não é menos verdade que Ele se chegou até nós.

 

            Terminamos esta breve reflexão com o texto introdutório do evangelho escrito por João no qual o discípulo de Jesus declara que ele é Deus entre nós, mediante o qual podemos saber quem Ele é e tornarmo-nos Seus filhos.

            “No princípio era o verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as cousas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez. A vida estava nele, e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas, não prevaleceram contra ela.

            Houve um homem enviado por Deus, cujo nome era João. Este veio como testemunha para que testificasse a respeito da luz, a fim de todos virem a crer por intermédio dele. Ele não era a luz, mas veio para que testificasse da luz, a saber: a verdadeira luz que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem. Estava no mundo, o mundo foi criado por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu.

            Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos os que o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; a saber: aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigénito do Pai.

            João testemunha a respeito dele e exclama: Este é o de quem eu disse: O que vem depois de mim tem, contudo, a primazia, porquanto já existia antes de mim. Porque todos nós temos recebido da sua plenitude, e graça sobre graça. Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. Ninguém jamais viu a Deus: o Deus unigénito, que está no seio do Pai, é quem o revelou.” (João 1:1-18)

 


 

É POSSÍVEL CONHECER DEUS?

 

            Esta é uma pergunta importante, legítima e decisiva para toda a nossa vida, tanto no presente como no futuro; tanto no que diz respeito à nossa vida nesta terra como na eternidade.

           

            Temos que admitir que nada podemos dizer de nós mesmos sobre matéria tão importante. O nosso raciocínio e investigação são incapazes de conseguir seja o que for de conclusivo e de objectivo.

           

            Se é possível sabermos o que quer que seja sobre Deus é necessário que seja Ele mesmo a dizer-nos, ou seja, precisamos de revelação.

 

            Deus é tão imenso, infinito, transcendente que é fácil compreendermos que a informação tem que ser reduzida à nossa capacidade de compreensão. Se Deus nos dissesse tudo, acabaríamos por não sermos capazes de comportar tudo o que Ele nos poderia dizer. Na situação em que nos encontramos é preciso que Deus nos fale de forma a que O possamos entender.

 

            A melhor forma de conhecermos quem quer que seja no plano humano é podermos encontrá-lo e falar com ele face a face, olhos nos olhos.

            Conhecer alguém não é simplesmente conhecer a sua aparência física, a cor dos seus olhos, do seu cabelo, a sua altura, o seu peso, a sua aparência, o timbre da sua voz, etc. O conhecimento de uma pessoa tem muito que ver com o conhecimento íntimo do seu coração, dos seus sentimentos, dos seus anseios, da sua maneira de ser, da forma como encara a vida.

            Não basta apenas lermos acerca de uma determinada pessoa para a conhecermos. Não há nada que chegue ao conhecimento pessoal.

 

            Foi precisamente isso que Deus fez.

            Para se dar a conhecer tomou a forma humana e vestiu-se de carne e osso. É o que nós chamamos de encarnação. Deus visitou-nos.

            Se no passado o Criador nos falou de muitas e diversificadas formas através dos profetas, nestes dias veio pessoalmente dar-se a conhecer na pessoa de Jesus Cristo.

            Este é o maior de todos os eventos que já alguma vez ocorreu na história da humanidade.

            Jesus Cristo apresentou-se diante de nós como divino e humano.

            Não havia qualquer possibilidade de conhecermos a Deus tal e qual como Ele é. Os nossos sentidos físicos não conseguem captar e abarcar a realidade de Deus.

            Através da criação, pela nossa consciência, pelo nosso pensamento e pelo nosso coração de alguma maneira podíamos ter uma impressão acerca da existência divina, mas não nos era possível saber de forma mais concreta acerca d’Ele.

 

            A verdade é que Deus não queria que nós o conhecêssemos só através de intermediários ou através das Suas obras ou das palavras humanas. Era Seu propósito que nós O conhecêssemos pessoalmente e como uma pessoa.

            E isso ocorreu precisamente há dois mil anos atrás quando o Criador de todas as coisas assumiu a forma humana e dessa forma pudemos ver o rosto de Deus entre nós.

            É por isso que, sem qualquer dúvida, nós podemos afirmar que todos nós podemos conhecer a Deus e, para O conhecer, precisamos olhar na pessoa de Cristo.

            A mensagem singela e singular dos evangelhos concentra-se na pessoa de Jesus.

           

            Lamentamos profundamente que tanta cristandade ignore a pessoa do Filho de Deus. Há tanta coisa que se apresenta e que ofusca a Sua presença.

            O pastor evangélico Tony Evans refere a este propósito: “Conhecer Deus também significa mais do que ter uma experiência religiosa com Ele ou dizer que o sentimos. É válido ter uma experiência emocional e religiosa com Deus, mas conhecê-lo envolve mais do que isso. Conhecer a Deus implica em mais do que percepção, informação e experiência religiosa. Conhecer a Deus é ser tocado por Ele, é relacionar-se de maneira que aquilo que ele significa influencie o seu ser. Um dos grandes problemas de hoje é que, quando vamos à igreja, recebemos informações a respeito de Deus e podemos até ‘sentir’ Deus se a igreja tiver um grande coral, mas saímos sem que Ele tenha nos tocado. Portanto, quando falo de conhecer a Deus, estou falando a respeito de ser tocado pela percepção, pela informação e pela ‘experiência religiosa’, chegando-as fazer parte do que você é.” (Deus é Tremendo; Vida; p. 17)

            Quando lemos o Novo Testamento facilmente concluímos que apenas existe lugar para Jesus.

            É por isso que como evangélicos, não nos cansamos de repetir, com a Palavra de Deus, que a nossa atenção deve estar colocada em Cristo, se efectivamente queremos conhecer a Deus e desejamos viver como Ele quer que vivamos. Não há outra possibilidade!

            Podem aparecer as propostas que aparecerem, mas nenhuma pode em boa verdade e de acordo com os factos substituir, ou pretender actualizar ou aperfeiçoar, o que Jesus nos trouxe e continua a trazer.

 

            Consideremos por exemplo o que está escrito na carta aos Hebreus sobre a maneira como Deus se nos tem dado a conhecer:

            “Havendo Deus, outrora, falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias nos falou pelo Filho a quem constituiu herdeiro de todas as cousas, pelo qual também fez o universo. Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exacta do seu Ser, sustentando todas as cousas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade nas alturas, tendo-se tornado tão superior aos anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles.” (Hebreus 1:1-4)

 

            Certamente que o texto que lemos é límpido como a água. Facilmente se percebe que é pela pessoa de Cristo que nós ouvimos hoje Deus falar-nos na nossa própria língua.

 


 

CONHECER O AMOR DE DEUS

 

            “Deus é amor” (I João 4:8,16)

 

            “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigénito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16)

 

            Uma das afirmações mais bombásticas acerca da natureza de Deus que encontramos na Bíblia relacionada com a pessoa de Jesus, é que Deus é amor.

 

            O amor hoje em dia está muito mal tratado nos meios de comunicação nomeadamente nas telenovelas e nos filmes.

