A EXCELÊNCIA DE JESUS CRISTO

 

            Jesus Cristo sempre foi e continuará a ser uma figura controversa da nossa História.

            Esta controvérsia é certamente alimentada pelo facto incontroverso de ser Ele uma personagem única e singular. Nenhum outro, da religião à filosofia, passando por todos os outros domínios de intervenção, rivalizam com Ele no que diz respeito à identidade que reivindicou.

            Não admira que ainda hoje a controvérsia se mantenha, e até que as opiniões se dividam e extremem. Para uns Ele será apenas um falsário ou impostor, para outros um grande líder religioso ou um profeta de destaque, e ainda para outros, certamente a maioria, Ele é quem disse ser: Deus em forma humana.

 

JESUS NA SUA PRÓPRIA BOCA

            Segundo os relatos dos Evangelhos não sobra dúvida que homem apenas não pode ser, em virtude das afirmações que faz, do sentido que coloca na Sua existência, no propósito que impõe à Sua morte, na ressurreição que anuncia previamente, no aparecimento que faz depois da crucificação, da comissão que entrega aos Seus discípulos e, como não podia deixar de ser, na implantação vertiginosa da Sua igreja logo no primeiro século após a Sua ascensão.

            De tudo o que se tem dito e escrito em torno da pessoa de Jesus Cristo, nada supera o que o próprio afirmou sobre si mesmo, e que vem relatado nas páginas dos Evangelhos.

            Quando alguém diz a respeito de si próprio: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” (João 14:6) Ou na sequência desta conversação com Filipe, um dos Seus discípulos: “Quem me vê a mim vê o Pai.” (João 14:9) Ou ainda a respeito da vida e da morte, conversando com a irmã enlutada de Lázaro, que haveria de ressuscitar um pouco depois: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim, não morrerá, eternamente. Crês isto?” (João 11:25,26)

            Quando esse alguém dois mil anos atrás, nas paragens longínquas e pouco salientes na cultura geopolítica de então, desafia os seus ouvintes nestes termos: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomas sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas.” (Mateus 11:28-30)

            A única conclusão que se pode tirar é que estaremos diante de um lunático, de um mentiroso ou de alguém muito maior do que nós.

 

A PROVA REAL HISTÓRICA

            A primeira e a segunda hipótese são rechaçadas pela prova real da própria fé cristã, segundo foi exposta pelo apóstolo Paulo quando escrevia, pela primeira vez, aos cristãos na cidade de Corinto: “E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados.” (1 Coríntios 15:17) Para logo mais acrescentar taxativamente: “Mas de facto Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem.” (1 Coríntios 15:20) E um pouco antes nesta exposição, o mesmo escritor bíblico, adianta como declaração clara e objectiva da dimensão histórica do evento: “Antes de tudo vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. E apareceu a Cefas, e, depois, aos doze. Depois foi visto por mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maioria sobrevive até agora, porém alguns já dormem. Depois foi visto por Tiago, mais tarde por todos os apóstolos, e, afinal, depois de todos, foi visto também por mim, como por um nascido fora de tempo.” (1 Coríntios 15:3-8)

            O livro histórico do lançamento da Igreja cristã, Actos dos Apóstolos, demonstra como desde logo o centro da proclamação assentou na realidade factual da crucificação e da ressurreição. Vejamos apenas dois exemplos significativos. O primeiro ocorreu logo no dia de Pentecostes, sete semanas depois da Páscoa, pela boca de Pedro: “Varões israelitas, atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós, com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmos sabeis; sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos; ao qual, porém, Deus ressuscitou, rompendo os grilhões da morte; porquanto não era possível fosse ele retido por ela.” (Actos 2:22-24) O segundo aconteceu quando o apóstolo Pedro e João, compareceram diante das autoridades religiosas judaicas. Novamente o mesmo apóstolo afirma: “tomai conhecimento vós todos e todo o povo de Israel de que, em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, a quem vós crucificastes, e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos (...)” (Actos 4:10)

 

DEUS E HOMEM

            Face a estas evidências não sobrarão dúvidas de que Jesus Cristo é simultaneamente da linhagem do rei Davi, como o apóstolo Paulo escreve na sua carta aos Romanos: “(...) com respeito a seu Filho, o qual, segundo a carne, veio da descendência de Davi, (...)” (1:3) E Filho de Deus, logo, portanto, Deus, como o mesmo escritor afirma: “pois ele, subsistindo em forma de Deus não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhuo, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz.” (Filipenses 2:6-8)

            Igualmente é fácil perceber, em consonância com os próprios relatos bíblicos, que Jesus Cristo é mais do que um mero reformador religioso do judaísmo, mas o seu Messias profeticamente anunciado, embora não reconhecido até aos dias de hoje por um número significativo de judeus que continuam à espera da sua manifestação, o que os próprios textos adiantam. É nas próprias palavras de Jesus Cristo que encontramos a declaração: “Não penseis que vim revogar a lei ou os profetas: não vim para revogar, vim para cumprir. Porque em verdade vos digo: Até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da lei, até que tudo se cumpra.” (Mateus 5:17,18)

 

UNIVERSALIDADE E CONTEMPORANEIDADE

            Jesus Cristo cumpriu assim a própria promessa feita Abraão, pai da nação judaica, que o livro do Génesis, o primeiro da Bíblia, regista nos seguintes termos: “em ti serão benditas todas as famílias da terra.” (Génesis 12:3) Ele tem uma abrangência universal. Durante os três anos e meio da Sua actividade pública entre os judeus, manifestou inequivocamente essa vocação universal da Sua pessoa e mensagem, e acabou por entregá-la nas mãos dos Seus discípulos, ao dizer-lhes: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, baptizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as cousas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação dos séculos.” (Mateus 28:19,10)

            Jesus Cristo visto por Ele mesmo e por aqueles que de perto lidaram com Ele, tem uma fisionomia inigualável. Ontem como hoje, há que escolher entre o verdadeiro e falseado. A Sua pergunta aos Seus discípulos ainda hoje faz sentido e continua a ser pertinente e relevante: “Quem diz o povo ser o Filho do homem? (...) Mas vós, continuou ele, quem dizeis que eu sou?” À resposta de Pedro: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.”, Jesus redarguiu: “Bem-aventurado és, Simão Barjonas, por que não foi a carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai que está nos céus.” (Mateus 16:13-17)

            Nesta revelação não há confusão!

 

Samuel R. Pinheiro