 

            A verdadeira essência do amor está em dar mais do que em receber e essa dádiva envolve muitas das vezes um espírito de grande renúncia e sacrifício.

 

            É preciso isto que nós encontramos na manifestação sublime e ímpar do amor de Deus.

 

            Conhecemos o amor de Deus quando nos colocamos diante do drama da cruz e ali contemplamos com toda a nitidez o sofrimento pelo qual Jesus passou a nosso favor de tal maneira que todas as nossas faltas, transgressões e desobediência, ou seja todo o nosso pecado, fosse perdoado.

 

            A compreensão do que o Evangelho nos diz acerca da forma como Deus agiu para connosco, face à nossa condição, é mais do que alguma vez poderíamos pensar ou imaginar. Desde a disposição do Criador em assumir a nossa forma e dimensão, até ao ponto de assumir a pena que os nossos pecados comportam, é de uma grandeza acima de tudo o que podíamos esperar.

 

            Segundo a Bíblia Deus nos criou para Ele e quando no uso do seu livre arbítrio o homem pecou, o Criador não o abandonou.

            Se o homem não tinha qualquer hipótese de conseguir mudar a sua situação diante de Deus, é o próprio Criador que vem ao seu encontro e se dispõe a dar a Sua vida para que o homem pudesse ser perdoado e fosse reconciliado com Ele.

            Se o coração do homem não é tocado pela magnitude desta expressão amorosa, então não há efectivamente nada que o possa demover e converter.

            Se no Jardim do Éden a serpente conseguiu inculcar na mente e no coração de Adão e Eva uma ponta de desconfiança em relação ao carácter divino e à Sua advertência; se tudo o que existia à volta do homem naquele ambiente paradisíaco e a intimidade com Deus não foi suficiente para impedir que a tentação lograsse alcançar êxito, nos dias de hoje nós temos uma prova ímpar que efectivamente o Criador nos ama e essa demonstração suprema, impossível de ser ultrapassada está em Jesus pendurado na cruz.

 

            O que é que nós poderíamos exigir de Deus, apesar de não estarmos em condições sequer de o fazermos, para reconhecermos e deixarmo-nos convencer não apenas da existência mas do amor divino a nosso respeito?

 

            Precisamos entender com toda a clareza que na cruz quem está pendurado é o próprio Filho de Deus, ele mesmo Deus feito homem por causa não de si mesmo, mas unicamente por causa de cada um de nós.

 

            Na realidade Deus nos ama com um amor que nos toca a cada um de nós individualmente. Deus ama-me e Deus ama-o, da mesma forma como ama a cada indivíduo onde quer que esteja, qualquer que seja o seu passado, por onde quer tenha andado, o que quer que tenha feito, independentemente da sua raça, do seu estatuto social, do seu nível académico, da sua língua e da sua cultura.

 

            O episódio que ocorre na cruz quando, em sofrimento atroz, Jesus tem ainda tempo e disposição para atender um malfeitor arrependido e estender-lhe a salvação, o perdão e a certeza da vida eterna de bem-aventurança no paraíso celeste, é um prova indesmentível que nenhum de nós está excluído.

            Seja um malfeitor ou um religioso escrupuloso todos nós carecemos do amor de Deus e do Seu perdão. Todos nós somos pecadores independentemente do nosso comportamento. Nenhum de nós é perfeito e se porventura alguém assim se julgar está a cometer um gravíssimo erro de avaliação pessoal.

 

            É possível experimentar o amor de Deus na nossa vida, vivermos com a certeza de que somos amados, de que Deus nos quer bem, de que Deus nos ama. Não há nada que se possa aproximar dessa certeza, desse conhecimento, dessa experiência.

            O Espírito Santo é nos apresentado na Bíblia como Aquele que nos dá a conhecer intimamente o amor de Deus, que Cristo manifestou na cruz a nosso favor, e a termos um relacionamento com Deus enquanto nosso Pai.

            O apóstolo Paulo quando escreveu a sua carta aos cristãos na Galácia diz: “(...), vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, para que recebêssemos a adopção de filhos. E, porque vós sois filhos, enviou Deus aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai.” (Gálatas 4:4-7). Esta expressão é muito interessante porque quer dizer “paizinho”, ou seja, é uma expressão terna, de afecto e de intimidade.

            Uma das experiências mais bonitas de todo o que se chega a Deus através de Cristo, é conhecê-lO e tratá-lO como “Paizinho querido”.

 

 

 


 

CONHECER A GRAÇA DE DEUS

 

            “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora actua nos filhos da desobediência; entre os quais todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como também os demais.

            Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nosso delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, - pela graça sois salvos, e juntamente com ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar nos séculos vindouros a suprema riqueza da sua graça, em bondade para connosco, em Cristo Jesus.

            Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.” (Efésios 2:1-10)

 

 

Só podemos conhecer verdadeiramente a Deus quando conhecemos a Sua graça, ou seja, quando experimentamos o que Ele nos oferece sem qualquer merecimento da nossa parte.

 

            Uma das maiores dificuldades do homem longe de Deus é reconhecer que não tem qualquer virtude ou mérito que lhe permita regatear diante do Criador seja o que for.

 

            O homem engana-se a si mesmo quando através da sua religião, das suas boas obras, da sua caridade, dos seus esforços, dos seus sacrifícios e das suas promessas tenta comprar ou merecer a salvação divina, o relacionamento com Deus e a certeza da vida eterna.

 

A graça de Deus significa que Ele não exige de nós o que nós não Lhe podemos dar.

 

A única coisa que Deus pede de nós somos nós mesmos, tal e qual nos encontramos.

 

Não adianta tentarmos reformarmo-nos a nós mesmos. Precisamos muito mais do que uma reforma exterior. Toda a nossa boa vontade (se é que ela existe) não é capaz de nos mudar por dentro e de nos restituir o que perdemos com o pecado.

 

A Bíblia diz-nos peremptoriamente que sem Deus estamos mortos espiritualmente e não somos nós nem ninguém em termos humanos que nos pode ressuscitar, porque é disso que se trata. Só Aquele que morreu na cruz e ressuscitou ao terceiro dia deixando a sepultura vazia, pode dar-nos vida espiritualmente para podermos ter comunhão, relacionamento e intimidade com o Criador.

 

Se a religião procura recauchutar o homem, introduzir-lhe algumas melhorias, levá-lo a ter um comportamento mais aceitável e humano, só Cristo nos pode mudar da parte de dentro fazendo-nos nascer de novo. É por isso que todos os que aceitam Jesus são feitos filhos de Deus.

 

É preciso que se saiba com todas as letras que nem todos somos filhos de Deus, mas apenas o são aqueles que nascem de Deus mediante a aceitação de Jesus.

 

A Bíblia não está interessada em religião.

No tempo em que Jesus andou entre nós em carne e osso, há dois mil anos atrás, o que não faltava eram opções e alternativas religiosas para todos os gostos.

É por isso que todos os que pensam e defendem que todas as religiões são igualmente válidas, diante da Palavra de Deus incorrem no mais grosseiro dos erros, porque para Ele todas as religiões são igualmente inválidas.

Os judeus tinham uma religião muito bem organizada com princípios morais e éticos bastante elevados e exigentes, construída na base da própria revelação divina dada através de Moisés e dos profetas. Mas Jesus demonstrou que não basta ao homem ter uma religião milenar e com tradições profundamente arraigadas.

Se fosse assim Cristo não teria vindo e nem sequer teria sido pendurado numa cruz. O Seu sacrifício teria sido pura e simplesmente dispensável. Mas não é isso que a Escritura Sagrada afirma.

 

Quando conhecemos a graça de Deus somos invadidos por uma profunda gratidão e por um censo de louvor e adoração nunca antes experimentados. Deixamos de tentar conseguir o inalcançável por nós mesmos e pomos um ponto final no esgotamento que a religião nos impõe. Abandonamos todas as ilusões e toda a desilusão, pessimismo ou indiferença pensando que nada há a fazer, porque finalmente compreendemos que tudo já foi feito.

Na cruz, ao expirar, Jesus exclamou num brado de vitória: “Está consumado”.

 

 


 

CONHECER O PERDÃO DE DEUS

 

A Bíblia dá-nos a garantia que Deus está disposto a perdoar-nos em função da nossa atitude de reconhecermos a necessidade de sermos perdoados e de buscarmos o Seu perdão.

 

Talvez algumas das pessoas que nos estão a escutar neste momento se estejam a interrogar de que é que Deus nos tem a perdoar, ou em que é que nós O ofendemos.

Olhando à nossa volta e para dentro de nós não é difícil encontrarmos muitas e muitas razões que justifiquem a nossa necessidade de perdão, tantas são as nossas falhas em relação ao que sabemos devia ser o nosso comportamento.

 

Através do texto sagrado Deus declara que sem excepção alguma todos nós somos pecadores e cometemos o pecado, sendo que o pecado é tudo aquilo que contraria a natureza de Deus e a Sua vontade a nosso respeito.

 

Numa sociedade em que os padrões de comportamento se estão a mudar tão rapidamente e em que os valores e os princípios éticos desaparecem a olhos vistos, talvez não seja muito fácil aceitar o veredicto de Deus.

Não é porque a cultura vigente vai introduzindo uma moral individualista em que cada um parece poder decidir por si mesmo o que é certo e errado, que não existe uma referência absoluta do bem e do mal, da verdade e da mentira.

Se nos limitarmos única e exclusivamente ao homem, de facto torna-se impossível conseguir um consenso acerca desta e doutras matérias, só que o homem por muito que se esforce não é divino e a sua opinião não passa disso mesmo.

 

Existindo Deus, torna-se nítido que é d’Ele que nós temos que receber a informação correcta sobre o que é certo e errado, e tudo o que possamos defender, esbarra contra a Sua autoridade e soberania.

Acreditamos que é por isto mesmo que tantas pessoas acabam por descartar a ideia de Deus e ignorar a Sua pessoa, existência e exigências. Mas não é por se esquecer que Deus existe que se acaba com a Sua existência. Deus existe independentemente de nós querermos ou não, como também não é por não aceitarmos uma definição de certo e de errado, que ela não existe e que as suas consequências não estão aí patentes diante dos nossos olhos.

 

O homem contemporâneo, igual ao de todos os tempos, procura negar a realidade do pecado e até chega a ridicularizar a sua denúncia. O que se procura fazer é tentar de todas as formas minimizar os seus efeitos imediatos em termos físicos e psicológicos, mas as cicatrizes estão aí e as feridas abertas e infectadas também, mesmo que escondidas por detrás de muita maquilhagem social e cultural.

 

O homem é pecador – é Deus quem o diz.

Preste atenção ao que Deus nos fala através da escrita do apóstolo Paulo aos Romanos: “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (3:23).

Porque é pecador a vida do humana está estragada, arruinada e condenada a uma separação eterna de Deus.

No mesmo livro, o mesmo escritor acrescenta em relação à condição de todos nós debaixo do pecado: “o salário do pecado é a morte” (6:23).

Tudo o que o homem possa fazer não é capaz de acabar com a realidade do pecado. Não há detergente religioso, filosófico e cultural que possa apagar esse pecado na constituição e essência do ser humano Não adianta sequer negar a realidade do pecado, apresentar mil e uma desculpabilizações ou enfiar a cabeça na areia.

Mas a Bíblia diz que há um remédio eficaz contra o pecado ao alcance de todo o homem e de toda a mulher, onde quer que seja, qualquer que tenha sido o seu passado e seja o seu presente. Pode estar numa prisão em virtude de algum crime que tenha cometido, pode ter sido abandonado pela sua família, pode conseguir disfarçar muito bem ou viver debaixo de um peso horrível na sua consciência.

A passagem bíblica a que fizemos referência na carta aos Romanos acrescenta: “o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor” (6:23).

Deus perdoa. Há um dom, uma oferta, uma dádiva que nos é feita em Cristo que é a vida eterna, não porque comece apenas depois de nós morrermos, mas porque começando logo que O aceitamos nunca mais acaba, a morte não tem o poder de suspendê-la.

 

Preste atenção ao que a Bíblia lhe diz agora mesmo, e não fuja diante do que o Espírito Santo está a revelar-lhe neste preciso momento. Deus quer perdoá-lo!

 

O Senhor santo e justo, no qual não há qualquer imperfeição, que é a fonte e a autoridade de todo o princípio moral e ético, não podia perdoar o homem de qualquer forma. A Sua santidade e justiça exige que se fizesse reparação e como nenhum homem nem nenhuma outra criatura estava em condições de o concretizar e consumar, foi Ele próprio que o fez na pessoa de Jesus, o Filho unigénito de Deus, a segunda pessoa da Santíssima Trindade, Ele próprio também Deus que se fez homem e viveu e morreu entre nós. A reparação divina do pecado humano foi efectuada na cruz pela pessoa de Cristo.

O pecado não pode ser banalizado. Deus nunca o fará.

Deus condena abertamente o pecado, porque ele é ruinoso, maligno, destrutivo, mortífero, horroroso.

Mas Deus ama o pecador.

 

O que é que é preciso para experimentarmos do perdão de Deus?

Em primeiro lugar e antes de tudo, reconhecermos, diante de Deus, que o que Ele nos diz é a verdade sobre o nosso próprio pecado.

Em segundo lugar, reconhecermos toda a fealdade do pecado, como o pecado é tenebroso, aceitando as próprias declarações de Deus sobre o assunto.

Em terceiro e último lugar, pedir-Lhe perdão de cada um e de todos os nossos pecados, os que lembramos, aqueles dos quais temos consciência e os que não lembramos mais nem sequer deles temos consciência, com o firme propósito de passarmos a viver de uma forma diferente.

 

Preste atenção a este acontecimento na vida de Jesus que é por si só elucidativo da forma como Deus nos perdoa em Cristo:

“Entrando Jesus num barco, passou para a outra banda, e foi para a sua própria cidade.

E eis que lhe trouxeram um paralítico deitado num leito. Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Tem bom ânimo, filho; estão perdoados os teus pecados.

Mas alguns escribas diziam consigo: este blasfema.

Jesus, porém, conhecendo-lhes os pensamentos, disse: Por que cogitais o mal nos vossos corações?

Pois qual é mais fácil, dizer: Estão perdoados os teus pecados, ou dizer: Levanta-te, e anda?

Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados – disse então ao paralítico: Levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa.

E, levantando-se, partiu para sua casa.

Vendo isto, as multidões, possuídas de temor, glorificaram a Deus, que dera tal autoridade aos homens.” (Mateus 9:1-8)

 

O melhor alívio que podemos sentir e receber é o de sabermos que Deus nos perdoa e  nos aceita tal e qual como nos encontramos, para tornar-nos Seus filhos, parte da Sua família e passar a ser o nosso Pai celestial que cuida de nós e nos atende sempre até ao momento de sermos recolhidos à Sua presença para vivermos com Ele, onde não vai haver mais tristeza, dor, morte, fome, doença e injustiça.

A bênção de Deus na nossa vida começa com o perdão dos nossos pecados, quando somos reconciliados com Ele e quando podemos viver na Sua presença. Seja uma pessoa abençoada, ou seja, uma pessoa perdoada, reconciliada com Deus, que vive na Sua presença e goza do Seu favor continuamente!

 

 

 

 


 

CONHECER A PROVISÃO DE DEUS

 

Como filhos de Deus através de Jesus podemos contar com a Sua provisão a cada instante.

 

A Bíblia informa-nos que o Criador é também o Sustentador de todas as coisas, ou seja este mundo apenas continua porque Deus cuida dele apesar do nosso egoísmo, da nossa auto-suficiência, do nosso pecado, da nossa indiferença e obstinação contra Ele, ainda assim a Sua atenção continua a manter-nos vivos.

 

Uma das muitas consequências de sermos filhos de Deus é podermos confiar e depender d’Ele em toda e qualquer circunstância.

Isso não quer dizer que não existam problemas e dificuldades. Antes pelo contrário, o cristão, o seguidor de Cristo, o discípulo do Mestre dos mestres, o filho de Deus, experimenta na vida muitas das contrariedades que todas as outras pessoas enfrentam. E elas doem da mesma forma, causam muitas vezes a mesma pressão e tensão, a mesma ansiedade e preocupação.

A diferença reside em podermos saber que nessa situação não estamos sozinhos. Deus está connosco no meio das crises, das contrariedades, das lutas, dos problemas!

 

O ensino de Jesus foi bem enfático e explícito neste particular. Prestemos atenção ao que Ele ensinou e ainda hoje nos ensina:

“Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um, e amar ao outro; ou se devotará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.

Por isso vos digo: Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que as vestes?

Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros: contudo vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves?

Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida?

E por que andais ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles.

Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé?

Portanto não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas cousas: pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas cousas vos serão acrescentadas. Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados: basta ao dia o seu próprio mal.” (Mateus 6:25-34)

 

O texto que acabámos de ler faz parte do chamado Sermão do Monte, no qual Jesus deu uma série de preciosas instruções a todos os Seus seguidores.

Estas indicações não são orientações avulsas que podemos observar por nossa própria conta, segundo a nossa própria capacidade e boa vontade.

Para vivermos como Deus quer que vivamos temos que depender d’Ele, do Seu poder, da Sua força, da Sua presença. De outro modo teremos apenas uma filosofia e moral que cheiram a cristianismo mas não são efectivamente cristãs.

O cristianismo não é, em primeiro lugar, um catecismo ou um conjunto de regras e princípios éticos.

O evangelho começa por ser a proclamação de uma mudança do coração humano, uma mudança de natureza, uma mudança do íntimo que só Jesus pode efectuar. A religião é capaz de mudar a aparência humana, mas só Cristo é capaz de mudar o homem da parte de dentro. É por isto também que a religião, qualquer que ela seja, acaba por tornar-se cansativa e desgastante. De algum modo podemos dizer que todas as religiões fazem propostas interessantes do ponto de vista moral. Mas o homem precisa de muito mais. É aí que toca o Evangelho de Jesus.

 

O evangelho escrito pelo discípulo João conta-nos acerca de um homem religioso que durante a noite foi ter com Jesus. Ouçamos o relato tal e qual como ele nos foi deixado e prestemos atenção às palavras incisivas de Cristo:

“Havia, entre os fariseus, um homem, chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus. Este, de noite, foi ter com Jesus e lhe disse: Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele.

A isto respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.

Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez?

Respondeu-lhe Jesus: Em verdade, em verdade te digo: Quem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne, é carne; e o que é nascido do Espírito, é espírito. Não te admires de eu te dizer: Importa-vos nascer de novo. O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito.

Então lhe perguntou Nicodemos: Como pode suceder isto? Acudiu Jesus: Tu és Mestre em Israel, e não compreendes estas cousas? Em verdade, em verdade te digo que nós dizemos o que sabemos e testificamos o que temos visto, contudo não aceitais o nosso testemunho. Se tratando das cousas terrenas não me credes, como crereis, se vos falar das celestiais? Ora, ninguém subiu ao céu, senão aquele que de lá desceu, a saber, o Filho do homem (que está no céu). E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna.” (João 3:1-15)

 

Nascer de novo é a designação que Jesus deu a essa experiência espiritual, que torna o homem um filho de Deus, uma nova pessoa, uma nova criação, uma nova criatura.

Quando escreve aos crentes de Corinto, Paulo diz isso precisamente: “E assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as cousas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.” (2 Coríntios 5:17).

Neste preciso momento você pode experimentar o milagre mais incrível, mais radical que um ser humano pode usufruir: nascer de novo. Fale com Deus agora mesmo e diga-Lhe o quanto você deseja ter essa experiência, confesse-Lhe os seus pecados e peça-Lhe perdão. Deus ouve-nos e Deus responde. É da Sua vontade que “todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1 Timóteo 2:4).

 


 

CONHECER A PRESENÇA DE DEUS

 

“... eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.” (Mateus 28:20)

 

 

A solidão é um dos grandes problemas da sociedade urbana e global dos nossos dias.

 

Mesmo em meio a uma grande multidão podemos nos sentir profundamente sozinhos.

 

Podemos estar rodeados de muitas pessoas que nos apreciam, que gostam de nós e que também apreciamos e de quem gostamos, mas que nada podem fazer para nos amparar, para nos consolar, para nos valer. Sozinhos no meio da multidão é hoje um realidade muito frequente.

Uma companhia pessoal não pode ser substituída por uma diversão, um aparelho de televisão, um livro, ou outra actividade qualquer.

 

No texto que acabámos de ler e que Jesus pronunciou aos Seus discípulos antes de se ausentar, temos uma promessa magnífica. Jesus estará sempre com todos aqueles que O amam e O seguem.

 

O pregador Tony Evans no livro “Deus é Tremendo” refere a dado passo: “nosso cérebros são pequenos demais, nosso conhecimento é limitado demais e nosso ser é finito demais para se viver como se deve sem o conhecimento de Deus.” (Vida; p. 20)

 

A Bíblia como Palavra de Deus diz-nos que o Criador fez-nos não para que vivêssemos sozinhos mas para que desfrutássemos da Sua presença constante.

Há um homem na Sagrada Escritura que ficou conhecido por causa da sua intimidade com Deus. O seu nome era Enoque e a seu respeito ficou escrito este pequeno mas singular e significativo relato: “Andou Enoque com Deus, e já não era, porque Deus o tomou para si.” (Génesis 5:24). A biografia é curta, as palavras são parcas, mas o que diz é o mais que se pode dizer de qualquer homem. Muito mais do que dizer que se conquistaram reinos, se ganharam fortunas, se alcançou muita fama, se escreveram muitos livros, se foi muito badalado, é poder dizer-se a respeito de alguém que era íntimo de Deus. Pode ser que hoje isso na represente muito perante a opinião pública, os líderes de opinião, a cultura vigente, os meios de informação. Mas na eternidade iremos constatar que mais importante do que tudo foi andar com Deus aqui nesta terra e estar com Ele para sempre.

Se é verdade, por um lado, que não podemos fugir da presença de Deus porque Ele é omnipresente, isto é está em toda a parte, quando falamos de andar com Deus isso significa ser amigo do Criador. Há um outro personagem bíblico que ficou conhecido precisamente desta forma: “Ora, Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado por justiça; e: foi chamado amigo de Deus.” (Tiago 2:23).

É no livro dos Salmos que lemos acerca de não podermos fugir da presença divina e de que não é razoável que assim façamos. O salmista exprime-se nestes termos que têm tanto de bonito como de maravilhoso:

“Senhor tu me sondas e me conheces. Sabes quando me assento e quando me levanto; de longe penetras os meus pensamentos. Esquadrinhas o meu andar e o meu deitar, e conheces todos os meus caminhos. Ainda a palavra me não chegou à língua, e tu, Senhor, já a conheces toda. Tu me cercas por trás e por diante, e sobre mim pões a tua mão. Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim: é sobremodo elevado, não o posso atingir.

Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares: ainda lá me haverá de guiar a tua mão e a tua destra me susterá. Se eu digo: as trevas, com efeito, me encobrirão, e a luz ao redor de mim se fará noite, até as próprias trevas não te serão escuras; as trevas e a luz são a mesma cousa.

Pois tu formaste o meu interior, tu me teceste no seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem; os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado, e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda.

Que preciosos são para mim, Senhor, são os teus pensamentos! E como é grande a soma deles! Se os contasse, excedem os grãos de areia: contaria, contaria, sem jamais chegar ao fim.

Tomara, ó Deus, desses cabo do perverso; apartai-vos, pois, de mim, homens de sangue. Eles se rebelam insidiosamente contra ti, e como teus inimigos falam malícia. Não aborreço eu, Senhor, os que te aborrecem? E não abomino os que contra ti se levantam? Aborreço-os com ódio consumado: para mim são inimigos de facto.

Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração: prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno.” (Salmo 139).

 

Em vez do abandono e da solidão, em vez de estarmos entregues a nós próprios na nossa fraqueza e debilidade, a Bíblia abre-nos uma alternativa cheia de luz, de fé, de esperança, de confiança, de dependência. Podemos confiar a Deus a nossa vida, os nossos medos, os nossos fracassos, a nossa incapacidade. Ainda continuamos fracos, incapazes, débeis, tantas vezes ansiosos e preocupados, mas em Deus podemos descansar perfeitamente.

 

Os Salmos estão cheio de cânticos em que é descrita a presença de Deus em meio às dificuldades e lutas do quotidiano.

“O que habita no esconderijo do Altíssimo, e descansa à sombra do Omnipotente, diz ao Senhor: Meu refúgio e meu baluarte, Deus meu, em quem confio. Pois ele te livrará do laço do passarinheiro, e da peste perniciosa. Cobrir-te-á com as suas penas, sob suas asas estarás seguro: a sua verdade é pavês e escudo.

Não te assustarás do terror nocturno, nem da seta que voa de dia, nem da peste que se propaga nas trevas, nem da mortandade que assola ao meio-dia.

Caiam mil ao teu lado, e dez mil à tua direita; tu não serás atingido. Somente com os teus olhos contemplarás, e verás o castigo dos ímpios. Pois disseste: O Senhor é o meu refúgio. Fizeste do Altíssimo a tua morada. Nenhum mal te sucederá, praga nenhuma chegará à tua tenda. Porque aos seus anjos dará ordens a teu respeito, para que te guardem e, todos os teus caminhos. Eles te sustentarão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra. Pisarás o leão e a áspide, calcarás aos pés o leãozinho e a serpente. Porque a mim se apegou com amor, eu o livrarei; pô-lo-ei a salvo, porque conhece o meu nome. Ele me invocará, e eu lhe responderei; na sua angústia eu estarei com ele, livrá-lo-ei, e o glorificarei. Saciá-lo-ei com longevidade, e lhe mostrarei a minha salvação.” (Salmo 91).

 

Este poema é um convite a que façamos de Deus o nosso baluarte, o nosso refúgio, o nosso ninho, a nossa morada.

Para quê viver sozinho e desamparado quando podemos viver à sombra do Omnipotente?

 

 

 

 


 

CONHECER O CUIDADO DE DEUS

 

        “O Senhor é o meu pastor: nada me faltará. Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me para junto das águas de descanso; refrigera-me a alma. Guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome.

Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo: a tua vara e o teu cajado me consolam. Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários, unges-me a cabeça com óleo; o meu cálice transborda.

Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do Senhor para todo o sempre.” (Salmo 23)

 

 

Este é um dos textos mais conhecidos e divulgados da Bíblia, ao retratar, de uma forma belíssima, o cuidado que Deus tem por nós e o descanso que podemos encontrar e desfrutar junto d’Ele.

Tomando como termo de comparação a forma como o pastor cuida do seu rebanho em geral e de cada ovelha em particular, o poeta bíblico dá-nos um quadro singelo da maneira como Deus toma conta de nós.

 

É bem visível a confiança que o salmista deposita na presença divina na sua vida, certamente como resultado do conhecimento pessoal que tem d’Ele. Nada há que substitua a intimidade em relação à fé, à confiança, à certeza absoluta no cuidado e protecção divinas.

Quando conhecemos bem uma pessoa sabemos sem sombra de dúvida que podemos ou não confiar e depender dela em qualquer situação e circunstância.

Da mesma forma, para confiarmos e descansarmos em Deus, temos que O conhecer na intimidade, passar tempo na Sua presença, ler a Sua Palavra, falar com Ele através da oração e deixar que Ele toque a nossa vida pelo Seu Espírito.

 

Como um bebé é capaz de dormir tranquilamente nos braços da sua mãe, também nós podemos usufruir de tranquilidade quando conhecemos o Criador e sabemos que estamos nas Suas mãos.

É interessante que no Antigo Testamento Deus chega ao ponto de dizer que mesmo que uma mãe se esqueça do filho do seu ventre, Ele não se esquece nem abandona nunca os que Lhe pertencem. São do profeta Isaías as seguintes palavras: “Acaso pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti. Eis que nas palmas das minhas mãos te gravei; os teus muros estão continuamente perante mim.” (Isaías 49:15,16). Estas palavras escritas a propósito do povo de Israel, aplicam-se genericamente a todos os que são hoje em dia família de Deus, ou seja, são Seus filhos através de Jesus Cristo.

 

Deus cuida dos que Lhe pertencem.

Jesus falando das perseguições a que seriam sujeitos os Seus discípulos deixou-lhes, ao mesmo tempo, a promessa de que nunca seriam abandonados e desamparados: “Eis que vos envio como ovelhas para o meio de lobos, sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas. E acautelai-vos dos homens; porque vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas; por minha causa sereis levados à presença de governadores e de reis, para lhes servir de testemunho, a eles e aos gentios. E, quando vos entregarem, não cuideis em como, ou o que haveis de falar, porque naquela hora vos será concedido o que haveis de dizer; visto que não sois vós os que falais, mas o Espírito de vosso Pai é quem fala em vós. Um irmão entregará à morte outro irmão, e o pai ao filho; filhos haverá que se levantarão contra os progenitores, e os matarão. Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo. Quando, porém, vos perseguirem numa cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel, até que venha o Filho do homem.

O discípulo não está acima do seu mestre, nem o servo acima do seu senhor. Basta ao discípulo ser como o seu Mestre, e ao servo como o seu senhor. Se chamaram Belzebu ao dono da casa, quanto mais aos seus domésticos? Portanto, não os temais; pois nada há encoberto, que não venha a ser revelado; nem oculto, que não venha a ser conhecido. O que vos digo às escuras, dizei-o a plena luz; e o que se vos diz ao ouvido, proclamai-o dos eirados. Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo.

Não se vendem dois pardais por um asse? E nenhum deles cairá em terra sem o consentimento de vosso Pai. E quanto a vós outros, até os cabelos de vossa cabeça estão contados. Não temais pois! Bem mais valeis vós do que muitos pardais. Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai que está nos céus; mas aquele que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai que está nos céus.” (Mateus 10:16-33).

 

É interessante que Jesus não encobre aos Seus seguidores as dificuldades que podem surgir, mas assegura-lhes que cuidará deles e que o futuro não se resume ao tempo que aqui passamos, mas à eternidade.

Embora aqui se possa enfrentar oposição e hostilidade e isso tem sido uma dura realidade ao longo da história da Igreja, o facto é que o tempo nada é diante do futuro eterno!

Em toda e qualquer circunstancia podemos confiar no cuidado divino, quando nos confiamos à Sua guarda, andando na Sua presença e procurando fazer a Sua vontade.

 

Esta confiança na vida cristão está muito bem descrita por Paulo quando escreve a sua carta aos Romanos, ele que particularmente como poucos soube o que foi sofrer por causa do nome de Cristo.

“Que diremos, pois, à vista destas cousas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou a seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura não nos dará graciosamente com ele todas as cousas? Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu, ou antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Em todas estas cousas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque estou bem certo de que nem a morte, nem vida, nem anjos, nem principados, nem cousas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Romanos 8:31-39).

 

É impossível pensar ou imaginar alguma coisa mais extraordinária do que aquela que a Bíblia nos assegura neste trecho. Mas tudo o que aqui se diz respeita única e exclusivamente a nossa vida terrena.

Sobre o futuro eterno dos que confiam em Deus, através de Cristo, o mesmo apóstolo escreve: “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.” (1 Coríntios 2:9).

 

 


 

CONHECER O PODER DE DEUS

       

        “No sexto mês o anjo Gabriel enviado da parte de Deus, para uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com certo homem da casa de Davi, cujo nome era José; a virgem chamava-se Maria. E, entrando o anjo aonde ela estava, disse: Alegra-te, muito favorecida! O Senhor é contigo.

            Ela, porém, ao ouvir esta palavra, perturbou-se muito e pôs-se a pensar no que significaria esta saudação. Mas o anjo lhe disse: Maria, não temas; porque achaste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho a quem chamarás pelo nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim.

            Então disse Maria ao anjo: Como será isto, pois não tenho relação com homem algum? Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o Espírito Santo e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso também o ente santo que há de nascer, será chamado Filho de Deus. E, Isabel tua parenta, igualmente concebeu um filho na sua velhice, sendo este já o sexto mês para aquela que diziam ser estéril. Porque para Deus não haverá impossíveis em todas as suas promessas.

            Então disse Maria: Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra. E o anjo se ausentou dela.” (Lucas 1:38)

 

            Vivemos numa sociedade e numa cultura que cultua a ideia do poder.

            Muitas pessoas sonham em ser poderosas, e muitas outras têm pena de não o serem.

            O poder corrompe e é corruptor. Ter poder significa para muitos fazer o que se quer, tirar dividendos pessoais das situações, alcançar o que se quer, dar vazão ao egoísmo.

 

            Quando pensamos no poder divino estamos a pensar em algo totalmente diferente.

            Deus é todo-poderoso diz-nos a Bíblia e vêmo-lo de forma distinta na vida de Jesus Cristo que acalmou as tempestades, curou os enfermos, ressuscitou os mortos, multiplicou o pão, perdoou os pecados, libertou os oprimidos, aliviou os cansados, levantou os que estavam prostrados, deu esperança e estimulou a fé.

            Tudo o que Jesus fez foi para que O pudéssemos identificar e saber quem é sem qualquer sombra de dúvida. Mas tudo o que Ele fez nunca foi em proveito próprio e quando se encontrou diante da morte e da cruz, não recuou. Naquele momento crucial o poder que demonstrou não foi o de fugir e recusar ser crucificado, mas o poder do amor de aceitar o sacrifício porque era feito a nosso favor.

            Esta é a mensagem por excelência do Evangelho, sem ela não há boas notícias.

 

            Ao falar no poder divino alguns de nós somos capazes de pensar em demonstrações espectaculares que acabassem com alguns dos grandes problemas mundiais e individuais que encontramos: a sida, a toxicodependência, a guerra, as deficiências, as calamidades e catástrofes naturais.

            Tudo isto nos apavora e só Deus pode efectivamente pôr cobro a elas.

            Mas, entretanto, a maior de todas as manifestações do poder divino é a concessão de perdão e a transformação que opera de molde a que nos tornemos Seus filhos, pertençamos à Sua família e possamos viver com Ele eternamente.

            Se Deus resolvesse apenas pontualmente os problemas causados pelo pecado eles tornariam a voltar.

            A solução divina é radical porque é realizada no que nós somos e tem resultados eternos porque viveremos com Ele para todo o sempre num lugar que Jesus nos foi preparar.

 

            O poder de Deus que hoje opera é antes de tudo o mais o poder do amor, do perdão, do novo nascimento, da transformação, da mudança interior.

            Chegará o dia em que esse mesmo poder criará novos céus e nova terra em que definitivamente habitará a justiça.

 

            Conhecemos muitas pessoas que conhecem o poder de Deus manifesto numa poderosa mudança de vida. Jovens que viviam agarrados à seringa, pais que viviam debaixo da angústia de verem os seus filhos dependentes da agulha e dos ácidos.

            Mas não é apenas quando há uma libertação fantástica de uma dependência seja ela das drogas, do álcool ou da prostituição que Deus opera com um poder tremendo. Também quando uma pessoa pensa que a sua religião e boas obras o podem levar ao céu, e face ao evangelho reconhece que isso só é possível mediante a cruz, o milagre acontece e não é menor!

 

           

           

 


 

CONHECER A SANTIDADE DE DEUS

 

            “No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo. Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os seus pés e com duas voava. E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.” (Isaías 6:1-3)

 

 

“Porque assim diz o Alto, o sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e vivificar o coração dos contritos.” (Isaías 57:15)

 

 

“Santifica-os na verdade: a tua palavra é a verdade.” (João 17:17)

 

 

“Sede santos, porque eu sou santo.” (I Pedro 1:16)

 

 

Uma das declarações chave da Bíblia sobre Deus é que Ele é santo.

 

            Esta não é uma terminologia que usemos no nosso dia em relação uns aos outros, e quando é usada algumas vezes é com uma sentido pejorativo, mesmo que quem a use não esteja bem ciente de qual é o seu verdadeiro sentido.

 

            Então o que é que significa ser santo?

 

            É claro que quando este atributo é usado em relação a Deus tem um significado único que não cabe em qualquer outro ser. Ele mesmo pressupõe e impõe que o Criador é totalmente distinto de cada um de nós, que não conhece nenhuma imperfeição, nenhum incapacidade, nenhuma deficiência.

            A santidade divina é o ponto central de todos os Seus atributos e acompanha cada um dos restantes. O amor de Deus é santo. O Seu poder é santo. A sua ira é santa. A sua misericórdia é santa. A sua soberania é santa.

            Da mesma forma podemos dizer, segundo a revelação que Ele nos dá de si mesmo na Bíblia, que a santidade divina é amorosa, poderosa, misericordiosa e soberana.

 

            Quando somos colocados diante da santidade divina e temos a possibilidade de a conhecermos em parte, somos confrontados com a nossa imperfeição, com o nosso pecado, com as nossas injustiças, com a nossa mentira, com a nossa incapacidade, com a nossa fraqueza.

            Precisamos conhecer a santidade de Deus para nos reconhecermos necessitados do Seu perdão e reconciliação.

            Só quando nos deixamos tocar pela santidade divina é que reparamos o quão longe estamos do propósito para o qual Deus nos criou e o quanto nos desviámos dele. Este sentido de vida não tem que ver, em primeiro lugar, com o que fazemos, mas com quem somos, com a nossa natureza, com a nossa identidade. O que fazemos tem que ver com o que somos. Da mesma forma que o fruto está de acordo com a natureza da árvore que o produz.

            É diante da excelência que identificamos a mediocridade. É diante da limpeza que notamos a sujidade. É perante o branco que notamos a cinzento ou o negro.

 

            Como é que podemos conhecer a santidade divina?

            Principalmente através da pessoa de Jesus Cristo. É na Sua pessoa, na forma como viveu sem qualquer imperfeição ou injustiça, sem que por nenhuma vez os seus ferozes críticos O tivessem conseguido apanhar em alguma falta.

            Mas é na cruz que de alguma forma se torna bem patente a magnificência da santidade divina no amor e na justiça demonstradas. Por um lado o amor do Criador que se dispõe em pagar o preço da desobediência da humanidade, e por outro a justiça que obrigava a esse mesmo pagamento.

            Na Sua santidade Deus determina o que é certo e o que é errado, Ele é o legislador e é também o juiz. O homem falhou diante da santidade divina, duvidou que Deus fosse verdadeiro e falasse a verdade, quis colocar-se no lugar de Deus e ser ele mesmo juiz de si mesmo e das suas acções. As consequências não podiam ter sido mais nefastas. Hoje podemos verificar isso com os nossos próprios olhos e na nossa própria vida.

            Mas Deus não ficou indiferente à escolha humana e não deixou que as coisas seguissem o seu curso. Como Senhor que é, na Sua santidade em amor e justiça, determinou um plano em que Ele mesmo haveria de ser a solução para a situação humana. É por isso que Deus não é para nós hoje apenas o Legislador e o Juiz mas também o Salvador, o nosso Substituto e o nosso Advogado.

 

            Algumas pessoas pensam erradamente que a santidade é enfadonha, triste, aborrecida, descolorida, cinzenta, sem qualquer rasgo de alegria e prazer.

            Nada de mais errado!

            Quando Deus nos convoca a vivermos segundo a Sua santidade, quando se dispõe a tornar-nos santos e a dar-nos a capacidade para vivermos em conformidade com a Sua santidade, está a dar-nos a possibilidade de vivermos um estilo de vida bonito, agradável, saudável, excitante, cheio de aventura, em que existe muita alegria e prazer. Não quer dizer que não somos chamados a dizer não a muitas coisas. Mas quando dizemos não, fazemo-lo porque isso é o melhor para nós, e o resultado final é de muito mais satisfação do que deixarmo-nos ir na corrente.

            É também uma profunda e essencial verdade da Bíblia que somos santos não pelo que fazemos, mas o que fazemos está relacionado com o facto de sermos santos. Ou seja, a santidade começa com o que somos, para depois se revelar no que fazemos. Então é Deus que nos torna santos, nos santifica, para vivermos de modo santo.

 

            Há uma profunda e intrínseca diferença entre ser um santarrão fanático e legalista e ser um santo tocado pela vida e pelo amor divinos.

            De uma coisa estamos perfeitamente certos: o pecado não compensa por muito prazer que possa oferecer. No fim o que fica é a frustração, a doença, a dependência, a culpa, o fracasso! Com Deus temos perdão e mudança para uma nova vida que diz não à morte, mas diz sim à vida!

 

            Ser santo é ser brilhante, é ter as cores do arco-íris, é ter paz, é viver em boa consciência, é corresponder ao projecto de Deus.

            A melhor maneira de acabar com a culpa, não é fingir que ela não existe, ou que o pecado é uma invenção da religião; mas viver com o perdão divino através de Jesus.

            É mesmo incrível ser-se cristão! Mesmo com falhas e com faltas, mesmo com erros e com problemas, podemos chegar diante de Deus e tratar directamente com Ele os nosso erros.

            É magnífico viver com um coração limpo, olhar para o nosso passado e não termos de que nos envergonhar. Da mesma forma que é maravilhoso olhar para a nossa vida e para o céu e não termos que pensar que temos que conquistar por nós próprios a vida eterna!

 

            Cada um de nós pode ser santo por Jesus. Ele limpa-nos de toda a sujidade moral e espiritual.

            Não temos que sentir vergonha de sermos santos!

 

            Conheça a santidade divina... deixe o pecado... seja santo... viva de forma santa... descubra o sentido da vida...

 

 


 

CONHECER A BONDADE DE DEUS

 

            “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus que apresenteis os vossos corpos por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12:1,2)

 

 

            “Não vos enganeis, meus amados irmãos. Toda boa dádiva e todo dom perfeito é lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação, ou sombra de mudança.” (Tiago 1:16,17)

 

 

            “Despojando-vos, portanto, de toda maldade e dolo, de hipocrisias e invejas, e de toda sorte de maledicências, desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que por ele vos seja dado crescimento para salvação, se é que já tendes a experiência que o Senhor é bondoso.” (1 Pedro 2:1-3)

 

 

 

        Deus é bom e é muito bom saber isso e viver isso todos os dias, tanto quando as coisas correm bem, quando correm menos bem ou até mesmo quando correm mal.

 

            A maior de todas as demonstrações desta bondade é que nos tenha visitado neste planeta contaminado e corrompido pelo pecado, pela morte, pela destruição, pela doença, pelo sofrimento.

            Jesus não foi bem-vindo a esta terra. Foi mal recebido. Desde bebé foi perseguido e tentaram acabar com Ele. Não teve um nascimento, uma infância e uma vida fácil e cómoda. De muitas e variadas formas foi rejeitado, escorraçado, maltratado e acabou por ser pregado numa cruz.

            Que mais poderíamos exigir para sabermos com toda a propriedade que Deus nos ama?

 

            Há tanta dor e sofrimento no mundo em que vivemos, tanta injustiça e desilusão que muitas vezes podemos ser tentados a duvidar de que Deus seja efectivamente bom.

            Mas tudo o que parece negar a bondade divina é resultado da desobediência humana. Deus não nos criou como robôs, mas como pessoas livres e responsáveis. Como livres e responsáveis, como seres inteligentes e com senso crítico, Deus satisfez Ele mesmo as Suas exigências de justiça e pela cruz nos oferece perdão e reconciliação.

            De que é que nos temos que queixar se ignoramos e desprezamos o amor divino?

 

            A maior tragédia do pecador é não querer admitir que o é.

            A principal loucura do pecado é não ter consciência, não se ver ao espelho, não reconhecer a situação e as consequências que daí advêm.

            O pecado engana-nos a respeito de Deus e a nosso respeito, sobre a melhor forma de viver o tempo presente e sobre a maneira de nos prepararmos para a eternidade.

            O pecado impede-nos de ver e desfrutar a bondade divina.

 

            Existem muitas coisas feias e horríveis nesta terra. Todos os dias somos expostos a elas através da televisão. Os telejornais estão por demais cheios de más notícias para sermos indiferentes e insensíveis. Precisamos sintonizar o canal divino para ouvirmos e alcançarmos coisas boas e podermos fazer face a tudo o que nos empurra para baixo e nos quer manter deprimidos ou alienados.

            Diante das dificuldades, das lutas e das frustrações é muito fácil ceder e procurar no álcool, na droga, na promiscuidade e em tantos outras coisas um escape.

            A Bíblia apresenta-nos uma outra alternativa, Deus desafia-nos a conhecer a Sua bondade.

            O Salmista escreve acerca disto mesmo no salmo 103. Preste atenção às suas palavras que são o retrato da sua própria vivência:

            “Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e tudo o que há em mim bendiga ao seu santo nome.

            Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nem um só de seus benefícios.

            Ele é quem perdoa todas as tuas iniquidades; quem sara todas as tuas enfermidades; quem da cova redime a tua vida, e te coroa de graça e d misericórdia; quem farta de bens a tua velhice, de sorte que a tua mocidade se renova como a da águia.

O Senhor faz justiça, e julga a todos os oprimidos.

Manifestou os seus caminhos a Moisés, e os seus feitos, aos filhos de Israel.

O Senhor é misericordioso e compassivo; longânimo e assaz benigno.

Não repreende perpetuamente, nem conserva para sempre a sua ira.

Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui consoante as nossas iniquidades.

Pois quanto o céu se alteia acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem.

Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões.

Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece dos que o temem.

Pois ele conhece a nossa estrutura, e sabe que somos pó.

Quanto ao homem, os seus dias são como  a relva; como a flor do campo, assim ele floresce; pois, soprando nela o vento, desaparece; e não conhecerá daí em diante o seu lugar.

Mas a misericórdia do Senhor é de eternidade a eternidade, sobre os que o temem, e a sua justiça sobre os filhos dos  filhos; para com os que guardam a sua aliança, e para com os que se lembram dos seus preceitos e os cumprem.

Nos céus estabeleceu o Senhor o seu trono, e o seu reino domina sobre tudo.

Bendizei ao Senhor todos os seus anjos, valorosos em poder, que executais as suas ordens, e lhe obedeceis à palavra.

Bendizei ao Senhor todos os seus exércitos, vós, ministros seus, que fazeis a sua vontade.

Bendizei ao Senhor, vós, todas as suas obras, em todos os lugares do seu domínio.

Bendize, ó minha alma, ao Senhor.” (Salmo 103)

 

Este cântico de celebração em que o salmista incita a sua alma a declarar a bondade do Senhor (é este o significado de bendizer), tem um profundo impacto na nossa vida e na nossa maneira de agir, de olharmos o presente e o futuro e de actuarmos.

Quando conhecemos que Deus é realmente bom, tudo muda. A nossa confiança é incondicional. Deus é efectivamente bom e nada temos que temer. Todas as coisas contribuirão para o nosso bem. É assim que se expressa o apóstolo Paulo: “Sabemos que todas as cousas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” (Romanos 8:28).

 

No Antigo Testamento uma das grandes figuras dos primórdios da nação de Israel, fez uma declaração tremenda sobre a bondade de Deus, dizendo que ele é Aquele que transforma o mal em bem. Mesmo no fim do primeiro livro da Bíblia, está escrito: “Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, (...)” (Génesis 50:20).

Um outro exemplo de proporções gigantescas é o que encontramos nessa figura incrível do Velho Testamento que foi Jó. Em meio a um sofrimento atroz este homem de Deus acaba por exclamar: “Ainda que ele me mate, contudo nele esperarei; (...)” (Jó 13:15). Só quem conhece toda a bondade de Deus é capaz de se exprimir desta maneira, porque sabe de antemão que o Criador nunca falha. Na eternidade acabaremos por perceber o que aqui não conseguimos atingir e compreender.

O mesmo acaba por acontecer com Abraão quando Deus lhe pede o seu único filho e o patriarca não lho nega, porque sabe de antemão que o Todo-Poderoso nunca falha e, portanto, até da morte o pode trazer de volta. É isso mesmo que o escritor da carta aos Hebreus declara: “porque considerou que Deus era poderoso até para ressuscitá-lo dentre os mortos, de onde também, figuradamente, o recobrou” (Hebreus 11:19).

 

Deus é absolutamente bom.

 

Terminamos com as palavras que encontramos num profeta menor do Antigo Testamento que diz: “O Senhor é bom, é fortaleza no dia da angústia, e conhece os que nele se refugiam” (Naum 1:7).